As Aves de Rapina aterrissaram na capa da revista britânica Glamour. Elas foram entrevistadas enquanto ainda estavam em São Paulo para a CCXP e conversaram enquanto comiam pão de queijo! Confira as fotos e entrevista abaixo:

Margot Robbie está arrumando pratos de pão de queijo, uma comida típica do Brasil, para mim e para as três outras mulheres: Rosie Perez, Jurnee Smollet-Bell, e Mary Elizabeth Winstead. Estamos em uma sala de conferência em um hotel luxuoso em São Paulo, poucas horas antes da Comic-Con anual do país, onde elas irão divulgar Aves de Rapina, o filme baseado na equipe só de mulheres da DC Comics. Enquanto Robbie coloca cada pão no prato, o grupo conversa como colegas de trabalho na happy hour, mas não se engane: Esse não é um ambiente de trabalho comum. É um universo de 75 milhões de dólares comandado por mulheres em maioria.

Aves de Rapina – o título completo é Aves de Rapina (Arlequina e sua Emancipação Fantabulosa) tem uma diretora, roteirista e quatro mulheres em papéis principais. Uma primeira vez no mundo dos super-heróis, mas uma primeira vez estranha. ”Na vida real, eu estou com o meu grupo de amigas o tempo todo,” diz Robbie. ”Eu acho que a meninas tendem a ficar em grupo mais do que os meninos. Eu achei estranho que não vemos isso refletido no cinema com mais frequência.”

Murmúrios em concordância seguem antes de um tímido sorriso de Robbie. ”Eu vou ser muito nojenta agora e tirar meu Invisalign para comer esses pães de queijo.”

Aves de Rapina se passa no mesmo mundo de Esquadrão Suicida, filme de 2016 da DC que arrecadou 745 milhões de dólares sobre um grupo de vilões convencidos a fazerem o bem em troca de redução de pena, o que fez da Harley Quinn de Robbie uma estrela e a fantasia de Halloween mais pesquisada naquele ano. Mas chamar de sequência não é certo. Quando o filme chegar nos cinemas em 6 de fevereiro, os fãs verão uma jornada independente de Quinn para encontrar si mesma – e um grupo incomum de mulheres que a apoiam. As cenas de luta intensas permanecem do Esquadrão original, mas Aves de Rapina é notavelmente mais comprometido em desenvolvimento de personagem e se apoia em um trama suculenta de vingança contra a máfia que deixaria Scorsese orgulhoso.

Também são novidades: a diretora Cathy Yan, a roteirista Christina Hodson, produtores que incluem Robbie, cuja empresa, LuckyChap, desenvolveu e apresentou o projeto para a Warner Bros., e um elenco verdadeiramente feminino. No entanto, esse não é um filme água com açúcar: É um filme para maiores. Em outras palavras, realmente não há nada como ele.

”Eu lembro que quando apresentei o projeto pela primeira vez, encontrei dificuldade em comparar com outra coisa além de As Panteras, que eu adorava quando era mais nova,” Robbie diz. ”E então fiquei, ‘Isso foi há muito tempo, no entanto.’”

Esse também não foi o único estereótipo sendo desafiado aqui. Em um mundo alternativo, um elenco de quatro mulheres em papéis principais inspiraram fofocas, verdadeiras ou não, sobre brigas no set e competições selvagens. (Veja em Sex and the City 3). Mas a energia que eu presenciei entre Perez, Winstead, Smollett-Bell e Robbie era quente e fácil. E pareceu real.

Naquela sala de conferência, eu aprendi que um laço foi formado entre algumas das mulheres – um que elas descrevem como irmandade – em uma noite de domingo no trailer da Rosie. Elas já saíram juntas antes (me disseram que nas sextas-feiras, todos do elenco e equipe usavam camisas havaianas e bebiam piña coladas feitas por Robbie). Mas após ensaiarem uma cena de ação particularmente cansativa, Winstead e Smollett-Bell se juntaram à Perez para um pouco de coquito, uma bebida porto-riquenha com leite de coco e rum, que Robbie, que não pode ir no encontro, descreve como letal. ”Ela cozinhou para a gente e nós todas choramos,” Smollett-Bell diz. ”Nós tivemos sessões de terapia uma com a outra.” Elas ficam notavelmente relutantes quando pergunto o que, exatamente, foi discutido, mas Perez me joga um osso: ”O mundo é um lixo.”

Nos dias seguintes, as mulheres procuravam uma a outro no set para conversar – momentos roubados que elas usavam para checar como estavam, desabafar ou rir. ”Cada uma de nós tinha vulnerabilidades em nossa vida pessoal ou profissional ou com o nosso corpo enquanto filmamos,” Smollett-Bell, 33 anos, diz. ”Nós tivemos contratempos e obstáculos, ou problemas no joelho, no ombro, ou problemas pessoais. Ainda assim havia uma camaradagem entre nós, essa irmandade. É inspirador pra caralho.”

Aves de Rapina tem as mulheres interpretando quatro personagem muito diferentes que, de suas próprias maneiras, são motivadas a proteger uma jovem menina (Cassandra Cain, interpretada pela novata Ella Jay Basco) do vilão Máscara Negra de Ewan McGregor. Robbie, é claro, reprisa o papel de Quinn, a maluca super animada com dificuldades para se encontrar após terminar com o Coringa. Winstead interpreta a Caçadora, uma misteriosa assassina que usa uma besta procurando vingança. A Canário Negro de Smollett-Bell talvez seja a mais em conflito – ela trabalha para o Máscara Negra, mas seu código moral a mantém longe de ir fundo no lado obscuro. Para completar está a Renee Montoya de Perez, uma detetive no departamento de polícia de Gotham que está lutando contra a mentalidade masculina. Todas possuem uma briga com o Máscara Negra, um criminoso sádico, mas elas se juntam no final do filme para acabar com o grande vilão. ”Isso não é divertido?” Harley pergunta em sua típica voz nasal enquanto elas se preparam para a batalha final do filme. ”É como uma festa do pijama!”

Essa união transferiu para fora das telas, também. ”Não havia ordem de hierarquia; apenas mulheres,” Perez diz. ”Isso não acontece com frequência onde você pode ligar para o elenco inteiro para dizer oi. Essa foi uma coisa muito rara e bonita.”

Também raro e bonito era um set onde as mulheres podiam entrar, fazer seu trabalho, e não se preocupar com lutar contra cenas de nudez gratuitas, cenas que mostram longamente seus corpos e roupas inconfortavelmente pequenas, todas essas coisas típicas de filmes de ação filmados pelo olhar masculino para o olhar masculino. Em Aves de Rapina, as mulheres são inegavelmente sexy, mas elas conseguem se mexer em suas roupas, o que foi uma crítica em massa sobre os shorts curtos e saltos de Harley Quinn em Esquadrão Suicida. (“Os shorts de Harley eram sexy demais?” perguntou o Daily Mail.)

”O olhar feminino aconteceu naturalmente porque eram mulheres em sua maioria tomando as decisões,” Robbie, 29 anos, diz. ”Estávamos escolhendo o que achávamos legal.”

Ao 55 anos, Perez diz que ela apreciou o compromisso com o figurino que parecia autêntico ao papel que ela estava interpretando. ”Eu não me senti objetificada,” ela diz. ”Eu sou a mais velha daqui e estava com medo do figurino.” Quando ela chegou no set, ela esperava ser colocada em um traje apertado. Em vez disso, ela estava usando calças normais e uma blusa com botões, como uma detetive de verdade usaria, mulher ou homem. ”Quando eu vi, eu fiquei, ‘Oh!’ E então, eu vi as outras meninas e fiquei, ‘Você está gostosa! Você está gostosa! Você está gostosa! Yay!’ Eu estava feliz. Você pode ser sexy, mas você não precisa vestir a sensualidade.”

Essa liberdade do olhar masculino permitiu mais criatividade para realmente fazer o trabalho. Winstead, 35 anos, diz, ”Você não é examinada com, ‘Como ela pode ficar mais sexy?’ Que é uma experiência que eu tive no passado.” Adiciona Perez: ”Não é tipo, ‘Vamos colocar ela nessa roupa porque a bunda dela é incrível,’ que eu sei que todas nós já passamos por isso.’”

Smollett-Bell dá créditos a falta geral de objetificação ao ter Yan e a produtora Sue Kroll no comando com Robbie. ”Eu percebi, antes desse filme, quantos projetos eu já estive onde eu era a única mulher no set e o quão sozinha me sentia,” ela diz.

Pelos relatos das mulheres, é assim que eu imagino uma verdadeira parceria em um set de filmagem: um ambiente seguro onde todos podem entrar e fazerem seu melhor trabalho, um onde cada estrela feminina recebe o reconhecimento que ela merece, sem perguntas. Perez diz que ficou emocionada quando viu o pôster oficial do filme pela primeira vez. Ela ficou surpresa que eram apenas as quatro mulheres em destaque. ”Em muitos filmes, o homem sempre fica na frente, não importa se o papel é grande ou pequeno,” ela diz. ”Estando nessa indústria há tanto tempo, você ainda acha que os homens vão aparecer, sabe? Foi muito, muito empoderador.”

Nesse momento na conversa, eu pergunto o que cada mulher aprendeu com a outra – e todas elas se viram para Perez. ”Por que vocês olharam para mim?” ela pergunta. Porque você é sábia,” Smollett-Bell responde. ”Nós todas temos uma quedinha por você, caso você não perceba.”

Elas param um momento para lembrar da festa de encerramento – uma noite onde todo mundo dançou tanto que Perez precisou colocar gelo no joelho depois. Então, um toque. Perez decide compartilhar o que ela aprecia sobre as outras mulheres. Primeiro, ela se vira para Robbie. ”Eu aprecio o quanto Margot consegue estar no comando, mas não faz você se sentir inferior,” ela diz. ”Algumas vezes, quando atores também são produtores, eles tendem a usar esse chapéu com muita força. Esse não foi o caso, então eu apreciei o quanto ela manteve suas emoções sob controle o tempo todo. Seu profissionalismo é extraordinário.”

E Winstead, Perez me conta, é a pessoa mais gentil que ela já conheceu. (”Eu vou chorar!” Winstead responde.)

Quanto à Smollett-Bell: ”Com Jurnee, o que eu apreciei foi que ela é tão forte. Ela é muito, muito forte,” Perez diz, dirigindo suas palavras para sua colega de elenco. ”Você se defende de um jeito muito, muito específico. Mas, por dentro, você é tão suave.”

As mulheres ecoam os comentários de Perez, mas Robbie tem uma apreciação final para compartilhar. ”Rosie, que é uma lenda nessa indústria, ainda consegue aparecer como se fosse novata, como se ela nunca tivesse dito essas palavras antes. Sempre tão nova e presente. É muito bom trabalhar com alguém que te faz esquecer que você está em um set. O set meio que derrete por um segundo. Isso só acontece se as pessoas são presentes, e se elas realmente entram naquela cena com tudo o que elas possuem. Todas aqui fizeram isso. Eu amei. Eu amei.”

Fonte | Tradução & Adaptação: Equipe Margot Robbie Brasil