Além da entrevista em grupo para a Glamour UK, o elenco de Aves de Rapina também participou de entrevistas individuais para o site da revista. Confira a da Margot abaixo:

A palavra irmandade é muito usada em Hollywood. Mas estando em um vasto estúdio no centro de Los Angeles, assistindo as estrelas do mais recente filme da DC, Aves de Rapina (Arlequina e Sua Emancipação Fantabulosa), Margot Robbie, Mary Elizabeth Winstead, Jurnee Smollett-Bell e Rosie Perez interagirem durante a sessão de fotos para a capa da Glamour, é evidente que isso é real até fora das telas.

Enquanto múltiplas equipes de beleza e assessores as cercam, elas estão apenas interessadas umas nas outras enquanto fazem piadas internas, arrumam o visual da outra e gritam palavras de encorajamento entre as fotos. É como suas personagens na tela, Canário Negro (Jurnee), Caçadora (Mary) e Renee Montoya (Rosie) se juntam após Harley Quinn (Margot) termina com o Coringa e elas tentam derrubar o novo vilão de Gotham, Roman Sionis (Ewan McGregor), uma luta de chutes por vez.

Falando mais tarde sobre o impacto que essa irmandade teve nela, Rosie Perez – que agora possui 30 anos de experiência na indústria desde sua estreia em Faça a Coisa Certa de Spike Lee – me dá uma resposta sem bobagem: ”O set de Aves de Rapina era tão apoiador. Poder pegar o telefone e ligar para a Jurnee ou para a Margot ou ir até a casa da Mary realmente não acontece em Hollywood. As pessoas dizem que acontece e elas vão dizer isso para a imprensa e você fica tipo, ‘Isso é mentira – eles saíram uma vez,’” Rosie diz, com naturalidade.

Mais tarde, enquanto elas individualmente entram na minha sala de entrevista do lado da sessão de fotos, elas revelam que com a ajuda desse grupo sólido – e longe dele – elas tiveram suas próprias jornadas de emancipação. Com honestidade, as estrelas do filme estão prontas para contar suas histórias.

Eu conheci Margot Robbie inesperadamente no verão passado quando cantamos os maiores hits de Celine Dion durante o show da cantora no Hyde Park – e parece que nada anima mais a Margot do que a Celine. ”Eu adoro ela, nada me deixa mais feliz,” exclama a atriz de 29 anos, enquanto ela me cumprimenta em um raro dia nublado em Los Angeles.

Enquanto essa pode ter sido uma performance estranhamente ‘arriscada’, desde que Margot chegou em Hollywood como a sedutora esposa de Leonardo DiCaprio em O Lobo de Wall Street, sua atuação raramente tem sido fora de tom – mas, ela diz, se não fosse pelo fato de ter dado um tapa no rosto de Leonardo DiCaprio no teste, faltando 30 segundos para terminar, ela talvez não estaria sentada comigo hoje.

Mas a Margot raramente senta quieta. Depois de O Lobo de Wall Street, ela interpretou a Rainha Elizabeth I ao lado de Saoirse Ronan em Duas Rainhas, ganhou uma indicação ao Oscar por interpretar a patinadora complexa Tonya Harding em Eu, Tonya, e mais recentemente interpretou Sharon Tate em Era Uma Vez em Hollywood e roubou muitas cenas como a aspirante a âncora da Fox News em uma performance indicada ao Golden Globe em O Escândalo. Durante o processo, Margot mostrou muita determinação e pouca consideração por estereótipos redutores, e isso é mostrado quando ela conseguiu duas indicações na categoria de Melhor Atriz Coadjuvante no BAFTA desse ano por seus papeis mais recentes.

”Eu nunca quero interpretar a mesma personagem mais de uma vez,” Margot me diz. ”Eu sempre soube que queria sair da minha zona de conforto. Sempre tive consciência disso. Com O Lobo de Wall Street, eu adorei interpretar a esposa troféu e interesseira – eu tive a melhor época da minha vida naquele filme – mas a menos que venha de um espaço diferente consciente, eu não quero interpretar a mesma pessoa.”

Cada papel pode apresentar um novo capítulo para a Margot, mas o grande começo para ela veio a 11,932 quilômetros de Los Angeles, em Melbourne, Austrália, para onde ela se mudou aos 17 anos para interpretar Donna Freedman em Neighbours. Foi uma mudança de sua cidade natal em Dalby, norte de Brisbane, onde ela cresceu com sua mãe fisioterapeuta e seu pai que trabalhava com fazendas, e seus três irmãos.

Foi um novo começo meio Harley Quinn que proporcionou uma virada pessoal para Margot. ”Eu não conhecia ninguém em Melbourne e isso foi assustador. Eu definitivamente tive aqueles momentos de, ‘Eu posso fazer isso, sou uma mulher independente’ e então ‘Puta merda, isso é muito difícil e assustador, talvez eu não possa.’ Eu tive muitos desses momentos quando comecei a trabalhar em Neighbours e estava tentando entender a vida,” ela diz.

Foi durante seus dois anos e meio na Ramsey Street que Margot teve um exemplo do poder da camaradagem – o que se tornou central em sua vida. ”Eu acho que a coisa engraçada é que você percebe que todas as respostas estão nas pessoas que você está trabalhando ou se relacionando. Eu tenho sido constantemente surpreendida na minha vida com o quanto as pessoas te ajudam se você pedir. Eu vi, especialmente nos primeiros dias, as pessoas fazerem coisas incríveis, seja me deixar dormir no sofá por meses, me emprestar o carro, me mostrar como pagar meus impostos, ou me ensinar a cozinhar frango porque eu não tinha comido nada além de cereal por três meses,” Margot continua.

”As pessoas constantemente se aproximavam e falavam, ‘Deixe-me ajudá-la.’ Eu apreciei muito isso e nunca vou esquecer. Então, o próximo grande começo foi três anos depois quando me mudei para os Estados Unidos e isso pareceu totalmente uma coisa nova e limpa porque ninguém aqui sabia quem eu era. Algumas pessoas ouviram falar de Neighbours, mas nunca assistiram, então eu tive minha anonimidade de volta por um tempo, o que foi um sentimento libertador que definitivamente fez com que parecesse um novo começo. Eu pude reconstruir quem eu queria ser e como queria que minha carreira fosse.”

Em todas as vezes que Margot apertou o botão de recomeçar – incluindo uma fase pré-Hollywood em Londres, vivendo em uma casa alugada em Clapham com seis amigos e passando suas noites de sábado na famosa boate Infernos – Margot só agora sente que está se tornando adulta.

”Eu não me sentia adulta aos 17 anos porque eu me mudei e estava vivendo sozinha,” ela compartilha. ”Isso não me fez sentir como adulta, isso me fez sentir como uma criança que estava tentando fazer coisas de adulto. Eu estou começando a me sentir adulta realmente só agora que estou aprendendo a dizer ‘não’ para as coisas. Essa foi a maior parte do crescimento para mim; dizer ‘não’ e tendo coragem de dizer ‘não’. Eu sempre fui uma pessoa de dizer sim, então eu me sinto muito mais adulta e em controle da minha vida quando eu posso dizer, ‘não, eu sei o que eu quero e eu sei que não é isso e eu não vou fazer isso!’”

À luz de todos esses capítulos variados em sua vida, me pergunto o que ela diria para a Margot de 17 anos sobrevivendo em uma dieta de cereal agora? ”Deus,” Margot diz. Depois de uma longa pausa: ”Eu diria para ela, ‘você é boa o bastante.’ A maior coisa para mim é que eu tinha essa síndrome de impostora. Eu ainda tenho algumas vezes e acho que todo mundo vai perceber e perguntar ‘Como você chegou aqui? Você não é boa o bastante para isso. Quem deixou você entrar?’ Eu sentaria com ela e diria ‘Você é boa o bastante. Você vai ter que continuar trabalhando muito, mas você consegue fazer isso.’”

Margot continua sendo sua pior crítica, no entanto. ”Eu sou muito, muito autocrítica e eu critico muito meu trabalho. Eu estabeleci um padrão muito alto para mim. Eu sempre quero fazer melhor e sempre penso que posso fazer melhor. Não acho que tenha um momento onde eu pensei, ‘Você arrasou.’ Sempre penso, ‘Você fez o que você se programou para fazer, mas perdeu a mão aqui e na próxima vez você vai fazer diferente.’ Eu tenho essa voz interna que está constantemente buscando por algo melhor.”

Como ela tenta silenciar essa crítica que ela constantemente tem ao seu lado? ”Eu acho que é uma boa coisa,” Margot responde. ”Eu não quero ser autocrítica demais. Eu acho que é importante levar as coisas com cautela. As pessoas geralmente possuem essa ideia errada que os atores são feitos de vidro, eles são muitos frágeis e se vocês disser uma coisa para eles, eles vão cair em pedaços. As coisas mais horríveis são ditas para nós o tempo todo, então você ganha um escudo depois de estar na indústria por um tempo. Então sinto que sei como reconhecer algo e não deixar isso tomar conta de mim. Eu penso, ‘Ok, anotei, mas agora preciso deixar ir,’ ou então vou ficar maluca.”

Margot também aprendeu a silenciar suas opiniões negativas sobre seu próprio corpo, e interpretar pessoas diferentes reformulou sua apreciação por isso. ”Não quero que meus pensamentos autocríticos tomem conta do momento em que estou – só tento permanecer verdadeira com a cena e com o momento para o personagem. Eu preciso me diferenciar do personagem e dos meus pensamentos pessoais – a Harley não liga para nada disso.”

A atuação é terapêutica para sua inseguranças com sua imagem? ”Sim,” Margot responde, antes de fazer referência para sem papel em O Escândalo. ”Com a Kayla, todas as mulheres na Fox tinham que usar vestidos apertados e eu queria me sentir desconfortável. Adicionou muito para o personagem. Eu não queria estar na minha melhor forma física porque queria ficar desconfortável nesses vestidos muito apertados, que era o uniforme na Fox.”

Margot está evidentemente mais no controle de sua própria narrativa do que nunca, e como ela me conta, deve-se à criação de sua própria produtora, LuckyChap Entertainment em 2014 ao lado de seu marido, Tom Ackerley – com quem ela casou em 2016 – e dois amigos de sua casa em Clapham, Josey McNamara e Sophia Kerr. LuckyChap tenta advogar projetos com foco em mulheres, mas até sua reviravolta que a indicou para o Oscar como patinadora em Eu, Tonya na lista de uma forma típica “Margot”, ela não fez uma música e dançou sobre isso.

”Nós estávamos fora de radar e quando nós fundamos a empresa, nós não fizemos um anúncio, ‘Estamos aqui, somos a LuckyChap Entertainment e somos uma produtora que vai fazer conteúdo liderado por mulheres,’” ela diz, fazendo um movimento circular com os dedos. ”Não foi até a estreia de Eu, Tonya que as pessoas disseram, ‘Esperem, o que vocês estão fazendo? Vocês possuem outros 50 projetos?’ Até aquele ponto, nós passamos muito tempo tentando entender o que queríamos fazer, encontrando nosso campo e sem muitos olhos em nós.”

Sem estar pronta para deixar a Harley Quinn ir após interpretá-la em Esquadrão Suicida, Margot mirou na maior produção da produtora até agora, Aves de Rapina, e entrou na sede da Warner Bros. para apresentar a ideia.

”Foi uma batalha difícil. Eu apresentei a ideia quatro anos atrás,” ela me conta, com uma leve expiração de ar, indicando o quão difícil foi levar o filme para as telas. Ela apresentou a ideia com uma apresentação no PowerPoint cantando e dançando animada e com fogos de artifício inspirados na Harley?

”Eu apresentei com uns slides que eu fiz,” ela ri. ”Foi bem grosseiro. Tinha partes de outros filmes com mulheres no elenco que foram bem de bilheteria e outros que não foram e minhas teorias sobre os motivos e o que poderíamos fazer. Mas realmente, eu estava apenas dizendo que precisávamos fazer um filme de ação com mulheres no elenco. Eu queria que tivesse classificação para maiores para não nos sentirmos restritos na linguagem ou na violência, porque se tivesse classificação, os caras iam pensar que era um ‘filme de mulherzinha.’”

Aves de Rapina certamente não tem nenhum componente do gênero “filme de mulherzinha”. Harley é vista inalando cocaína, participando de violência extrema e enquanto há alívio cômico em sua narração única da história, Aves de Rapina é um chute em qualquer pré-concepção sexista sobre super-heroínas ou vilãs. Pense no filme como girl power realmente sob o efeito de ácido.

Com o tópico do sexismo em mente, eu me pergunto se ela encontrou dificuldades em ser levada a sério em seu novo papel como produtora. Margot revela que foi outra batalha, desta vez com o sexismo cotidiano. ”Está naturalmente impregnado nas pessoas. Mesmo se você é a pessoa que toma as decisões, eles se viram para o homem mais velho da sala e fazem as perguntas para eles. É uma coisa natural que todo mundo tem em seu DNA,” ela diz, parecendo um tanto exasperada.

Enquanto ela diz que é raro ver declarações sexistas direcionadas a ela, Margot vê isso no tom subconsciente de certas interações. ”Quando as pessoas estão fazendo uma pergunta e eu tenho a resposta, eles prontamente viram para meus parceiros que são homens e perguntam a eles. É uma coisa financeira, então vou perguntar para o homem. E eles ficam, ‘Na verdade, ela é quem tem a resposta, então pergunte para ela!’ É a construção social que crescemos conhecendo. Acho que o interessante agora é que todos estão conscientes disso e geralmente se corrigem. Eu acho que as pessoas querem abraçar a ideia de igualdade. Acho que eles estão um pouco chocados que não abraçaram antes, e não tinham essa mentalidade e não eram conscientes disso.”

Preconceito etário reverso também foi um obstáculo para Margot ter sua voz respeitada. ”A idade entra muito no jogo. Quando você é mais nova e está tentando se defender e dizer, ‘Isso é o que eu penso e acho que deveríamos fazer desse jeito,’ as pessoas dizem, ‘Nós fazemos isso por muito tempo então baixa a bola.’ Mas eu sinto que os Estados Unidos em geral é mais receptivo com a juventude e ideias novas, o que acho que é uma coisa muito legal.”

Margot agora está flexionando os músculos de sua voz interior mais do que nunca nas áreas profissionais, mas quando se trata de sua vida social, ser mais vocal está se tornando um problema para ela. ”Eu não tenho esse impedimento quando se trata do trabalho,” Margot diz. ”Meus parceiros de produtora e melhores amigos sempre acham tão engraçado porque eles dizem, ‘No trabalho você não tem escrúpulos ao pegar o telefone e ligar para o chefe de qualquer coisa, ou uma pessoa assustadora da indústria e dizer, ‘Isto é o que eu penso, isto está certo e isto errado e eu quero fazer isto.’ Mas na sua vida pessoal você tem tanto medo de se defender ou dizer para as pessoas o que deveria ser o que.’ Eu não sei por que sou assim.”

Com isso em mente, qual seu momento mais orgulhoso em que ela se defendeu? ”Eu só tive poucos porque sou tão contra o confronto. Mas em algumas ocasiões eu já disse para alguém, ‘Não fale assim comigo,’ seja alguém com quem estava trabalhando ou na vida em geral. É esse momento de dizer, ‘Eu não estou bem com isso e você não vai falar comigo desse jeito.’ Essa foi a coisa mais assustadora para mim, colocar um limite assim. É petrificante.”

Por passar esse tempo com a Margot e assisti-la interagir com suas colegas de elenco no set, é claro que ela é tão gentil quanto humilde, tão divertida quanto inteligente, ouve tanto quanto fala e é o tipo de amiga que todo mundo precisa. Por exemplo, quando eu falo com Rosie Perez mais tarde, ela revela que confidenciou seu TEPT severo em Margot e o quanto sua colega de elenco e elenco a apoiou.

Afinal, irmandade é algo natural para a Margot. ”É algo que estive ciente durante minha vida inteira. Desde que consigo me lembrar tenho um grupo especial de garotas. Minhas amiga da Austrália e eu estamos juntos desde que tínhamos quatro ou cinco anos de idade e isso é muito especial – é honestamente a coisa que sou mais grata na minha vida. Em cada estágio da minha vida, quando me mudei para Nova York ou Londres, sempre há um grupo de garota que formamos. Eu sempre soube o quanto tenho sorte de ter isso e o quanto me empodera, e minha vida é completamente diferente por causa das minhas amigas,” Margot diz.

Quando nossa entrevista está terminando, eu a parabenizo por sua indicação ao Golden Globe por Melhor Atriz Coadjuvante em O Escândalo – sua segunda indicação – depois que foi revelado naquela manhã. Traga para casa aquele globo, eu digo para ela. ”Espero que sim,” ela responde, com hesitação. ”Eu amei aquela personagem.”

Ocorre-me que, apesar de tudo, apesar de ter feito seu próprio caminho desde Ramsey Street até sua casa agora em Hollywood, Margot ainda duvida de si mesma. Mas como Celine Dion diz, ’That’s The Way It Is’ e não há nada que cantar grandes hits e dançar com as mãos pro ar não resolva – pelo menos temporariamente.

Fonte | Tradução & Adaptação: Equipe Margot Robbie Brasil

As Aves de Rapina aterrissaram na capa da revista britânica Glamour. Elas foram entrevistadas enquanto ainda estavam em São Paulo para a CCXP e conversaram enquanto comiam pão de queijo! Confira as fotos e entrevista abaixo:

Margot Robbie está arrumando pratos de pão de queijo, uma comida típica do Brasil, para mim e para as três outras mulheres: Rosie Perez, Jurnee Smollet-Bell, e Mary Elizabeth Winstead. Estamos em uma sala de conferência em um hotel luxuoso em São Paulo, poucas horas antes da Comic-Con anual do país, onde elas irão divulgar Aves de Rapina, o filme baseado na equipe só de mulheres da DC Comics. Enquanto Robbie coloca cada pão no prato, o grupo conversa como colegas de trabalho na happy hour, mas não se engane: Esse não é um ambiente de trabalho comum. É um universo de 75 milhões de dólares comandado por mulheres em maioria.

Aves de Rapina – o título completo é Aves de Rapina (Arlequina e sua Emancipação Fantabulosa) tem uma diretora, roteirista e quatro mulheres em papéis principais. Uma primeira vez no mundo dos super-heróis, mas uma primeira vez estranha. ”Na vida real, eu estou com o meu grupo de amigas o tempo todo,” diz Robbie. ”Eu acho que a meninas tendem a ficar em grupo mais do que os meninos. Eu achei estranho que não vemos isso refletido no cinema com mais frequência.”

Murmúrios em concordância seguem antes de um tímido sorriso de Robbie. ”Eu vou ser muito nojenta agora e tirar meu Invisalign para comer esses pães de queijo.”

Aves de Rapina se passa no mesmo mundo de Esquadrão Suicida, filme de 2016 da DC que arrecadou 745 milhões de dólares sobre um grupo de vilões convencidos a fazerem o bem em troca de redução de pena, o que fez da Harley Quinn de Robbie uma estrela e a fantasia de Halloween mais pesquisada naquele ano. Mas chamar de sequência não é certo. Quando o filme chegar nos cinemas em 6 de fevereiro, os fãs verão uma jornada independente de Quinn para encontrar si mesma – e um grupo incomum de mulheres que a apoiam. As cenas de luta intensas permanecem do Esquadrão original, mas Aves de Rapina é notavelmente mais comprometido em desenvolvimento de personagem e se apoia em um trama suculenta de vingança contra a máfia que deixaria Scorsese orgulhoso.

Também são novidades: a diretora Cathy Yan, a roteirista Christina Hodson, produtores que incluem Robbie, cuja empresa, LuckyChap, desenvolveu e apresentou o projeto para a Warner Bros., e um elenco verdadeiramente feminino. No entanto, esse não é um filme água com açúcar: É um filme para maiores. Em outras palavras, realmente não há nada como ele.

”Eu lembro que quando apresentei o projeto pela primeira vez, encontrei dificuldade em comparar com outra coisa além de As Panteras, que eu adorava quando era mais nova,” Robbie diz. ”E então fiquei, ‘Isso foi há muito tempo, no entanto.’”

Esse também não foi o único estereótipo sendo desafiado aqui. Em um mundo alternativo, um elenco de quatro mulheres em papéis principais inspiraram fofocas, verdadeiras ou não, sobre brigas no set e competições selvagens. (Veja em Sex and the City 3). Mas a energia que eu presenciei entre Perez, Winstead, Smollett-Bell e Robbie era quente e fácil. E pareceu real.

Naquela sala de conferência, eu aprendi que um laço foi formado entre algumas das mulheres – um que elas descrevem como irmandade – em uma noite de domingo no trailer da Rosie. Elas já saíram juntas antes (me disseram que nas sextas-feiras, todos do elenco e equipe usavam camisas havaianas e bebiam piña coladas feitas por Robbie). Mas após ensaiarem uma cena de ação particularmente cansativa, Winstead e Smollett-Bell se juntaram à Perez para um pouco de coquito, uma bebida porto-riquenha com leite de coco e rum, que Robbie, que não pode ir no encontro, descreve como letal. ”Ela cozinhou para a gente e nós todas choramos,” Smollett-Bell diz. ”Nós tivemos sessões de terapia uma com a outra.” Elas ficam notavelmente relutantes quando pergunto o que, exatamente, foi discutido, mas Perez me joga um osso: ”O mundo é um lixo.”

Nos dias seguintes, as mulheres procuravam uma a outro no set para conversar – momentos roubados que elas usavam para checar como estavam, desabafar ou rir. ”Cada uma de nós tinha vulnerabilidades em nossa vida pessoal ou profissional ou com o nosso corpo enquanto filmamos,” Smollett-Bell, 33 anos, diz. ”Nós tivemos contratempos e obstáculos, ou problemas no joelho, no ombro, ou problemas pessoais. Ainda assim havia uma camaradagem entre nós, essa irmandade. É inspirador pra caralho.”

Aves de Rapina tem as mulheres interpretando quatro personagem muito diferentes que, de suas próprias maneiras, são motivadas a proteger uma jovem menina (Cassandra Cain, interpretada pela novata Ella Jay Basco) do vilão Máscara Negra de Ewan McGregor. Robbie, é claro, reprisa o papel de Quinn, a maluca super animada com dificuldades para se encontrar após terminar com o Coringa. Winstead interpreta a Caçadora, uma misteriosa assassina que usa uma besta procurando vingança. A Canário Negro de Smollett-Bell talvez seja a mais em conflito – ela trabalha para o Máscara Negra, mas seu código moral a mantém longe de ir fundo no lado obscuro. Para completar está a Renee Montoya de Perez, uma detetive no departamento de polícia de Gotham que está lutando contra a mentalidade masculina. Todas possuem uma briga com o Máscara Negra, um criminoso sádico, mas elas se juntam no final do filme para acabar com o grande vilão. ”Isso não é divertido?” Harley pergunta em sua típica voz nasal enquanto elas se preparam para a batalha final do filme. ”É como uma festa do pijama!”

Essa união transferiu para fora das telas, também. ”Não havia ordem de hierarquia; apenas mulheres,” Perez diz. ”Isso não acontece com frequência onde você pode ligar para o elenco inteiro para dizer oi. Essa foi uma coisa muito rara e bonita.”

Também raro e bonito era um set onde as mulheres podiam entrar, fazer seu trabalho, e não se preocupar com lutar contra cenas de nudez gratuitas, cenas que mostram longamente seus corpos e roupas inconfortavelmente pequenas, todas essas coisas típicas de filmes de ação filmados pelo olhar masculino para o olhar masculino. Em Aves de Rapina, as mulheres são inegavelmente sexy, mas elas conseguem se mexer em suas roupas, o que foi uma crítica em massa sobre os shorts curtos e saltos de Harley Quinn em Esquadrão Suicida. (“Os shorts de Harley eram sexy demais?” perguntou o Daily Mail.)

”O olhar feminino aconteceu naturalmente porque eram mulheres em sua maioria tomando as decisões,” Robbie, 29 anos, diz. ”Estávamos escolhendo o que achávamos legal.”

Ao 55 anos, Perez diz que ela apreciou o compromisso com o figurino que parecia autêntico ao papel que ela estava interpretando. ”Eu não me senti objetificada,” ela diz. ”Eu sou a mais velha daqui e estava com medo do figurino.” Quando ela chegou no set, ela esperava ser colocada em um traje apertado. Em vez disso, ela estava usando calças normais e uma blusa com botões, como uma detetive de verdade usaria, mulher ou homem. ”Quando eu vi, eu fiquei, ‘Oh!’ E então, eu vi as outras meninas e fiquei, ‘Você está gostosa! Você está gostosa! Você está gostosa! Yay!’ Eu estava feliz. Você pode ser sexy, mas você não precisa vestir a sensualidade.”

Essa liberdade do olhar masculino permitiu mais criatividade para realmente fazer o trabalho. Winstead, 35 anos, diz, ”Você não é examinada com, ‘Como ela pode ficar mais sexy?’ Que é uma experiência que eu tive no passado.” Adiciona Perez: ”Não é tipo, ‘Vamos colocar ela nessa roupa porque a bunda dela é incrível,’ que eu sei que todas nós já passamos por isso.’”

Smollett-Bell dá créditos a falta geral de objetificação ao ter Yan e a produtora Sue Kroll no comando com Robbie. ”Eu percebi, antes desse filme, quantos projetos eu já estive onde eu era a única mulher no set e o quão sozinha me sentia,” ela diz.

Pelos relatos das mulheres, é assim que eu imagino uma verdadeira parceria em um set de filmagem: um ambiente seguro onde todos podem entrar e fazerem seu melhor trabalho, um onde cada estrela feminina recebe o reconhecimento que ela merece, sem perguntas. Perez diz que ficou emocionada quando viu o pôster oficial do filme pela primeira vez. Ela ficou surpresa que eram apenas as quatro mulheres em destaque. ”Em muitos filmes, o homem sempre fica na frente, não importa se o papel é grande ou pequeno,” ela diz. ”Estando nessa indústria há tanto tempo, você ainda acha que os homens vão aparecer, sabe? Foi muito, muito empoderador.”

Nesse momento na conversa, eu pergunto o que cada mulher aprendeu com a outra – e todas elas se viram para Perez. ”Por que vocês olharam para mim?” ela pergunta. Porque você é sábia,” Smollett-Bell responde. ”Nós todas temos uma quedinha por você, caso você não perceba.”

Elas param um momento para lembrar da festa de encerramento – uma noite onde todo mundo dançou tanto que Perez precisou colocar gelo no joelho depois. Então, um toque. Perez decide compartilhar o que ela aprecia sobre as outras mulheres. Primeiro, ela se vira para Robbie. ”Eu aprecio o quanto Margot consegue estar no comando, mas não faz você se sentir inferior,” ela diz. ”Algumas vezes, quando atores também são produtores, eles tendem a usar esse chapéu com muita força. Esse não foi o caso, então eu apreciei o quanto ela manteve suas emoções sob controle o tempo todo. Seu profissionalismo é extraordinário.”

E Winstead, Perez me conta, é a pessoa mais gentil que ela já conheceu. (”Eu vou chorar!” Winstead responde.)

Quanto à Smollett-Bell: ”Com Jurnee, o que eu apreciei foi que ela é tão forte. Ela é muito, muito forte,” Perez diz, dirigindo suas palavras para sua colega de elenco. ”Você se defende de um jeito muito, muito específico. Mas, por dentro, você é tão suave.”

As mulheres ecoam os comentários de Perez, mas Robbie tem uma apreciação final para compartilhar. ”Rosie, que é uma lenda nessa indústria, ainda consegue aparecer como se fosse novata, como se ela nunca tivesse dito essas palavras antes. Sempre tão nova e presente. É muito bom trabalhar com alguém que te faz esquecer que você está em um set. O set meio que derrete por um segundo. Isso só acontece se as pessoas são presentes, e se elas realmente entram naquela cena com tudo o que elas possuem. Todas aqui fizeram isso. Eu amei. Eu amei.”

Fonte | Tradução & Adaptação: Equipe Margot Robbie Brasil

As Aves de Rapina foram capa da Total Film de dezembro e finalmente vocês podem conferir a entrevista traduzida abaixo:

”É realmente surreal,” diz Margot Robbie, olhando para o pôster de Aves de Rapina (Arlequina e sua Emancipação Fantabulosa). ”Eu sinto que passei tanto tempo pensando nisso, e trabalhando nisso, que vai ser super legal colocar no mundo.” Ela não está exagerando. Esse spin-off da Harley Quinn e sua “gangue de garotas” esteve em desenvolvimento por anos, antes de Esquadrão Suicida – o filme da DC onde Harley fez sua estreia no cinema – estrear em 2016.

”Assim que comecei a conhecer ela, e me preparar para Esquadrão Suicida, eu fiquei tipo, ‘Meu Deus, há tanta coisa para ser feita com essa personagem’,” continua Robbie. ”Obviamente você não pode fazer muito em um filme como Esquadrão Suicida onde existem tantos outros personagem, e você precisa ser apresentado a todos, e você tem um grande enredo para desenrolar. Então eu fiquei tipo, ‘Há tanto para se fazer com ela.’”

Robbie pegou o destino da Harley em suas próprias mãos: produtora chave de Aves de Rapina, ela foi integral quando se tratou de juntar o time talentoso por trás das telas. Ela se encontrou com a roteirista Christina Hodson (Bumblebee) quatro anos atrás para começar a trabalhar em rascunhos de roteiros. Cathy Yan (Dead Pigs) foi apontada para dirigir, escolhida por sua habilidade de lidar com um elenco e criar uma realidade aumentada. ”Ela apresentou uma ótima ideia, para ser honesta,” explica Robbie. ”Ela fez esse vídeo que foi fantástico. Foi muito fácil para nós escolher depois disso.”

Era outubro de 2019 quando a Total Film se encontrou com Robbie em um hotel em Nova York, e ela não poderia estar vestida de modo mais diferente do que sua personagem nas telas. Ela está poderosa em todos os centímetros com um terno amarelo limão, a jaqueta pendurada nas costas do sofá, uma blusa de mangas curtas e sapatos altos, com seu cabelo loiro escuro estilizado para o lado. Conversando sobre projeto apaixonado entre goles de chá cremoso, ela explica que Aves de Rapina é mais um projeto independente do que uma continuação direta de Esquadrão Suicida. ”É parecido com os quadrinhos onde você pega em lugar totalmente diferente, e não liga diretamente com o que aconteceu antes,” ela diz. ”Mas ao mesmo tempo, não é um salto tão grande que você não sabe o que está acontecendo.”

”Definitivamente é um filme independente,” confirma Yan quando nos encontramos mais tarde, no meio de sua agenda pós produção. ”Obviamente Margot está interpretando a Harley novamente, mas nós somos nosso próprio filme. Não somos uma sequência de Esquadrão Suicida. A Gotham que estamos explorando é um pouco diferente, também. Nós tentamos homenagear Esquadrão Suicida em alguns visuais, e o fato de que a marreta da Harley é a mesma, assim como o bastão. Foi muito, muito divertido criar nosso próprio filme, e não sentir como se precisasse ser uma sequência ou continuação de Esquadrão Suicida.”

No cinema, a DC Comics tem jogado fora o livro de regras ultimamente. ”É realmente um grande parquinho para brincar,” diz Yan. ”Me deram a oportunidade de fazer algo um pouco diferente, e não é uma sequência de nenhum jeito.”

Depois de perder a oportunidade de um universo estendido com Liga da Justiça, a DC se fortaleceu desde que focou em histórias solo. Aquaman e Shazam! foram triunfos inesperados, enquanto Coringa, que não tem ligação com os filmes existentes da DC, recentemente arrecadou mais de 1 bilhão sendo a maior surpresa de 2019. Então, quem melhor para continuar o renascimento cinematográfico da DC do que sua garota maníaca? Aparecendo primeiramente em Batman: A Série Animada, Harleen Quinzel foi a estrela bem-sucedida de Esquadrão Suicida.

Emancipação é a palavra chave do subtítulo extravagante de Aves de Rapina. Não é bem do Esquadrão que a Harley está se emancipando: é mais especificamente do Coringa (interpretado por Jared Leto em Esquadrão Suicida). E não parece que foi uma separação amigável, como vemos no trailer quando ela joga facas em um desenho de seu ex. Iremos descobrir o que aconteceu entre Harley e o Sr. C? ”Não posso dizer,” diz Robbie, afastando os spoilers. ”Eu não iria querer arruinar. O que eu posso dizer é: a razão do término não é integral para a história do filme.”

Só porque a Harley está solteira, não significa que ela está sozinha: o título, afinal, faz referência ao grupo só de heroínas da DC, que assim como a maioria das equipes dos quadrinhos, variou suas integrantes ao longo dos anos. Aqui estão incluídas a detetive Renee Montoya (Rosie Perez), Helena Bertinelli como Caçadora (Mary Elizabeth Winstead) e Dinah Lance como Canário Negro (Jurnee Smollett-Bell). Seus caminhos se juntam com o da Harley quando se trata de salvar uma menina de rua chamada Cassandra Cain (Ella Jay Basco) do rei do crime Roman Sionis (Ewan McGregor) e seu sádico parceiro Victor Zsasz (Chris Messina).

”Sua história é que ela era filha desse poderoso mafioso,” diz Winstead, apresentando a Total Film para a durona Caçadora. (A estrela de Scott Pilgrim compara o estilo de dirigir de Yan com o de Edgar Wright.) ”Quando criança, sua família inteira foi assassinada em sua frente. Ela foi criada por esses seguranças que a treinaram para ser uma assassina. E agora sua missão de vida é vingar a morte de sua família.”

Dinah Lance é a cantora do clube Máscara Negra, propriedade do vilão Sionis. ”A Canário Negro em Aves de Rapina é completamente a Dinah Lance que conhecemos e amamos dos quadrinhos,” explica Smollett-Bell, uma energia animadora ainda exalando um dia depois de aparecer na New York Comic-Con com a gangue. ”Estamos tentando capturar a essência dela. Mas, no nosso filme, quando conhecemos a Dinah, ela está acomodada em uma vida onde ela está trabalhando como cantora no clube Máscara Negra de Roman Sionis. Devido aos eventos traumáticos em seu passado, ela perdeu sua mãe que lutava contra o crime, e ela não quer saber sobre limpar Gotham, e está completamente feliz em manter sua cabeça abaixada e fazer seu trabalho – o que é contra sua natureza.”

Atitudes tradicionais super-heróicas – e os poderes associados à elas – estão em pouca quantidade em Aves de Rapina. ”É mais como uma realidade aumentada,” diz Robbie, pausando para considerar o quão longe ela pode ir sem entrar em território de spoiler. ”Não folclore meta humano. Somente uma de nossas personagens é meta humana, e não é algo que ela realmente entende ou acessou por completo naquele ponto.” A mais pé no chão das Aves, e a única com bússola moral apontada para o norte de acordo com Robbie, é Renee Montoya.

”Ela é um ser humano sem poderes,” Perez conta para a TF em sua aspereza inimitável. ”Então eu não queria que ela parecesse elegante e refinada como a maioria das heroínas de ação. Eu queria que ela fosse uma mulher real de uma certa idade. Ela sabe como se portar, mas eu queria que fosse verdadeiro.”

Parece que ela é, em muitos aspectos, a forasteira do grupo. ”Porque ela é policial, ela está muito, muito cansada das outras Aves,” continua Perez. ”Mas todas possuem um objetivo, que é proteger a Cass e derrubar Roman Sionis. Então elas precisam trabalhar juntas. E o que eu gosto é que isso contradiz a narrativa que diz que mulheres encontram dificuldades em trabalharem juntas. Sabe? Ela são todas malvadas, traiçoeiras, bla, bla, bla – toda essa mentira. Todas precisam colocar suas diferenças de lado e trabalhar juntas, assim como as mulheres fazem todo dia.”

A peça final do quebra cabeça é a própria Cass, a menina que se encontra no meio do turbilhão. ”Tudo está girando ao redor dela agora, porque a safadinha decidiu roubar algumas coisas,” diz a jovem Ella Jay Basco que a interpreta. ”Cassandra Cain é uma criança de rua. Ela vem do nada. Ela é super travessa, super sorrateira, e ela gosta de brincar com as pessoas. É divertido. Tudo é um jogo, porque ela ainda é uma criança. Ela é tão independente e ainda assim enganada e vulnerável. E ela venera a Harley e as outras personagens.”

Então, nós classificamos a jovem Cass como uma das Aves? ”Ela não é uma Ave oficial,” Yan ri. ”Eu não a chamaria de Ave. Mas no filme, nós formamos uma gangue de garotas improvisada, se for colocar assim, com a Harley e a Cass, também.” Sim, falando exclusivamente, a Harley nunca foi membro oficial das Aves, também. ”Ela não é tecnicamente membro das Aves de Rapina nos quadrinhos,” diz Robbie. ”Mas ela pode se encontrar com as Aves de Rapina, o que acontece nesse filme. Mas as Aves de Rapina não estão oficialmente formadas no começo do filme.”

Dada a tendência da Harley de irritar, bem, todo mundo, isso deve fazer uma química combustível. ”A Harley sempre vai se sentir contrária a qualquer pessoa em posição de autoridade, e policiais estão no topo dessa lista,” Robbie explica a dinâmica do grupo, quase entrando na personagem enquanto lista. ”Então, esse é seu conflito imediato e inicial com Renee Montoya. Mas quando ela começa a trabalhar fora do sistema, a Harley gosta disso. Ela acha que a Caçadora é completamente fodona, porque qualquer pessoa que consegue matar tão bem assim e ser tão bagunçada na cabeça com todo aquele trauma de infância – isso deixa a Harley animada, então ela ama a Caçadora. Ela se identifica com a Canário Negro. Ela imediatamente consegue ver que a Canário está dando o troco em um cara que não a está tratando bem, então ela se identifica com a Canária desse jeito. E a criança? Ugh. Ela é só uma criança, e irritante, e ela não quer tê-la por perto. Mas precisa. E então, no final, ela cria afeto pela merdinha.”

De acordo com Smollett-Bell, ”Dinah não suporta a Harley… Ela fica muito irritada com ela! Ela é esse chiclete irritante preso no sapato dela.” Mas quando as câmeras param de rodar, o elenco não tem nada além de palavras brilhantes para Robbie em sua capacidade dupla como estrela e produtora. ”Isso significa muito pra ela,” diz Yan. ”Ela estava ativamente envolvida em tudo, e ela tem um bom gosto. Ela sabe o que é legal e o que é interessante. Ela quer ir além dos limites e se arriscar.”

”Ela é incrivelmente inteligente e experiente,” Winstead adiciona. ”Ela tem um entendimento real do filme inteiro. Não é tipo, ‘Esse é o Show da Harley e o que acontece com ela.’ Ela está pensando em cada personagem, e cada história, e se está funcionando ou não.”

”Eu me apoiei muito na Margot como colaboradora, porque ela conseguiu fazer tantas coisas, o que foi realmente impressionante,” Smollett-Bell diz. ”Ela não é apenas a atriz que coloca o nome no filme. Ela esteve muito envolvida, se fez disponível para o elenco e equipe no processo colaborativo. O que eu achei muito raro.” E sobre o que Basco achou de Robbie, ela diz, ”Eu não quero xingar, mas muito foda. Ela é um ótimo exemplo.”

A própria Harley – com seu cabelo multicolorido e inclinação para ultraviolência – não é exatamente um exemplo. Ela é, afinal, a definição de anti heroína: não exatamente uma boa menina, mas a pessoa para quem torcemos. ”Eu acho que a Harley fica no limite entre a vilã e a anti heroína,” Robbie medita. ”Em representações mais obscuras, ela pode estar do lado ruim e ser mais uma vilã. Nesse filme, ela faz a coisa certa no final. Mas ela não é uma pessoa moral, então a considero mais anti heroína. E eu diria que as Aves de Rapina são todas anti heroínas.”

Yan concorda. ”Se vimos mais do seu lado ruim em Esquadrão Suicida, eu acho que esse filme é mais sobre a humanidade nela.” O que realmente posiciona as Aves de Rapina como anti heroínas em sua própria história é o fato de que existem caras muito ruins para enfrentar, liderado por Roman Sionis de McGregor (nos quadrinhos, Sionis torna-se o famoso Máscara Negra, vilão do Batman). Aqui, ele tem como ajudante outro icônico vilão dos quadrinhos, Victor Zsasz, de Chris Messina – um assassino que marca a contagem de suas vítimas em sua pele (uma interpretação do personagem foi anteriormente vista em Batman Begins).

”Eles foram um par e tanto,” Yan ri. ”Eu acho que Ewan e Chris se divertiram muito trabalhando um com o outro. Roman é um cavalheiro de uns jeitos, e ele também é um vilão de muitos outros. Ewan realmente traz esse nível de carisma para o papel. Ele se divertiu muito interpretando um vilão e um narcisista,” ela ri. ”E nós colocamos o rosto dele em um monte de coisas, então eu acho que ele gostou disso, também!”

Yan descreve Zsasz como um ”trabalho sádico,” mas espera que os dois sejam cativantes e que testem a lealdade do público. ”Algumas horas, você fica, ‘Oh, hmmm. Talvez eu goste desse cara?’ Somente para ficar pior quando eles fazem as coisas terríveis que eles fazem.”

Messina – mais conhecido por seu papel de longa data em The Mindy Project e filmes como Argo e Julie & Julia – é cativante e simpático quando nos encontramos em Nova York. Ele está vestido em um blazer casual e fala com um sotaque atrevido, seu cabelo escuro de volta para o tom natural após ficar loiro para o psicopata Zsasz. Além de citar o vilão de Bond, Silva, como inspiração, Messina também vê um paralelo shakespeariano com seu personagem. ”Ele é um estranho até no universo do Roman,” Messina explica. ”Mas ele tem sido encontrado nas ruas, porque ele é tão cruel e bom no que ele faz. Ele realmente é um ajudante, de um jeito, para o Roman. Eu realmente acho que esse personagem olha para os vilões mais populares com inveja e ciúme, quase num jeito Othello, e quer tomar o poder.”

Messina passou uma transformação física extrema; além dos cabelos loiros, ele foi decorado com as cicatrizes que são sua marca registrada. ”Isso faz muito por você,” ele diz. ”O departamento de maquiagem foi tão específico e extremamente talentoso. As cicatrizes eram todas muito específicas e premeditadas, porque são marcas de registro. Onde foi a primeira cicatriz? Quantas ele tem no total? Onde ele vai colocar a próxima? Qual das mãos ele usou para fazer? Eu poderia nomear as cicatrizes e quem elas eram. Ele tem muito orgulho delas.”

Além de enfrentar inimigos formidáveis, as Aves enfrentaram um treino físico muito exigente – com os experts em ação 87eleven – para as sequências do filme. ”Temos umas sequências de ação bem loucas e divertidas em ambiente realmente insanos,” diz Winstead, ”tipo uma grande sequência de ação que acontece em um parque de diversões. E fica bem doido.”

”Eu treinei por cinco meses como uma artista marcial, cinco dias por semana, porque você não pode interpretar a Canário Negro e fingir isso, cara,” diz Smollett-Bell. ”É melhor você aprender como chutar algumas bundas. Mas nossa equipe de ação, 87eleven, eles nos testaram muito – muito mesmo.” Foi uma nova experiência para Perez também. ”Eu me diverti, especialmente com as cenas de luta,” ela ri.

Apesar de ser um mundo super estiloso, o figurino favorece a funcionalidade acima da sensualidade. ”Eu fiquei muito feliz com o figurino,” Perez adiciona. ”Eu estava pronta para dizer, ‘Hey, podemos fazer com que ela pareça uma detetive de verdade, ao invés dessa sereia sensual? É tão fora da realidade.’ E então eu tive minha primeira prova de roupa…”

”Eu me senti tão legal,” diz Winstead sobre seu figurino de couro para a Caçadora. ”Eu me senti totalmente empoderada e feminina. Mas também, eu consegui me mexer. Eu consegui carregar as armas. Pude fazer outras coisas que a Caçadora realmente estaria fazendo. E me senti ótima. Não houve um momento onde eu fiquei, ‘Eu não consigo fazer esse movimento porque minhas calças estão apertadas demais e minhas botas são muito altas.’”

Se o figurino da Harley é diferente de um certo modo do de Esquadrão Suicida, é por uma boa razão. ”Eu sinto que em Esquadrão Suicida, Harley estava se vestindo para o Sr. C,” Robbie explica a mudança. ”Ela estava se vestindo de um jeito que ela sabia que ele iria gostar. E nesse filme, ela está se vestindo para si mesma. E também, ela está emocionalmente bagunçada agora.”

Em Aves de Rapina, o estado mental da Harley não influencia somente o figurino. Influencia tudo. ”Harley está contando a história para você,” Robbie diz. ”E por isso, você definitivamente está recebendo a versão dela dos acontecimentos. O mundo é colorido e absurdo algumas vezes. Mas então a coisa fica feia, especialmente quando você passa um tempo com outros personagens que existem de um jeito mais maduro. Mas, pela maior parte do tempo, eu diria que o tom do filme é bem Harley.”

”Nós podemos fazer coisas incríveis e loucas, e nós fazemos isso desse jeito porque é a perspectiva da Harley, que é uma contadora de histórias muito divertida,” Yan adiciona. O filtro da Harley é o que vai diferenciar as Aves de Rapina dos filmes anteriores da DC. ”Não é a Gotham de Bruce Wayne,” confirma Smollett-Bell. ”E porque é contado do ponto de vista da Harley, é divertido, é louco. Não se leva muito a sério. E é muito violento. Todos esses elementos realmente exagerados que fazem o filme ser interessante.”

É apropriado que a Harley tenha tanta influência nos eventos na tela, dado que Robbie foi tão importante em formar o filme por trás das cenas. ”Em questão de tom, eu acho que reflete a personalidade da Harley,” Robbie diz. ”E isso é o que vai diferenciar. Em algumas partes, é absurdo. É quase sempre engraçado. É perigoso, violento. Mas é irreverente e subversivo. É realmente como a Harley, um pouco imprevisível mas muito divertido e um pouco doido.”

Depois de Aves de Rapina, Harley aparecerá novamente em The Suicide Squad, de James Gunn, outro quebrador de regras brincando de corrida com a tradição normal de sequências. Robbie descreve esse filme como outra ‘iteração’ que não será uma sequência direta, assim como os quadrinhos gostam de cortar e mudar. ”Em questão de tom, o mundo de David Ayer é diferente do mundo de Aves de Rapina, que é diferente do mundo de James. Então, não, não há uma conexão direta. Mas, assim como nos quadrinhos, um não cancela o outro.”

E, se as Aves fizerem o sucesso, nós poderemos vê-las voando novamente no futuro. ”Seria um mundo incrivelmente divertido, e eu adoraria continuar brincando nele,” diz Winstead sobre a possibilidade de sequências. ”Apenas como fã, eu adoraria ver algumas interações da Canário Negro com alguns dos personagens dos quadrinhos,” Smollett-Bell diz. ”Obviamente, eu iria realmente amar vê-la comandando as Aves de Rapina. Mas existem muitas combinações ótimas. A Liga da Justica, e aquele romance todo com o Arqueiro Verde. Eu acho que há muito potencial que, pessoalmente, poderíamos explorar.”

Certamente não parece que a Harley vai tirar férias da cabeça de Robbie em breve. ”Eu espero que sim,” Robbie responde quando perguntamos se ela se vê contando as histórias da Harley por um longo tempo. ”Quero dizer, pelo tempo que eles me quiserem. Realmente, eu a amo. Eu acho que você pode fazer tanta coisa com a Harley. Há tantos outros relacionamentos e amizades e histórias que seriam deliciosas de explorar com ela. Então, eu adoraria fazer mais.”

Fonte: Total Film | Tradução & Adaptação: Equipe Margot Robbie Brasil

A Empire Magazine visitou o set de Aves de Rapina no início do ano passado e conversou com Margot Robbie e os demais produtores do filme. Confira abaixo:

Margot Robbie senta pulando na ponta de uma língua muito grande e longa, rindo histericamente. É protuberante de uma estátua de uma cabeça de uma mulher no estúdio em Burbank, onde hoje serviu como um parque de diversões abandonado e assustador. Sentada em outra língua, ao oposto de Robbie, também pulando, estão a diretora Cathy Yan e a roteirista Christina Hodson, tentando (não inteiramente com sucesso) ter uma reunião séria entre as tomadas. O trio formou uma gangue nos últimos quatro anos, liderando o filme que Robbie sonhou desde que interpretou Harley Quinn – uma psiquiatra que se tornou uma criminosa louca – em Esquadrão Suicida em 2016. Robbie, Yan e Hodson estão se divertindo tanto, que você esquece que a cena de ação que elas estão tentando entender (envolve uma luta que se passa dentro de um escorregador enorme) é uma das mais complexas de Aves de Rapina.

Usando seu boné de produtora, Robbie começa a ensaiar a coreografia da luta. É imediatamente claro que ela é a dona do show. Ela é uma chefe popular. Nas sextas-feiras, ela escolhe um código de vestimenta temático. Hoje é Hawaí, por isso a equipe está vestida com camisas havaianas e colares de flores. Na semana passada, o tema era São Patrício. Seu elenco e equipe não conseguem parar de elogiar sua ética de trabalho e intelecto. O produtor Bryan Unkeless até insiste que ela é a pessoa mais impressionante que ele já conheceu. ”Eu sinto que tenho muita sorte de conhecer Margot Robbie mais do que qualquer outra pessoa na minha vida,” ele diz. ”Todos os dias nos preocupamos com centenas de coisas, mas nunca tivemos preocupações quanto à Margot.”

Quando Robbie aceitou o papel da Harley no filme de David Ayer, ela adotou a personagem como uma criança que ela queria criar. ”Harley se tornou incrivelmente importante para mim,” ela diz, colocando uma camisa havaiana para esconder suas tatuagens temporárias da Harley. Em Esquadrão Suicida, Harley estava sozinha em sua feminilidade; ela era definida por seu relacionamento com o Coringa, criado por homens. Robbie tinha a fantasia de que Harley conseguiria escapar e encontrar um grupo de meninas. Ela é sua anti-heroína em sua própria Gotham – uma cidade mais vibrante, mais colorida, e francamente, mais insana. E então, para Aves de Rapina, Robbie dirigiu o processo, escolhendo Hodson para escrever o roteiro, e se separando da fórmula do gênero para realizar seu esquadrão.

Isso provou ser oportuno. Em três anos desde Esquadrão Suicida, os movimentos #MeToo e Time’s Up encorajaram mulheres em Hollywood a parar de segurarem suas línguas. ”É um ótimo momento na cultura para contar essas histórias,” diz a produtora Sue Kroll. ”O fato de estar sendo feito como um empreendimento comercial tão grande, populista e com a DC é realmente emocionante.” O filme procura abordar minuciosamente perguntas de 2020. Quem é a Harley sem o Coringa? Quem é a mulher sem o homem? E como ela é apoiada por outras mulheres ao seu redor?

A resposta está no longo título Aves de Rapina: Arlequina e sua Emancipação Fantabulosa. Emancipação é uma ótima palavra. No set, todo mundo é ávido ao enfatizar que esse filme é separado de Esquadrão Suicida. Longe está a violência gratuita. No lugar disso está um filme sobre mulheres, feito por mulheres, para todo mundo. É movido pelo olhar feminino, até a escolha dos calçados. ”Se desviamos para um salto em que você não poderia andar, dizemos ‘Não!’” diz a figurinista Erin Benach, que garantiu que as roupas são divertidas mas também pragmáticas para todos os chutes iminentes. Harley é DIY. Ela usa fita isolante como acessório. ”Harley é a alma da festa todo o tempo. Ela pode dançar até o esquecimento.”

Até a estrutura está inovando na DC. Não é machão – liderada nem por explosões de computador nem por um enredo linear. ”Eu estava tão indiferente à explosão de prédios,” diz Robbie. ”Eu queria fazer algo mais contido.” A Gotham que entramos não é a Manhattan do Morcego, mas o Brooklyn ou Queens mais sombrio e barulhento. É no nível de rua. Nós temos uma prévia de aspectos da cidade que ainda não conhecemos. Por exemplo, o Clube do Máscara Negra, é como um bar privado só para membros; uma sociedade secreta onde pessoas sem vida e os gatos gordos se encontram, e onde Harley mostra seus talentos para dança. Yan explica que a narrativa é desenhada para ecoar o caos desorganizado da mente da Harley, para parecer uma história contada para você sem pausas por uma amiga. Ela vai e volta. Você se apega aos tópicos esperando que faça sentido no final. ”É o cérebro da Harley. Capta o humor grosseiro que as mulheres tem,” a diretora diz.

Quando nós encontramos a Harley, ela acabou de terminar com o Joker. Ele largou ela. ”Ela está tentando superar,” Robbie diz. ”Esse pareceu um jeito real de lidar com um término. Não é fácil ser uma mulher forte. É muito difícil.” O coração da Harley está arrasado enquanto ela tenta organizar sua vida novamente. Seu apartamento alugado fica em cima de um restaurante chinês. ”É uma bagunça,” diz Kroll. A Empire conseguiu uma prévia de uma cama cheia de papéis de doce que a Harley esteve comendo e fitas cassetes de desenhos (Pernalonga, etc). Um macacão estampado com carinhas tristes no sofá. E tem uma hiena de estimação chamada Bruce (uma homenagem para o Morcego?). ”Harley ama animais de estimação incomuns,” Kroll ri.

Em um vídeo de um minuto mostrado para a Empire, o humor e frescor aparecem imediatamente. Harley cortou a franja. Ela está chorando rios. ”Ela está mais como Courtney Love do que Debbie Harry dessa vez,” Robbie diz. Dependente e viciada no Coringa, ela chegou no fundo do poço. ”Ela diz, ‘Estou solteira, eu não preciso dele, foda-se esse cara.’ Mas se o Coringa mandar uma mensagem, ‘Está acordada?’ ela iria correr. Ela iria desmoronar.”

Harley precisa se preparar para descobrir quem ela é sem o ex-namorado louco. E sem a proteção dele, ela também precisa lidar com todos em Gotham que estão atrás de um pedacinho dela. Robbie foi ávida ao explorar o aspecto da doença mental e a natureza infantil da Harley. Por exemplo: ela dorme com um castor – Beavy. ”Eu durmo com meu coelho que tenho desde que nasci,” Robbie confessa. ”Por que Harley se sente apegada a um brinquedo? As pessoas se apegam em coisas da infância quando elas não lidaram com o passado ainda.”

Aves de Rapina pode ser um dia na vida da Harley, mas crucialmente não é sobre ela. Uma mulher não pode contar a história de todas as mulheres. ”Harley sozinha é como uma criança em uma parquinho sozinha. Onde está a diversão?” Robbie pergunta. O mundo da DC é cheio de personagens femininas para explorar, e as escolhas aqui foram um movimento intencional para diversificar as mulheres o máximo possível. Durante sua jornada de autodescobrimento, Harley encontra uma jovem menina – Cassandra ‘Cass’ Cain) interpretada por Ella Jay Basco). Cass está com um alvo em suas costas graças ao dono da boate, Roman Sionis, aka Máscara Negra (Ewan McGregor), e seu escudeiro Victor Zsasz (Chris Messina) – um serial killer com cicatrizes por todo o corpo para representar seus assassinatos. Harley descobre que as outras Aves de Rapina estão investidas na proteção de Cass e possuem problemas com Roman. Elas são forçadas a ficarem juntas contra suas vontades.

Não é tarefa fácil que esse seja o primeiro elenco de mulheres em um filme de super-heróis. A diversidade na idade e formação do elenco feminino permitiu a perspectiva de inúmeras mulheres. Na série da DC, as Aves são uma equipe de super-heroínas com uma política de portas giratórias. A adaptação de Robbie escolhe a equipe mais miscelânea: Canário Negro (Jurnee Smollett-Bell), Caçadora (Mary Elizabeth Winstead) e a detetive subestimada detetive Renee Montoya (Rosie Perez). Elas não se dão bem. ”Eu não queria As Panteras,” diz Yan. ”Eu não queria que parecessem que elas estavam em uma irmandade.” Aspira ser uma versão mais realística dos relacionamentos mais complexos entre mulheres. Unkeless coloca de maneira melhor: ”O ato de fazer o filme tem sido uma camada de manifestação sobre o que é o filme: mulheres únicas, inteligentes e talentosas que vêm trabalhar juntas.”

Então, sem mais delongas, vamos conhecer as Aves. Primeiramente: Canário Negro. Nós a conhecemos como Dinah Lance – uma feroz lutadora de rua cuja morte da mãe a deixou órfã. ”Dinah está fechada para o mundo e não quer saber de limpar Gotham. Ela está tipo, ‘Foda-se Gotham,’” Jurnee Smollett-Bell diz. Dinah também não gosta da Harley. ”Ela acha a Harley irritante pra caralho.” Eventualmente, elas se entendem. Smollett-Bell foi forçada a considerar a questão de por que as mulheres negam seu potencial. Sua emancipação vem quando ela para de se sabotar. O treinamento rigoroso de artes marciais quase sabotou Smollett-Bell. ”Foi tão cansativo!” ela ri. ”Foi importante testar meus limites. É o que a Dinah faz.”

Cass é uma menina de rua de 12 anos em roupas largas para esconder todos seus artigos roubados. Diferente da história original dos quadrinhos, Cass não é protegida pela Batgirl original, Barbara Gordon, mas sim pela Harley. A dinâmica é de irmãs. Robbie se tornou mentora de Basco, de 13 anos, também. Esse é seu primeiro filme. ”Esse filme vai mudar a indústria para sempre,” diz Basco, orgulhosa de representar a comunidade asiática ao lado de Yan. O elenco de Rosie Perez como Renee Montoya – uma policial gay que sempre foi ignorada e foi demitida – dá uma dimensão maior ao grupo. Perez trouxe sua própria experiência como uma mulher ”quase-hétero” de Porto Rico que cresceu na pobreza para Renee, além da sua própria experiência com o ativismo contra o HIV/AIDS. ”Ela está tentando entender que não é somente onde você luta, é como você luta,” ela diz sobre Renee. ”Algumas vezes você precisa sair da sua própria caixa, entender que você não está sozinha na luta, que você precisa de uma equipe. Renee esteve gritando e engolindo essa raiva, acordando de ressaca, não entendendo como isso entrou no seu caminho.”

A peça final do quebra cabeça é a militante Caçadora, vestida em meia arrastão, couro e com tranças em seu cabelo. Nascida Helena Rosa Bertinelli, ela é a filha de um poderoso mafioso. Quando criança, sua família foi assassinada na sua frente. Ela treina para se tornar uma assassina para vingar suas mortes. O próximo em sua lista? Roman. Mary Elizabeth Winstead sempre foi relutante em estrelar em franquias de quadrinhos por medo de ser sexualizada demais. ”Esse filme foi muito importante,” ela diz sobre trabalhar com tantas mulheres. ”É algo que me foi negado por muito tempo. Apenas não estava em discussão.”

Apesar da mentalidade da gangue, Harley permanece isolada em um aspecto: ela não é uma heroína como as outras Aves. Não há um grande arco onde ela se torna uma pessoa diferente. ”Ela não é uma boa menina, ela nunca vai salvar o dia,” Robbie diz. Ela é uma catalisadora de caos. Robbie entrega que no final dos créditos, Harley pelo menos se sente ”um pouco menos triste sobre si mesma”. Ela está quase superando o Coringa. A tarefa de contar sua história é fisicamente e emocionalmente desgastante, mesmo sem a tarefa que Robbie tem de produzir o filme. Harley é constantemente estimulada. ”Ela pode reagir de milhões de jeitos diferentes,” diz Robbie. ”É demais. Ontem estávamos todos almoçando e passou um bolo por mim e eu disse, ‘Oooh, bolo!’ E alguém disse: ‘O quanto da Harley fica com você?!’”

Quatro anos atrás, ninguém estava pedindo por um filme das Aves de Rapina. Agora, parece que é exatamente o que o doutor prescreveu. ”É engraçado,” diz Robbie. ”O movimento #MeToo mudou a relevância de cada projeto. Ou ficou muito urgente ou totalmente inconsequente. É de muita sorte que esse filme se tornou importante. Quatro anos atrás isso não foi o que me motivou – eu só queria ficar com um grupo de garotas.”

E já está sendo doloroso dizer adeus. É por isso que Robbie está considerando sequências e spin-offs solos para as personagens. Ela diz que não se sentiu em casa em um set desde os três anos que passou em Neighbours na Austrália. ”Eu acho que o que você deve levar disso é que Aves de Rapina foi como estar na Ramsay Street.” Ela ri mais uma vez. Talvez para Harley Quinn e sua versão de Gotham, bons vizinhos se tornaram bons amigos.

Fonte: Empire Magazine | Tradução & Adaptação: Equipe Margot Robbie Brasil