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28.12.17
I, Tonya reivindica a narrativa de Harding em um filme provocativo

Margot Robbie falou sobre seu novo filme I, Tonya junto de seus colegas de elenco Sebastian Stan e Allison Janney, e do roteirista Steve Rogers, com o Metro News recentemente. Confira:

O roteirista Steven Rogers estava assistindo a um documentário sobre a patinadora Tonya Harding há pouco tempo atrás e tendo grandes ideias sobre classe, abuso, a mídia e verdade que estavam misturados em sua história.

A mídia na época, ele disse, pegou um incidente bizarro que envolveu Harding em uma conspiração de agressão em 1994 contra a patinadora Nancy Kerrigan, e colocou uma conta a outra. Kerrigan era a princesa. Harding era o lixo. Até ele lembra ter pensado que Harding fez pela atenção.

Então ele decidiu checar se seus direitos de vida estavam disponíveis, e ligou para o número do agente listado no site dela. O número caiu em um Motel 6.

“Eu pensei: Estou dentro,” Rogers disse.

E com um pouco mais do que essa semente de ideia, Rogers encontrou Harding e seu ex-marido Jeff Gillooly e usou suas histórias incrivelmente contraditórias sobre esse momento de fama, e as suas vidas antes disso, para desenvolver o roteiro que se tornaria I, Tonya, uma reavaliação de um dos escândalos mais falados do século e o filme mais audacioso da temporada.

A atriz australiana Margot Robbie veio a bordo não somente para estrelar como Harding, dos 15 aos 44 anos, mas também para produzir.

“Esse filme não sobreviveria ao sistema dos estúdios,” Robbie disse.

O filme contém violência doméstica, vinda da mãe de Harding e de seu ex-marido, trocas de tons, narrativas em conflito e nenhuma resolução ou respostas.

Robbie perguntou para muitos diretores como eles lidariam com a violência. Craig Gillespie, o homem que conseguiu o emprego, disse que precisava ser brutal.

“A ideia de encobrir isso e fazer parecer que não era tão ruim assim não pareceu certa para mim. Eu senti que seria injusto com qualquer pessoa que já sofreu com isso antes. Deixar completamente de fora também era errado,” Robbie disse. “Mas Craig sempre encontra a verdade na situação.”

Eles decidiram a abordagem incomum de quebrar a quarta parede para deixar Harding falar diretamente com a câmera enquanto ela está sendo espancada como um jeito de ilustrar sua desconexão emocional. É algo que algumas audiências não gostaram e outras aplaudiram. Alguns críticos compararam o tom final com Os Bons Companheiros de Martin Scorsese.

Como Harding, I, Tonya também é desafiador.

Robbie treinou e estudou por seis meses para entender Harding, tanto como seu estilo como patinadora artística quanto seu dialeto e físico. O resultado das sequências no gelo são complexas, mas é uma combinação de Robbie e duas dublês patinadoras. Ela encontrou sua personagem mais tarde.

“Isso não era pesquisa. Eu não queria encontrá-la porque havia peças faltando no quebra cabeça. Eu já tinha decidido como eu ia interpretar essa personagem. Eu sabia cada batida e como iria tocar,” Robbie disse. “Conhecê-la me ajudou como pessoa, não como atriz. Eu só queria saber se ela estava bem.”

Uma pessoa que está imensamente ausente da história é Kerrigan. Isso não passou despercebido.

“Eu odeio quando roteiros, filmes, séries, noticiários colocam uma mulher contra a outra. Se o roteiro fosse chamado ‘Tonya vs Nancy’ eu não acho que eu seria parte disso,” Robbie disse. “Já que o filme era sobre Tonya Harding, as pessoas e relacionamentos mais importantes na vida dela eram sua mãe e Jeff. Esses foram os relacionamentos que a moldaram como pessoa.”

Allison Janney tinha a tarefa complicada de trazer sua mãe, LaVona, para a vida. Ela é a pessoa que colocou Harding no gelo, financiou seus treinos e costurou suas roupas com o pouco de dinheiro que tinha, mas também abusou fisicamente e verbalmente de sua filha. Harding aparentemente disse para Rogers que ela não sabe se sua mãe está viva ou morta e que ela também não se importa. (Ela está viva, o Inside Edition a entrevistou recentemente.)

Apesar de que tudo o que Janney tinha era um vídeo de um documentário de LaVona, que ela estudou o máximo possível antes de desaparecer por trás do cabelo e maquiagem.

“É libertador interpretar uma personagem assim e passar por tanta transformação,” Janney disse. “Ela é essa mulher extravagante e estranha com tanta raiva e ressentimento. Meu coração partiu um pouco por ela ao assistir essas entrevistas porque você pode ver por baixo da negação a dor que existe nela. É uma relação de mãe e filha muito dura e complicada.”

A parte de Gillooly concedeu uma charada similar para o ator Sebastian Stan.

“Eu fiquei intrigado com a história. Fiquei um pouco obcecado,” Stan disse. “Quando você vai interpretar alguém, você precisa deixar todos os julgamentos de lado. Você precisa remover sua própria perspectiva sobre eles e encontrar algo para se prender. Por mais complicada e contraditória que seja a versão dos dois sobre esse relacionamento, existiu amor em algum momento, houve uma conexão. Margot e eu falamos sobre abordar isso como uma história de amor que é louca, torcida e insana e que isso é a vida deles.”

Harding aparentemente disse para Stan que ele era muito bonito para interpretar Gillooly, o que o fez rir.

O filme se tornou uma surpresa na temporada de premiações, e um olhar demorado em uma mulher que teve qualquer ocasião amontoada contra ela em sua vida e ainda conseguiu se tornar uma das melhores patinadoras artísticas do mundo, mesmo quando ela não parecia, soava ou agia como suas companheiras.

I, Tonya não somente desafia o público a pensar sobre ela com uma nova luz, mas também faz o mesmo com muitas pessoas envolvidas, incluindo Rogers, que foi classificado como escritor de comédias românticas, e até Robbie, uma queridinha dos estúdios que a beleza às vezes recebe mais atenção do que seu talento.

Harding também já viu o filme. Ela contou para Rogers que está feliz com a maioria (exceto algumas partes da versão de Gillooly).

“Vai ser interessante ver se esse filme irá mudar algo para ela,” Rogers disse. “O cinema é um meio poderoso.”

Fonte | Tradução & Adaptação: Equipe Margot Robbie Brasil

postado por Mari na categoria Entrevistas
26.12.17
Elenco de I, Tonya fala sobre as duras quedas da patinadora Tonya Harding

Durante o dia de imprensa para I, Tonya em Los Angeles, Margot Robbie conversou com o LA Times junto a seus colegas de elenco Allison Janney e Sebastian Stan. Confira:

Esse é um evento que vive nos tablóides: o conto das patinadoras Tonya Harding e Nancy Kerrigan e suas batalhas para chegar às Olimpíadas de Inverno de 1994. O novo filme I, Tonya reformula essa história para dar o holofote a Harding, a transformando de vilã moldada pela mídia para alguém bem mais humana, frágil e trágica.

Um aviso no começo do filme declara que é baseado em “entrevistas completamente verdadeiras, sem ironias e muito contraditórias” com Harding e seu ex-marido Jeff Gillooly. O retrato de Harding desenhado pelo filme é um com bordas afiadas e aterrissagem dura, uma mulher com habilidades atléticas cruas que não conseguiu se encaixar na imagem refinada do estabelecimento de patinação artística.

Harding fez algumas de suas próprias roupas e algumas vezes suas apresentações eram ao som de ZZ Top. Ela também foi a primeira americana a conseguir o extremamente difícil e ainda raro salto triplo em competição. Mas o escândalo que surgiu após Kerrigan ser ataca na competição de 1994 deixou uma longa sombra na reputação e legado de Harding. Gillooly foi acusado de planejar o crime, e ainda questionam sobre o nível de envolvimento de Harding.

Dirigido por Craig Gillespie com um roteiro de Steven Rogers, I, Tonya é um espetáculo para performances cheias de energia e emoção de Margot Robbie como Harding, Sebastian Stan como Gillooly e Allison Janney como a mãe de Harding, LaVona Golden.

A australiana Robbie, mais conhecida por seu papel em O Lobo de Wall Street e mais recentemente como Harley Quinn em Esquadrão Suicida, nunca tinha ouvido sobre a Harding quando o roteiro chegou até ela por meio de sua produtora, LuckyChap Entertainment. (Robbie também é produtora do filme.) Ela ficou imediatamente abalada com a energia tumultuada da narração e a representação complicada de Harding.

“Foi uma personagem que me assustou mas também me intrigou,” disse Robbie, que treinou durante cinco meses para o papel.

O projeto começou quando Rogers, um roteirista veterano com créditos incluindo Lado a Lado e Quando o Amor Acontece, viu o documentário de Nanette Burstein sobre Kerrigan e Harding, The Price of Gold na televisão. Intrigado, ele procurou Harding e Gillooly, e para a surpresa dele, logo ele estava entrevistando os dois separadamente. Suas versões muito diferentes sobre seu relacionamento e os eventos ao redor do ataque em Kerrigan concedeu um ponto de vista inesperado, e então ele estruturou a história para brincar com a fricção em suas perspectivas diferentes.

“Parecia uma história engraçada e muito trágica. Era uma história bem louca. Era verdadeira, dependendo do ponto de vista que você acredita. Era todas essas coisas, então eu queria um roteiro que espelhasse isso.” Rogers disse.

Rogers é um amigo de longa data de Janney e escreveu o papel da mãe de Harding para ela. Ele escreveu muitos papéis para ela, mas essa é a primeira vez que a atriz fez parte do elenco. Uma patinadora em sua juventude, Janney, que agora é sete vezes ganhadora do Emmy, acompanhou a saga de Harding quando aconteceu e ficou surpresa com tudo o que ela não sabia.

“Eu pensei que o filme seria todo sobre o incidente, mas não é,” Janney disse.

Ao lado de Robbie e Janney está Stan, conhecido pelo público como o Soldado Invernal nos filmes do Capitão América e também pode ser visto em Logan Lucky de Steven Soderbergh. Após uma longa busca por alguém para interpretar Gillooly, o ator trouxe uma empatia inesperada com o personagem.

“Sebastian nunca o viu como vilão. Ele trouxe muita complexidade para ele,” disse Robbie. “Com Sebastian, ele parecia mais uma pessoa e menos uma caricatura.”

Antes das filmagens, Robbie e Stan puderam conhecer seus personagens da vida real, enquanto Janney não. Durante a produção do filme, o paradeiro da mãe de Harding era desconhecido, mas recentemente ela foi entrevistada por um programa de televisão.

Janney improvisou uma fala no final de uma cena representando o primeiro encontro de Harding e Gillooly que deixou os outros atores vermelhos – “O que você vê é nossa reação verdadeira,” disse Stan – e a atriz gostou dos tons emocionais e humorísticos do papel.

“Tudo o que sai da boca de LaVona é algo que as pessoas vão rir e pensar, ‘Por que estou rindo?'” Janney disse. “Esses tipos de falas, são horríveis, mas são engraçadas.”

Cenas diferentes são contadas pela perspectiva de Harding ou Gillooly, e como Robbie e Stan estavam igualmente comprometidos com os pontos de vista de seus personagem, eles tiveram alguns conflitos no set. O que Harding sabia sobre o plano de atacar Kerrigan, e quando ela sabia, era um ponto frequente de discussão, e os dois atores defendiam as posições de seus personagens enquanto estavam filmando.

“Ela e eu tivemos momentos onde olhamos um para o outro, e eu falava, ‘Ela já deveria saber a partir desse ponto,’ e Margot dizia, ‘Mas ela não sabia,'” relembra Stan. “Era engraçado. Nós nos confundíamos sobre qual era a verdade.”

“Sebastian e eu estávamos discutindo constantemente no set. Era engraçado. Nós estávamos nos tornando tanto nossos personagens que era assustador para nós,” Robbie disse. “Nós éramos melhores amigos, e então um conflito aparecia e começávamos a discutir. Eu não poderia pedir por alguém melhor para fazer isso.”

O filme teve sua estreia mundial no Festival de Toronto e obteve uma mistura de risadas e suspiros do público. Sua representação da violência doméstica – incluindo LaVona batendo na pequena Tonya com uma escova de cabelo, chutando-a da cadeira na mesa de jantar ou arremessando uma faca e Jeff repetidamente batendo em Tonya, incluindo empurrar sua cabeça em um espelho – e isso tem sido um tópico das conversas e controvérsia desde então.

“A violência foi o que mais me preocupou. Foi uma das primeiras perguntas que a Margot me fez quando nos conhecemos: ‘Como você vai lidar com isso?'” Gillespie disse. “E eu disse, ‘Eu acho que temos que ser brutalmente honestos. Nós temos que mostrar.’ Isso informa todas as escolhas de sua personalidade, por que ela é do jeito que é.”

Robbie adicionou, “O filme é divertido. Esses momentos não são.”

Muito como a série de TV The People v. O.J Simpson levou o público a reconsiderar o que eles achavam que sabiam sobre o tópico das fofocas, I, Tonya encontra uma história desfavorecida dentro da saga da patinadora.

“Nós esperamos que o filme faça as pessoas pararem e pensarem um segundo antes de julgar,” Robbie disse. “É algo que eu faço, todo mundo faz, e temos que ficar ciente do fato de que pode ter um efeito maior. Estamos mostrando uma mulher que não é um vítima, uma vilã ou uma heroína, mas algo completamente diferente. Eu acho que é mais honesto e reflete mais em mulheres que conhecemos.”

“Você não pode resumi-la em uma frase,” Robbie adicionou. “Você não pode resumir uma pessoa em uma frase de uma entrevista. Existe muito mais do que isso.”

Fonte | Tradução & Adaptação: Equipe Margot Robbie Brasil

postado por Mari na categoria Entrevistas
26.12.17
Margot Robbie fala sobre I, Tonya com o Refinery29

Margot participou de um Q&A após uma exibição de I, Tonya com o site Refinery29 em Nova York semanas atrás e falou sobre o filme, mulheres no esporte, o movimento #MeToo e mais. Confira:

Em uma exibição de I, Tonya em Nova York, Margot Robbie chegou com um vestido longo transparente e brilhoso. Eu quase tive que olhar duas vezes para me certificar que era realmente Robbie na minha frente, e não a versão para as grandes telas da patinadora Tonya Harding. E então ela ofereceu aquele grande sorriso que é sua marca registrada e seu sotaque australiano e eu pensei “Ah, aí está ela.”

Robbie pode não ser Tonya Harding, mas ela com certeza está ganhando tanto quanto a famosa patinadora artística como estrela e produtora desse filme, que revela a perspectiva de Harding sobre seu envolvimento em uma agressão contra a patinadora Nancy Kerrigan em 1994. O filme acabou de ser indicado para três Golden Globe Awards, incluindo um para Robbie como Melhor Atriz em Musical ou Comédia. Mas para ela e sua produtora, Lucky Chap, I, Tonya é só o começo para trazer mais histórias femininas para a luz.

“Nossa produtora possui 13 filmes em desenvolvimento no momento, e eu estou estrelando em alguns deles,” Robbie disse durante um Q&A após a exibição do filme. “E temos um departamento de TV agora, então eu estou realmente muito ocupada produzindo histórias lideradas por mulheres no momento. E espero estar interpretando Harley Quinn em breve. Espero que seja ano que vem!”

O roteirista de I, Tonya Steven Rogers juntou-se a conversa, assim como Paul Walter Hauser, que interpreta o antigo “segurança” de Harding, Shawn Eckhardt no filme. Rogers explicou que o que ele espera que faça o filme única é o jeito cheio de camadas que conta um dos momentos mais escandalosos da história do esporte.

“É realmente uma história engraçada, uma história muito trágica e louca,” ele disse. “E é uma história real, dependendo do ponto de vista que você acredita. Eu não queria limitá-lo. Por que qualquer filme deveria ser somente uma coisa? Por que não pode ser tudo?”

Você pode assistir o vídeo completo do nosso painel abaixo ou ler os destaques para descobrir mais sobre como Robbie aprendeu a patinar como Harding, sua visão sobre por que mulheres no esporte são colocadas uma contra a outra, o que os três convidados estão sentindo sobre o estado de Hollywood no meio do movimento #MeToo, e mais.

Como o filme diz, eu acho que todos possuem uma memória diferente sobre o que aconteceu entre Tonya Harding e Nancy Kerrigan. Quais são as suas memórias sobre o incidente?
Paul:
Eu sabia muito pouco. Eu nasci em 1986, então para mim foi como clipes dessas pessoas sendo investigadas e isso sendo uma história para Ricki Lake, Montell Williams, Oprah e Sally Jesse. Foi como fazer parte dessa cobertura televisiva.
Margot: Eu tinha quatro anos na época, então eu perdi completamente, e eu estava na Austrália. Quando eu li o roteiro, eu não sabia que tudo isso era verdade. Eu não sabia que eram pessoas reais, achei que fosse uma completa ficção do cérebro do Steve!

Como a ideia para I, Tonya ganhou vida?
Steven: Eu apostei comigo mesmo e escrevi o roteiro sem financiamento para ver se as pessoas iriam querer. E se eles quisessem, eu poderia ter algumas condições. A primeira foi que Allison Janney iria interpretar o papel que eu escrevi para ela [como a mãe de Tonya]. Eu conheço Allison por uns 100 anos, então eu queria isso no roteiro, ou não tinha acordo. Eu fiz isso antes mesmo da Allison ler o roteiro ou dissesse que ela ia fazer o filme!
Margot: Eu li o roteiro, e obviamente nossa produtora estava procurando por um conteúdo liderado por mulheres. Falamos com diretores brilhantes, mas a conversa que tivemos com Craig Gillespie, que acabou sendo nosso diretor, foi algo que ninguém mais conseguiu articular como eles lidariam com o tom do filme do jeito que ele poderia, e como eles lidariam com a violência. Essas foram as duas maiores questões que tínhamos, e nossa visão para o projeto era bem clara. Não tínhamos julgamento por esses personagens.

Você entrevistou Tonya Harding e seu ex-marido Jeff Gillooly na vida real antes de criar o filme. Você pode falar um pouco sobre isso?
Steven:
Eu vi esse ótimo documentário na ESPN sobre Tonya Harding chamado 30 for 30. Algumas coisas no documentário ressoavam para mim sobre classes na América, a privação de direitos e como dizemos para as mulheres como elas devem ser. E a verdade, a percepção da verdade, e o que nós contamos para nós mesmos para conseguirmos viver. Tudo isso estava enrolado nessa história muito louca. Então eu fui no site da Tonya Harding para encontrar se os direitos de vida ainda estavam disponíveis, e encontrei o número do agente dela e era um Motel 6. Eu apenas pensei, “Eu estou muito dentro!” Eu encontrei Tonya Harding e encontrei Jeff Gillooly, e eu nunca tinha entrevistado ninguém antes. Quando entrevistei eles, as histórias eram tão diferentes, eles apenas lembravam das coisas de um modo diferente. Eu pensei, “É isso, eu vou mostrar o ponto de vista de todo mundo e então deixar o público decidir o que é o que.”

Margot, como você se preparou fisicamente para o papel de uma patinadora olímpica? O quanto vimos você e o quanto vimos a dublê?
Margot
: Qualquer coisa espetacular não sou eu. Por mais que eu tentasse, eu nunca poderia fingir ser uma patinadora profissional. Eu treinei por quatro ou cinco meses, cinco dias por semana, quatro horas por dia. Foi bastante. Eu patinei diversas vezes na infância, mas não muito porque eu sou de Gold Coast, na Austrália. Não tem gelo! Eu posso surfar! Mas quando eu me mudei para a América, eu entrei para um time de hockey… mas acontece que hockey no gelo e patinação no gelo são totalmente diferentes, então eu fiquei pensando até realmente me decidir sobre o tópico. Eu descobri rapidamente que era um esporte brutal e incrivelmente difícil. Eu treinei bastante e depois de um tempo eu comecei a progredir e depois se tornou bem divertido, eu realmente amei.

Quais foram as cenas mais difíceis para você filmar, Margot?
Margot:
Logisticamente, filmar essas cenas é normal, é uma coisa mecânica. Emocionalmente, é diferente. Honestamente, fazer essas cenas com a Allison ou com o Sebastian Stan [que interpreta o Jeff], isso depende muito do seu parceiro de cena. Mas o que me marcou foi que, em um documentário sobre a Tonya quando ela tinha 15 anos, bem antes da mídia analisar de perto cada movimento dela, ela era muito sincera e vulnerável. Ela estava falando sobre sua vida doméstica, e ela estava dizendo com sinceridade para a câmera, “A minha mãe me bate, me espanca e ela é alcóolatra.” Ela dizia simples assim. Ela estava anestesiada a isso aos 15 anos. Isso me atingiu como um elemento importante desse ciclo abusivo que ela passou quando era criança e em seu casamento, que ela apenas aceitou porque era muito habitual. Craig teve a ótima ideia de quebrar a quarta parede nesses momentos para que você pudesse ver como ela estava emocionalmente desconexa do que estava acontecendo fisicamente com ela na época, para você ter a ideia de o quão repetitivo esses relacionamentos abusivos podem ser. E eu acho que falar diretamente com o público nesses momentos torna um pouco mais fácil para eles ficarem, “Eu posso continuar assistindo, eu acho que ela está bem em algum nível, e estou assistindo a um filme.” Eu acho que foi um jeito importante de fazer as cenas. Mas Craig disse que você não pode se afastar da violência, porque seria um desserviço enorme com qualquer pessoa que tenha sofrido violência. Foi algo que prestamos uma atenção particular.

Por que vocês acham que o público foi tão rápido em tornar Tonya a vilã nessa história da vida real, apesar dos papéis que o ex-marido e o segurança tiveram?
Steven
: Foi a primeira vez que houve um ciclo de 24 horas de notícias e a primeira vez que as pessoas tiveram que preenchê-lo. Eu eu acho que as pessoas ligaram pouco sobre serem precisos, eles só queriam conteúdo. Então, o jeito mais fácil de fazer isso foi reduzi-las a uma coisa só. Tonya era a vilã e Nancy era a princesa, era disso que eles se alimentavam e o que acreditavam.
Margot: Eu acho que foi mais fácil colocar Tonya como vilã porque ela não era a imagem que a patinação queria. Eu assisti cada vídeo dela patinando umas cem vezes e o número de vezes que eles comentam sobre a classe de sua família, deveria ser sobre a patinação, mas eles ficam “Aqui está Tonya Harding, a garota do lado errado dos trilhos!” É tipo, apenas dê uma chance para ela! Mas é sobre qual caixa eles decidem colocar cada mulher. Eu acho que as duas foram representadas injustamente, porque eles representaram Nancy Kerrigan injustamente, porque aparentemente ela também era de uma família simples.
Paul: Eu acho que tem sido um estigma injusto, ultimamente os homens estão recebendo isso em Hollywood e graças a Deus as pessoas estão descobrindo muito lixo. Mas as mulheres, vá até qualquer caixa de supermercado e você vai ver pessoas espalhando nomes e acusações sobre mulheres na mídia apenas por lerem algo sobre elas, que você sabe que é mentira. São apenas pessoas indo em direção a uma história e as coisas se tornam uma bola de neve. No caso de Tonya, como muitos outros casos, eles deixaram evoluir para esse monstro.
Steven: Eu acho que a mídia gosta de colocar uma mulher contra a outra, e as pessoas engolem isso.

Shawn e Jeff receberam 18 meses na prisão por seus papéis no incidente com Nancy Kerrigan, mas Tonya Harding foi banida para sempre da patinação. Vocês acham que essas sentenças foram justas?
Todos os três
: Não.
Margot: Eu acho que ela não deveria ter sido banida da patinação. Isso era sua subsistência. Ela largou a escola para patinar, não havia nada mais para se apoiar. Ela obviamente não veio de uma família que podia oferecer um ombro amigo ou algo assim. Eu achei muito injusto. Eu não ligo se as pessoas acharam que ela fez ou não fez, mas ela não merecia isso.

Vocês estão contando uma história muito importante para as mulheres nesse filme. No auge do movimento #MeToo, vocês estão esperançosos sobre Hollywood no momento?
Paul: Muito esperançoso. Eu acho que estamos cansados das mentiras. As pessoas estão prontas para falar e apoiar umas as outras. Muitas pessoas queriam apoiar outras, mas todos estavam com medo por seus empregos. E agora as pessoas estão perdendo os empregos. Eu estou animado que isso está acontecendo e acho que veremos uma grande reviravolta, não só no jeito que as pessoas são tratadas, mas como os filmes são feitos e veremos mais projetos femininos em Hollywood.
Margot: O que ele disse! Mas é verdade, eu acho que é uma nova onda… Nós somos uma produtora muito nova, esse é o nosso primeiro filme que estreia nos cinemas. Eu posso sentir essa geração jovem quando entramos na indústria, estamos apontando para as coisas que não concordamos e nós queremos mudar isso. É sobre seguir em frente e encontrar o que iremos consertar, e realmente fazer algo ao invés de falar sobre isso. Há muita conversa sobre isso, e a conversa precisa continuar para que não seja varrida para baixo do tapete. Mas todos viraram rapidamente sobre como podemos consertar isso e como vamos nos certificar para que não aconteça novamente.

Fonte | Tradução & Adaptação: Equipe Margot Robbie Brasil

postado por Mari na categoria Entrevistas
20.12.17
Margot Robbie participa da primeira mesa redonda ao vivo do The Hollywood Reporter

Margot participou da mesa redonda do The Hollywood Reporter no início do mês ao lado de atores como Bryan Cranston, Armie Hammer, Robert Pattinson, Diane Kruger e Octavia Spencer. Confira a conversa traduzida abaixo:

Essa é a primeira vez que o THR mistura atores e atrizes na mesma mesa redonda. Então o que você quis discutir com atores do sexo oposto?

BRYAN CRANSTON: Vocês já trabalharam com alguém que vocês detestavam?

OCTAVIA SPENCER: Eu já. Mas eu só fiquei no set por um dia, então… (Risos.)

ARMIE HAMMER: Por que você foi demitida?

SPENCER: Quando uma pessoa olha para você e não fala com você e fecha a porta na sua cara, é tipo, “Eu te odeio com todo o meu coração.” E, você sabe, essa pessoa é uma pessoa miserável. Anos depois eu encontrei essa pessoa novamente.

DIANE KRUGER: Você disse isso para ele?

SPENCER: Não. Eles literalmente vieram até mim como se tivessem sido gentis, e fiquei tipo, “Não.”

MARGOT ROBBIE: Eu normalmente evito conflitos a qualquer custo. Eu nunca trabalhei com um ator que eu detestava, mas eu trabalhei com alguém no lado da produção que eu não gostava do jeito que falava comigo na frente de grupos. Demorou alguns meses, mas eu tomei coragem e puxei ele para o lado e disse, “Você está tirando o crédito do que eu faço quando você fala assim comigo.” E ele entendeu.

CRANSTON: “E você está demitida.”

ROBBIE: E eu nunca mais trabalhei novamente.

ROBERT PATTINSON: É estranho porque assim que você precisa se garantir para um diretor, você meio que quebra a quarta parede. Quando você entra no set, não é para ser você. Então eu sempre tento evitar conflitos, e espero que eles vejam o que eles estão fazendo de errado. (Pausa.) Isso nunca, nunca, nunca funciona. (Risos.) Só fica cada vez pior. Mas me irrita se eu tiver que dizer, “Hey, esse é o meu processo.” É tipo, eu não sei qual é o meu processo, só existe um tipo de entendimento que você está tentando fazer algo bom, não está apenas zoando.

CRANSTON: Você sabe, não é necessário que você se dê bem com seus parceiros de cena; é como seus sogros, isso só torna as coisas mais fáceis. Então você faz um esforço de conhecê-los e saber como eles trabalham, porque cada ator trabalha de um modo diferente.

HAMMER: Quanto mais tempo eu faço isso, mais eu acho que é uma parte crucial do seu trabalho como memorizar suas falas e conhecer seu personagem. Porque você pode ter o seu processo, mas você não pode encaixar o seu processo no processo orgânico que é o projeto, isso não faz bem para você. Você precisa encontrar como você vai fazer o que você quer enquanto não f*de com o processo de outra pessoa.

Quais tipos de cena deixam vocês nervosos?

HAMMER: Todas. (Risos.) Honestamente, as cenas que mais me deixam nervoso são as que você não faz nada, quando você está apenas lá. Todos estão fazendo um monte de coisas e você só tem uma fala. É difícil entrar nesse ritmo, você acaba querendo fazer o seu trabalho e isso tira um pouco da atenção.

Em Call Me by Your Name, há muitas cenas íntimas e você realmente faz todas elas. Isso te deixou nervoso?

HAMMER: Eles podem ter ficado em outros projetos, mas tudo pareceu muito seguro nesse. Nós tivemos liberdade de explorar e ser nós mesmos e errar. Não importava o que acontecia, parecia que éramos realmente protegidos pelo diretor Luca Guadagnino e por todos. Nós tínhamos algumas cenas sem roupa, e no final do dia, eles cortavam, e alguém falava, “Você quer um roupão?” E você fica, “Nah, tudo bem, vamos filmar de novo em um segundo.” (Risos.)

ROBBIE: Eu fico nervosa sempre que preciso atuar sozinha. Eu preciso estar com outros atores, então meu foco é no que eles estão fazendo e tudo o que eu preciso fazer é reagir a isso. Se eu estou sozinha eu fico muito presa na minha mente.

Seu papel em The Big Short foi completamente sozinho – enquanto você estava em uma banheira.

ROBBIE: Enquanto eu estava em uma banheira, você sabe, bebendo meu champagne. Esse foi o trabalho mais fácil que eu já fiz na minha vida. (Risos.) Passei metade do dia em uma mansão em Malibu com um Dom Perignon de 20 anos que o diretor Adam McKay conseguiu.

Como você geralmente se prepara para um papel? Em I, Tonya você precisou aprender a patinar no gelo, obviamente.

ROBBIE: Eu fico animada quando preciso aprender uma nova habilidade, e somos tão sortudos e mimamos que eles conseguem alguém muito bom para te ensinar. Como quando eu fiz Focus [em 2015], um punguista de verdade me ensinou a roubar os bolsos de outras pessoas. Eu fiquei tipo, “Isso é muito legal.”

HAMMER: Você praticou?

ROBBIE: Eu estou com seus celulares na minha bolsa. Chequem seus bolsos. (Risos.) Isso é preparação mecânica. Quando você conta as horas, compensa. Além disso, eu sou tipo uma pessoa louca quando estou em preparação. Eu faço linha do tempo e backstories, eu trabalho com um professor de dialeto, professor de movimento e professor de atuação. Eu faço muita coisa antes para poder jogar tudo pela janela quando chego no set. Mas se eu não fizesse isso tudo antes, eu ficaria com muito medo.

Você assistiu muitos vídeos de Tonya Harding?

ROBBIE: Eu assisti cada vídeo que existe mais de cem vezes. Eu escutava a voz dela no meu iPod, eu ia dormir escutando ela falar.

CRANSTON: Você falou com ela durante a preparação?

ROBBIE: Propositalmente, não, porque há tanta coisa online. Eu poderia estudá-la aos 15 anos, ela é entrevistada durante os 20, antes e depois do incidente. E fizeram documentários sobre ela durante os 40, também. Eu a interpretei dos 15 aos 44, e eu tinha todas essas informações nas pontas dos meus dedos. Então eu me preparei sem conhecê-la para que pudesse manter a personagem e ela separadas na minha mente. E assim que eu decidi como eu ia interpretar a personagem, uma semana antes das filmagens, eu fui conhecê-la. Eu não queria conhecê-la e duvidar do que eu tinha decidido. Ela entendeu muito bem, considerando todas as coisas.

Já existiu um filme onde a preparação foi a razão pela qual você aceitou o papel?

ROBBIE: Se eu pudesse filmar no Havaí por um mês, isso seria legal.

SPENCER: Eu fiz um filme de trilha, e eu nunca fiz trilha. (Risos.) Eu fiquei tipo, “Oh, meu Deus, eu vou perder muito peso!” E nós literalmente atravessamos um caminho. Então não teve nenhuma trilha.

KRUGER: Eu desisti de um filme porque precisava montar em cavalos, e eu tenho muito medo de cavalos.

SPENCER: Eu entendo, querida.

ROBBIE: Eu desisti de papéis porque eu tinha que usar corset por seis meses, entre outras coisas, mas isso foi um fator na minha decisão. Eu não consigo fazer isso.

CRANSTON: Ou só protéticos. Pode ser bem claustrofóbico.

Vocês ligam ou mandam emails para atores com um elogio ou uma pergunta?

ROBBIE: Quando eu vi Mulher Maravilha, assim que eu cheguei em casa, eu escrevi para Patty Jenkins e Gal Gadot. Eu nunca tinha conhecido elas antes, mas eu escrevi para dizer, “Vocês me fizeram orgulhosa de ser uma mulher no Universo DC.”

CRANSTON: Eu mandei email para um cara que eu conhecia que fez um filme esse ano, um filme lindo. Ele se arriscou e fez um trabalho maravilhoso em um filme chamado Call Me by Your Name – e ele nunca respondeu. (Risos) Eu escrevi o que eu pensei ser uma carta muito adorável e…

HAMMER: Foi muito bonito. Eu não consegui responder. Fiquei paralisado.

KRUGER: Bryan me mandou um email depois de Cannes [ela venceu Melhor Atriz], o que foi muito doce.

Como vocês conseguem o email um do outro?

SPENCER: Eu procuro nesse negócio de emails. (Risos.)

KRUGER: Se chama Tinder.

CRANSTON: Eu vendo eles. Posso conseguir de quem você quiser. (Risos.)

Muito da carreira de um ator é de sua própria escolha. Bryan, existe algo na sua página do IMDb que você eliminaria?

CRANSTON: Amazon Women on the Moon é um dos meus favoritos, então esse não. É um filme de verdade. Joe Dante dirigiu.

ROBBIE: Eu pensei que você tinha inventado.

CRANSTON: Eu acho que eu era o segundo paramédico. Eu nunca vi. Eu nem sei sobre o que é, na verdade.

HAMMER: É sobre amazonas na Lua. (Risos.)

CRANSTON: Aparentemente uma delas precisava de um paramédico.

HAMMER: Eu interpretei um modelo da Abercrombie. Em Spring Breakdown.

CRANSTON: Você precisou tirar a camisa, aposto.

HAMMER: Oh, sim. Tomaram shots de tequila no meu corpo.

ROBBIE: Isso parece divertido. Eu não tenho o bastante na minha página do IMDb para tirar coisas nesse ponto.

KRUGER: Quando eu era mais nova, eu fiz um comercial de desodorante. Esse foi um momento de se orgulhar. Mesmo quando eu estava filmando, eu ficava… (imitando a aplicação de um desodorante.)

HAMMER: Eu vou demitir meu agente… (Risos.)

SPENCER: Cada papel pagou uma conta ou alguma coisa. Se foi terrível, isso mostra o quão longe você chegou.

PATTINSON: Mesmo esse espasmo de vergonha que você sente quando você assiste pela primeira vez, se você esperar cinco, seis anos, você fica, “Aw, eu realmente gosto disso. Eu superei.”

Redes sociais permitem vocês falarem sobre problemas de seu interesse. Qual a sua opinião sobre pessoas que estão falando sobre o assédio sexual ou escolhendo não falar?

ROBBIE: Falar é bem mais complicado do que qualquer pessoa pode imaginar, a não ser que ela já passou por essa situação. Então eu não julgaria quem não quer falar. Eu espero que qualquer pessoa que falou saiba que elas podem e serão apoiadas 100 por cento. Eu nunca falei tanto com atrizes que eu nunca conheci como nos últimos meses. Atrizes, que se eu conhecesse, iria ficar pasma, estão vindo até mim e falando, “Hey, estamos fazendo um grupo para conversar sobre isso, você quer se envolver?” Há um senso de comunidade, e é triste que veio de uma situação tão horrível, mas há uma rede de suporte aqui.

Vocês acham que haverá uma mudança real e duradoura na indústria? E vocês não podem dizer, “Espero que sim.”

SPENCER: Toda indústria precisa mudar. Não é só o cinema. A grande revelação para mim é que os departamentos de recursos humanos não protegeram os trabalhadores, eles protegeram as empresas. Isso precisa mudar, primeiramente e mais importante. Nós não temos um departamento de recursos humanos porque trabalhamos em estúdios diferentes, mas como a Margot disse, há muitas conversas acontecendo e muitas pessoas usando seu poder para fazer a mudança acontecer.

KRUGER: Nós estamos vendo a mudança acontecer. Todos esses homens estão indo embora. Eu estou impressionada como tantas empresas cortaram laços com esses homens imediatamente, eles não receberam apenas um tapinha nas costas e voltaram.

ROBBIE: Há muitas áreas escuras no nosso trabalho e muitas situações bem íntimas que você precisa ser vulnerável, e isso muda de trabalho para trabalho. Alguns trabalhos são feitos em seis semanas, outros vão por seis meses, e se há um problema, precisa ser resolvido na hora. Há muitas variáveis, e é difícil encontrar estrutura nesse tipo de ambiente.

Se você pudesse sentar e conversar com alguém a sós por uma hora, quem seria?

SPENCER: Barack Obama. “Por que você se foi, Barack?” (Risos.) Eu gostaria de falar com Barack e Joe Biden, e ganhar perspectiva de pessoas que estiveram no emprego, e talvez dizer, “O que podemos fazer como cidadãos quando o país está tão dividido e polarizado?”

CRANSTON: Bom, eu já sentei e conversei com Barack

SPENCER: Oooohhhh, conta!

CRANSTON: Desculpa, desculpa, é uma mania chata. Foi a minha alegria, eu pude sentar e conversar com ele no Salão Oval por uma hora e meia, e havia um moderador do The New York Times.

TODOS: Uau.

CRANSTON: Alguns momentos eu esquecia com quem eu estava falando, e ele era só um cara. Ele é um pouco mais novo do que eu, mas ele tem filhas como eu tenho. Ele é um pai; ele é muito atlético. Não tinha um pai enquanto crescia, e nem eu, Temos muita coisa em comum. E então, de repente, eu fico, (sussurrando) “Estou no Salão Oval!”

Vocês conhecem pessoas interessantes no trabalho. Tirando o Obama, quem se destaca?

HAMMER: Estávamos filmando Lone Ranger, e Tom Wilkinson precisava fazer uma coisa onde ele puxa um relógio de bolso e gira, e abre na mão dele. Era um truque legal. Então porque eles tinham um orçamento ilimitado, eles ficaram tipo, “Vamos trazer o campeão de ioiô.” E ele ficou, “Isso não é um ioiô.” E eles falaram, “Sim, mas você pode ajudar ele?” “Sim, você tira do bolso e faz isso.” E o Tom fica, “Assim?” Click. E ele concorda. E então ele ficou com a gente pelo resto do filme. (Risos.)

SPENCER: Eu conheci John Douglas que era o chefe de departamento da unidade de ciências comportamentais do FBI. E eu sou uma nerd de serial killers. Então eu li seu livro, Mind Hunter, uns 15 anos atrás. E eu estava na primeira classe, e a comissária de bordo falou o primeiro e último nome dele e, “Você quer frango ou peixe?” E eu fiquei, “Oh, meu Deus, eu te amo!” E eu falei com ele de Los Angeles até Atlanta.

KRUGER: Esse ano eu decidi tirar minha carteira de motorista para moto no meio da Georgia em uma concessionária da Harley. É assim que os americanos são, porque na Europa, são três meses para você conseguir uma licença. Eu nem sai do estacionamento, e em quatro dias eu recebi minha licença.

HAMMER: Você deveria tentar comprar uma arma, é mais fácil ainda. (Risos.)

KRUGER: Nós nem fomos para a estrada! Mas eu estava com uns 20 caras da Harley-Davidson. Eu estava completamente fascinada. Eu nunca conheci ninguém assim. Eles pensaram que eu era louca: “O que essa menina está fazendo? Você vai deixar a moto cair.” E eu deixei, mas eles me levantaram. Foi incrível. Eu ainda mantenho contato com eles.

ROBBIE: Eu fiz um filme recentemente, e o diretor perguntou se todos podiam escrever a coisa mais louca que já aconteceu em suas vidas. Eu passei dois meses com esse grupo de pessoas, provavelmente umas 60, e todos pareciam super normais. E então todos escreveram as coisas mais loucas que aconteceram com eles, e não foi liberado até o último dia, onde você precisava adivinhar de quem era cada história. Isso me lembrou que pessoas fascinantes estão em qualquer lugar. Qualquer lugar. Alguém tinha sido noivo da princesa de Zanzibar. Outra pessoa tinha estado em um acidente de avião onde apenas 10 pessoas sobreviveram. Isso te lembra que há histórias fascinantes em qualquer lugar. Todo mundo tem uma história.

Qual era a sua história?

ROBBIE: Uma vez eu encontrei – e ninguém adivinhou que era eu – um pé humano na praia de Nicarágua.

SPENCER: Oh, morte!

KRUGER: Só os ossos?

CRANSTON: E ela usa de peso de porta. (Risos.)

ROBBIE: Só uma pequena lembrança.

Fonte | Tradução e Adaptação: Equipe Margot Robbie Brasil

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19.12.17
Elenco de I, Tonya comenta se o filme é fiel ao incidente de 1994

Em um artigo para a revista Entertainment Weekly, o elenco de I, Tonya junto com o diretor e roteirista do filme comentou se eles acham que o filme conta a verdade sobre o que aconteceu nas Olimpíadas de 1994, quando Nancy Kerrigan foi atacada a mando de Jeff Gillooly, ex marido de Tonya Harding. Confira:

Estamos sentados no oitavo andar de um prédio empresarial em Manhattan, e Allison Janney está prestes a me contar o que ela realmente pensa sobre a patinadora olímpica Tonya Harding. Mais de 20 anos atrás, um ataque na competidora de Harding, Nancy Kerrigan acusou Harding e começou uma loucura da mídia que agitou as Olimpíadas de 1994 e refinou as éticas do esporte. A atriz, que interpreta a mãe de língua afiada de Harding em I, Tonya, pensa que Harding participou do incidente?

O que ela acredita ser a verdade?

Mas assim que Janney abre sua boca, o alarme de incêndio do prédio dispara. “Bom!” Janney diz, sorrindo. “Talvez a gente deva ir.”

Talvez devêssemos. Porque o que quer que Janney – ou qualquer pessoa – sinta sobre Harding, esse filme está prestes a mudar. O drama de humor negro do diretor Craig Gillespie e do roteirista Steven Rogers conta a jornada de Harding (Margot Robbie) de prodígio da patinação para olímpica desacreditada de múltiplas perspectivas – porque, como Robbie declara no filme, “não existe verdade.”

Mas existe a realidade. E na realidade, um homem é contratado pelo ex marido de Harding, Jeff Gillooly, e seu segurança Shawn Eckardt para atingir o joelho de Nancy Kerrigan no dia 6 de janeiro de 1994, semanas antes das Olímpiadas de Inverno em Lillehammer, Noruega. Os homens foram presos por um tempo. Harding, após ser declarada culpada por impedir a investigação, recebeu uma proibição vitalícia da patinação competitiva.

I, Tonya detalha tudo isso. Os atores encenaram meticulosamente o incidente e as primeiras entrevistas após o ocorrido. Robbie usa réplicas exatas das roupas de Harding usava no gelo. Janney performa com um pássaro caseiro no seu ombro, assim como a mãe de Harding, LaVona Golden, fez para uma aparição na TV. O filme atinge um ritmo ainda maior e absurdo: o cadarço quebrado de Harding nas Olimpíadas. Sua conferência de imprensa expressando simpatia por Kerrigan. O papel amassado que o FBI encontrou com a letra de Harding, dizendo o lugar e hora que Kerrigan treinava.

A única coisa que o filme evita, notavelmente, é o lado da história de Kerrigan. Interpretada por Caitlin Carver, Kerrigan aparece apenas em duas cenas e fala um único: “‘Por queeee?” Rogers diz que ele escolheu bem cedo minimizar a perspectiva de Kerrigan. Após assistir o documentário de 2014 da ESPN sobre a saga, ele percebeu que queria escrever sobre Harding e somente ela. “Não é I, Nancy. É I, Tonya,” ele diz. “Nada contra Nancy Kerrigan, mas eu queria contar a história das pessoas que potencialmente acharam que o ataque era uma boa ideia.”

A história foca em Harding, obviamente, e Gillooly. (Eckardt morreu em 2007.) Rogers rastreou os dois em Oregon, onde ele conduziu duas horas de entrevistas separadas. Após notar o quão contraditória as histórias eram, ele moldou seu roteiro por suas declarações conflitantes, alternando cenas entre os pontos de vista de Harding e Gillooly e entrevistas atuais recriadas para adicionar contexto. Algumas vezes, os personagens até quebram a quarta parede no meio da cena para informar ao público se algo de sua memória aconteceu. “A história é um disse-me-disse, o que tem sido o caso por 23 anos agora, então o livro de regras voou pela janela,” Gillespie diz. “Estamos vendo histórias que realmente estão sendo negadas no meio das cenas. Fica muito complicado.”

Suas estrelas certamente pensam isso. “Foi muito difícil interpretar uma cena onde era a visão do Jeff sobre o ocorrido,” diz Robbie, que atua ao lado de Sebastian Stan como Gillooly. “Isso levou a muitas discussões entre Sebastian e eu.” Discussões de brincadeira, Stan esclarece. “Nós olhávamos um para o outro tipo, ‘Oh, Jesus, no que nos tornamos?'”

Dois atores que passaram muito tempo na cabeça de seus personagem, é isso. Robbie e Stan encontraram seus assuntos reais, mas enquanto Stan encontrou Gillooly para estudar suas maneiras – “Eu queria ver como ele era quando ele sorria,” – Robbie optou por não conhecer Harding até terminar de desenvolver o papel por conta própria. Ela assistiu horas de filmagem de Harding em fases diferentes de sua vida. “Levou meses, porque sempre que eu achava que tinha visto tudo, eu procurava um pouco mais e achava mais coisa,” Robbie diz. “Ver sua vulnerabilidade quando ela era jovem, sua rebeldia no começo dos seus 20 anos, sua defesa após o incidente, e então sua amargura foi um arco incrível de mapear.”

Janney nunca conheceu a verdadeira LaVona – Rogers não conseguiu achá-la, Janney diz, e Harding não sabia onde ela estava – então ela montou a personagem a partir das poucas entrevistas que LaVona fez. “O fato de que ela fez uma entrevista em um casaco de pele falou muito comigo sobre quem ela era e como ela queria ser vista,” Janney diz. “Eu vi muita mágoa, e eu percebi que eu não precisava conhecê-la. LaVona iria me confundir mais ainda se eu tivesse a conhecido.”

Por suas partes, Gillespie e Rogers fizeram questão de documentar a fonte de cada pedaço de informação no filme. E se uma memória fosse contestada, um personagem iria dizer. “Eu estava muito, muito preocupado em cometer erros com os fatos,” Rogers diz. “Tudo era vetado pelos advogados. Eu tive que mostrar toda a pesquisa, todos os documentários, todos os artigos, e então reforçar isso com mais.” Gillespie adiciona:“O roteiro de Steven era minha Bíblia. Eu falava com ele, ‘Isso aconteceu?’ E a resposta realmente era ‘É o que a Tonya disse.'”

Se I, Tonya conta a versão que é verdadeira no sentido absoluto da palavra, no entanto, é difícil dizer. Até mesmo para as pessoas que fizeram o filme. “É 100 por cento exato com a verdade, com a verdade da Tonya, com a verdade do Jeff,” diz Robbie. “Cada cena é algo que eles dizem ter acontecido. Tudo. Mas o quão perto da realidade é isso?” Ela ri. “Nós nunca saberemos. Digo, eu não faço ideia.”

Nem Janney. Depois que o alarme de incêndio para, ela oferece uma resposta diplomática. “Eu gosto de acreditar que Tonya não teve muito a ver com o que a mídia achava dela,” ela diz. “É isso que eu gosto de pensar.” Mas essa é a verdade dela. Não precisa ser a sua.

Fonte | Tradução e Adaptação: Equipe Margot Robbie Brasil

postado por Mari na categoria Entrevistas
18.12.17
Margot Robbie fala sobre I, Tonya com o Yahoo Entertainment

Margot concedeu uma entrevista para o site Yahoo Entertainment sobre seu novo filme I, Tonya e ela fala sobre Tonya Harding ser uma vilã ou heroína. Confira:

Margot Robbie adotou uma abordagem bem moderada para interpretar a patinadora Tonya Harding no novo filme muito elogiado, I, Tonya. A atriz australiana de 27 anos deixou claro para seu assunto da vida real que ela estava interpretando uma personagem, não a Harding verdadeira, que foi banida do esporte em 1994 após sua associação com o ataque na rival Nancy Kerrigan.

“Na minha mente, há uma grande diferença entre ela e a personagem, Robbie contou ao Yahoo Entertainment. “Então eu precisava de liberdade no set para deixar essa personagem fazer o seu trabalho, e eu não queria segurá-la. E Tonya entendeu isso.”

Robbie, mais conhecida por seu papel de estreia em O Lobo de Wall Street e por interpretar a anti heroína Harley Quinn em Esquadrão Suicida, não julga rapidamente Harding por seu papel no ataque e seu lugar na cultura pop.

“Nós nunca dissemos apenas uma coisa, nós só queríamos mostrá-la como pessoa, realmente,” Robbie disse. “Ela não é a vítima, ela também não é a vilã. Ela é uma pessoa. E ser uma pessoa significa que há coisas boas e ruins em você, e você comete erros.”

Allison Janney, que interpreta a mãe de Harding, LaVona Golden, acha que o filme vai balançar as opiniões do público. “Eu acho que o filme dá uma outra forma para seu legado. Eu acho que as pessoas vão sair do cinema sentindo mais empatia por Tonya Harding,” ela disse. “Eu acho que ela foi injustiçada.”

Fonte | Tradução & Adaptação: Equipe Margot Robbie Brasil

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13.12.17
Margot Robbie sobre indicação ao Golden Globe: “Eu nem sei o que dizer.”

Na manhã de segunda feira, Margot Robbie recebeu sua primeira indicação ao Golden Globes por seu papel como Tonya Harding em I, Tonya e o site EW conversou brevemente com a atriz pouco tempo depois de sua indicação. Confira:

Margot Robbie encontrou Tonya Harding várias vezes enquanto estrelou e produziu I, Tonya, mas ela ainda não soube exatamente o que ela achou de sua performance.

“Eu acho que eu fiquei com muito medo de perguntar seus pensamentos sinceros sobre o filme,” a atriz admite. “Eu perguntei coisas como, ‘Nós fizemos essa parte certa?’ E ela disse que estava incrivelmente no ponto com suas memórias.”

Mesmo que Harding não tenha dado uma crítica para Robbie, a Hollywood Foreign Press Association certamente pensou que ela era merecedora, indicando-a para um Golden Globe na categoria Melhor Atriz em Musical ou Comédia. Robbie e a equipe de I, Tonya comemoraram imediatamente na manhã de segunda feira após descobrirem que o filme conseguiu três indicações no total – para Robbie, a parceira de cena Allison Janney na categoria de Melhor Atriz Coadjuvante, e o filme por Melhor Musical ou Comédia – criando uma corrente de mensagem de texto que deixou o celular dela “explodindo”.

Nós começamos a ligar um para o outro assim que descobrimos,” ela diz. “Eu nunca fui parte desse tipo de conversa, então é muito louco, de verdade. Eu nem sei o que dizer.”

E, Robbie adiciona, é um pouco estranho ver o filme – uma comédia de humor negro e drama irônico – forçado em uma categoria para musicais e comédias. (Os Golden Globes possuem história em indicar filmes que nos fazem levantar a sobrancelha nessa categoria.) “É difícil classificar nosso filme em um gênero específico,” ela explica. “Realmente não entra em somente uma categoria, mas existem momentos engraçados, então eu entendo o motivo.”

Ainda assim, a inclusão de I, Tonya nas conversas das premiações poderia trazer algum material humorístico. Afinal de contas, Robbie agora possui quatro rivais na, se você permitir, a corrida pelo ouro – mas por enquanto, ela não vai fazer nenhum trocadilho sobre suas oponentes. “Há tantas piadas boas e ruins para fazer nesse momento, mas…” ela desconversa, rindo. “Eu não vou fazer nenhuma.”

Fonte | Tradução & Adaptação: Equipe Margot Robbie Brasil

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13.12.17
Sebastian Stan fala sobre trabalhar com Margot Robbie em I, Tonya

Durante uma entrevista com o site Collider, o parceiro de cena da Margot em I, Tonya, Sebastian Stan, comentou sobre como foi trabalhar ao lado da atriz no novo filme. Confira:

O relacionamento entre Tonya Harding e Jeff Gillooly é muito intenso e violento, em certos momentos. Como foi ter Margot Robbie passando por isso ao seu lado?
Eu não poderia pedir por uma parceira de cena melhor. Eu realmente gostei de trabalhar com ela. Eu acho que ela trouxe o que há de melhor em mim, e eu gosto de pensar que trouxemos o melhor um do outro. Há muita confiança aqui. Eu sabia que Margot estava se sentindo bem sobre levar o filme para onde ela precisava ir. Se precisássemos improvisar em algum lugar, nos podíamos. Se precisássemos aumentar o volume na violência, nós podíamos. Se precisássemos encontrar o humor nisso, nós podíamos. Era um diálogo muito aberto e uma comunicação contínua entre nós, o que foi importante.

Fonte | Tradução & Adaptação: Equipe Margot Robbie Brasil

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12.12.17
Como lojas baratas ajudaram a caracterizar Margot Robbie para I, Tonya

Margot conversou com o Yahoo Entertainment sobre como a equipe de cabelo e maquiagem de I, Tonya criou o visual de Tonya Harding para o filme. Confira:

Não é exatamente no nível de Gary Oldman como Winston Churchill, mas Margot Robbie está ganhando elogios por desaparecer na pele da patinadora Tonya Harding no novo filme I, Tonya.

“Eu trabalhei bastante com minha professora de movimento para alterar meu físico e criar certas maneiras para a personagem de Tonya,” Robbie contou para o Yahoo Entertainment no dia de imprensa do filme em Los Angeles. “Eu também estudei muito. Estudei suas maneiras, sua voz, seu dialeto. Nossos cabeleireiros, maquiadores e estilistas tiveram muito trabalho para replicar todas as roupas de patinação e momentos específicos tirados de fotos de paparazzi e mapearam uma jornada desse jeito.”

Considerando que Harding, cuja carreira acabou em 1994 após sua associação com o famoso ataque na rival Nancy Kerrigan, subiu para a fama da classe baixa de Oregon no começo dos anos 90, a estilista do filme extraiu de uma fonte bem específica para caracterizar Robbia para o papel.

“Nossos cabeleireiros e maquiadores só compravam produtos de lojas baratas,” Robbie explicou. “Tinha que ser algo que Tonya poderia ter comprado na época. Todos realmente se jogaram nessa personagem e ajudaram a criá-la.”

Fonte | Tradução & Adaptação: Equipe Margot Robbie Brasil

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12.12.17
Margot Robbie explica a quebra da quarta parede em cenas de I, Tonya

Margot Robbie falou com o EW sobre as cenas de violência doméstica que seu novo filme I, Tonya apresenta e explicou o uso necessário da quebra da quarta parede nesses momentos. O diretor Craig Gillespie e o roteirista Steven Rogers também participam da entrevista, confira:

Durante uma exibição de I, Tonya no Festival de Toronto em setembro, Margot Robbie, a estrela do filme, ficou desconfortável.

Não foi sua performance ou a de outra pessoa que a fez se contorcer. Foi o jeito que o público reagiu a uma cena entre ela, como a patinadora Tony Harding, e o ex marido de Harding, Jeff Gillooly, interpretado por Sebastian Stan.

“Em um momento particular, bem abusivo, onde Jeff dá um soco no rosto de Tonya, é uma das poucas cenas que ela não quebra a quarta parede para deixar o público saber que ela está bem,” ela lembra. “O público teve uma reação bem vocal sobre essa cena, e eu pensei, ‘Wow, eles não vão perdoar o Jeff de jeito nenhum depois desse momento.’ Mas alguns minutos depois ele teve um momento doce com a Tonya e todo mundo fez, ‘Awwww’, eles pensaram que ele era o cara mais fofo do mundo. E eu pensei, ‘Meu Deus! Vocês perdoaram ele tão rápido!'”

Mas esse é o ponto de I, Tonya, a sátira sobre o reinado curto de Harding no gelo: O filme pode estar pronto para apresentar as perspectivas de Harding, Gillooly, e outras festas envolvidas em sua queda, mas também é um jeito dos espectadores sobre seus próprios pontos de vista.

Pelo menos, é assim que o diretor Craig Gillespie viu. Com 265 cenas para trabalhar, o diretor de Uma Garota Ideal teve que descobrir como contar uma história sem torná-la uma saga de várias partes, e se inspirou em filmes como Um Sonho sem Limites, Os Bons Companheiros, Trapaça e A Grande Aposta – todos que usaram voiceover ou cenas diretas com a câmera. O truque, ele encontrou, era convidar o público a “fazer uma escolha,” ele diz. “Nós temos essa noção de que os personagens estão falando com o público e escutando o que as outras pessoas estão falando nas entrevistas.” É uma estratégia que mostra o quão contraditórias as histórias de Harding e Gillooly continuam sendo.

Ainda assim, apesar de Harding e Gillooly se dirigem a câmera durante as entrevistas, eles também fazem isso durante as cenas – incluindo as que contam a violência doméstica do casal, com Gillooly de Stan batendo em Harding de Robbie algumas vezes antes dela virar para a câmera e contar com que frequência esses incidentes aconteciam. Essa escolha controvérsia, Gillespie diz, foi mais difícil de alcançar. “Quebrar a quarta parede pode tirar você de um filme, então é sempre um risco,” ele admite. “Enquanto eu estava trabalhando nesse filme e tentando descobrir como contar a história, a única situação que eu sabia que seria um desafio era a violência doméstica.”

“Analizando como Tonya iria processar isso, meu sentimento é que crescendo com a violência, ela estava acostumada com isso e ela estava anestesiada,” Gillespie continua. “Era parte de como ela vivia com o abuso em seu casamento. Eu pensei que o jeito de mostrar a violência seria se ela quebrasse a quarta parede enquanto isso acontecia. Mostra o quão imune ela está com o que está acontecendo e o quão desconectada do momento ela está na cena, que ela pode se desligar disso e falar conosco. Eu senti que isso reforçou como seu estado mental estava na época.”

Para sua parte, Robbie, como produtora, falou extensivamente com Gillespie sobre como atingir o tom certo em um filme como esse. Em sua primeira reunião, Robbie pediu a Gillespie para explicar exatamente como ele queria lidar com a violência no filme – e ele explica, em uma conversa de 45 minutos que cobriu inteiramente sua estratégia. “Eu senti que muitas pessoas não podiam articular como eles executariam o tom,” ela diz. “Ele teve a ideia de quebrar a quarta parede, o que foi perfeito. Vê-la desconectada do que está acontecendo no momento e se dirigindo ao público normalmente, eu acho que foi um jeito inteligente de deixar o público perceber que ela estava separada do que estava acontecendo, e mais fácil de lidar.”

Ela adiciona, “Isso também é um vislumbre do ciclo vicioso de como é um relacionamento abusivo, onde isso se torna rotina e você realmente fica anestesiado. De uma perspectiva de fora, as pessoas pensam, ‘Por que alguém ainda fica em um relacionamento abusivo? Por que eles voltam para essa pessoa?’ Mas usando essa estratégia pelo filme, eu acho que mostra como esse ciclo pode continuar.”

E se o público começa a rir em outras coisas algumas cenas depois ou interpretar eventos de modo diferente, então essa reação é pessoal, o roteirista Steven Rogers explica. Ter múltiplas perspectivas “faz você pensar mais, descobrir por si mesmo, tipo, ‘De quem é o ponto de vista agora?'” ele diz. “Todos vão assistir o filme com ideias preconcebidas. Estamos dizendo, ‘Na verdade, essas são pessoas reais. Eles são humanos. Eles não eram apenas piadas.” Portanto, a verdade sobre Tonya Harding está nos olhos do espectador.

Fonte | Tradução e Adaptação: Equipe Margot Robbie Brasil

postado por Mari na categoria Entrevistas