Margot Robbie conversou com a W Magazine sobre I, Tonya e suas “primeiras vezes” em uma nova entrevista descontraída para a revista. Confira abaixo:

Como aconteceu o seu papel de produtora em I, Tonya?
Eu e meus amigos começamos uma produtora em 2013 mas realmente só começou a funcionar em 2014. Estávamos no set produzindo no início de 2016. Deve ter sido no começo do ano passado quando começamos a filmar nosso primeiro filme como produtores. E então I, Tonya foi no começo desse ano e agora estamos filmando nosso terceiro filme, chamado Dreamland. Eu nem sempre pensei sobre produzir. Eu sabia que eventualmente eu iria querer fuçar em outros departamentos ou outras áreas do cinema, roteiro ou direção, talvez. Eu nunca pensei em ser produtora porque eu não entendia realmente o que um produtor faz, e agora que eu estou fazendo, eu percebi que você pode ficar no lado dos negócios, o que eu realmente gosto. Eu gosto de orçamentos e coisas assim. Mas também há muito desenvolvimento criativo. Digo, você desenvolve um roteiro de uma ideia ou um artigo ou uma adaptação de um livro, qualquer coisa. Há dois anos de desenvolvimento e muito trabalho que você faz no lado criativo. Eu me interesso todos os aspectos do cinema, e produzir significa que eu estou envolvida em tudo. Então eu amo. Eu somente nunca tinha entendido completamente o quanto um produtor faz.

Você foi mais crítica com você mesma como atriz quando você também era produtora no set?
Eu sou sempre crítica comigo, com certeza. E eu sou perfeccionista. Mas é ótimo. Todos que trabalham comigo são parecidos, e nós não deixamos nada sem explicação. Nós realmente exploramos cada opção antes de fazer alguma decisão. E eu gosto de trabalhar assim, então é ótimo que meus colegas de trabalho são do mesmo jeito.

Agora algumas perguntas divertidas. Qual foi sua véspera de ano novo favorita?
Oh, eu tive algumas boas. Alguns anos atrás, eu fiz meus amigos participarem de uma noite de mistério de assassinato, e todos nós fomos para a cara de um amigo em Sussex, e estávamos fantasiados. Éramos um grupo de 20 pessoas. Eu era o inspetor, então todas as meninas estavam arrumadas, mas eu estava de bigode. Eu fiz todo mundo fazer um sotaque e todos entraram no personagem. Ninguém era ator e muitos realmente entraram no personagem e fizeram os sotaques mais perfeitos do mundo. Eu fiquei tipo, “Eu levei anos para fazer um sotaque americano, e você é britânico e está fazendo um sotaque americano perfeito.”

Qual o melhor conselho que a sua mãe te deu?
Eu não consigo pensar em nada específico. Ela é o tipo de mulher que ensina com exemplo. Ela nunca sentou comigo e disse, “É assim que você vive.” Mas vê-la viver com tanta graça e compaixão me faz querer ser uma pessoa melhor, porque ela é tipo uma santa.

Ela te encorajou a ser atriz?
Não. Minha família tem absolutamente nenhuma conexão com a indústria do entretenimento, então ninguém percebeu que isso era uma carreira. Quando eu comecei a atuar, todo mundo ficou, “Isso é divertido, mas quando você vai conseguir um emprego de verdade e realmente trabalhar? E isso continuou por anos. Digo, eu estava em uma série de TV na América e eles ainda ficavam, “Você vai entrar para a faculdade, conseguir um diploma e se juntar ao mundo real? Eu falava, “Isso não é um hobby. Eu posso me sustentar com isso, eu espero, acho, talvez.” Agora outras pessoas da minha família querem entrar na indústria, também. Um dos meus irmãos se tornou um dublê certificado. Ele estava trabalhando em Aquaman, que estava filmando em Gold Coast, onde minha família mora. E meu irmão mais novo também quer ser ator. Ele está subindo devagar. Minha irmã, por outro lado, é uma contadora, e ela acha que eu sou uma idiota por querer ser atriz. Ela fica tipo, “Ugh, isso parece horrível. Por que você faz isso?”

Qual foi o seu primeiro emprego?
Eu trabalhei em um restaurante que era do namorado da minha mãe. Eu trabalhava na cozinha, e então eu consegui ficar atrás do bar, servindo, esse tipo de coisa. Eu tinha 13 anos, muito nova para estar trabalhando atrás do bar, então as pessoas ficavam, “Você tem idade suficiente para me servir uma bebida?” E eu ficava, “Você quer a bebida ou não?” E eles diziam, “Okay”.

Como foi o seu primeiro encontro?
Meu primeiro encontro de verdade foi no cinema. Eu vi Hitch – O Conselheiro Amoroso e eu contei para o Will [Smith] quando trabalhamos juntos. Eu fiquei, “Uau! Isso foi quando eu fui no meu primeiro encontro.” E ele, “Deus, você me faz me sentir velho. Não diga isso.”

Qual foi o seu primeiro álbum?
Foi do Blink-182. E então eu desenvolvi um gosto por heavy metal, e por uns dois anos eu tive cabelo preto e só cortava com gilete, e eu só usava coisas com caveira ou minhas blusas de banda. Eu passei por uma fase emo.

Qual foi a sua primeira roupa no tapete vermelho?
Eu acho que foi na versão australiana do Emmy, o Logies, o que foi muito divertido. Muitos australianos em um lugar só com bebida de graça. Um amigo de Gold Coast fez a roupa para mim. Era preto com laranja, e era curto na frente, então era como um corte de cabelo mullet em forma de vestido. Eu fui criticada por usar, mas eu amei, então não liguei. E eu tinha 17 anos. Eu pensei, “Eu tenho o resto da minha vida para usar vestidos entediantes e sérios.”

Qual era o seu filme favorito na infância?
O Quinto Elemento. E A Louca! Louca História de Robin Hood, o que provavelmente era inapropriado porque eu tinha seis anos, e esse era o meu filme favorito. Ele tem muitas piadas de adultos e muitas insinuações sexuais. Eu tive problemas na escola porque eu tinha que escrever tipo, “Se você fizer uma poção, o que você colocaria nela?” Então eu escrevi tudo o que a bruxa do filme usa para fazer a poção. Uma das coisas era “testículo de salamandra,” e me chamaram na frente da classe e perguntaram por que eu colocaria testículos na minha poção. Eu não fazia ideia do que testículos eram porque eu tinha seis ou sete anos. A professora ficou tipo, “Por que você escreveu isso?” e eu respondi, “É o que eu quero colocar na minha poção.” Fiquei encrencada.

Você tem queda por alguma celebridade?
Eu tenho a maior paixonite por Saoirse Ronan. Nós acabamos de trabalhar juntas, e eu a amo muito. E eu conheci Angelina Jolie em um evento outro dia, e eu estava assustada de estar tão perto dela. Ela é deslumbrante. Não só esteticamente, ela tem uma presença forte. Eu comecei a suar e me atrapalhei com as palavras, foi uma péssima apresentação. Eu só queria dizer para ela que ela é uma inspiração e coisas assim, mas eu acho que só fiquei respirando nela e sendo estranha. Muitas quedas, acho. Muitas paixonites por mulheres.

Fonte | Tradução & Adaptação: Equipe Margot Robbie Brasil

Margot Robbie é a capa e recheio da edição de fevereiro da revista ELLE e abaixo você confere a entrevista feita por sua companheira de cena em I, Tonya, Allison Janney:

ALLISON JANNEY: Margot, eu acabei de ver seu visual como Rainha Elizabeth no Google. Meu queixo caiu.
MARGOT ROBBIE: É lindo, não é?
AJ: Você é uma estrela do rock. Você se sente intimidada ao interpretar um personagem real?
MR: Existem tantas interpretações da Rainha Elizabeth, então de alguns modos eu me senti intimidada. Mas eu também me senti livre pelo fato de que ela está morta há centenas de anos. Interpretar Tonya, que está muito viva e bem documentada, pode ser mais intimidante. A personagem que estou interpretando agora é ficção, mas eu também me sinto intimidada para contá-la do jeito certo.
AJ: E que personagem é essa?
MR: É o nosso terceiro filme da LuckyChap, estamos filmando em Albuquerque, Novo México, e é um filme independente – tipo, muito pequeno. Eu estou interpretando uma criminosa em 1930, na época da tempestade de areia do Texas.
AJ: Eu estou totalmente impressionada que você atua e produz, isso seria demais para mim.
MR: Não! Você seria uma ótima produtora! Eu amo tanto atuar porque eu amo filmes. No momento que eu entrei em um set pela primeira vez, eu fiquei fascinada pelo departamento de cada um, perguntando milhões de coisas: O que é isso? O que é aquilo? Eu amo o processo como um todo, e eu eventualmente percebi que produtores fazem esse desenvolvimento criativo. Eu não gosto de ficar sentada por, tipo, sete horas em reuniões com empresas de financiamento, mas fazer orçamento e ser econômica – para mim, isso é emocionante.
AJ: Em I, Tonya você precisou aprender a patinar em três meses. Eu estou impressionada com as suas cenas no gelo. Onde você encontrou essa confiança?
MR: Eu cresci andando de patins, e quando eu cheguei na América, eu participei de um time de hockey no gelo por uma temporada até começar a trabalhar novamente. Você patinou, não foi?
AJ: Sim, eu queria ser uma patinadora artística olímpica, mas eu era alta demais. É um esporte muito acrobático, pelo amor de Deus. Você precisa ser compacta e feroz. Você é feroz, e muito destemida.
MR: Claramente, eu não tenho limites.
AJ: Você já interpretou uma aeromoça, uma estelionatária, uma jornalista de guerra, uma criminosa, uma patinadora e agora uma rainha. Se você pudesse ser um desses por um dia, quem você escolheria?
MR: Uma jornalista de guerra. Esse mundo é fascinante, e eu sinto que não explorei o bastante.
AJ: Tipo uma Christiane Amanpour.
MR: Meu Deus, sim. Ela é incrível.
AJ: Você tem um mentor?
MR: Não, mas eu tenho muitas pessoas que procuro para conselhos. Eu peço conselhos para todo mundo, o tempo todo. É seguro afirmar que cada pessoa que você conhece sabe de algo que você não sabe.
AJ: O que você está vestindo agora?
MR: Agora? Oh, Allison! [Risos] Estou usando um macacão da Alice McCall, descalça. Estou com um prendedor de cabelo de Tonya. Eu peguei vários do set!
AJ: Você está trazendo a moda dos prendedores de cabelo de volta?
MR: Meu objetivo na vida. Trazer a moda dos prendedores de cabelo de volta.
AJ: Eu estou usando calça de moletom e uma camisa escrita “C’est la vie” com um casaco de moletom meio para fora do meu corpo. O que leva para a minha próxima pergunta: o luxo e glamour. Você é ridiculamente linda – isso é um fato. Mas as roupas e maquiagem, você gosta dessa parte?
MR: É legal fazer isso esporadicamente. A ideia errada é que estamos sempre em lugares chiques usando vestidos glamurosos. Um set de filmagem é apenas um lugar glorificado e em 98% do tempo eu estou correndo na sujeira. Mas 2% do tempo eu posso me arrumar e colocar um vestido da Dior ou qualquer coisa, é realmente divertido. Você gosta?
AJ: Em moderação, pode ser incrível. Mas eu fico constrangida no tapete vermelho. Tipo, eu estou segurando meu estômago?
MR: O tapete vermelho é assustador. Há apenas gritos. Eu tenho que cantar uma música na minha cabeça para me acalmar. Mas é legal ter um evento para um projeto que você passou meses ou anos da sua vida trabalhando. É especial.
AJ: Diane Keaton é a razão pela qual me tornei atriz. Assistí-la era tipo, “É assim que eu me sinto!” Você teve algum momento assim, onde alguém te inspirou?
MR: Eu sempre amei assistir atrizes que apenas não ligam para a aparência ou o que elas estão fazendo. Juliette Lewis é uma dessas mulheres. Eu acabei de assistir Assassinos por Natureza.
AJ: Eu presumo que você esteja assistindo filmes de duplas criminosas para pesquisar para o seu papel. Você assistiu Bonnie e Clyde?
MR: Sim, é muito bom. Mas também é difícil assistir esses filmes antigos agora. Os comentários misóginos fazem meu sangue ferver.
AJ: Falando nisso, como você está se sentindo com o que está acontecendo na nossa indústria? Alguém já tentou abusar do poder com você de um jeito que você queira falar?
MR: Não na atuação. Eu nunca tive uma situação de teste do sofá. Mas no mundo real? Sim. Alguém me perguntou isso outro dia: “Como é ser uma mulher na indústria do cinema com tudo o que está acontecendo?” Eu fiquei tipo, “Como é ser uma mulher no mundo?” Coisas piores já aconteceram comigo em situações do dia a dia.
AJ: Esse trabalho vem com altos e baixos. Quais são os maiores altos e baixos da sua carreira?
MR: O alto foi quando eu fiz Pan Am. Todo mundo ficou tipo, “Você é louca de ir para a América! Você nunca vai conseguir!” Mas eu consegui. Quando eu era mais nova, eu sempre via as pessoas ganharem presentes da Tiffany & Co. na caixinha azul. E eu sempre pensei, “Será que alguém vai me dar uma caixinha azul algum dia?” Então quando eu fui para Nova York pela primeira vez, conseguindo entrar na indústria, eu ganhei meu primeiro salário e fui direto para a Tiffany’s na Quinta Avenida, e comprei um pequeno pingente de avião que fica na minha pulseira. Foi a coisa mais barata da loja, mas veio em uma caixinha azul.
AJ: Amei!
MR: Foi o melhor sentimento do mundo. Eu ganhei a minha caixinha azul, e eu que comprei.
AJ: Agora eu quero que você compre um pingente de patins de gelo.
MR: Oh meu Deus, eu nem pensei nisso! Aposto que eles tem um!
AJ: Então, Margot: Você consegue patinar. Escutei que você tem habilidades no trapézio. Qual a próxima coisa que você adoraria aprender a fazer?
MR: Recentemente eu comprei bastões de fogo, porque eu quero ficar boa nisso.
AJ: Você está falando sério?
MR Sim! Quando eu estava fazendo mochilão nas Filipinas, muitas pessoas faziam isso na praia, e era muito legal. Eu fiquei com vontade de fazer também! Mas além dos esportes, eu quero aprender a tocar banjo e fazer geleia.
AJ: Bom, eu faço geleia com você, Margot Robbie, mas bastões de fogo… Você está sozinha nessa.

Tradução & Adaptação: Equipe Margot Robbie Brasil

Margot Robbie é a escolhida para a capa de fevereiro da revista americana ELLE. Entrevistada por Allison Janney e fotografada por Alexi Lubomirski, a atriz foi posou na praia de Malibu em novembro. Confira as fotos e a prévia da entrevista:

Sobre o medo de interpretar uma pessoa real: “Interpretar Tonya Harding, que está muito viva e bem documentada, pode ser mais intimidante.”

Sobre dirigir: “Eu ainda amo atuar. Mas eu passei os últimos 10 anos em um set de filme, e eu percebi que se eu vou colocar meu coração e alma em um filme, eu quero ser uma das vozes que tomam decisões.”

Sobre o primeiro destaque de sua carreira: “Quando eu cheguei em Nova York pela primeira vez, eu recebi o meu primeiro salário, fui direto para a Tiffany’s na Quinta Avenida, e comprei um pingente de avião que fica na minha pulseira. Foi o melhor sentimento do mundo. Eu consegui a minha primeira caixinha azul, e eu consegui por mim mesma.”

Sobre qual habilidade ela quer aprender: “Eu recentemente comprei varas de fogo, porque eu quero ficar muito boa nisso. Quando eu estava fazendo mochilão nas Filipinas, estavam girando a vara de fogo na praia, e era tão legal. Eu fiquei tipo, “Wow, eu quero fazer isso!””

Margot é capa da revista The Hollywood Reporter ao lado de Tonya Harding e além de um entrevista conjunta, a atriz concedeu uma entrevista individual em sua casa e falou sobre sua carreira, revelou ter recebido ameaças de morte por fãs de quadrinhos e mais. Confira:

Antes de Margot Robbie chegar em Hollywood, um agente na Austrália a aconselhou a se preparar para uma pergunta que seria feita quando ela chegasse.

“O que você quer da sua carreira?

Robbie, na época com 20 anos e estrelando uma novela local, levou o conselho a sério. Ela começou a rabiscar páginas e páginas anotando o que se tornaria sua resposta em apenas três palavras: “Qualidade, versatilidade e longevidade.” Consiga os dois primeiros, ela pensou, e o terceiro virá.

Nem meia década depois, Robbie explodiu em Hollywood com sua performance revelação como a ardente esposa de Jordan Belfort de Leonardo DiCaprio no sucesso de bilheteria O Lobo de Wall Street de 2013. Ela pegou o que poderia ter sido um papel facilmente esquecido – descrito no roteiro de Terence Winter como a “loira mais gostosa do mundo” – e o tornou memorável. Prontamente, ela foi inundada de propostas para interpretar a “esposa gostosa” ou “namorada gostosa” de outros atores. Lisonjeada pela atenção repentina, tais personagens inessenciais não se encaixavam nos planos de carreira dela, então ela recusou quase todos. “Você lia um roteiro e se retirasse elas, nada seria afetado,” ela diz agora, entre goles de chá no pátio nos fundos de sua casa em Los Angeles. “Se você tirar essa carta e o castelo de cartas não desmoronar, isso não é emocionante para mim.”

Ao invés disso, Robbie começou a construir um currículo que misturava filmes de grandes estúdios com filmes independentes. Ela conseguiu papéis como uma ladra, uma jornalista de guerra e uma fazendeira seguidora da Bíblia. Logo, a indústria já tinha dado a ela o título de estrela do cinema, entregando franquias enormes, algumas que funcionaram (Esquadrão Suicida) e outras que não (A Lenda de Tarzan). Novamente, Robbie estava lisonjeada e cuidadosa. “Eu não quero brilhar rápido e então sumir,” ela explica. Para ter esse poder duradouro que ela estava procurando, ela sabia que precisava ir além das propostas e começar a dirigir suas próprias narrativas.

I, Tonya, o conto cômico sobre os altos e baixos da patinadora Tonya Harding em volta do ataque em sua rival Nancy Kerrigan em 1994, é a primeira investida de Robbie, desenvolvida com o banner da LuckyChap Entertainment, que ela fundou em 2014 ao lado do marido de um ano, Tom Ackerley, e alguns amigos próximos. A produtora já possui um segundo filme no gatilho e um portfólio de pelo menos uma dúzia de projetos em desenvolvimento. Mas nas recentes semanas, quase toda a atenção de Robbie está sendo para I, Tonya, onde a atriz de 27 anos estrela como a famosa ex atleta. Desde que o filme começou a rodar nos cinemas no começo de dezembro – onde arrecadou fortes 66 mil dólares por tela no fim de semana de estréia – Robbie e sua mãe nas telas, Allison Janney, conseguiram indicações ao Golden Globe e Screen Actors Guild Awards e possuem um sério burburinho para o Oscar.

Enquanto o público ainda está se atualizando nas ambições de Robbie, o diretor de I, Tonya, Craig Gillespie, admira sua motivação, elogia sua habilidade de estrelar, produzir, falar com um novo sotaque e aprender a patinar simultaneamente como ela fez ao interpretar Harding. E sua parceira de cena de 58 anos, Janney, que rouba várias cenas como a mãe do inferno, brinca que ela ainda fazendo peças “longe da Broadway” na idade de Robbie. “Eu só pensava em Katharine Hepburn quando eu olhava para ela,” diz Janney. “Katharine montou Núpcias de Escândalo porque ela não estava conseguindo os papéis que queria, e foi o que a Margot fez. Ela ia ser estereotipada como essa coisa linda e jovem, e ela queria encontrar papéis interessantes para ela e para outras mulheres, então ela tomou as rédeas e formou essa produtora.”

Certamente, lançar a LuckyChap foi o jeito de Robbie de garantir que ela tivesse uma mão no processo criativo de ambos os projetos individuais e a missão maior de acertar a balança de gênero da indústria. O fato de que ela começou esse caminho em uma idade tão jovem, no entanto, não parece fora do comum para ela. “Eu passei os últimos 10 anos da minha vida em sets, e depois de um tempo, é tipo, ‘Eu quero ter minha palavra quando eu leio um roteiro que eu amo, como I, Tonya. Eu não quero esperar a chance de ir para a direção que eu acredito que deveria ir,” ela diz, enquanto seu pequeno cachorro, Boo Radley, investiga o par de tênis Puma que a estrela chutou para o lado na manhã quente de domingo em dezembro. “Algumas vezes, eu não quero deixar na mão de outras pessoas, e isso não quer dizer que eu quero estar na frente de todas as decisões porque eu não sei o bastante para estar na frente de todas as decisões, mas eu quero fazer parte da conversa.”

Criada como a terceira filha de quatro por sua mãe solteira fisioterapeuta em Gold Coast, Austrália, Robbie começou a pensar grande para si mesma cedo.

Ela tinha muitos amigos na escola cujo famílias eram consideravelmente melhores, o que, ela acredita, “foi o melhor cenário para criar ambição.” Isso deu a ela um olhar mais próximo das portas que o sucesso financeiro pode abrir, assim como sua própria educação ilustrou como a falta de meio pode mantê-las fechadas. “Quebrar um prato ou derramar leite era grande coisa na nossa casa. Era tipo, ‘Bom, agora não temos leite para a semana,’ e isso colocava muita tensão em todos,” ela diz. “Enquanto isso, se você quebrasse um prato na casa de um amigo, era tipo, ‘Não se preocupe, vamos comprar um novo.’ Era alegre e calmo, e eu pensei, ‘Oh, eu quero ter certeza de que terei isso.'”

Então Robbie começou a trabalhar, mostrando instintos empresariais que poderiam ocasionalmente preocupar a família. Ela admite timidamente vender os brinquedos do irmão mais novo na estrada ou cobrar familiares para assistir seus shows de mágica e então cobrava mais se eles quisessem saber como ela fez os truques. Aos 14 anos, ela estava ganhando salário cuidando de um bar. (“Com certeza não era legal,” ela ri agora.) Uma série de trabalhos vieram depois, geralmente mais de um de uma vez: faxineira, atendente de loja de surf e fazendo sanduíche no Subway. “Margot sempre foi trabalhadora,” diz sua amiga de infância e atual assistente, Sophia Kerr, outra fundadora da LuckyChap.

Aos 17, Robbie se mudou para Melbourne e, após sondar diretores de elenco com ligações, ela conseguiu um papel como uma adolescente bissexual na popular novela australiana Neighbours. Durante a sua segunda temporada, ela já estava pensando alto sobre o que viria depois. “Eu quero ir para L.A.,” ela disse para uma revista estudantil, “e ser uma grande atriz por lá.” Enquanto isso, ela guardou seu dinheiro e trabalhou com uma professora de dialeto para aprimorar seu sotaque americano. Após seu terceiro ano na série, seu plano era de vir para os Estados Unidos e garantir um representante na época de pilotos. Isso aconteceu sem empecilhos. Ela desembarcou em Los Angeles no fim de 2010, assinou com a Management 360 e, quase imediatamente, conseguiu um papel na série então promissora da ABC, Pan Am. A série acabou falhando em decolar com o público, mas isso abriu as portas para outras oportunidades, incluindo seu papel em O Lobo de Wall Street de Martin Scorsese.

Até então, “qualidade, versatilidade e longevidade” tinha se tornado o mantra da carreira de Robbie e, após Lobo, ela dizia com a frequência que ela começava a, como ela coloca, “correr atrás de papéis que as pessoas não queriam me dar.” Entre eles: essa menina da fazenda de 19 anos no filme independente Os Últimos da Terra. Robbie tinha sido dispensada do papel porque ela não tinha o valor de bilheteria necessário para conseguir financiamento para um filme independente. Mas antes das filmagens começarem, Amanda Seyfried deixou o projeto, e Robbie, com Lobo prestes a estrear, fez uma segunda abordagem. Ainda assim, os financiadores estavam nervosos. Ela garantiu para eles que assim que Lobo estreasse, seu nome teria peso e que, em todo caso, ela era mais como a menina da fazenda do que a esposa promíscua de Lobo. “Eu sabia que eu precisava ajustar a percepção das pessoas sobre mim logo,” ela diz, “porque caso contrário, eu só iria receber esse único papel.”

Robbie foi similarmente persistente com outros papéis: aquela ladra ao lado de Will Smith no suspense de 2015 Golpe Duplo, a jornalista de guerra com Tina Fey na comédia dramática de 2016 Uma Repórter em Apuros e, logo, será a Rainha Elizabeth I, ao lado de Saoirse Ronan, no drama história da Focus Features, Mary Queen of Scots. Robbie buscou o papel de Harding usando seu chapéu de produtora, abordando o roteirista Steven Rogers em nome da LuckyChap. Ela tinha apenas 3 anos na época do escândalo de 1994, então ela inicialmente confundiu o roteiro – o resultado de longas entrevistas com Harding e seu ex-marido abusivo, Jeff Gillooly – com uma obra de ficção. “Foi uma personagem que definitivamente me assustou,” ela diz sobre a atração, como produtora e estrela. “E eu não conseguia entender por qual razão ela estava fazendo o que fazia e dizendo as coisas que dizia, mas eu queria entender – e sempre que isso acontece em um roteiro, é um personagem que eu quero interpretar.” O papel também exigia que ela se transformasse em uma atleta durona que carecia do físico e classe das outras estrelas do esporte, o que só tornou o trabalho ainda mais atraente. Robbie, que já teve experiências no rinque jogando hóquei no gelo, começou um treino exaustivo que a colocava no gelo cinco dias por semana. (Dublês fizeram cada salto menos o triplo, que foi trabalho do CGI.)

A interpretação de Harding com todos os defeitos feita por Robbie pode surpreender os espectadores que a conhecem por seus anúncios sensuais para a Calvin Klein ou pelo blockbuster de 2016 Esquadrão Suicida, onde ela interpretou a supervilã Harley Quinn. Apesar do filme da DC Comics ter sido queimado pelos críticos, arrecadou mais de 750 milhões de dólares na bilheteria mundial, e a personagem de Robbie provou sua estreia, com a Rolling Stone sugerindo que sua performance é “a única coisa que esse desastre do Universo DC tem de bom.” O diretor e roteirista do filme, David Ayer continua a falar com carinho sobre o comprometimento de Robbie com o papel, lembrando das acrobacias que ela fazia voluntariamente por conta própria e o jeito qual ela, com Smith, se tornou a cola do elenco cheio de estrela. “Ela nunca, nunca reclama, nem mesmo às 4 da manhã quando você está derramando água congelada dos Grandes Lagos nela e ela está usando a roupa da Harley Quinn, encharcada até a alma e tremendo,” ele diz. “Você grita ‘ação,’ e ela para de tremer e abre um sorriso, e então ‘corta,’ e ela volta a tremer. Eu nunca vi alguém com esse nível de disciplina física e emocional.” Pelo menos dois projetos focados na Harley estão em desenvolvimento na Warner Bros.

O status de celebridade que veio ao se juntar ao Universo DC, no entanto, é algo que Robbie ainda está entendendo. Ela tem pensado bastante sobre o lado ruim da fama nos últimos anos e se pergunta se talvez alguém nas agências de talento ou em outro lugar durante o processo deveria dizer para um ator antes de assinar um projeto como Esquadrão Suicida, “Você está prestes a estar em um filme de quadrinhos; agora aqui está a pior das hipóteses do quão grande e assustador isso pode se tornar.” Robbie, que já teve que lidar com stalkers e ameaças de morte, agora é forçada a gastar tempo e dinheiro com segurança pessoal. “Existem essas coisas que você aprende ao longo do caminho, tipo, quando você recebe essas ameaças, é inteligente ter uma equipe de segurança para fazer uma checagem em quem mandou para ver se existe um histórico de violência porque você precisa saber se vai precisar de segurança para ir em certos eventos,” ela explica. “E toda vez que você faz essa checagem, isso irá te custar 2 mil dólares, então considere isso quando você for entrar nesses projetos.”

Robbie fica mais fervorosa enquanto continua. “E tipo, ok, é uma carreira diferente. Porque então você precisa sempre fazer um trabalho que vai suportar financeiramente esse tipo de estilo de vida. Você não pode fazer filmes independentes pelo resto da sua vida porque esse filme lá atrás mudou tudo e agora você precisa gastar com segurança.” Ela pausa para juntar seus pensamentos, e então adiciona, “Eu só gostaria que alguém tivesse me explicado muitas dessas coisas no começo. Eu não iria ressentir a minha posição porque eu saberia onde estaria me envolvendo.”

Alguns dias depois, na manhã do dia 11 de dezembro, Robbie e seu marido juntaram-se aos seus parceiros da LuckyChap, Josey McNamara e outros em sua casa. As notícias das indicações ao Golden Globe começaram a entrar: O nome de Robbie e Janney foram lidos primeiro, e então I, Tonya, todos conseguindo grandes indicações em um ponto crucial durante uma temporada de premiações de olhos bem abertos. O grupo, ainda em seus pijamas, abriram uma garrafa de Dom Perignon que sobrou do casamento de Robbie e Ackerley e começaram a servir o champagne.

Robbie conheceu Ackerley apenas quatro anos e meio antes, quando ele e McNamara foram diretores assistentes no set europeu de Suíte Francesa. Robbie tinha um papel coadjuvante no filme de época, e juntos os novos amigos decidiram abrir uma empresa algum dia, o que aconteceu no próximo ano. Pensar que três anos depois seu primeiro filme seria reconhecido com três indicações ao Golden Globe era demais para engolir. “Nós sabemos que geralmente não é assim que acontece,” diz Kerr com uma risada. “Por isso que continuamos nos perguntando se a partir daqui é ladeira abaixo.”

Ladeira ou não, a produtora já conseguiu contratos com as unidades de filme e TV da Warner Bros., com séries vendidas para a Hulu e NBC. E aquele segundo filme – Terminal, um suspense noir filmado antes de I, Tonya – está previsto para estrear dia 19 de janeiro. Desde então, o objetivo é continuar a contar histórias de mulheres e dar chance para diretores de primeira e segunda viagem. Robbie precisa estrelar no grupo inicial dos projetos para o cinema para garantir que eles saiam do papel, mas ela insiste que irá continuar atuando nos filmes de outras pessoas, também, identificando Quentin Tarantino e Wes Anderson como cineastas que ela está desesperada para trabalhar. (Na época, Robbie estava envolvida no rumor de que estaria no filme do Tarantino sobre os assassinatos da família Manson, o qual ela só podia dizer, com um grande sorriso: “Não é oficial… mas eu mataria para trabalhar com ele.”)

Ela está igualmente ansiosa para trabalhar com outras atrizes, e elogia abertamente seus ídolos, incluindo Cate Blanchett e Angelina Jolie, com quem ela criou laços recentemente em premiações. “Eu provavelmente dei a impressão de apenas uma pessoa que estava suando e respirando alto,” diz Robbie, que em adição a atuar e produzir, alimenta ambições de escrever e, como Jolie, dirigir. Vale a pena notar que o círculo de amizades de Robbie não inclui muitas Blanchetts e Jolies. Ao invés disso, seu grupo de amigos é pesado com trabalhadores abaixo da linha – diretores assistentes como seu marido, dublês e cenógrafos. Kerr, que estava em cada set com Robbie desde A Lenda de Tarzan, diz que “Margot não anda em bando com os outros A-listers porque, para ser honesta, acho que ela não se considera isso.”

Foi do seu círculo de amizades que Robbie tirou a ideia e inspiração para um discurso feito no evento Women in Hollywood da revista ELLE em outubro, apenas dias depois das acusações contra Harvey Weinstein se tornaram públicas. Em formato de carta, o discurso começou com “Querida Hollywood,” e concluiu, “Sinceramente, o clube das garotas.” No desenvolvimento, “Ser uma mulher em Hollywood significa que você provavelmente terá que lutar contra situações degradantes e papéis sexistas serão oferecidos por homens que pensam que isso é tudo que querem nos ver interpretar.” Agora, dois meses depois, Robbie está menos inclinada a se envolver no assunto, ainda se recuperando de uma conferência de imprensa recente onde ela diz que foi questionada, de cara, se ela já tinha sido molestada. “Eu fiquei chocada com a indiferença que esse homem perguntou, como se fosse uma pergunta casual,” ela diz, “e isso faz parte do problema, também.” Se o jornalista tivesse perguntado com mais sensibilidade, ela teria respondido desse jeito:“Ninguém nunca abusou do poder comigo nessa indústria, mas eu sou uma mulher e eu já vi e lidei com isso um milhão de vezes nesse mundo.”

Se Robbie quer falar sobre isso ou não, ela provavelmente terá mais oportunidades no tópico sobre abuso nas próximas semanas. Isso é, apesar de tudo, um grande tema em I, Tonya. Na premiere do filme em Los Angeles no começo de dezembro, Robbie apareceu com a própria Harding ao seu lado. As duas se conheceram brevemente em um almoço antes das filmagens começarem, e assistir ao filme juntas pela primeira vez com um público foi algo que as duas descrevem como surreal. No dia seguinte, durante um momento mais calmo entre a estrela e a mulher que ela passou meses interpretando, Robbie reconheceu que ela achou “emocionalmente traumático me colocar no lugar de alguém em um relacionamento abusivo.”

Para Harding, que foi banida do esporte em 1994 – e, salva por um breve e embaraçoso momento como boxeadora profissional, quase não ouvimos mais sobre ela – I, Tonya oferece o tipo de conclusão que ela queria por muito tempo. E apesar do filme permitir cada um de seus personagens contar sua própria versão do famoso incidente, a performance poderosa de Robbie tem o potencial para restaurar a humanidade de Harding aos olhos do público, o que é um grande presente para a antiga patinadora – e a melhor indicação até agora de que Margot Robbie estará por perto por um bom e longo tempo. “Qualidade, versatilidade e longevidade,” ela sorri, recitando seu mantra uma última vez.

Fonte | Tradução & Adaptação: Equipe Margot Robbie Brasil