Em uma entrevista para o Pride Source, Margot Robbie falou sobre sua apreciação pela comunidade LGBT, seu novo filme Mary Queen of Scots, seus trabalhos passado e sobre o relacionamento de Harley Quinn e Poison Ivy, que são namoradas nos quadrinhos da DC Comics. Confira a entrevista:

Após uma época feroz indicada ao Oscar como a escandalosa patinadora Tonya Harding em I, Tony no ano passado, Margot Robbie está fora do gelo e liderando a corte real como a Rainha Elizabeth I em Mary Queen of Scots. Exercendo poder sobre a Europa durante o século 16, nada podia parar Sua Majestade – nem mesmo sua prima, Mary Stuart (interpretada por Saoirse Ronan)

Sua briga viciosa e mortal, o resultado do pedido de Mary para ser a herdeira de Elizabeth, é narrada com uma deliciosa mordida matriarcal para a era do #MeToo, com uma beleza glamurosa de época (aqueles vestidos!) e uma decaptação bastante famosa no filme diverso da diretora Josie Rourke. O roteiro de Beau Willimon também mostra um olhar delicado e de partir o coração sobre a homossexualidade no Período Elisabetano por meio do cortesão, secretário e amigo italiano de Mary, David Rizzie, conhecido no filme apenas por Rizzio e interpretado por Ismael Cruz Cordova.
Líder nas bilheterias em filmes como O Lobo de Wall Street de 2013 e Esquadrão Suicida como a guerreira Harley Quinn em 2016, um papel que ela irá reprisar em 2020 em um spin off solo Birds of Prey (and the Fantabulous Emancipation of One Harley Quinn), a atriz australiana de 28 anos é uma rainha em seus próprios direitos.

Quais dicas você tem para as drag queens que pretendem se transformar na Rainha Elizabeth I?
(Risos) Bom, você definitivamente tem que evitar contrair varíola – você precisa de várias camadas de maquiagem para esconder as marcas! Então evite isso a qualquer custo. Para uma transformação drag, eu poderia falar uma lista do que não fazer: número um, não coloque chumbo e arsênico na sua maquiagem do jeito que a Rainha Elizabeth fez porque, uh, pode encurtar a sua vida. E eu amo que ela ficou com o cabelo vermelho e passou para tons mais vibrantes e penteados mais elaborados conforme os anos passaram.

O contraste com a maquiagem branca realmente funcionou para ela.
Mmhmmm! Contraste sério. Digo, ela tinha sobrancelhas muito finas. Eu não acho que isso esteja na moda hoje em dia. Não está na Vogue agora.

Mas se você quer mesmo se montar…
Exatamente. Se você quer deixar claro que você quer ir no caminho da Rainha Elizabeth, sim, as sobrancelhas finas são a revelação. Maquiagem branca. Peruca vermelho fogo. E muito brilho. Jóias em tudo!

Elas usavam jóias de um jeito diferente. Ao invés de usar colares, pulseiras e brincos, o que elas usavam também, jóias, diamantes e rubis eram costurados em suas roupas, o que achei incrível. Então, quando elas se despiam – as damas ficavam esperando para tirar suas roupas – as jóias ficavam no chão e alguém vinha com uma pá e varria elas para a próxima roupa.

Quando você leu o roteiro, você ficou surpresa da homossexualidade presente no filme? E você ficou desapontada que Mary tinha um amigo gay em Rizzio e você não?
Sim! Eu fiquei com inveja da história da Mary em geral. Na verdade, eu acho que isso foi uma grande parte, que Elizabeth era mais isolada. Eu acho que isso foi um pouco auto-infligido, ela tinha tanta desconfiança de quase todos ao redor dela e uma natureza muito cínica de autopreservação, então ela se isolou. Ao longo dos anos, você pode observar que seus vestidos ficam cada vez maiores, ela literalmente está mantendo distância de um braço das pessoas em todos os momentos. Então, eu tive muita inveja que eu não tive o mesmo relacionamento que Mary e Rizzio. Muito injusto. (Risos)

O que te deixou mais surpresa sobre esse período?
Eu fiquei interessada em descobrir que durante o Renascimento, a sexualidade era mais liberal do que hoje em dia. É interessante considerar isso, ou reconhecer como colocamos um rótulo em tudo hoje em dia. Rotulamos tudo, e ao fazer isso nós geralmente simplificamos coisas mais complexas. Somos muito rápidos em dizer, “Essa pessoa é hétero, essa é bisexual, essa é gay, essa é republicana, essa é qualquer coisa,” e colocamos rótulos em tudo.

Mas durante o período Renascentista, em termos de sexualidade, eles eram bem mais fluídos, e bisexual não era um termo que colocavam em alguém – era muito comum homens serem casados e dormirem com outros homens. Não era algo que as pessoas sentiam necessidade em rotular.

Então isso foi interessante, e olhando para o lado das mulheres na época, particularmente as monarcas, elas literalmente eram um corpo. Era como uma mercadoria. Produzir um herdeiro homem era o propósito, e quando faziam isso, elas eram meio que deixadas de lado. Então, foi interessante de ver, em um lado, como a sexualidade era liberal e aberta na época – mas, por outro lado, como as mulheres eram vistas como uma mercadoria, e não mais do que um conduite para o sucessor homem.

Mudando para sua interpretação de Tonya Harding, você sabia que você estava interpretando alguém que muitos na comunidade LGBTQ consideravam um ícone queer?
Eu não sabia na época. Eu ouvi sobre isso, e pensei, “Oh, ela tem algumas roupas de patinação muito divertidas!” Mas me conte mais sobre isso.

É seu status de azarada.
Status de azarada, adorei isso. Bom, como australiana, nós sempre procuramos histórias azaradas, de qualquer jeito, então sim, é uma das razões pela qual interpretei ela.

Ser azarado é uma coisa de australiano?
Sim, sim. Sempre. O país se identifica como azarado e tem essa mentalidade de lutar para ter seu lugar, então eu amo histórias assim.

Você luta pela comunidade LGBT. Você defendia a igualdade no casamento antes da Austrália legalizar os casamentos do mesmo sexo. Você até usou uma blusa escrita “Diga Sim Lá Embaixo” quando você apresentou o Saturday Night Live em 2016. Dezembro marca um ano desta lei. Como você comemorou a legalização do casamento de mesmo sexo na Austrália no ano passado?
Honestamente, eu quase não quis comemorar porque estava muito chateada que demorou tanto tempo para legalizarem. Quando legalizaram em toda a América foi quando eu quis comemorar. Eu pensei, “Wow, isso é uma grande coisa para a América.” Para mim, a América tem tantos valores conservadores cristãos, em geral, então quando isso aconteceu foi realmente uma comemoração.

Mas a Austrália tem tanto orgulho em falar que é uma nação tão progressista – e, de muitos jeitos, é. A Austrália é incrível e pode ser muito progressista, mas o fato de que fomos tão atrasados nisso me deixa tão triste que eu quase não quis comemorar, porque eu pensei que não merecia comemoração.

Um pouco tarde demais, Austrália?
(Risos) Sim, tarde mais, Austrália! Não, não, foi agridoce. É claro que eu estava feliz e orgulhosa que finalmente nos juntamos ao século 21 nesse aspecto, mas ao mesmo tempo, foi agridoce. Eu realmente queria que tivesse sido bem mais cedo.

Você tem um irmão, Cameron, que se descreveu no Instagram como “gay demais da conta”. Você sabe do interesse da comunidade gay no seu irmão?
Não! Mas tenho certeza que ele vai adorar ouvir isso. Ele é incrível. Eu tenho dois irmãos e uma irmã, mas Cameron e eu éramos muito próximos quando crianças. Ele sempre foi meu melhor amigo – desde que nasceu, sério. Então, ele vai ficar muito animado ao ouvir isso. Ele realmente vai gostar.

Como ele se assumiu para você?
Bom, acho que cabe a ele contar. Não seria justo falar por ele. Mas, como eu disse, ele é meu melhor amigo, assim como todos os meus irmãos. Eu os amo imensamente e sempre amarei.

Ele te leva em bares gays?
Eu vou em bares gays e boates desde que tirei minha identidade – e provavelmente bem antes disso! Tinha essa boate fantástica em Melbourne, então quando eu fiz 18 anos – é a idade legal para beber na Austrália – e enquanto eu estava morando em Melbourne, eu costumava ir sempre, porque nas noites de sábado eles faziam uma performance musical com drags. Sempre era incrível. Eu não sei como elas organizavam para cada semana. Eu não sei como encontravam tempo ou as roupas; elas tinham roupa, música, coreografia. Mas todo sábado íamos nessa boate e nos divertíamos muito. E eu lembro que uma vez elas fizeram uma performance de Wicked, e era a melhor coisa que você poderia ter visto. Então, eu vou para boates gays desde que eu fui permitida legalmente a ir para boates. Eu sempre me divirto mais.

Essas rainhas estarão muito orgulhosa de vê-la interpretando uma rainha
Sim, eu espero!

Ironicamente, você entrou em uma orgia gay vestida em Versace em O Lobo de Wall Street. Foi a primeira vez?
Foi a primeira vez. Eu nunca entrei em orgias gays antes.

Usando Versace, nada mais.
Usando a roupa mais fabulosa da Versace! Eu realmente queria que ela tivesse mais tempo de tela, eu acho que vocês não conseguem ver tudo, mas tinha botas incríveis vintage da Versace que iam até o meio da panturrilha.

Odeio ter que dizer isso, Margot, mas eu acho que a cena era sobre suas botas.
Sim, sim, sim. Eu acho que ninguém estava olhando para as botas. Mas assistir Martin Scorsese coreografar uma orgia gay foi honestamente um destaque na minha carreira. Ele abordou isso com tanto profissionalismo e dedicação como qualquer outra cena do filme. Quero dizer, muitas cenas são absolutamente loucas com o tanto de coisa acontecendo, mas vê-lo orquestrar uma orgia gay foi honestamente uma experiência maravilhosa.

Eu li que Scorsese trouxe outro coreógrafo, Michael Arnold, para ajudar a organizar a cena.
Sim! Foi complexo. Havia muita coisa acontecendo. Foi maravilhoso fazer parte disso, no entanto.

Em agosto, a DC Comics confirmou que a Harley Quinn e Poison Ivy são casadas, e em 2020, você irá interpretar a Harley em seu próprio filme. Para Birds of Prey, você está pensando sobre como Harley será retratada quanto sua sexualidade?
Sim. Se você lê os quadrinhos, você sabe que a Poison Ivy e a Harley tem uma relação íntima. Em alguns quadrinhos, eles transmitem como amizade, em outros, você pode vê-las realmente envolvidas sexualmente como um casal. Eu estou tentando – eu amaria ter a Poison Ivy no universo, porque a relação dela com a Harley é uma das minhas coisas favoritas nos quadrinhos, então estou procurando explorar isso nas telas.

Você já pensou em quem você quer interpretando a Poison Ivy?
Quer saber? Eu já pensei muito sobre isso, mas ninguém específico aparece. Estou com a mente aberta.

Você tem uma produtora, a LuckyChap, que está empenhada em produzir filmes com mulheres no papel principal. O quão consciente você está sobre a inclusão LGBTQ nos filmes e séries que vocês produzem?
Nosso objetivo sempre foi contar o máximo de conteúdo feminino com cineastas mulheres possível. É um grande aspecto incluir conteúdo para a comunidade LGBTQ. Nós fazemos filmes para o público amar. Uma grande parte do público é a comunidade LGBTQ, então obviamente faremos conteúdo para todos. Eu acho que não existe uma pessoa que possa dizer que não possui ninguém próximo que faz parte da comunidade, então é claro que é importante. É uma parte da vida de todo mundo, todos irão se relacionar com essas histórias. Nós temos muitas coisas acontecendo, na verdade, na produtora, especialmente no lado da televisão. Eu não tenho certeza de quando serão lançados, não anunciamos nada ainda, mas tudo o que eu posso dizer é, absolutamente. Queremos sempre fazer histórias para todos.

Fonte | Tradução & Adaptação: Equipe Margot Robbie Brasil

Margot foi a escolhida para estampar a capa da última edição do ano da revista americana Harper’s Bazaar. Na entrevista, ela fala sobre seus próximos projetos e sua nova cachorrinha, Bella. Confira:

Houve dias em que Margot Robbie entrava no trailer de maquiagem no set do filme Mary Queen of Scots e os colegas de elenco não conseguiam olhar para ela. ”Eu dizia, ‘Hey, como foi seu fim de semana?’” diz a atriz de 28 anos, com sua melhor imitação do seu sotaque australiano exagerado. ”Mas eles nem chegavam perto de mim. Foi muito alienante. E eu me senti muito sozinha. Foi uma experiência social interessante.”

Sua transformação para a Rainha Elizabeth I, que foi marcada pela varíola quando jovem, durava três horas e meia de maquiagem e penteado todo dia. ”Eles começavam enrolando minha cabeça,” diz Robbie. ”Passavam gel e prendiam meu cabelo. Então, faziam uma careca.” Havia diferentes perucas para estágios diferentes da história e de sua doença, uma que era muito rala, e cicatrizes de próteses aplicadas em seu rosto. ”Surpreendentemente, a parte rápida era a maquiagem branca,” ela diz. ”E o blush pesado, sobrancelhas, lábios.”

Uma transformação assim não é pouca coisa, considerando que a atriz conseguiu sua estreia nas telonas interpretando uma personagem descrita como ”a loira mais gostosa do mundo” no drama de 2013 de Martin Scorsese, O Lobo de Wall Street. Mas Robbie, que atualmente serve como rosto para a Chanel, se recusou no começo a ser estereotipada por sua beleza. ”Quando eu estava tentando fazer meu nome como atriz, papéis criativos para mulheres eram limitados,” ela diz sobre sua decisão de formar sua própria produtora, LuckyChap Entertainment, em 2014. ”Eu não queria mais pegar outro roteiro onde eu era a esposa ou a namorada – apenas um catalisador para a história de um homem. Não era inspirador.”

Curiosamente, Mary Queen of Scots não é a primeira vez que Robbie aceitou um papel onde ela precisava parecer feia na tela. Além disso, quem pode esquecer a franja cacheada, lápis de olho marcado, e aparelho dental que ela usou para interpretar a patinadora Tonya Harding em I, Tonya? ”Margot é uma atriz muito, muito boa que leva seu trabalho incrivelmente a sério,” diz a co-estrela Saoirse Ronan, que interpreta a Rainha Mary no filme. ”Eu acho que a aparência não é um fator. Mesmo quando ela está em um papel glamuroso, ela tem essa presença brilhante e forte, e parte disso é porque ela é uma pessoa muito sincera e autêntica. Ela é muito aberta. O que você vê é a realidade.”

Sem medo de se libertar de sua beleza e mergulhar de cabeça em personagens complexos claramente compensou Robbie, que foi indicada ao Oscar por seu papel em I, Tonya (que foi produzido pela LuckyChap). E agora ela tem uma dúzia de projetos em vários estágios de desenvolvimento, incluindo um suspense chamado Dreamland (também produzido por sua empresa), um spin off de Suicide Squad onde ela irá liderar um elenco de super heroínas, e um número de projetos femininos para a televisão. ”Quando criamos nossa empresa, era uma ideia nova, mas em resposta à conversa do movimento #MeToo, isso era tudo o que estavam falando. As pessoas ficaram tipo, ‘Por que não fazemos filmes para mulheres? Uh, que revelação, não é?’”

A sala de espera da LuckyChap, o que é quase um bangalô escondido no lote da Warner Bros., é iluminada de rosa pela placa em neon que leva o nome da empresa. No dia da nossa entrevista, Robbie aparece de uma das salas de trás vestida em jeans de cintura alta, uma blusa listrada de botões e plataformas da Mansur Gavriel. Ela está sorrindo, sorrindo mesmo, irradiando alegria de seu corpo inteiro. Ela anda pelo corredor como se estivesse escondida ou rindo de um segredo. ”Eu sou a Margot,” ela diz, estendendo o braço para apertar minha mão. ”Quer ver um cachorrinho?”

Ela bate em outra porta, que é aberta imediatamente por seu marido assistente de direção/produtor e um dos co-fundadores da LuckyChap, Tom Ackerley, um britânico alto e lindo que está segurando um filhote de pitbull com terrier que eles estão tomando conta. Seus colegas são todos amigos de longa data de quando ela morava em Londres, onde ela e Tom compartilhavam uma casa com um grupo de assistentes trabalhando em filmes.

”Vamos chamá-la de Bella,” Robbie diz, fazendo carinho na cabeça da cadelinha. ”Absolutamente não vamos ficar com ela, não é, Tom? Não podemos ter um filhote. Estamos muito ocupados para um filhote, né, Tom?”

De pé no corredor, cara a cara com Robbie, é difícil conciliar essa versão da atriz – essa amante de cachorros sorridente e relaxada – com a personagem obscura e complicada que assisti na tela um dia antes. Sobre sua metamorfose, Robbie diz, ”Normalmente alguém diz, ‘Não, mantenha as meninas bonitas!’ Mas Josie Rourke, a diretora, estava decidida a explorar como a aparência da Rainha Elizabeth afetou seus relacionamentos, e todos tiveram coragem de fazer.”

Robbie e Ronan compartilham apenas uma cena em Mary Queen of Scots, mas é especial. As atrizes não tiveram contato até a filmagem, então a reação chocante de se verem desse jeito – Mary implorando por sua vida, Elizabeth em um declínio íngreme – foi visceral. A história sobre as duas monarcas do século 16 é uma briga e uma história de amor de família. Com experiências parecidas – as primas eram ambas controladas por homens da corte, forçadas a irem para guerra, e com dificuldade de manter seu gênero sem serem vistas como fracas – que deveriam juntá-las, mas infelizmente as afasta. ”Eu acho que Mary e Elizabeth poderiam ter sentado e resolvido isso enquanto tomavam café,” Robbie diz com uma risada. ”Mas todos esses homens estavam se metendo no caminho.”

Depois, Robbie irá interpretar Sharon Tate em Once Upon a Time in Hollywood de Quentin Tarantino, previsto para o próximo verão, com Brad Pitt e Leonardo DiCaprio. Ela também está se preparando para um drama produzido por Charlize Theron sobre Roger Ailes e Fox News. Com sua agenda cheia, Robbie não tem muito tempo para socializar atualmente, mas não está reclamando. ”Eu estou trabalhando sem parar por 10 anos, mas ainda fico animada toda vez que entro em um set. Nós vivemos e respiramos o trabalho aqui em Los Angeles. Eu fico com a minha cabeça abaixada!” Espero que ela se lembre de olhar para cima em algumas ocasiões, somente para nos mostrar o quão bonito é uma mulher no poder.

Fonte | Tradução & Adaptação: Equipe Margot Robbie Brasil

A diretora Cathy Yan, escolhida para dirigir Birds of Prey, falou pela primeira vez sobre o filme e como conseguiu o projeto em um evento em Los Angeles. Confira:

Durante o US-China Entertainment Summit no Skirball Cultural Center em Los Angeles, os presentes puderam, pela primeira vez, ouvir Cathy Yan falar sobre seu grande projeto como diretora para um estúdio, Birds of Prey, da Warner Bros.

Ao conseguir o trabalho, Yan se tornou a primeira diretora asiática a dirigir um filme de super herói, e a terceira mulher a juntar-se ao clube da DC após a diretora de Mulher Maravilha, Patty Jenkins, e Ava DuVernay, de The New Gods.

Questionada pela moderadora e produtora Janet Yang como ela conseguiu o projeto e venceu vários outros diretores, Yan explicou, “Eu fiz meu dever de casa.”

“Eu não diria que foi fácil, mas foi indolor e direto. Eu imediatamente amei o roteiro e pareceu algo que eu pudesse fazer, parecia minha própria voz,” disse Yan.

“Eu não consegui parar de ler o roteiro, tinha tanto humor negro nele, o que está presente em muitos trabalhos meus, e há temas sobre empoderamento feminino que são tão fortes e relacionáveis. Então eu entrei, não com confiança, mas com um sentimento de que eu pertencia àquela sala, que de alguma forma mágica em termos de tempo e sorte, essa oportunidade estava aberta para mim e eu definitivamente iria aproveitar.”

“Isso saiu de mim,” disse Yan sobre sua reunião com a Warner Bros. “Eu nunca tinha feito nenhuma dessas coisas e eu pedi exemplos para os meus agentes para conseguir ter uma ideia. Eu montei uma apresentação e também montei um vídeo curto. Mas eu diria que não foi muito como os outros vídeos que fazem referência a outros filmes e não se parece em nada com o seu. Eu acho esses tipos inúteis. Mas eu criei a minha própria versão do que, em termos de tema e tom, transmitia o que seria o meu filme.”

Questionada se teria elementos orientais em Birds of Prey, Yan respondeu, “Sim e não. O tom do filme é similar ao dos meus. Há uma personagem metade asiática e nossa roteirista (Christina Hodson) é metade chinesa, e ela está colocando algumas coisas.”

Fora da conferência, o Deadline confirmou que a personagem em questão é Cassandra Cain, que nos quadrinhos é uma artista marcial muda que é conhecida como Orphan. Ela se torna protegida de Barbara Gordon e, finalmente, Cassandra Cain herda o traje da Batgirl.

Yan também disse para o público que após trabalhar em filmes independentes como Dead Pigs, em Shanghai, que deu a ela o prêmio especial do júri no Sundance Film Festival no ano passado, ela está ansiosa para trabalhar com grandes departamentos de produção que um estúdio como Warner Bros. fornece para um filme como Birds of Prey.

Yan também confirmou no palco o que já tinha sido dito, Birds of Prey terá classificação para maiores. Margot Robbie reprisa seu papel como Harley Quinn, Mary Elizabeth Winstead interpretará a Caçadora, Jurnee Smollett-Bell interpretará a Canário Negro e Rosie Perez será Renee Montoya.

Birds of Prey estreia no dia 7 de fevereiro de 2020.

Fonte | Tradução & Adaptação: Equipe Margot Robbie Brasil

Margot Robbie e Saoirse Ronan falaram brevemente com a revista EW sobre seu novo filme, Mary Queen of Scots, e revelaram que as duas só se viram uma vez enquanto estavam filmando. Confira:

A primeira vez que Saoirse Ronan e Margot Robbie se encontraram no set de Mary Queen of Scots, elas terminaram no chão, chorando nos braços uma da outra.

Era o primeiro dia de Ronan como a realeza do título, e o último de Robbie como sua prima e rival, Elizabeth I. As duas atrizes foram separadas nos ensaios e produção até esse momento; Robbie filmou na Inglaterra, Ronan na Escócia, e a pedido delas, elas nunca se encontraram enquanto estavam em personagem antes da única cena juntas. “Nós realmente, realmente não queríamos ver uma a outra,” disse Ronan. “Eu amo a Margot e eu queria ficar com ela, mas queríamos que o encontro fosse essa coisa especial.”

Ainda assim, quando chegou a hora de encenar o confronto das rainhas, bom… “Nós estávamos chorando como idiotas,” Ronan conta para EW. “Ficamos nos abraçando por muito tempo, não queríamos soltar. Ficamos tipo,” ela abaixa sua voz para demonstrar o soluço, “Huohooouuughh.” Ela ri. “Eu nunca passei por nada parecido.”

Mas então, sua personagem da vida real também nunca passou por isso. Historiadores acreditam que a Rainha da Escócia e a Rainha Virgem nunca se encontraram, mas a diretora anteriormente de teatro, Josie Rourke foi inspirada pela peça do século 19 de Friedrich Schiller, Mary Stuart, onde Mary e Elizabeth ficam frente a frente no palco. “O conceito inteiro do filme para mim girava ao redor desse encontro,” Rourke diz sobre o drama histórico. “Nós realmente queríamos ter a nossa versão dessa famosa cena, com essas duas mulheres olhando uma para outro e sendo confrontadas por suas escolhas – suas escolhas pessoais e políticas. É um momento que é profundamente pessoal.”

E profundamente emocional. As lágrimas no set podem ter sido causadas pelas altas expectativas (e animação) de capturar o único momento que as estrelas compartilham na tela, mas Robbie achar que essas lágrimas também significou o quanto elas mergulharam na tragédia da história de suas personagens. (Para Elizabeth: Sua mãe foi decapitada por seu pai. Para Mary: Ela perdeu seu marido antes de completar 18 anos. E as duas eram alvos constantes de grupos religiosos, conspirações políticas e tratados matrimoniais.) “Eu subestimei o quanto suas vidas eram difíceis, e o quanto de dor vinha com esse poder,” Robbie diz. “Era bem mais.”

Baseada na biografia de 2004 de John Guy sobre Mary, o filme segue as monarcas do século 16 durante sete anos quando uma Mary viúva retorna para a Escócia esperando tomar seu trono de Elizabeth. Apesar de Elizabeth – alerta de spoiler de quase 500 anos! – ordenar que Mary seja presa e executada, Robbie nunca pensou nas duas como inimigas. “Elas possuem essa irmandade, esse amor uma pela outra, mas o amor é complicado pelo fato de que a sobrevivência de uma ameaça a outra,” ela explica. “É uma história de amor entre essas duas personagens. Uma história de amor muito, muito complicada.”

Talvez seja por isso que Rourke acha mais fácil explicar seu filme sobre o relacionamento de Mary e Elizabeth em termos de quadrinhos clássicos e fictícios. “Se você está falando sobre Sherlock Holmes e Moriarty, você passa mais tempo com Holmes, e se você está falando sobre o Batman e o Coringa, você tende a ter mais simpatia pelo Batman, mas para empoderar a história, o protagonista fica trancado em um drama psicológico com um personagem que é tanto igual a ele como o oposto,” ela diz. “O que eu realmente queria fazer era um filme onde duas mulheres fazem isso.”

Mas espera – isso significa que Elizabeth é a vilã, similar a um psicopata com maquiagem de palhaço que quer ver o mundo pegar fogo? A maquiagem pesada existe, mas Mary Queen of Scots não é sobre uma rainha vencendo a outra, é mais sobre elas lidando com as circunstâncias – conselheiros manipuladores, cortes dominadas por homens – além de seus controles. “Esse filme é sobre o custo do poder, sobre como é constantemente impossível para mulheres, não importa suas escolhas, conseguirem liderar,” Rourke diz. “É um apelo para pensarmos mais enquanto olhamos para uma parte de nossa história.” Só não esqueça de levar muitos lenços.

Fonte | Tradução & Adaptação: Equipe Margot Robbie Brasil