Antes da estreia de Dreamland no Tribeca Film Festival, Margot Robbie conversou com o Deadline sobre o filme e sobre seus próximos projetos. Confira:

Apesar de projetos de perfis altos enchendo sua filmografia ultimamente, Margot Robbie ainda encontra tempo para voltar para o cinema independente, não somente estrelando, mas como uma das produtoras de Dreamland, que terá sua estreia mundial no domingo no Tribeca Film Festival. Seu poder de estrela e sua influência na indústria ajudará a conseguirem uma distribuição após a estreia em Nova York.

Com Robbie no elenco, os compradores obviamente estão interessados em conferir, e deveriam. Dreamland é um inteligente, complexo e interessante drama de época ambientado no Texas durante a Dust Bowl em 1930, onde Robbie interpreta uma ladra de bancos com uma recompensa por sua cabeça que está fugindo da lei após um assalto terminar violentamente. Em sua vida entra Eugene (Finn Cole), um jovem que pretende capturar a fugitiva e conseguir o dinheiro, somente para descobrir que ela está escondida no celeiro de sua família, e que tem mais muito mais sobre ela do que ele pechinchava. Logo, ele se encontra envolvido em um relacionamento que coloca os dois em perigo.

O filme é escrito por Nicolaas Zwart e dirigido Miles Joris-Peyrafitte em seu segundo filme. Mas é um que invoca a memórias de filmes muito influentes como Terra de Ninguém, Cinzas do Paraíso, As Vinhas da Ira e Bonnie e Clyde. No entanto, em seu coração, Dreamland é completamente original – uma história única e cativante sobre amadurecimento onde Cole está excelente. Mas Robbie é realmente impressionante aqui em um tipo diferente de papel, um onde ela irradia sensualidade com um bom coração e inteligência. Por alguma razão, pensei que seria um ótimo papel para Marilyn Monroe no auge da carreira, se ela tivesse esse tipo de oportunidade. Jessica Lange também vem em minha mente, mas após ver Robbie como Allison Wells, você não pensa em mais ninguém. Ela sabe identificar um bom papel e coloca seu chapéu de produtora para ter certeza de que vai chegar nas telas.

Eu falei com Robbie recentemente sobre esse filme e sua primeira vez no Tribeca. Ela já possui vários créditos como produtora em seus filmes, incluindo Eu, Tonya, Terminal e o iminente Aves de Rapina e Promising Young Woman, e não parece que sua carreira como produtora é um ponto de vaidade como a de alguns atores. Com os parceiros Josey McNamara e Tom Ackerley, ela está se tornando uma força por trás das câmeras assim como na frente. Dreamland é parte dessa visão.

”Na verdade, foi um dos primeiros projetos que tivemos na LuckyChap,” Robbie me disse. ”Quando começamos, estávamos trabalhando no banco da nossa cozinha até que a empresa cresceu para o lugar onde está agora. Estávamos sempre vasculhando a Black List, e esse roteiro estava lá e achamos muito bonito em sua simplicidade. E então, é claro, algum tempo depois, pensamos em como fazê-lo.” Ela adicionou que Joris-Peyrafitte apareceu quando eles viram seu talento ser exibido em seu primeiro filme, que tinha estreado no Sundance Film Festival. ”Quando sentamos com Miles, ficamos impressionados porque ele é incrivelmente inteligente e visual, mas ele imediatamente pegou o período, especialmente, e queria expandir o que seria viver na época do Dust Bowl. Então, muitos dos elementos foram adicionados por Miles, e ele estava muito facinado com aquela época e o que significava para todo mundo.”

Robbie disse que inicialmente Allison não é alguém fácil de entender, e ela teve que procurar um jeito de entrar na personagem. ”Ela foi interessante de interpretar. Eu fiquei atraída por esse sentimento, esse desespero tangível em tempo e espaço, e eu acho que o Dust Bowl e as pessoas perdendo sua propriedade e com dificuldade de sobreviver parecia o tipo de lugar que poderia deixar as pessoas no limite, e talvez fazerem coisas que eles não achavam que eram capazes. E foi essa noção que me pegou. Eu fiquei interessada nisso, o que as pessoas fazem quando elas estão nesse lugar de desespero. Então, eu realmente gostei de explorar esse lado dela,” ela disse. ”Eu acho que é uma história sobre um menino se tornando homem. É realmente a história do Eugene nesse ponto, mas eu acho que isso tem impacto na Allison, que perdeu sua inocência, e também a perda da inocência dele, o que para mim pareceu trágico, complicado e bonito. Eu sinto que a conheci melhor pelo jeito que ela vê o Eugene.”

Robbie não tem nada além de elogios para seu diretor, e Peyrafitte retribuiu a gentileza quando falei com ele no início da semana. ”Honestamente, foi a relação profissional mais fácil que eu já tive, e ela é uma produtora incrível além de ser obviamente uma das melhores atrizes trabalhando agora. Ela é uma produtora maravilhosa. Ela é colaborativa, sabe com o que lutar em termos de história, em termos de nunca deixar sua personagem faltar alguma coisa. Ela realmente é solícita,” ele disse. ”Ela sabe as realidades do cinema independente e as realidades dos grandes estúdios, mas em nenhum momento fica cega por isso. Ela sabe exatamente o que está acontecendo, e desse jeito, é uma pessoa muito reconfortante de ter no set com você, e ela também tem muita fé. Sabe, tinham coisas que eu quis mudar um pouco o que estava no roteiro que, para mim, eram muito importantes e ela estava completamente dentro.”

“Completamente dentro” é claramente o jeito de Robbie. Peyrafitte disse que ela deu uma chance para ele, já que ele só tinha feito um filme antes desse, As You Are. Esse filme se tornou seu cartão de visitas, mas ela o apoiou completamente.

”Ela ficou tipo, ‘Eu quero que isso seja o seu filme o máximo que puder. Quero que você tome propriedade dele e realmente leve para seu mundo.’ E, para mim, isso foi um grande salto de fé que ela deu, sendo que eu tinha apenas 23 anos e só fiz um filme. Mas ela continuava reafirmando isso durante o caminho e me apoiando, e sendo um talento incrível,” ele disse. ”Ela definiu o tom para todo mundo no set, especialmente quando a estrela e produtora do filme é totalmente humilde, pé no chão, totalmente misturada com todo mundo, amiga dos erros e acertos, e isso, para mim, é muito importante porque esse é o meu lugar favorito no mundo. E então, ter alguém que está misturada com todo mundo, que está por dentro, é super importante, e eu acho que conseguimos fazer coisas nesse filme com o orçamento que tivemos, que se não tivéssemos esse tipo de apoio e essa equipe, porque eles viram que todo mundo estava confiando e empurrando essa coisa para a direção certa, nós não tínhamos conseguido.”

Enquanto para Robbie, ela encerrou a atuação e produção em Aves de Rapina, onde, novamente, ela interpreta a personagem Harley Quinn de Esquadrão Suicida (e interpretará novamente na sequência) e agora está em pós-produção. O filme estreia no dia 7 de fevereiro de 2020. Ela diz, que apesar de Aves de Rapina ser um filme de estúdio pelo qual ela tem um crédito de produtora, não é muito diferente de fazer um pequeno filme independente que está a levando para o Tribeca na noite de domingo. ”Quero dizer, os dois são difíceis. São difíceis de jeitos diferentes, mas fazer filmes é uma coisa muito difícil. Seja grande ou pequeno, eu sinto que é muito difícil, mas vale a pena. Vale muito a pena. Eu só quero que as pessoas assistam e tenham uma opinião sobre eles, seja boa ou ruim, se você pode fazer alguma coisa que provoca o pensamento de qualquer jeito, isso é incrível,” ela disse.

Seu prato está definitivamente cheio. Ela recentemente terminou de interpretar uma personagem fictícia chamada Kayla Pospisil no filme ainda sem título sobre Roger Ailes de Jay Roach com Charlize Theron, Nicole Kidman, e John Lithgow como Ailes. Ela diz que Roach mostrou alguns pedaços para ela e ela está animada. Ela diz que Roach é um diretor incrível. Todos também estão esperando para vê-la como Sharon Tate em Once Upon a Time in Hollywood de Quentin Tarantino, que ela me disse que espera se juntar ao elenco em Cannes no próximo mês. O filme da Sony ainda não foi anunciado oficialmente como parte da competição, mas há uma especulação de que o filme poderá ser exibido no dia 21 de maio (o 25º aniversário da estreia de Pulp Fiction em Cannes). O diretor do Festival, Thierry Fremaux publicamente declarou que ele espera que o filme fique pronto, dizendo que as partes que ele viu até o momento são ”magníficas”.

”Foi uma experiência muito, muito incrível no set, então, tenho certeza que vai ser um filme incrível também, mas, se não for, a jornada já fez valer a pena para mim,” ela disse sobre a sua primeira experiência trabalhando com Tarantino. ”É meu primeiro filme com ele e ele é um dos meus maiores ídolos. Eu adoro os filmes do Tarantino, então, eu não podia ficar mais animada de vê-lo trabalhar em primeira mão. Foi fascinante. E os diretores trabalham de um modo tão diferente, tipo, cada diretor que você trabalha, seu processo, seus métodos do que os atrai, o jeito que eles articulam suas ideias ou executam sua visão, é completamente diferente e é um presente para um ator ver em primeira mão.”

Não ficarei surpreso de ver Robbie dirigindo mais cedo ou mais tarde. Mas, por agora, de todos os papéis variados que Robbie tem interpretado ultimamente, incluindo Harley Quinn, Sharon Tate, Kayla Pospisil, e Allison Wells, está claro que ela não para, e você nunca sabe o que ela vai fazer em seguida. Ela tem até Barbie em desenvolvimento como estrela e produtora. Nada está fora dos limites.

”Eu sinto que variedade em sua carreira de atuação é uma bênção que nem todas as pessoas conseguem. Eu me sinto muito sortuda de pular de Tonya Harding direto para a Rainha Elizabeth. Quero dizer, qual o melhor jeito de continuar aprendendo e crescendo do que mudando de direção tão rapidamente?” Ela disse. ”Para mim isso realmente me pressiona de um jeito que eu sinto que é necessário para continuar melhorando. Se não me deixa aterrorizada, então provavelmente não vale a pena fazer. Todos me dão medo de um jeito ou de outro.”

Fonte | Tradução & Adaptação: Equipe Margot Robbie Brasil

O The Hollywood Reporter anunciou na manhã de hoje que Margot Robbie irá estrelar e produzir mais um projeto! Saiba mais sobre o suspense Dreamland:

Margot Robbie irá estrelar em Dreamland, um suspense que será dirigido pelo ganhador do Sundance Miles Joris-Peyrafitte.

Robbie também irá produzir ao lado de seus parceiros da Lucky Chap Entertainment, Tom Ackerley e Josey McNamara, assim como Brian Kavanaugh-Jones e Rian Cahill da Automatik.

Brad Feinstein da Romulus Entertainment está produzindo e financiando Dreamland, que será apresentado no Mercado de Cannes desse ano. CAA e WME estão lidando com as vendas domésticas.

Escrito por Nicolaas Zwart e na Lista Negra de 2015, Dreamland se passa em 1930, durante a devastação da Dust Bowl. A história segue um menino de 15 anos em sua jornada para capturar uma ladra de bancos e coletar a recompensa, tudo com o objetivo de salvar a fazenda da família do embargo.

Contra todas as autoridades, ele enfrenta o FBI e a polícia local para encontrá-la, somente para descobrir que ela é mais do que as autoridades pensam. Robbie interpretará a ladra.

Os produtores esperam trazer uma balança entre beleza nostálgica e realidade dura para os procedimentos assim como uma balança entre o senso de romancismo e violência.

Fonte | Tradução: Equipe Margot Robbie Brasil