Margot Robbie é capa da primeira edição da década da V Magazine e escolheu Charlize Theron para entrevistá-la. As duas falam sobre a infância na Austrália, o começo da carreira e O Escândalo. Confira as fotos e a entrevista traduzida abaixo:

Não é de admirar que, para Margot Robbie e Charlize Theron, o fandom seja mútuo. As duas deixaram seus países de origem para se tornarem realeza em Hollywood, e recentemente estrelaram juntas em O Escândalo como âncoras batalhando contra o padrão sexista (ou pior que isso) no local de trabalho. Uma vez estereotipada como a “namorada interesseira,” a Robbie pré-fama poderia ter empatia com sua personagem fictícia, a produtora da Fox News Kayla Pospisil. Mas, é claro, a carreira de Robbie rapidamente ultrapassou as expectativas de qualquer pessoa (incluindo ela mesma), como os créditos da atriz e produtora continuam a provar. Seu próximo filme, Aves de Rapina: Arlequina e sua Emancipação Fantabulosa será o maior filme de sua produtora LuckyChap até agora.

Margot Robbie: Charlize, obrigada por fazer isso! Quer compartilhar um picles? Eu geralmente não como muito picles, mas ultimamente tenho gostado deles…

Charlize Theron: Sim, eu quero compartilhar um picles com você! Como eu poderia dizer não?
MR: Eu acabei de aprender, tipo anos atrás, que picles são realmente pepinos.

CT: [Risos] Isso é incrível para mim. Minha filha acha que pepinos são picles. Ela chama pepinos de picles. Eu fico tipo, isso não é um picles… Falando nisso, vamos falar da sua infância. Eu imagino você fazendo pesca subaquática para o jantar em Gold Coast aos 12 anos.

MR: Literalmente, sim [risos] Então, na verdade eu tive uma experiência australiana rural. Quando eu era mais nova, nos mudamos para o interior, que faz parte da Gold Coast. Nós morávamos na área cultivada, então era definitivamente de acordo com uma certa imagem da Austrália. As pessoas nos Estados Unidos ficam tipo, ‘Tinha cangurus e coalas na janela do seu quarto?’ E eu digo, ‘Bem, sim, existiam, mas isso não é necessariamente uma coisa normal na Austrália!’ Eu acho que eu realmente tive todo o melhor da Austrália.

CT: Então, quando você descobriu os filmes?

MR: Nós tínhamos uma coleção limitada e eclética de fitas VHS, que eu assistia mais de cem vezes. Eu falava as frases na cozinha, e minha mãe ficava, ‘Como você lembra disso tudo? Está inventando?’ E mesmo assim, eu nunca disse que ia ser atriz. Eu acho que provavelmente foi uma coisa semelhante à quando você estava crescendo na África do Sul…

CT: Sim, é como falar sobre um unicórnio. Não existe.

MR: Sim, não é um trabalho de verdade. E mesmo depois que eu estava trabalhando 17 horas seguidas em Neighbours, minha família ficava, ‘Então… qual o seu plano? O que você vai fazer de trabalho e carreira?’

CT: Você precisou convencer seus pais? O que eles queriam que você fizesse?

MR: Eu não sei! Eu acho que o melhor cenário seria ir para a universidade.

CT: Cara, como eles estavam errados [risos]

MR: Eu nunca fui para a universidade! Mas eu fui para todas as festas de calouros das universidades dos meus amigos.

CT: Esperta! É a melhor parte! Então, qual foi o próximo passo depois de trabalhar em Neighbours?

MR: Para começar, eu fiquei tão feliz de não ter sido despedida. Mas depois disso, parecia haver apenas duas opções disponíveis: Uma, ficar em Neighbours; muitos dos meus colegas de elenco trabalharam lá por 30 anos e eu poderia ter uma vida muito confortável e legal fazendo isso. Mas eu sabia que eu não queria. A outra opção era me arriscar nos Estados Unidos. E eu tinha visto alguns colegas de elenco tentarem a sorte em Los Angeles. Então, eu passei os próximos três anos economizando e trabalhando na dicção, porque eu não conseguia fazer um sotaque americano por nada no mundo, e eu fui para a porta número dois.

CT: Uau… Quando você começou, você teve medo de ser estereotipada?

MR: Não foi até depois de O Lobo de Wall Street que muitos papéis semelhantes começaram a aparecer. Eu percebi que precisava fazer algo muito diferente para deixar as pessoas cientes de que eu não ia interpretar a esposa interesseira para sempre. E não é que eu não quero nunca mais interpretar uma esposa interesseira, eu me diverti muito interpretando a Naomi. Mas eu já exercitei esse músculo, já a tinha entendido. E eu queria ler um personagem e pensar, ‘Não faço ideia de como fazer isso.’ Eu sempre quero me sentir um pouco assustada quando escolho um papel e me desafiando de algum jeito. Mas, antes disso, eu só queria qualquer trabalho. Meu primeiro papel de verdade foi em uma série chamada Pan Am, e eu filmei por um ano em Nova York. Eu estava interpretando uma jovem muito doce e inocente vendo o mundo pela primeira vez e se divertindo muito. E talvez eu não fosse tão inocente quanto ela, mas definitivamente estava sentindo a mesma coisa; tipo, uau, o mundo é tão grande e incrível, e eu estou em Nova York, isso é tão louco… Na minha primeira vez em um set, eu queria saber o que todo mundo estava fazendo e por quê. Eu ficava perguntando para o diretor de fotografia, ‘Que lentes você está usando e por quê?’ Eventualmente ele comprou um livro pra mim e ficou tipo, ‘Leia isso, tem todas as respostas!’ Foi tão gentil, e eu ainda tenho o livro. Foi uma leitura interessante e respondia todas as minhas perguntas, então eu parei de perturbar ele…

CT: Talvez tenha sido isso, mas em que ponto você sentiu que queria produzir seus próprios filmes?

MR: É engraçado… Eu falei sobre isso com algumas outras atrizes. A fama é uma coisa estranha. Tem esse jeito de aparecer muito rápido, e eu me senti muito livre disso. Eu estava procurando por jeitos diferentes de tomar o controle da minha vida, de chegar onde eu queria chegar. Como produtora, você faz parte de tudo. E não somente no set, mas nos anos até chegar naquele ponto. Eu gosto de exercitar essa parte do meu cérebro mais experiente em negócios – mesmo fazendo aquela merda de incentivo fiscal.

CT: Quanto tempo levou para Eu, Tonya aparecer?

MR: Esse foi o segundo filme que produzimos na LuckyChap. Nós nos demos um manifesto para começar, e foi de contar histórias sobre mulheres e de trabalhar com o máximo de diretores de primeira e segunda viagem que pudéssemos.

CT: O que nesse projeto fez você dizer, ‘Preciso fazer isso’? Você sabia sobre ela?

MR: Não, eu nunca tinha ouvido o nome dela. E eu achava que era uma história fictícia. Tipo, okay, isso fica um pouco absurdo em algumas partes, as pessoas vão achar que estamos de brincadeira agora. Mas as partes mais absurdas eram realmente verdade.

CT: É tão interessante que você não sabia nada sobre ela. Para mim, ela é tipo o Elvis. E eu imagino, se o papel tivesse vindo para mim, que seria assim que eu iria olhar para ele. Eu acho que talvez essa seja a chave para o fato de que você tocou em um aspecto da personagem que não parecia sensacionalista. Você tocou na história emocional dessa mulher que estava lutando com muita coisa. E ela fez umas coisas terríveis, mas suas circunstâncias não eram boas.

MR: Sim! Foi perfeito que eu não sabia sobre isso porque eu não tinha noções pré concebidas. Como atriz, a primeira coisa é tentar entender o ponto de vista dela. Eu li falas como, ‘A Nancy apanha uma vez e o mundo inteiro surta. Comigo isso acontece todo dia.’ Eu lia isso e pensava, sim, eu concordo! Por que todo mundo é tão duro com você? Eu não entendo! Então eu fiquei muito feliz que eu não sabia nada. Ficou muito mais fácil de entendê-la.

CT: Você lembra da primeira vez que nos conhecemos?

MR: Sim! Em uma sessão de fotos, alguns anos atrás. Você estava praticamente nua.

CT: Tinha muita coisa acontecendo. “Ela está usando um lençol, tem uma criança pequena gritando e está elogiando uma atriz que ela quer trabalhar junto…” O quão estranho é que, três anos depois, eu te chamei para O Escândalo?

MR: Já que estamos nesse assunto… Por que você pensou em mim para esse papel? Nunca perguntei…

CT: Primeira, meu Deus, você é louca? Foi muito fácil, Margot Robbie. Mas segundamente, esse é um elenco de grupo; não tem muito tempo para você alongar sua personagem. Precisávamos de uma atriz que pudesse tocar em todas essas emoções de modo econômico e efetivo. E você fez isso inquestionavelmente. E desde o momento que você concordou em fazer o projeto, você ficou tão comprometida. Você estava fazendo com a gente. O que tornou isso tão claro pra você?

MR: Eu poderia repetir tudo o que você disse, porque foi muito fácil. A oportunidade de trabalhar com você… Eu secretamente só queria a oportunidade de te ver produzir. Tipo, eu não sei se estou fazendo isso certo – lidando com a produção, atuação e com a vida. Seria muito legal assistir outra pessoa fazer isso. Mas mais do que tudo, eu queria ser parte dessa história, e eu queria que as pessoas tivessem a experiência da Kayla, que, como você vê em uma cena, é muito difícil de definir. Ele abusa dela sem nem mesmo levantar de sua cadeira. Eu achei que isso era algo que as pessoas precisavam ver.

CT: Margot. Eu te amo.

MR: Eu também te amo. Você é uma ótima repórter.

CT: Quanto vão me pagar por isso?

MR: Você vai ganhar uma jarra de picles.

Fonte | Tradução & Adaptação: Equipe Margot Robbie Brasil

Aconteceu na noite de domingo (5) a primeira premiação do ano: O Golden Globe Awards. Margot estava indicada na categoria de Melhor Atriz Coadjuvante por seu papel em O Escândalo e também apresentou ao lado de seu colega de elenco de Aves de Rapina, Ewan McGregor, a categoria Melhor Roteiro, que foi para seu diretor em Era Uma Vez em Hollywood, Quentin Tarantino. Laura Dern foi a grande ganhadora do prêmio de Melhor Atriz Coadjuvante. Confira fotos e vídeos abaixo:

Margot Robbie é capa da edição especial do Globo de Ouro da Variety onde ela fala sobre O Escândalo, Aves de Rapina e sobre a LuckyChap. A entrevista ainda conta com citações de Tom Ackerley, Charlize Theron, Christina Hodson e mais, além de fotos lindas que vocês podem conferir na nossa galeria. Leiam a entrevista abaixo:

Margot Robbie teve sucesso ao interpretar pessoas reais no cinema.

Em 2019, ela interpretou Sharon Tate em Era Uma Vez em Hollywood de Quentin Tarantino, e um ano antes, ela foi a Rainha Elizabeth I em Duas Rainhas. Em uma performance que definiu a carreira – a qual ela foi indicada para um Globo de Ouro, Screen Actors Guild Award e um Oscar – Robbie interpretou a famosa patinadora Tonya Harding em Eu, Tonya em 2017.

Abordando o papel de Kayla Pospsil – uma ambiciosa produtora da Fox News que cai na teia de Roger Ailes (John Lithgow) – em O Escândalo, o desafio apresentado foi muito diferente. Ao contrário da Megyn Kelly de Charlize Theron e a Gretchen Carlson de Nicole Kidman, a personagem de Robbie é fictícia, uma composição criada pelo roteirista Charles Randolph para ilustrar o último estágio do assédio e abuso sexual de Ailes – logo antes de sua queda Shakespeariana no verão de 2016.

”Eu não a entendia no começo,” Robbie diz. ”Mas o meu processo é fazer muita pesquisa, considerar cada opinião, saber sobre cada situação, cenário, pensamento e motivação de dentro para fora, para que eu possa chegar no set e soltar tudo isso.”

Ela começou a entender a Kayla usando uma metodologia que o diretor de O Escândalo, Jay Roach, chama de ”um desejo nerd de aprender sobre tudo.” Ela assistiu aos programas da Fox News que a Kayla teria gostado e criou uma conta falsa no Twitter para observar as opiniões performativas de ”jovens garotas conservadoras.” (Robbie não especificou quem ela seguiu, mas imagine as Tomi Lahrens do mundo.)

E ela aperfeiçoou a voz falada da Kayla, mudando seu sotaque australiano para um tom alegre da Flórida. Roach pediu para que Robbie assistisse vídeos de Katherine Harris, a ex secretária do estado da Flórida, que ficou famosa durante as eleições presidenciais de Bush vs Gore em 2000 e foi interpretada por Laura Dern no filme da HBO Recount em 2008. Harris cresceu privilegiada e evangélica na Flórida, assim como Kayla. ”Eu apenas amo os sons das vogais dela – são incríveis,” Robbie diz. Mas Harris não foi sua única referência: ”Todo dia, eu fazia o monólogo de Legalmente Loira,” ela diz, citando a Elle Woods de Reese Witherspoon como o tipo de personagem que é ”incrivelmente inteligente” mas ”subestimada por sua aparência.”

O trabalho duro de Robbie em O Escândalo, que foi lançado pela Lionsgate, valeu a pena. Ela irá competir na categoria de atriz coadjuvante nesta semana no Golden Globes, e também no SAG Awards no dia 19 de janeiro. Ela é uma das favoritas para uma indicação ao Oscar.

O reconhecimento dos prêmios foi o auge de um ano onde Robbie criou um alvoroço por sua interpretação afetuosa de Tate em Era Uma Vez em Hollywood e filmou Aves de Rapina: Arlequina e sua Emancipação Fantabulosa, um spin off de Esquadrão Suicida de 2016 que ela concebeu mais de quatro anos atrás. O filme, onde Robbie estrela e produz, chega aos cinemas no dia 6 de fevereiro. Ela está atualmente filmando O Esquadrão Suicida, de James Gunn, em Atlanta. Está planejado para estrear dia 6 de agosto de 2021.

Várias atrizes como Theron, Whisterspoon, Viola Davis, começaram suas produtoras para produzirem seus próprios filmes. O que é incomum é que Robbie tinha apenas 24 anos quando fundou a dela.

Apenas sete anos antes, ela tinha se mudado de Gold Coast, em Queensland, na Austrália – onde ela cresceu como a terceira de quatro filhos criados por sua mãe – para Melbourne na esperança de atuar profissionalmente. Apesar de não ter dinheiro e de conhecer ninguém, ela foi rapidamente escalada para Neighbours, a icônica novela que também iniciou as carreiras de Liam Hemsworth e Kylie Minogue. ”Não achei que teria algo melhor do que isso para mim,” ela lembra. Quando seu contrato acabou, ela se mudou para Los Angeles, e foi novamente escalada imediatamente: dessas vez interpretando uma aeromoça no elegante mas de curta duração Pan Am da ABC. A partir daí, ela trabalhou constantemente, mas começou definitivamente em 2013 com o papel de chamar atenção como Naomi em O Lobo de Wall Street de Martin Scorsese, onde ela teve o Jordan Belfort de Leonardo DiCaprio comendo em sua mão.

Agora com 29 anos, Robbie comanda a LuckyChap Entertainment, a qual ela fundou com o atual marido Tom Ackerley e seus amigos Josey McNarama e Sophia Kerr, em um escritório com estilo de fazenda em Los Angeles.

Ela conheceu Ackerley e McNamara quando eram assistentes de diretor no drama romântico Suíte Francesa um ano antes, e depois de ficarem bêbados juntos na premiere de Londres de O Lobo de Wall Street, eles decidiram compartilhar uma causa em Clapham, em Londres. (Kerr, amiga de infância de Robbie, era a quarta colega de casa.) A produtora nasceu na mesa da cozinha com o desejo de Robbie criar seu próprio trabalho. Ela lia os roteiros e dizia, ”Eu quero interpretar esse personagem, mas é um cara – como eu faço isso para mim?” McNamara diz. ”E também, ela estava nesse lugar em sua carreira onde ela tinha a habilidade de criar uma produtora, e ela queria apoiar outras mulheres e dar à elas uma plataforma que ela estava conseguindo para si mesma.”

Robbie está envolvida intensamente, algumas vezes até demais. ”Ela lê cada roteiro. Nós falamos para ela não assistir cada um dos nossos diários,” Ackerley diz. ”No final, ela provavelmente faz até demais.”

A produtora e colega de elenco Charlize Theron nota, ”Margot impressiona até meus vasos sanguíneos.” Ela ri pelo o que a frase se tornou. ”Tomando o controle de sua carreira com essa idade, e sendo tão ativa no que ela quer fazer, no que ela quer mostrar – Eu fico um pouco intimidada por ela.”

Os eventos de O Escândalo acontecem antes do movimento #MeToo pós-Harvey Weinstein, mas suas lições ficam em cada cena. #MeToo, que resultou em mudanças sísmicas em como as histórias de mulheres são contadas no cinema, e quem as conta – especificamente, a batalha por mais mulheres como roteiristas e diretoras – causou Robbie e a LuckyChap a olharem para si mesmos. A produtora tinha feito seus três primeiros filmes com homens dirigindo. ”No começo de 2018, fizemos uma decisão consciente de mudar e tentar encontrar mais mulheres nos bastidores,” Ackerley diz.

”Estávamos olhando para nosso próprio trabalho de um jeito diferente,” Robbie diz. ”Alguns de nossos projetos pareceram extremamente relevantes e mais urgentes. E outros pareciam irrelevantes.”

Aves de Rapina era urgente. Com Mary Elizabeth Winstead como Caçadora, Jurnee Smollett-Bell como Canário Negro e Rosie Perez como Renee Montoya. É escrito por uma mulher (Christina Hodson), dirigido por uma mulher (Cathy Yan) e produzido por mulheres (Robbie e Sue Kroll). O filme é um salto ambicioso para a LuckyChap – uma produção de 75 milhões de dólares, para maiores e da Warner Bros./DC Entertainment.

Durante Esquadrão Suicida, Robbie diz que ela se apaixonou pela Harley Quinn, apesar de não conseguir entender o motivo pelo qual a personagem loucamente brilhante e instável ficava em um relacionamento com o Coringa (interpretado por Jared Leto), que ”quer matá-la por boa parte do tempo.”

Ela mergulhou em pesquisas: Leu a peça Fool for Love, de Sam Shepard, sobre um relacionamento destrutivo e ouviu TED Talks de mulheres com esquizofrenia que também eram profissionais de sucesso. Ela entrou de cabeça no mundo da DC Comics, que ela adora. ”Harley tem essa natureza imprevisível que significa que ela pode reagir de qualquer jeito em qualquer situação, o que para um ator é um presente,” Robbie diz.

Um ano antes de Esquadrão Suicida estrear, com a bênção da Warner e da DC para explorar um spinoff da Harley, Robbie se encontrou com a roteirista britânica Hodson, com quem ela compartilha o agente. Durante o brunch, que virou pizza e mimosas, elas se conectaram.

”Uma hora e meia depois, estávamos bêbadas em uma manhã de quarta feira, e somos amigas desde então,” Robbie diz. ”As ideias começaram a aparecer.” Pessoalmente no Four Seasons Hotel em Beverly Hills, Robbie exala entusiasmo, falando com animação sobre tópicos como Harry Potter (”Eu leio repetidamente”), a química de Kayla com a personagem de Kate McKinnon, Jess Carr, em O Escândalo (”Eu secretamente quero um spinoff onde Kayla e Jess vão viajar de carro com suas visões políticas opostas e seu romance florescente”) e o escritório da LuckyChap (”Parece uma casa legal!”) – é fácil imaginar esse almoço embriagado e de muito brainstorm.

Com a estreia em agosto de 2016, Esquadrão Suicida foi recebido com algumas das piores críticas para um filme de quadrinhos, mas os críticos e os fãs concordaram que Robbie era a melhor coisa nele. O filme fez 746 milhões de dólares mundialmente, uma sequência foi aprovada – os críticos que lutem – e a LuckyChap assinou um contrato com a Warner Bros.

Quanto a visão de Robbie para Aves de Rapina, Hodson diz: ”Ela realmente queria ver a Harley com amigas, a Harley com um grupo de meninas. Harley é uma personagem naturalmente sociável. E eu acho que havia um desejo natural de ver meninas juntas na tela – mulheres sendo amigas.”

Ackerley concorda sobre os motivos de Robbie. ”Ela tem um grupo de amigas em Londres, na Austrália, aqui,” ele diz. ”Elas vivem vidas divertidas e animadas. E ela ficou tipo, ‘Eu não vejo isso no cinema.’” Ela também queria que o filme fosse para maiores, e como Deadpool ainda não havia estreado, não havia precedentes – e ”foi preciso convencer um pouco,” Robbie diz.

Robbie e Hodson se encontravam para assistir filmes e para discutir ”quadrinhos que amamos, filmes diferentes que amamos,” Robbie diz. Elas assistiam algo como Trainspotting: ”Como nós alcançamos esse sentimento de caos, mas que tudo pareça satisfatório?” ela se pergunta. Uma de suas sessões durou 13 horas, Hodson lembra. ”Eu estava no teclado e ela estava fazendo cartões com a história. Ela é extraordinária nisso. Eu certamente não conheço outro ator que faria isso como ela.”

As duas se deram tão bem que quando Hodson teve uma ideia para aumentar o número de mulheres roteiristas, elas decidiram criar o Lucky Exports Pitch Program, uma sala de roteiristas de quatro semanas para seis escritoras; quatro das selecionadas foram mulheres de cor. (A própria Hodson é meio-taiwanesa.) Cada uma veio com várias ideias, e agora, com o programa encerrado, todas tem propostas sólidas – e Hodson e a LuckyChap anexados como produtores. ”Vamos sair por aí e propor para todos os estúdios, e com sorte, vamos vendê-los e fazê-los,” Robbie diz.

Quando se tratou de achar um diretor para Aves de Rapina, Robbie e os outros produtores – que naquele ponto incluía Kroll, a chefe de marketing de longa data da Warner que agora é dona da Kroll & Co. Entertainment, e o produtor de Eu, Tonya Bryan Unkeless – estavam convencidos de tentar contratar uma mulher. Mas, assim como Eu, Tonya foi dirigido por Craig Gillespie, eles queriam encontrar a melhor pessoa para o trabalho. No final, Yan, uma diretora chinesa-americana que o único crédito em filme era o independente Dead Pigs de 2018, conseguiu o trabalho. ”Ela falou sobre a paleta de cores estética, como ela queria filmar a ação, como ela queria que o figurino refletisse a personalidade dos personagens,” Robbie diz. ”Foi perfeito.”

O filme, como seu subtítulo insinua, começa após o término da Harley com o Coringa. Robbie confirma que a encarnação de Leto no personagem não aparece, nem mesmo como participação especial. Quando ao outro Coringa, Robbie acha que Joaquin Phoenix ”fez um trabalho fenomenal.” Mas ela diz que Aves de Rapina não se parece em nada com o filme de Todd Phillips: ”Eu sinto que Coringa foi mais pé no chão. O nosso é diferente. É aguçado.”

Aves de Rapina será o primeiro de cinco grandes filmes lançados em 2020 feito por mulheres: Mulan de Niki Caro, Viúva Negra, de Cate Shortland, Mulher Maravilha 1984, de Patty Jenkins e The Eternals de Chloé Zhao são os outros. É um reflexo do movimento glacial de Hollywood para o progresso, Kroll diz, onde ”mulheres fazem parte da conversa agora.” Kroll ama o resultado final de Aves de Rapina, dizendo que suas personagens são ”nuances” e dizendo que o filme tem ”um lindo senso de lugar.”

”Mas no fim do dia,” ela adiciona, ”é sobre um grupo de mulheres divertido e poderoso se unindo. É uma viagem. É uma viagem louca.”

Sobre a experiência de trabalhar com Robbie como produtora, Kroll diz: ”Se ela não fosse uma atriz tão talentosa, e se ela decidisse que ela não quer mais trabalhar nisso, ela poderia ser uma produtora em tempo integral. Ela é realmente boa nisso.”

Kroll é apenas uma de muitas colegas que falam com admiração sobre Robbie. Roach elogia sua performance em O Escândalo. ”Ela é muito precisa, e ela trabalhou com a arte disso tudo. Assim que tudo está pronto, um tipo incrível de coração, espírito e alma ficam no topo da arte,” ele diz. ”É realmente maravilhoso experienciar isso. Tive muita, muita sorte de estar no set.”

No final de O Escândalo, a Megyn Kelly de Theron, procurando por possíveis vítimas de Ailes, aborda Kayla. ”Você deveria denunciar o Roger,” ela diz. ”Você vai ser protegida.” A cena tem uma reviravolta quando Kayla, quem Megyn acha que será grata, a acusa de cumplicidade em vez disso. ”Você pensou no que o seu silêncio iria significar para nós? O resto de nós?” Kayla pergunta, engolindo sua raiva e mágoa.

Robbie pensou muito sobre como Kayla iria se sentir naquele momento, balanceando o quanto ela idolatra Megyn contra seu senso de traição. ”Eu queria que tivesse um calor por trás disso. Eu queria que a acusação por trás fosse real,” ela diz. Roach ficou surpreso sobre como a cena saiu. ”Ela teve uma reação muito emotiva, e se desculpou depois: ‘Eu fiquei envolvida.’ E eu disse, ‘Isso foi incrível.’ Tentamos algumas tomadas menos emocionais, mas não foram tão poderosas.”

”Eu acho que foram apenas suas emoções saindo de um jeito inesperado. E foi muito divertido interpretar com a Charlize,” Robbie diz.

Kayla – que diz coisas como ”A Fox é a nossa religião!” – poderia ter sido caricata. Mas não nas mãos de Robbie.

”Eu acho que a performance dela nesse filme é uma performance muito rara,” Theron diz. ”Eu já vi o filme umas 50 vezes até agora, se não mais, e ela me emociona todas as vezes. É ridículo – e eu sou morta por dentro! E ela me emociona toda p*rra de vez.”

Fonte | Tradução & Adaptação: Equipe Margot Robbie Brasil

A estreia de Bombshell em Los Angeles foi repleta de estrelas, incluindo as três principais do filme: Margot Robbie, Charlize Theron e Nicole Kidman. Confira abaixo fotos da noite:

Charlize Theron, Nicole Kidman e Margot Robbie fazem um trio poderoso na tela e, com seu mais recente filme Bombshell, as atrizes ganhadoras de vários prêmios reconhecem o potencial da obra de fazer mudanças sociais reais fora da tela.

“Até então, a resposta do filme tem sido incrível. Eu estava esperando que seria impactante desse jeito,” Robbie disse para a Variety na premiere do filme em Los Angeles. “Eu realmente não estava esperando que muitos homens se identificassem, o que é incrível, realmente.”

“Nós falamos muito sobre isso porque assédio sexual não é um problema para as mulheres resolverem. Temos que resolver juntos,” ela continuou. “Eu só posso imaginar que cada cara por aí tem uma filha, uma esposa, uma mãe, uma amiga, uma namorada. Eles não querem que elas existam em um mundo onde não é seguro irem trabalhar. Ninguém quer isso. Vamos resolver isso juntos, eu espero.”

Fonte | Tradução & Adaptação: Equipe Margot Robbie Brasil