O primeiro pôster de Aves de Rapina: Arlequina e sua Emancipação Fantabulosa foi divulgado na tarde de terça feira pelo perfil oficial do filme, que já começou a ser ativo nas redes! Além da divulgação do novo material, a roteirista do filme, Christina Hodson, falou sobre o longa com a revista Total Film. Confira:

Apesar de estamos algumas semanas longe do lançamento de Coringa nos cinemas, os fãs estão esperando ansiosamente por outro filme da DC: Aves de Rapina: Arlequina e sua Emancipação Fantabulosa. A próxima carta imprevisível dos quadrinhos da Warner Bros. coloca Harley Quinn (Margot Robbie) para se livrar de seu Esquadrão Suicida para se juntar com uma nova equipe de garotas, incluindo a Caçadora de Mary Elizabeth Winstead e a Canário Negro de Jurnee Smollett-Bell.

“Margot sabia que queria contar uma história da Harley Quinn com garotas,” disse a roteirista Christina Hodson na edição mais recente da Total Film. “Foi por onde ela começou. Ela sabia que queria uma equipe de garotas. Ela queria que a Harley tivesse amigas.”

Robbie, produtora e estrela do filme, conheceu Hodson quatro anos atrás (antes mesmo da estreia de Esquadrão Suicida estrear) para começar a rascunhar ideias, e Robbie “naturalmente foi em direção à Aves de Rapina,” explica Hodson. “Ela é fã de quadrinhos. Obviamente, você sabe, não é uma equipe tradicional. Então foi sobre encontrar jeitos divertidos e criativos de fazer isso. A Warner foi muito solidária em termos de me deixar sem coleira.”

Falando previamente com a Total Film, Hodson disse que Aves de Rapina (que chega nos cinemas em fevereiro de 2020) seria um filme “solo” e ficará separado de Esquadrão Suicida. “Obviamente, sim, é uma personagem que já conhecemos antes, mas realmente é sua própria história, e foi assim que abordei,” ela disse. “Eu tentei me tirar da coleira. Eu me apaixonei por essa personagem, e então todos esses outros novos personagens. E eu criei uma nova história que pareceu sua própria coisa, que não precisa sentir como se seguisse uma ou outra.”

Fonte | Tradução & Adaptação: Equipe Margot Robbie Brasil

Além de ser entrevistada por Quentin Tarantino para a edição de setembro da VOGUE Austrália, Margot Robbie também foi entrevistada por sua mãe, Sarie Kessler, para a mesma edição da revista. Confira:

É adequado que o título do novo filme de Quentin Tarantino, Era Uma Vez em… Hollywood, soa como se pertencesse a um conto de fadas. Desde que chegou em Los Angeles, Margot Robbie realizou a fantasia de ir da temporada de pilotos para uma atriz indicada ao Oscar, e agora também produtora, aos 29 anos. Nós pedimos para a mãe de Robbie, Sarie Kessler, ligar para sua filha para lembrar não somente da jornada, mas de algumas de suas memórias favoritas juntas.

SARIE KESSLER: Oi querida, é a mamãe!

MARGOT ROBBIE: Oi mãe, como vai?

SK: Bem, amor, estou terminando a minha vitamina do café da manhã. Eu queria ter uma xícara de chá e você sentada aqui comigo. Ok, queria, eu queria falar com você sobre quando você começou a atuar. Você foi para Melbourne [para Neighbours] e ligou para um agente e fez isso tudo por si mesma. Da onde veio isso, essa coragem, essa impetuosidade de fazer isso?

MR: Eu não sei dizer. Acho que é uma pergunta que eu faria para você porque você me conhece melhor do que ninguém. Me diz o que você acha.

SK: Okay, isso é o que eu acho. Quando você nasceu, você era uma pessoinha muito independente – você fazia suas próprias coisas. Você lembra do Rick, um amigo da família, dizendo: ”Ela vai ser a primeira mulher a ser primeira ministra da Austrália um dia.” Ele podia ver essa tenacidade, a individualidade e coragem, e essa atitude de tomar o mundo inteiro que você ainda tem.

MR: Eu acho que você está certa e é engraçado você mencionar o Rick dizendo isso. Eu espero que muitas outras meninas tenham adultos que dizem coisas assim para elas. Não ”Você vai crescer e casar com um homem legal?” ou ”Você vai crescer e ser princesa?” Eu sei que ele estava brincando, mas eu tenho muita sorte de um adulto ter dito isso pra mim quando eu era pequena. Foi um momento comovente onde eu fiquei: ”Sim, por que não tentar alcançar as estrelas?” Você é muito gentil de dizer que era independência. Eu diria que era um pouco de impaciência da minha parte. Eu lembro que quando eu era mais nova, se eu queria fazer alguma coisa, eu não tinha paciência de esperar para ver se alguém poderia me ajudar a fazer. Era mais ”Eu quero isso agora então eu vou olhar os horários do ônibus para ir lá e fazer. Não quero esperar até a mamãe chegar em casa do trabalho e então ver se consigo uma carona para algum lugar.”

SK: Você diria que foi impaciência quando você foi para a Itália… quando você esteve lá com uma viagem da escolha visitando sua irmã Anya e voltou para casa com um piercing no nariz?

MR: Não, eu diria que isso foi estupidez. Se eu soubesse naquela época que um dia eu seria atriz, eu definitivamente não teria feito um piercing no nariz. É muito irritante. Eu vejo o buraco do piercing no nariz o tempo todo na tela e eu sempre penso naquela época que eu era uma adolescente idiota e bêbada na Itália pensando que seria hilário ter um piercing no nariz.

SK: Bom, nada como um pouco de idade para te dar uma perspectiva diferente.

MR: Eu não sei se eu parei de fazer decisões precipitadas, para ser honesta.

SK: Eu não sei se chamaria de precipitadas, Margot, porque você pensa muitos sobre as coisas, também. Eu realmente admirei o jeito que você decidiu como seu futuro seria. Eu lembro da primeira vez que você me disse que seria atriz aos 12 anos.

MR: Eu não lembro de nada.

SK: Você lembra de fazer aquele filme? Você amou tanto que chegou em casa e disse: ”Mãe, você não vai gostar disso, mas eu decidi que vou ser atriz.” E Margot, minha cara foi no chão porque você estava em uma escola muito boa. Você vem de uma família com histórico em medicina e negócios, e você me disse que seria atriz. Eu fiquei perplexa.

MR: Não acredito que não lembro de ter dito isso. Mas quando eu disse, sua cara foi no chão porque você estava surpresa ou porque você pensou que era uma ideia ruim e que devia me dissuadir?

SK: Tudo isso. Eu pensei que é difícil ser atriz e ter uma boa vida. Mas eu fiquei muito preocupada que você estava querendo tomar um caminho que, para mim, não tinha um futuro muito extenso. E agora você poderia dizer: ”Mãe, você precisava de mais fé no que eu posso alcançar.” Eu estou absolutamente muito feliz por você, que você está em uma situação onde você ama o que você faz e você tem a independência de fazer o que você faz porque vocês começaram sua própria empresa. Me conte sobre isso – quando essa ideia começou?

MR: Eu não lembro do quanto eu te contei na época. Conversamos sobre isso quando conheci o Tom [Ackerley, marido de Robbie] e Josey [McNamara, co-fundador] em Suíte Francesa em 2013. Nós não articulamos nossos pensamentos para dizer que deveríamos ter nossa própria produtora chamada LuckyChap, mas foi tipo: ”Vamos fazer alguma coisa.” Nós tivemos essa conversa em 2013 e então novamente quando fomos morar juntos em Londres em 2014. Nós meio que começamos a nos movimentar e organizar a empresa naquela época.

SK: Eu não entendo muito a indústria, só achei que era uma ótima ideia. Eu vi como um jeito de ter longevidade, permite que você tenha essa habilidade extra de fazer o que ama, mas até você ficar muito mais velha. Mas você também disse que queria ter liberdade criativa.

MR: Essa conversa realmente começou com Josey e eu dizendo que os melhores papéis em um roteiro são sempre personagens masculinos. Desde então, nós dissemos que deveríamos fazer roteiros onde as personagens femininas são as mais incríveis – e isso foi antes de ficar popular dizer isso sobre projetos focados em mulheres. O movimento não tinha começado naquela época, mas depois que começou nossa confiança foi apoiada no que estávamos fazendo e também mudou a apetite das pessoas por esses tipos de projetos, então o timing foi perfeito.

SK: Foi mesmo. Você estava a frente do seu tempo, querida. Você lembra o que você fez com seu primeiro salário vindo da atuação?

MR: Eu gastei pagando você de volta, mãe. Você não lembra?

SK: Não, eu lembro, está certa.

MR: Eu estava devendo no final do terceiro ano. Eu tinha anotado tudo o que eu estava te devendo em um pedaço de papel e sempre que eu recebia meu salário eu pagava minha dívida, mas então eu guardei o papel porque era tão satisfatório no final saber que eu paguei tudo. E então eu comecei a guardar. E depois eu provavelmente passei a sair e, não sei, gastei no cinema.

SK: Quando estávamos falando sobre o começo da sua carreira na atuação, eu realmente não vi os traços, mas eu deveria, porque mesmo quando você era pequena você era uma performer. Eu só pensava que você era um pouco precoce. Eu lembro seu primeiro dia de personagem no jardim de infância. Todas as crianças tinham que subir no palco de fantasia, dizer olá para alguma autora adorável, e então mostrá-la o livro que tinha o seu personagem. Então encontramos uma fantasia de abelha para você…

MR: Eu lembro. Eu não lembro do livro, no entanto.

SK: Foi muito fofo, você subiu no palco para dizer olá para a senhora e então você ficou lá girando e fazendo ‘Buzz, buzz…’ Eu lembro de pensar: ”Da onde surgiu isso?” Esse foi o começo.

MR: Eu lembro que era O Ursinho Pooh.

SK: Eu também quero falar sobre como seu gosto para moda mudou. Quando você era pequena eu não conseguia tirar você dos boardshorts e blusas mal combinadas.

MR: E botas de fazenda.

SK: Sim, e botas de fazenda. E agora você é esse incrível ícone da moda sentada na primeira fila da alta costura da Chanel.

MR: Mãe. Deus te abençoe. Eu não sou um ícone da moda, mas obrigada por dizer isso.

SK: Bom, você é para mim. Então me conte, qual sua primeira memória com a moda?

MR: Eu acho que você é suspeita para dizer. Eu lembro da minha prima Julia e eu, nós tínhamos esse baú de fantasias e era a coisa mais legal do mundo. Não era muito sobre moda quanto fantasias e brincar de se fantasiar e de contar histórias. É hilário quando eu olho para aquelas foto e honestamente, mãe, eu não sei porque você me deixava me vestir sozinha. Eu parecia ridícula. As meninas acharam uma foto nossa outro dia em uma coisa da escola e estou usando uma saia cor de damasco, que eu acho que a Tahlia, minha babá, tinha feito, e uma camisa e botas de fazenda. Eu não sei como você me deixou sair usando aquilo.

SK: Provavelmente porque você teria feito pirraça se eu não deixasse. Quando eu vejo você sentada do lado da Anna Wintour ou sendo a nova embaixadora de fragrâncias da Chanel, eu penso: ”Me belisca, essa não pode ser minha filha. A que usava botas de fazenda e saia com cor de damasco.”

MR: Estou pensando a mesma coisa.

SK: E você sabe que, estando em uma família grande – com dois irmãos, uma irmã e você – nós tínhamos que nos organizar e superar as dificuldades de termos orçamentos apertados e você estava bem disposta a ajudar com isso.

MR: Falando nisso, você lembra do jantar de formatura na escola e eu não tinha roupa para usar? Eu encontrei uma saia no baú de fantasias, era uma saia dos anos 80, e eu usei como um vestido e coloquei um cinto. Quando eu cheguei lá todo mundo ficou: ”Ooo, vestido legal, da onde é?” Porque todos estavam usando algo mais elegante, e eu disse que era Willow, que é uma marca muito chique e descolada na Austrália.

SK: Era uma saia de tafetá preta e você colocou um cinto e pegou um par de sapatos vermelho. Você sente falta da sua família, querida? Sentimos sua falta.

MR: Sempre. Sempre, mãe, você sabe disso. Mas eu vou ver o Cam [irmão] em breve. Vou trazer ele para a premiere porque ele estava em LA quando eu estava filmando e ele veio até o set. Quentin foi muito legal e colocou o Cameron sentado ao lado dele e do monitor, explicou a cena inteira para ele, o que o guindaste estava fazendo… Eu pude dizer que ele estava tentando ficar frio, mas ele estava praticamente hiperventilando.

SK: Quando você foi para LA pela primeira vez, Margot, para mim você era tão jovem e cada vez que você voltava para casa e ia embora era horrível. Eu costumava chorar o caminho inteiro até Gold Coast. Eu estava muito feliz por você e porque você estava fazendo o que amava, mas você ainda estava lá sozinha. Mas quando você conheceu o Tom, e então casou com ele, eu costumava pensar: ”Oh, graças a Deus ela vai voltar para esse homem maravilhoso e tenho muita sorte porque ele adora ela e ela adora ele.” Sou muito grata por tê-lo como meu genro, e muito grata por você poder voltar para ele.

MR: Aww, obrigada, mãe.

SK: Quando fazemos coisas juntas, você e eu, qual foi o momento em que você parou e pensou: ”Estamos realmente aqui?”

MR: Com certeza no começo desse ano, quando estávamos em Cannes para o Festival. Esse foi um momento “me belisca”. Nós estávamos ficando no Hotel du Cap, que é muito chique, e parecia que em todo quarto que entrávamos tinha uma garrafa de champagne a disposição. Honestamente, você e eu esperávamos todo mundo sair do quarto e então olhávamos para a outra e dizíamos: ”Vamos beber champagne.” Ou, você lembra do vôo até lá? Nós voamos de primeira classe e estávamos surtando porque eles tinham caviar. Em um avião! E eu fiquei tipo: ”Eu nem gosto de caviar, mas vamos pedir de qualquer jeito.”

SK: Falando sobre memórias queridas, qual uma das suas favoritas da infância em Gold Coast? Algo que sempre ficou com você.

MR: Quer saber? Todas as minhas memórias mais queridas são fora de casa. A primeira coisa que vem na minha mente é brincar no quintal da casa da Julia, brincando de casinha, indo para a fazenda, para a piscina de pedras. Você lembra de quando morávamos em Currumbin Valley e eu sempre fazia a lição de casa em uma árvore? Eu já disse isso para amigos que cresceram em Nova York e Londres e eles não fazem ideia do que eu estou falando. E eu digo: ”Bem, havia árvores canforeiras atrás do pasto e eu podia sentar na árvore e fazer minha lição de casa e a mamãe podia gritar da janela quando o jantar estivesse pronto.” Você conta histórias assim e percebe o quão sortuda é por crescer na Gold Coast.

SK: Eu lembro de quando você sentava no topo da caixa d’água para olhar as estrelas. Como era absolutamente lindo. Existe alguma lição de vida que você aprendeu comigo que ficou com você?

MR: Essa é uma boa pergunta. Quero dizer, você é provavelmente a pessoa mais ética e boa que eu conheço. Eu acho que todo mundo que conhece você concorda. Eu aprendi incontáveis coisas com você. Uma lição de vida que ficou comigo foi na verdade algo que você me disse. Você me contou uma história sobre seu pai – sobre Grandy – você disse que quando você era pequena, sua mãe e seu pai estavam fazendo um jantar e você estava ouvindo os adultos conversarem quando deveria estar na cama. Eles estavam falando sobre alguém e fofocando. E Grandy disse: ”Bem, ele não está aqui para se defender agora, então vamos falar sobre outra coisa.” Ele disse isso calmamente e de modo muito educado. E eu não sei por que mas essa é uma das coisas que eu sempre me lembro. Eu quero ser o tipo de pessoa que escuta alguma fofoca e diz ”Vamos falar sobre outra coisa.” Eu acho que entre você, Grandy e tantas outras pessoas na nossa família, eu tenho muito a viver em termos de ser uma boa pessoa.

Fonte | Tradução & Adaptação: Equipe Margot Robbie Brasil

Margot Robbie é capa da edição mais importante do ano da VOGUE Austrália e foi entrevistada pelo diretor de seu novo filme, Era Uma Vez em Hollywood, Quentin Tarantino, para o recheio da entrevista. Confira a tradução e as fotos:

Aos 29 anos, Margot Robbie construiu uma das carreiras mais impressionantes da ne tela, graças aos filmes como O Lobo de Wall Street, Esquadrão Suicida e, mais recentemente, Eu, Tonya, que ela também produziu. Mas seu novo papel como a atriz Sharon Tate, que foi morta nos assassinatos comandados por Charles Manson em 1969, irá colocá-la em lugares ainda mais altos. No nono e penúltimo filme de Quentin Tarantino, Era Uma Vez Em… Hollywood, Robbie está tão hipnotizante e enérgica oposta a seu vizinho que é estrela de cinema, Rick Dalton (interpretado por Leonardo DiCaprio) e seu dublê Cliff Booth (Brad Pitt), que estão se prendendo aos últimos dias da era de ouro do cinema.

Em uma recente sexta feira em Los Angeles, Tarantino, o diretor vencedor do Oscar, Globo de Ouro e BAFTA, sentou com Robbie para discutir seu próprio conto de fadas em Hollywood e como o destino interpretou seu papel trazendo o encontro dos dois.

Quentin Tarantino: Então, Margot, estou perguntando isso fora da minha edificação: Estou muito curioso. Como alguém que tem uma carreira estabilizada de atriz em outro país, na Austrália no seu caso, decide se mudar para a América e tentar possivelmente trabalhar em Hollywood? Porque isso é muito difícil. Você é cidadã americana?

Margot Robbie: Eu tenho um visto de trabalho e sou residente americana. Mas me deixa espantada. Não é algo que eu sempre sonhei em fazer, porque era muito irreal.

QT: Eu não sei para você, mas para mim, no minuto que eu consegui remotamente viver como roteirista em Hollywood, foi tipo: “Oh meu Deus, isso é um sonho virando realidade!” [Risos]

MR: Eu definitivamente tive esse momento. Eu entrei para Neighbours e pensei que isso era a maior coisa que ia acontecer comigo. Eu lembro de olhar pela sala verde com 30 membros do elenco e perguntar para todo mundo durante as primeiras semanas se eles tinham outros trabalhos, e eles ficavam: ”Esse é o único trabalho que eu tenho.” E eu fiquei tipo: ”Mas você tem filhos, né? Você pode colocá-los em uma escola e comprar uma casa só com a atuação?” Esse foi um momento crucial onde fiquei tipo: ”Ok, eu posso viver disso.” Então alguns meses depois de estar em Neighbours, eu vi alguns colegas de elenco da minha idade fazerem essa transição para Los Angeles antes de terminarem seus contratos. Eu lembro de pensar: ”Ok, agora que eu tenho conhecimento do território eu tenho três opções. Um, eu sou demitida porque não sou boa o bastante. Dois, eu sou boa o bastante e fico em Neighbours por 20 anos e que vida incrível essa seria. Ou três, eu arrisco e pulo para a América e tento minha sorte em Hollywood.” Então seis meses depois eu tomei a decisão e comecei a guardar dinheiro e a aprender o dialeto americano. Você me conheceu com meu sotaque australiano agora, mas o meu sotaque era muito, muito australiano.

QT: Um sotaque australiano quádruplo! [Risos]

MR: Eu sou de Queensland, e meu sotaque era tão australiano que o pessoal em Neighbours contratou um professor de dialeto para me fazer soar menos australiana. Então isso fez parte do processo de me mudar para a América. Antes da ideia de estar em Hollywood, eu pensava que você tinha que nascer aqui ou tinha que conhecer alguém na indústria.

QT: A série Pan Am foi o primeiro: ”Oh, uau, acho que consegui alguma coisa?”

MR: Sim. Durante meus três anos em Neighbours, eu consegui um agente adequado, Aran Michael, e ele começou a me ajudar quando eu disse que queria me mudar. Todo ano eu dizia: ”Aran, eu preciso ir para a América, estou ficando muito velha. Vou perder minha chance.” Eu tinha 18 anos. Por alguma razão, Dakota Fanning era o padrão na minha cabeça. Eu dizia: ”Você sabe quantos filmes a Dakota Fanning já fez até agora? E ela é mais nova do que eu!” E ele ficava: ”Não, nós temos que cronometrar isso para você chegar lá antes da temporada de pilotos, conhecer agentes americanos, e então voltar em janeiro para começar.” Você só recebe a chance de ser uma pessoa nova uma vez, então cinco dias depois de 22 de outubro, que foi quando meu contrato em Neighbours terminou, eu vim para cá.

QT: Então você conseguiu um piloto de primeira?

MR: Bom, enquanto eu estava conhecendo agentes, me pediam para fazer um teste rápido, porque alguém estava refazendo As Panteras para a TV. Eu não estava pronta para fazer testes até janeiro, então fiquei um pouco abalada, mas eu fiz e então voltei para a Austrália. Eles me pediram para fazer outro teste em janeiro e eu não consegui o papel, mas eles disseram que tinham outra série chamada Pan Am que eles pensaram que seria melhor para mim.

QT: Então literalmente nessa primeira chance, antes mesmo do primeiro piloto – desde aquele pequeno teste você conseguiu sua primeira série?

MR: Sim. Então de repente eu estava filmando um piloto em Nova York. Você tem que se lembrar que eu estava vivendo em Gold Coast, então eu pensei que eu estava vivendo em uma cidade. Quando eu via minha família que mora em Dalby [interior de Queensland] eles me chamavam de garota da cidade. Quando eu me mudei para Melbourne para fazer Neighbours, eu fiquei tipo: ”Whoa, isso é uma cidade.” Então quando eu cheguei em Nova York, fiquei: ”Eu estava totalmente errada, isso é como é uma cidade.”

QT: Você era uma pequena Crocodilo Dundee andando por Nova York.

MR: Sim… ”Isso não é uma faca.” Tudo era tão louco. Antes que eu percebesse tínhamos filmado o piloto de Pan Am e havia um pôster na Times Square. E eu mal tinha completado seis meses lá.

QT: Mas essa cidade é assim. Com algumas pessoas levam 12 anos para ter algum tipo de movimento; outras levam apenas seis meses. Ou algumas vezes as pessoas conseguem em seis meses e então demora 12 anos para chegarem no próximo passo.

MR: Não existe uma linha do tempo específica, eu acho, e você está certo, essa é a mágica de Hollywood. Tudo pode mudar tão rapidamente. As pessoas sempre me perguntam qual é a melhor parte. Eu não consigo dizer que O Lobo de Wall Street foi melhor do que minha época em Neighbours, e eu não consigo dizer que Os Últimos na Terra não é tão importante para mim quanto Tarzan. Tudo é muito emocionante.

QT: Eu tenho que encontrar um jeito certo de perguntar isso para não soar como se estivesse procurando por um elogio, mas aqui está a situação – Eu estive escrevendo o roteiro de Era Uma Vez Em… Hollywood por muito tempo. Eu estava terminando e especulando como louco quem seria Cliff e quem seria Rick [papéis que foram para Pitt e DiCaprio] mas não estou pensando nem um pouco em quem seria a Sharon, porque para mim não havia segunda opção – era você. Você a sugeriu de tantas maneiras diferentes e você consegue mais do que segurar seu próprio peso nesse triângulo gigante que eu estou tentando carregar com três personagens principais para contar a história. Mas esse foi o ano que você explodiu e era a atriz mais popular na cidade. Foi algo tipo duas semanas do término do roteiro, digitei tudo, e então do nada eu recebo uma carta na minha casa e vinha de você. Fiquei tipo: ”O que?! Em um minuto estou pensando sobre você e então eu recebo essa carta. Nela você expressava que era fã do meu trabalho por um longo tempo – você e toda sua família – e você diz: ”Eu só quero que você saiba que se precisar de mim para alguma coisa, pode me falar.” A carta foi escrita de um jeito quase romântico porque era ótima. É exatamente o que eu queria ouvir. Eu não conseguia acreditar na casualidade de tudo isso. Em menos de uma semana nós nos encontramos e começamos a conversar. Então, o que te motivou a escrever essa carta?

MR: Eu queria escrever essa carta por anos e anos e anos. Porque eu ouvi falar que você só iria fazer 10 filmes e eu não conseguia suportar o pensamento de que eu perderia o barco e nunca veria como era um de seus sets de filmagem. Eu precisava achar um jeito de ir no set. Talvez eu pudesse segurar a porta no fundo de uma cena. [Risos.] Mas ao mesmo tempo, eu não estava na posição de chegar para Quentin Tarantino e dizer: ”Oi, meu nome é Margot e eu poderia visitar um de seus sets?”

QT: [Risos]

MR: Então eu sabia que ainda não estava nessa posição e cada vez que alguma coisa emocionante na minha carreira acontecia e me colocava no mapa um pouquinho mais, eu pensava: ”Ok, eu sinto que estou me estabilizando mais e talvez agora seja a hora.” Não foi até fazer Eu, Tonya que eu pensei: ”Agora estou feliz com a minha atuação. Eu sinto que eu cheguei em um nível onde o meu trabalho vai mostrar para as pessoas o que posso fazer como atriz. Agora estou pronta para conversar com Quentin Tarantino e escrever aquela carta.” Eu lembro de ficar agonizando sobre tudo – o papel, a caneta, como eu ia escrever – letra grande, pequena, com espaços. Então, é claro, eu pensei que você talvez nem recebesse a carta, então eu deveria parar de surtar tanto, e então eu só escrevi logo e rezei para que chegasse até você, e chegou. Algumas semanas depois eu lembro de receber a ligação dizendo: ”Quentin recebeu sua carta e ele gostaria de encontrar você.” Eu não queria me adiantar, mas quando nós sentamos – eu lembro que você pediu um chá gelado com adoçante – eu senti que era a reunião mais emocionante da minha vida. Eu lembro que você disse: ”Você sabe quem é Sharon Tate?” E eu disse: ”Sim, eu sei,” porque, por mais engraçado que seja, depois que eu me mudei para Los Angeles, outro ator australiano (Rhys Wakefield) e eu costumávamos dirigir até Cielo Drive [onde aconteceram os assassinatos] e líamos Helter Skelter [um livro escrito sobre os assassinatos] em voz alta.

QT: Está brincando. Sério?

MR: Sim, sério, era nossa coisa. Nós íamos no meio da noite e líamos Helter Skelter em voz alta para nos assustar.

QT: Você nunca me contou isso.

MR: Eu sei. Existem tantas histórias de Hollywood e tantas histórias na história de Hollywood e essa é uma das que se destacam. Então, se eu conhecia Sharon Tate? Bom, eu sabia tudo sobre sua morte. Mas eu nunca olhei nada de sua vida e não foi até ler o roteiro que de repente eu fiquei: ”Oh meu Deus, eu só sei sobre a morte dessa mulher.” Eu nunca tirei um segundo para apreciar sua vida, e isso que foi tão incrível e tocante sobre seu roteiro. Ela se tornou tão viva nas páginas e na minha imaginação. Eu posso vê-la fazendo todas as coisas que você escreveu, andando pela cidade ou dançando no quarto, o que for. E então fiz toda a pesquisa e assisti seus filmes e entrevistas – foi realmente um presente lindo focar em sua vida.

QT: Havia uma coisa muito encantadora sobre fazer esse filme com você. Brad e Leo estão trabalhando por quase tanto tempo quanto eu – estou quase em 30 anos. Eu ainda estou muito animado de estar fazendo esse filme mas estou chegando em uma idade onde é o que é, e foi tão encantador trabalhar com você: alguém que não estava indiferente sobre tudo. Você é o oposto de saciada. Você era a tomada que de tempo em tempo eu ia me ligar. Eu ficava tipo: ”Eu estou gostando disso, mas não estou gostando tanto quanto a Margot, e eu preciso.”

MR: Você é o diretor mais feliz que eu já vi em um set, você fica tão animado, e era assim que eu me sentia.

QT: Bom, eu sou assim. Mas de qualquer jeito você era meu pacote de energia e entusiasmo.

MR: Mas não importa em quantos sets eu já estive, não é o mesmo que nesse. Pouca imaginação foi utilizada, porque estava tudo lá [como se fosse em 1969], até a música tocando – os carros, a mobília, tudo estava lá na nossa frente e era palpável e real. Ficar sem celular significava que eu nunca seria lembrada durante o dia que estávamos em 2019 – podíamos existir nessa outra era. Eu não consigo lembrar de algum set onde eu não tive que usar minha imaginação para me transportar. É como se você tivesse tirado esse trabalho de nossas mãos completamente. Tudo veio de um lugar tão pessoal e foi como entrar em suas próprias memórias. Foi diferente de todos os outros sets que eu já estive antes e a experiência inteira foi incrível.

Fonte | Tradução & Adaptação: Equipe Margot Robbie Brasil

Em entrevista para o Telegraph, Margot Robbie fala sobre sua rotina de beleza e mais ao divulgar a nova fragrância da Chanel, Essence, a qual ela é garota propaganda. Confira:

Margot Robbie está tendo um momento e tanto. No próximo mês, estreia o esperado filme de Tarantino, Era Uma Vez em… Hollywood, onde ela estrela ao lado de Brad Pitt e Leonardo DiCaprio como a estrela falecida Sharon Tate.

O filme foi recebido com críticas excitantes quando estreou em Cannes em maio, onde a atriz australiana também foi anunciada como embaixadora da nova fragrância da Chanel. Margot se junta a um clube exclusivo – membros anteriores incluem Catherine Deneuve, Nicole Kidman e Keira Knigthley.

”Eu cresci sabendo sobre a Chanel durante toda minha vida,” ela diz. ”Estou trabalhando com eles por um tempo agora, parece família.”

A grife criou seu vestido magistral para o Oscar de 2018, onde ela foi indicada por seu papel em Eu, Tonya, um filme sobre a problemática patinadora Tonya Harding, que ela também produziu.

Apenas aos 29 anos, Margot cresceu de Neighbours para o topo da lista A, provando sua versatilidade em papéis variados como a esposa ultra glamurosa do corretor de ações de DiCaprio em O Lobo de Wall Street em 2013, e Elizabeth I em Duas Rainhas no ano passado.

Uma beleza clássica com muita atitude, ela é perfeita para representar a nova fragrância da lendária grife, Gabrielle Chanel Essence, uma interpretação mais profunda e mais ousada de sua antecessora, Gabrielle. As duas foram nomeadas e inspiradas pela fundadora da marca, Gabrielle ‘Coco’ Chanel.

”Eu acho que esse perfume se encaixa onde estamos no mundo,” diz Margot. ”Estamos entrando em uma época onde as pessoas estão abraçando a ideia de que feminilidade representa força – e eles deveriam. Mulheres são fortes, e características distintamente femininas também são características distintamente fortes. Ser feminina não é mais uma fraqueza.”

A Hollywood de Margot – após o #MeToo e o Time’s Up – fica em um contraste forte com o mundo retratado em seu novo filme, ambientado no final dos anos 60. ”Agora, mais do que nunca, as pessoas estão associando a palavra “feminina” com poder. Não estamos mais no estado em que as mulheres estão presas no mundo dos homens e precisam ser notoriamente masculinas para tentarem compensar.”

Perfume, como Margot entende bem, é diferente de qualquer outro produto de beleza. O cheiro e a memória estão tão ligados que a fragrância geralmente possui uma camada emocional.

”Minhas primeiras memórias de quando eu era pequena eram de sentir o cheiro do perfume da minha mãe quando ela me dava um abraço,” ela lembra. ”Eu mal podia esperar para crescer e poder usar. Minha adolescência foi repleta de aromas doces, almiscarados, e nos meus 20 anos eu experimentei fragrâncias mais masculinas e picantes.

Eu estava tentando entender quem eu era. Eu tentei todos os cortes de cabelo e cores, também. E então, eventualmente, você chega a um ponto onde você sabe o que funciona para você, o que é onde estou agora. Hoje, eu gosto de aromas mais femininos e florais, como Gabrielle Chanel Essence.”

Ela explica que em Essence, uma fragrância floral branca com jasmim e tuberosa no foco, ”as notas florais, particularmente a tuberosa, aparecem mais, mas de um jeito caloroso. Existe algo leve e cremoso sobre o aroma, também.”

Calorosa e amigável desde o início, Margot mantém uma natureza realista. Quando questionava sobre como lida com o envelhecimento e saúde, por exemplo, ela reconhece que é parte do seu trabalho ficar em forma, mas adiciona, ”é tudo o que sabíamos desde sempre: use filtro solar, beba muita água, durma o bastante.

Nós continuamos a tentar achar esses segredos para a juventude – esse creme ou aquele, essa dieta ou aquela. E é tudo o que você sabia desde o começo mas estava tentando achar uma saída. No final, você percebe ‘Oh, sim, eu realmente fico melhor quando tenho 10 horas de sono e bebo um litro de água.’ São as coisas simples que funcionam.”

E sobre suas maquiagens favoritas, ela parece surpresa que as pessoas parecem se importar. ’É muito básico, nada muito emocionante,” ela anuncia, antes de olhar sua bolsa de maquiagem para confirmar que ela usa nada mais do que um lápis de sobrancelha, rímel, hidratante labial, blush em creme e uma base leve, que ela mistura com ”um pouco de hidratante e filtro solar.”

Ainda assim, ela fica animada quando perguntamos sobre sua rotina de cuidados com a pele. ”Uma pele boa é uma pele com uma boa preparação,” ela insiste, descrevendo sem fôlego um aparelho que ela está ”obcecada. Eu estou usando esse dispositivo micro chamado Ziip, o que me deu resultados notáveis. Eu não sou paga pela marca nem nada do tipo, é muito, muito bom,” ela ri. Margot também jura por aquecer sua pele e relaxar seus músculos faciais com um rolador ReFa antes de aplicar uma máscara facial. ”A máscara Rose Gold da 111Skin é inacreditável.”

No entanto, fica claro que sua ideia de beleza não vem de nenhum produto. ”Algo que eu tenho falado com as minhas amigas ultimamente é que nós todas estamos no nosso melhor quando estamos rindo e nos divertindo – quando eu pego as pessoas nesse momento em que estão rindo de verdade, é quando elas estão brilhando e deslumbrantes. Eu acho que se divertir e ser livre é a coisa mais atraente… fazer o que te faz se sentir bem para que você possa mostrar suas melhores qualidades para o mundo.”

Então como ela mantém a balança a pressão de manter a forma com uma atitude corporal positiva?

”Eu amo comida, eu amo vinho e eu amo passar um bom tempo com meus amigos. Mas eu também não amo o sentimento de que não estou no meu melhor,” ela diz. ”Eu sempre vou estar andando na linha entre me divertir o máximo possível e continuar a tomar conta de mim mesma. Comer bem e me exercitar precisam ser prevalentes na minha vida para que eu possa me sentir no meu melhor, mas eu não quero ficar obcecada com isso.”

Margot dá créditos para o Pilates por mantê-la forte e flexível. ”Se estou fazendo um esforço consciente de me exercitar, trabalho com um treinador de Pilates em um aparelho de reformer, e isso é o melhor para mim e meu corpo. Mas eu gosto de jogar tênis, correr no parque ou fazer uma aula de dança com minhas amigas. Disfarçar o exercício nas suas atividades do dia a dia é o modo mais divertido de fazê-los, na minha opinião.”

E isso a resume bem: divertida, de espírito livre e incrivelmente trabalhadora – não muito diferente da própria Coco Chanel.

Fonte | Tradução & Adaptação: Equipe Margot Robbie Brasil