Em entrevista para o jornal Los Angeles Times, Margot Robbie e sua parceira de cena em Mary Queen of Scots falaram sobre o filme ao lado da diretora Josie Rourke. Confira:

Desde o momento em que ela se tornou Rainha da Escócia aos 6 anos de idade, o mundo nunca parou de escrutinar cada movimento de Mary Stuart – ou colocá-la contra Elizabeth I da Inglaterra, a prima cujo trono ela tinha uma reivindicação desde o nascimento.

Executada aos 44 anos, envolvida em um planejamento para matar Elizabeth que os historiadores ainda debatem sobre, seriam seus inimigos a escreverem sobre o legado de Mary. Então, nos anos turbulentos de sua vida controvérsia, contemporâneos se perguntam, quem era realmente a mulher conhecida como Mary, Rainha da Escócia, e o que a levou para seu destino trágico?

Colocado de outro jeito na nova biografia da diretora Josie Rourke, Mary Queen of Scots: E se Mary e Elizabeth pudessem sentar e resolver as coisas?

É uma noção que ocorreu em Rourke, nas estrelas Saoirse Ronan, que interpreta a rainha escocesa do título, e Margot Robbie, que interpreta a prima de Mary e inimiga política Rainha Elizabeth I.

“Você não sabe quantas vezes eu pensei, ‘Se elas apenas se encontrassem para um café no começo desse filme… teria sido tão diferente!'” disse Robbie com uma risada, reunindo-se em Los Angeles com Rourke e Ronan pela primeira vez desde que filmou o drama de época.

Atrevidamente, Ronan concordou. “Vamos ao Starbucks,” ela adicionou, incorporando Mary, Rainha da Escócia, por meio de um impecável sotaque de garota do Valley. “Vamos comer um muffin de blueberry e resolver isso.”

Filmado nos locais após 430 anos da execução de Mary, o filme traz a vida da monarca com um alvo feminista, focando nos anos definitivos da carismática rainha católica com a feroz Ronan no papel principal.

Apoiado pelos produtores do ganhador do Oscar, Elizabeth e Elizabeth: The Golden Age, que estrelou Cate Blanchett, e escrito pelo criador de House of Cards, Beau Willimon, o filme da Working Title e Focus Features é parte drama político, parte drama de justiça. O filme marca a estreia da veterana do teatro, Rourke, que também serve como diretora artística do teatro Donmar Warehouse em Londres.

Em um retrato humanista das duas mulheres, o filme sugere que a teimosa Mary e a medrosa Elizabeth, poderiam ter se fortalecido e até mesmo encontrado consolo em seus desafios compartilhados na política e religião se os conselheiros homens não tivessem mantido o conflito em ambos os lados.

“Eu acho que teria tanta coisa que elas encontrariam em comum se pudessem apenas sentarem juntas,” disse Ronan. “Mas é claro, havia uma razão pela qual elas ficaram separadas. Era favorável para os homens ao redor delas.”

Uma batalha foi suficiente para Mary e Rainha Elizabeth I, as únicas governantes mulheres da Europa, para manterem seu trono e suas cabeças; seguirem seus corações livremente era outro assunto. As restrições de Mary e o comando dos homens, a biografia de Rourke discute, significava que sua vida nunca era inteiramente dela.

“Casamento, bebês, religião,” Ronan reflete. “Tudo era um peão. Tudo o que você usava. Tudo o que você dizia.”

A irlandesa indicada ao Oscar estava ligava ao projeto por anos, atraída pela ideia de interpretar uma figura rara no cinema – uma rainha Céltica. Mas quando ela começou a pesquisar com Rourke no controle, usando a biografia do historiador John Guy, Queen of Scots: The True Life of Mary Stuart, como guia, Ronan disse, “se tornou incrivelmente atual.”

Casada aos 15 anos com o futuro Rei da França e viúva três anos depois, o filme encontra Mary, aos 19 anos, retornando para casa na Escócia para reivindicar seu trono – somente para ser envolvida em casamentos ruins, maridos piores ainda e uma série de conspirações sem fim feitas por inimigos querendo sua coroa.

Enquanto isso, na Inglaterra, sua prima Elizabeth tem dificuldades com ansiedades parecidas, sob pressão para casar e gerar um sucessor para sua coroa – mas continua com medo de fazer qualquer escolha de vida que possa levar a sua própria deposição.

“A vida jovem de Elizabeth, o medo de sua própria vida – isso seria considerado abuso infantil, francamente, também deixando de lado o fato de que seu pai executou sua mãe,” disse Rourke. “Se ela estivesse viva hoje, ela estaria em terapia durante 14 horas por dia.”

“A indivisibilidade entre suas vidas sexuais e românticas, seus corpos e seu poder… uma das coisas que me deixou chocada é que mesmo essas duas mulheres, que eram o maior poder da Europa, tiveram que lutar pelo direito de fazer escolhas que quisessem com seus corpos,” adicionou Rourke.

De primeira, Robbie admite, ele hesitou em aceitar o papel de Elizabeth, cujas inseguranças pessoais levaram-na a pisar cautelosamente ao redor de Mary, a única outra rainha na cena que tinha direito a reivindicar a coroa da Inglaterra desde o nascimento.

“Eu provavelmente não estava prestando atenção na escola porque parece que pulei todo o período Renascentista,” a estrela australiana brincou. “Inicialmente, quando Josie e eu falamos sobre o projeto, eu disse, ‘Eu acho que você precisa contratar uma atriz que tem uma formação em história, porque essa não sou eu.'”

“Mas,” a atriz sorriu, “ela me convenceu.”

Robbie assinou e começou a devorar materiais históricos sobre Elizabeth e o período Renascentista. “Na minha cabeça era tipo, corredores de ouro e pessoas com a cabeça branca, e isso soava muito entediante para mim – e então a Josie começou a falar sobre isso, John Guy começou a me contar as coisas e foi essa explosão de cor e vida,” disse Robbie.

“Houve o período medieval, sombrio e cinzento, e de repente as linhas de comércio se abrem e há música, cor, material e comida vindo de todo o lugar do mundo – e adolescentes comandando impérios!” Robbie adicionou. “Eu nunca pensei sobre esse período desse jeito.”

Foi crucial para Rourke que ela tivesse diversidade escalada em seu elenco, selecionando Gemma Chan para interpretar a dama de companhia de Elizabeth, Bess of Hardwick, Ismael Cruz Cordova no papel de partir o coração como o secretário de Mary David Rizzio, e Adrian Lester como embaixador da Inglaterra para a Escócia, Lord Randolph.

“Isso é parcialmente por conta do meu passado no teatro, mas eu fui bem clara trabalhando com a Working Title e Focus, e eles foram muito compassivos, que eu não iria dirigir um filme histórico só com brancos,” Rourke explicou. “Foi isso. Não era uma coisa que eu ia fazer. Não é uma coisa que eu faço no teatro e eu não quero fazer no cinema.”

Bess of Hardwick, interpretada por Chan, “é durona,” Robbie disse. “Ela deveria ter seu próprio filme. Ela teve, tipo, seis maridos que morreram misteriosamente, ou seja, ela provavelmente matou eles e então ia e se casava com um mais rico! Nós filmamos em um dos castelos dela, na verdade.”

“Olhe para Adrian Lester,” Rourke disse sobre o ator ganhador do Olivier Award e OBE. “Ele sabe mais sobre Shakespeare do que a maioria dos acadêmicos. É ridículo que parte de sua herança como um ator clássico inglês não seja passada nas telas. Por que perder esse talento e a habilidade desses atores incríveis de contarem histórias?”

Mesclando com um design de produção lindo com uma execução fora do normal – a maioria dos vestidos de época do filme foram feitos de jeans pela designer Alexandra Byrne, que ganhou o Oscar em 2007 por Elizabeth: The Golden Age – o filme pinta Mary como não comente uma estrategista astuta e confiante, mas, socialmente falando, radicalmente inclusiva.

Enquanto as paredes políticas se fecham ao seu redor, ela encontra conforto e apoio em seu círculo leal de servos e o solitário confidente Rizzio, cuja homossexualidade Mary abraça mesmo quando ele trai a sua confiança. Eles são, em palavras atuais, como Ronan coloca, “seu hashtag-squad.”

Isso não quer dizer que a jovem Mary não tem várias dores no caminho. Ignorando a pressão de seus conselheiros de se casar por ganho político, ela se casa com o primeiro homem que se apaixona. Por fim, Mary precisa seguir o seu próprio ego quando se torna claro que a única aliada que ela deve ter nesse mundo é Elizabeth.

“Você precisa se lembrar, ela é uma menina. Ela é uma menina de 19 anos. Ela tem a mesma idade da Lorde!” Ronan exclamou, comparando a Rainha da Escócia com a cantora de Royals. “Foi muito importante ver essas duas mulheres competirem, mas também foi adorável vê-las como mulheres em suas vidas privadas.”

Enquanto historiadores concordam que as duas rainhas provavelmente nunca se conheceram pessoalmente, mesmo quando Mary fugiu da Escócia e procurou refúgio na Inglaterra sob a proteção de sua prima, Mary Queen of Scots é feito ao redor de uma construção catártica que também marca o momento compartilhado por Ronan e Robbie na tela.

“Mesmo que elas só tenham se encontrado uma vez no filme, elas estão muito presentes na imaginação uma da outra,” disse Rourke, que dirige habilmente um encontro entre as duas mulheres cujas vidas se cruzam na sequência mais elétrica do filme.”

Para se prepararem para a cena de 12 páginas, as atrizes se evitaram no set durante as filmagens, para que o primeiro momento olhando uma para outra fosse capturado nas telas.

“Foi a minha primeira cena e a última da Margot, e foi a cena que eu mais treinei desde que começamos os ensaios,” lembra Ronan. “Nós ensaiamos uma vez por uma hora antes de começarmos a filmar, e pareceu certo desde o começo. Nós sabíamos o que seria isso. Eu pude explorar quem Mary era, cada aspecto dela e cada tom.”

“Igualmente, fazer aquela cena fez do filme a experiência que foi para mim, e os momentos que levaram a isso definem Elizabeth,” concordou Robbie. “Eu acho que faltou coragem para se posicionar e fazer e dizer algumas coisas que Mary fez… Eu acho que ela a admirava por isso, e isso a assustava.”

Quando elas finalizaram a cena, as duas se abraçaram por um longo tempo. “Eu lembro de dizer depois, ‘Eu estive com você na minha cabeça esse tempo todo – você estava lá comigo,'” disse Ronan, virando-se para Robbie. “E quando eu continuei para fazer o resto do filme, ela estava lá. Eu tinha uma pequena Margot no meu ombro.”

Humanizar essas lendárias monarcas nos lembra que figuras como Mary são pessoas também, elas dizem. Monarcas, eles são como nós! “É isso que eu amo sobre ‘Veep,'” Ronan elogia a série da HBO. “É tão genial porque é tipo, ‘Oh, eles são só pessoas. E eles estão errando todos os dias. O tempo todo.'”

As histórias de Mary e Elizabeth ressoam mais forte ainda contadas por lentes modernas, adicionou Ronan, apontando como duas das mulheres mais conhecidas liderando a política da Europa agora são criticadas.

“É uma história muito atual, especialmente no Reino Unido, porque você tem Nicola Sturgeon no norte e você tem Theresa May no sul,” ela disse. “Você tem essas duas mulheres que são muito diferentes, defendendo coisas muito diferentes, mas elas são fortes e estão fazendo seu trabalho. Ter um filme assim saindo agora é perfeito.”

Contar verdades políticas e emocionais de mulheres como Mary e Elizabeth de modos nunca feitos no palco ou nas telas é inteiramente o ponto, sugeriu Rourke, que disse que seu trabalho no teatro compartilha o mesmo objetivo de trazer lições do passado com problemas atuais.

“Eu já fiz várias peças de Shakespeare, e nunca tentamos olhar para uma peça antiga e não arrumar em como fala com o presente,” disse Rourke. “E eu acho que, algumas vezes, o melhor jeito de falar sobre o que está acontecendo agora é com uma história antiga.”

Fonte | Tradução & Adaptação: Equipe Margot Robbie Brasil

Margot Robbie é capa da edição de inverno da Porter Magazine, onde divulga seu novo filme Mary Queen of Scots. Na entrevista, ela fala sobre diversos assuntos, incluindo seus projetos, casamento e o movimento #MeToo, além do próprio filme onde interpreta a Rainha Elizabeth I. Confira:

Desde o momento em que Margot Robbie entrou no République, em South La Brea em Los Angeles, passando pela multidão matinal como uma bala loira, fica claro quem tem autoridade. Talvez seja sua idade, uma millennial de 28 anos. Mas há mais. As mensagens que recebo de sua equipe perguntando minha aparência, o que estou vestido, onde estou sentada, se está tudo bem esperar alguns minutos mais do que o combinado, junto com suas imediatas desculpas pelo atraso, mesmo quando ela senta, e então se desculpa novamente e diz que se sente horrível e não me perguntará nada – como se fosse uma conversa normal como dois seres humanos normais – é incomum. A atenção se volta para você, o jornalista, ao invés de Robbie, a estrela, e em Hollywood, isso é tão raro quanto estrume de cavalo.

Robbie come meu café da manhã. Tudo bem, eu digo que ela pode. Eu pedi para retirar o dela no balcão quando ela chegasse (estamos no fundo de um espaço muito grande, como foi pedido por sua equipe, onde costumava ser o estúdio de Charlie Chaplin, e não tem garçom), mas porque ela é uma millennial, ela pode ouvir meus pensamentos e dizer absolutamente não. E porque eu não sou uma millennial, eu imediatamente empurro meu prato de rabanada de ricota com pêssego, romã e nozes tostadas, para ela. Come o meu, eu digo. Eu gosto que ela está comendo meu café da manhã. Muitas atrizes não fariam isso.

Há algo muito doce e cativante sobre Robbie – o jeito como seu comportamento muda de ‘Margot séria’ quando a minha pergunta começa; como ela senta mais ereta e olha nos meus olhos ansiosamente. ”Você está aqui para fazer o seu trabalho,” ela diz, ”e eu respeito isso”. Ela também é naturalmente trabalhadora. Quando ela estava crescendo em Gold Coast, Austrália, a jovem Robbie, como crianças pelo mundo, vendia limonada na rua com seus amigos. Ao contrário de muitas crianças, ela era intensa sobre seu preço. Quando eu pergunto como sua mãe a descreveria, ela diz ”determinada”. Eu também adicionaria, ridiculamente bonita. Mas falar isso não descreve totalmente alguém que também escorre classe. Não há nada específico – ela está usando uma jardineira larga, blusa branca e chinelo de seda, ao redor de seu pescoço estão duas gargantilhas de ouro fino, e brincos de argola torcidos – ela só possui aquele “quê” indefinível e que não se pode comprar.

Deixando de lado a aparência, poucos iriam discordar que ela é uma atriz excepcional, que cada vez mais surpreende com suas escolhas de papéis – sua interpretação cômica e irônica da patinadora americana Tonya Harding em I, Tonya (que ela também produziu) resultou em indicações de Melhor Atriz no Oscar, Golden Globe e BAFTA. E ela surpreende novamente com seu novo filme, Mary Queen of Scots, onde ela interpreta a inicialmente pensativa mas cada vez mais dura e inflexível Rainha Elizabeth I, ao lado da suave e mais rebelde Mary de Saoirse Ronan. Como em I, Tonya, sua personagem em MQOS é feia ao ponto de enfurecer aqueles espectadores que ainda não se recuperaram daquela cena em O Lobo de Wall Street, onde, sentada no chão de um quarto de criança com suas pernas um pouco afastadas, ela provoca Leonardo DiCaprio com as palavras: ”A mamãe está tão cansada de usar calcinhas.”

Transformações para papéis são um território conhecido para atrizes sérias que as usam como uma distração para sua beleza, mas também para destacar seus talentos. Os críticos caem por elas, as bilheterias nem tanto, e isso, às vezes, afasta as atrizes de seu propósito. Não Robbie, que inerentemente entende que se está tudo bem se transformar em alguém que não seja você, que seja em um filme onde todos irão amar. E MQOS é isso, com uma releitura de uma história onde as duas personagens principais são mulheres, e onde parece moderno e poderoso, mas também docemente envolvente. É presumidamente o motivo pelo qual ela mergulhou na chance de interpretar Elizabeth I, apesar de dizer que o pensamento de pegar um papel assim inicialmente a deixou surpreendentemente nervosa. ”Ela [Elizabeth I] é uma figura incrivelmente histórica e icônica. Ela foi interpretada por algumas das melhores atrizes do mundo, incluindo Cate Blanchett e Dame Judi Dench. Quem sou eu para pensar que posso me juntar a esse legado? Então, inicialmente eu pensei, ‘Sem chances, de jeito nenhum’. Eu não achava que eu conseguiria.” Ela pausa, e ri. ”O filme não foi lançado ainda, então isso ainda vai ser determinado…”

Uma das coisas que a atraiu foi trabalhar com Saoirse Ronan. As duas se conheceram em um jantar na casa de Richard Curtis, e imediatamente se deram bem. ”Eu lembro de pensar que ela tão legal. E inteligente, determinada e divertida. Eu tive uma queda enorme por ela daquele momento em diante.” A dupla só se encontra nas telas no final do filme, já que elas comandam cortes diferentes. A pessoa que mais tem cenas com Elizabeth é seu amante, Robert Dudley, interpretado por Joe Alwyn. Eu digo a ela que só percebi mais tarde que ele era namorado da Taylor Swift. ”Eu sei,” ela diz, ”eu não sabia que eles estavam juntos, também.” Nós duas concordamos que ele é muito bonito.

Ela está atualmente trabalhando no altamente aguardado Once Upon a Time in Hollywood de Quentin Tarantino – agendado para estrear em julho de 2019 – onde ela interpreta Sharon Tate (a esposa de Roman Polanski que foi assassinada pela Família Manson), e também estrela Leonardo DiCaprio e Brad Pitt. Nada mal. “Sim, mas quase não estou no set com eles, ela diz, revelando menos do que eu esperava. Sobre Tarantino, ela não pode dizer o bastante. “É um objetivo de vida,” ela diz. “Quando eu me reuni primeiramente com minha equipe americana, eles me perguntaram o que eu queria da minha carreira, e eu disse: ‘Uma miragem? Tarantino.’ Todo mundo me pergunta como é o trabalho, como ele é no set, e eu estive em sets por bastante tempo durante os últimos dez anos e eu ainda entro e penso, ‘Isso é tããããããão legaaaaal! Olha isso! Incrível! Meu Deus!’ Sou como uma criança em uma loja de doces, e então o Tarantino entra e tem o mesmo, se não mais, entusiasmo e ele fica muito animado. É o set dele e ele não está saturado de jeito nenhum – ele fica muito feliz de estar lá.”

Uma das primeiras coisas que ela perguntou ao diretor de Pulp Fiction e Kill Bill foi se ela precisaria usar seios falsos. “Eu sou muito achatada,” ela diz, apontando para baixo, “e Sharon Tate não era. Então, eu perguntei ao Tarantino: ‘Alguma situação com seios falsos?’ e ele disse, ‘Não, isso não muda o personagem.'” Ela entrou em contato com o Polanski para falar sobre sua mulher? “Não, não entrei, mas ele escreveu um livro e tem muitos detalhes lá, então não precisei.”

É justo dizer que sua ascensão desde que chegou em Los Angeles para a temporada de pilotos em 2011 foi rápida. Com 20 anos na época, ela tinha completado três anos na novela australiana Neighbours, e estava esperando por um papel no reboot para a televisão de As Panteras, mas ao invés disso, ela foi contratada para Pan Am, ao lado de Christina Ricci. Papéis pequenos seguiram em Questão de Tempo de Richard Curtis e uma adaptação do livro de Irène Némirovsky, Suíte Francesa. Mas foi em O Lobo de Wall Street de Martin Scorsese que tudo mudou. Desde então, os papéis continuaram chegando: A Lenda de Tarzan, Esquadrão Suicida, Adeus Christopher Robin, uma participação como ela mesma em A Grande Aposta, e a grande consagração, apresentadora do início da temporada do Saturday Night Live, ao lado de The Weekend.

Podemos imaginar o que Hollywood fez da jovem australiana quando ela apareceu com seu plano-negócio. Ela diz que agradece ao seu agente australiano por prepará-la bem. Talvez, mas o que também acertou não foi só sua ambição, ou a conclusão antecipada de seu sucesso, mas uma auto consciência inata de quem ela é, o que ela quer e o que ela vai fazer sobre isso. É uma coisa que ela garante que sua equipe se lembre em suas reuniões semestrais, o que gira em torno de seu mantra: Qualidade, Variedade e Longevidade. “Nós perguntamos: ‘Estamos indo de encontro a isso, ou estamos começando a desviar um pouco?’ E algumas vezes estamos, então é bom ter essas conversas, para corrigir o curso, checar e ficar ‘OK, legal, vamos voltar aos trilhos.'”

É tentador, ao pé da letra, colocá-la no papel de outra narcisista ambiciosa, mas se não tivesse sido interpretada com realeza, eu diria que não teria sido Robbie de nenhuma maneira. Claro, ela é uma boa atriz, mas ela também tem boas maneiras, é uma pessoa focada que quer uma carreira decente, alguém para quem o dinheiro não é o melhor e maior. Ela também é rápida ao rir de si mesma. “Eu digo finja até você conseguir, porque todo mundo está fingindo saber o que estão fazendo e quase ninguém sabe.” Ela pausa e sorri. “É segunda feira de manhã e estou aqui falando palavras de sabedoria.”

Ela é confortável em sua própria pele, o que fala bastante sobre o que ela tem a dizer sobre sua infância muito feliz com seus três irmãos em Gold Coast. Quando seus pais se divorciaram quando ela era jovem, a família viveu com a mãe fisioterapeuta perto do mar. Ela reclama daqueles que tentam pintá-la como uma menina do interior que surgiu do nada. “Eu tive a melhor criação,” ela diz. “Eu sei que eu posso viver com pouco dinheiro. Eu sei como fazer isso. Eu já fiz, e não tenho medo.”

Parece que essa criação também fez bem para seus relacionamentos com homens e mulheres. Sua vida amorosa sempre foi frustrante para os tablóides porque ela sempre tem truques. Sua decisão de casar com o britânico Tom Ackerley aos 26 anos pareceu inesperada para uma atriz em ascensão. “Eu sempre pensei ‘Urrgghhh, casamento parece um tédio.’ Eu pensei em morder a isca no final dos meus trinta anos e ver como fica.” Mas então ela conheceu Ackerley no set de Suíte Francesa. Ele era o terceiro assistente de direção, e ela era a terceira em um elenco com Michelle Williams e Kristin Scott-Thomas. Ao invés de ficar com as estrelas, ela ficava com a equipe no set. Eles se deram tão bem que a convidaram para morar na casa que eles compartilhavam em Clapham, um subúrbio em Londres. Após um ano, ela e Ackerley confessaram para seus amigos que eles estavam secretamente namorando. Isso deixou o ambiente relaxado da casa chateado. Ela brinca que uma guerra quase começou mas logo acalmou, e ao invés de se mudaram, o casal ficou na casa. Eles finalmente moram sozinhos em Los Angeles, quando se mudaram dois anos atrás.

O casal abriu sua própria produtora, LuckyChap Entertainment, com dois de seus colegas de quarto de Londres. I, Tonya e Terminal foram ambos produzidos por Ackerley. “Eu sou uma ótima defensora de fazer negócios com seu parceiro,” ela di. “Estar casada na verdade é a coisa mais divertida do mundo, a vida ficou mais legal de algum jeito. Eu tenho a responsabilidade de ser esposa de alguém, eu quero ser melhor.” Eles operam com uma regra de três semanas quando estão separados. “Mesmo quando temos que ir para um país no meio de onde estamos por uma noite, fazemos isso e então voltamos a trabalhar no próximo dia. E nos falamos o dia inteiro, todo dia no telefone.”

Quando o assunto inevitável de bebês aparece, sua resposta é imediata e sem dúvidas. “Não! Definitivamente não,” ela diz, rindo. E quanto a Ackerley, ele sente o mesmo? “Três dias atrás, meu marido parou em um abrigo de animais no caminho de volta do aeroporto, e agora nós temos um filhote de pit-bull,” ela diz. “Nós já temos um cachorro de dois anos que ainda age como um filhote. Eu o amo, mas ele dá trabalho, e eu não durmo por três dias. Eu digo ‘Vamos cuidar dela por uma semana’, e meu marido diz, ‘Não! Vamos ficar com ela’. E eu digo, ‘Nós absolutamente não podemos e se serve de algo, você está agora colocando na minha mente que nós não podemos ter filhos. Eu não aguento dois filhotes, imagina crianças!'” Ela deve tomar cuidado, eu aviso, sempre começa com um animal de estimação. Ela pausa e olha para o teto. “Se eu estou falando do meu futuro daqui a 30 anos, eu quero ver um grande jantar de Natal com muitas crianças,” ela diz. “Mas definitivamente não agora. Isso é 100 por cento certeza.”

Sua conversa é recheada de menções para suas amigas: australianas que estudaram com ela desde que ela tinha cinco anos; sua gangue de Londres, que também inclui meninos (“Na mesma hora em que chegamos, todos vão para o pub, as pessoas saem do trabalho na hora que podem. Nós até tiramos férias em grupo.”); e um grupo em Nova York, também. E fala isso com segurança emocional. “Eu posso te mostrar meu celular,” ela diz, pegando-o. “Me dá nervoso, eu tenho 80 e tantas mensagens não lidas, 500 WhatsApps e 300 emails…” Amigas próximas incluem duas irmãs britânicas, Poppy e Cara, ambas atrizes. Ela foi ao Glastonbury com a última, quem ela conheceu no set de Esquadrão Suicida. “Eu sou a pessoa mais entediante do mundo comparada a essas duas,” diz Robbie. “Cara diria, ‘Eu vou para essa luta na lama hoje.’ E eu fico, ‘Eu tenho uma reunião às 7 da manhã, não posso ir para uma luta na lama – é quarta feira!’ Falar sobre elas me dá muita saudade. Vou ligar para a Cara logo após essa entrevista.”

Fama é, claro, sua vida agora. Eu suspeito que ela escolheu me encontrar em um restaurante menos óbvio de propósito, ao invés de algum lugar mais público. “É uma coisa estranha, não tem outra forma de colocar.” Ela diz que há partes boas e ruins, mas que ela está constantemente se adaptando porque ela ama o nível que a fama muda constantemente. “Sua relevância na conversa atual muda; algumas vezes você está na cara das pessoas, outras não. Há momentos em que você vai sentir esquentar, mas vai esfriar um pouco e você vai poder respirar, então vai surgir do nada e te pegar de surpresa. Então você está na ponta dos pés tentando manter a cabeça acima da água, eu acho.” Ela diz que quando está na Austrália, sente a responsabilidade de parar para selfies e conversas. “Eu sei o que significa para eles. ‘Oh, eu vi uma pessoa do lugar onde eu cresci, e agora ela conseguiu sair e fazer isso e parece possível para mim também.’ E é especial.”

Mas e quando ela não tem controle da situação, quando ela não sente que é seu dever parar para cada foto? Como ela lida com isso? “Eu odeio quando as pessoas tiram fotos sem pedir, é o sentimento mais nojento e acontece o tempo todo. Todo mundo tem um celular com uma câmera com eles em todos os segundos do dia em todas as partes do mundo.” Presumidamente, ela agora sente que precisa estar pronta para as câmeras todo o tempo. Ela discorda. “Minha visão é que, para algumas pessoas, é parte do trabalho delas ter uma certa aparência. Eu já estive em hotéis onde eu esbarrei em alguém na manhã seguinte de uma premiação e ela estava arrumada – maquiagem completa, roupa perfeita. É o trabalho delas.” E qual a dela? “Eu quero que as pessoas me vejam como uma atriz. Não sou modelo.”

Talvez não, mas ela está regularmente em capas de revistas e é considerada uma das atrizes mais bem vestidas do mundo. Ela é o rosto do perfume da Calvin Klein, Deep Euphoria, e a Chanel a anunciou como embaixadora da grife no começo do ano. Seu look hoje – seu corte de cabelo no queixo em ondas, sua maquiagem discreta – seria perfeito para os fotógrafos de estilo de rua. Ela gosta de moda? “Não muito. Eu aprecio como uma forma de arte, mas não é minha paixão.” Ela se arruma para o tapete vermelho com a ajuda de sua estilista Kate Young, que também arruma Sienna Miller e Natalie Portman. Mas similar ao jeito de escolher papéis, ela comanda o navio. “Eu deixo eles fazerem o trabalho deles e então eu tomo a decisão. Eu digo, ‘Eu quero essa vibe e quero dar essa impressão. Agora, eu vou ouvir vocês em como podemos alcançar isso.”

Deve ser complicado avaliar o que as pessoas pensam de você – profissionalmente e pessoalmente – em uma conversa e rodeada de pessoas que são pagas para dizer sim. “Você tem que se calcular,” ela diz, concordando. “Mas eu não se eu me sujeitaria a me tornar um monstro completo.” Ela viu diferença em sua personalidade desde que ela se tornou mais famosa? Ela é mais mimada, sente mais raiva, dá piti? “A diferença é que eu não gosto de como a fama me tornou cínica,” ela fiz. “E isso me chateia porque eu sempre fui otimista. Sempre. Mas a cada ano que passa, isso diminui.” Ela consegue definir sobre o que é cínica? “A intenção das pessoas,” ela responde. “E isso é triste. Eu não sei como não fazer isso porque é algo que você não pode controlar. Cada vez que alguém faz algo legal, tem uma voz na minha cabeça que se pergunta, ‘Eles estão sendo legais comigo porque gostam de mim ou estão sendo legais porque querem algo de mim?’ Não importa se é um membro da família ou um completo estranho, essa voz na minha cabeça está sempre lá e eu odeio muito essa voz que questiona as boas intenções das pessoas. Mas eu prefiro me ferrar e ainda ter uma visão positiva do mundo do que ser cínica, afastada, uma pessoa negativa que nunca se ferra. Eu preferiria me ferrar 10 mil vezes e ainda acreditar no melhor das pessoas. Então, alguns anos atrás eu parei e diz para mim mesma, ‘Sim, você vai se ferrar, você vai se magoar, pessoas irão se aproveitar de você. Mas, pelo bem da sua felicidade e sanidade, suponha o melhor das pessoas.'” É um jeito de olhar para a vida excepcionalmente maduro e emocionalmente inteligente. Eu percebo, não pela primeira vez em nossa conversa, o quanto ela é diferente de tantos na indústria.

No que diz respeito à crítica profissional, ela diz que lê críticas online mas evita sites de fofoca. O que ela achar que a indústria pensa sobre seu trabalho? “Eu geralmente penso sobre isso,” ela diz. “Você sabe quando você está com amigos e fica, ‘Ok, que filme vamos assistir?’ E então alguém fala um filme e todo mundo diz, ‘Err, não, eu não suporto aqueles isso e aquilo na tela, eu quero me matar, eles são horríveis!’ Eu me pergunto se muitas pessoas por aí pensam, ‘Eu não consigo assistir esse filme… Eu odeio aquela Margot Robbie.’ Então, sim, eu me pergunto como eu irrito as pessoas, ou se eu faço uma entrevista e eles ficam, ‘Urggghhh, ela é tão isso ou aquilo.'”

É claro, só há um tópico em Hollywood no momento. Ela já sofreu assédio sexual? “Sim! Ela responde imediatamente. “Mas não em Hollywood. Eu tenho dificuldade em achar mulheres que não tenham sofrido assédio sexual de algum nível. Então, sim, muitas vezes. E em níveis variados de seriedade ao longo da minha vida.” Sua mãe passava para ela artigos sobre os perigos de viajar antes que ela partisse com seus amigos. “Ela dizia para mim, ‘Tchau, querida, tenha uma ótima viagem – e aqui está um artigo que pode ser útil para você, sobre como não ser estuprada.’ Eu ficava tipo, ‘Obrigada, mãe, bon voyage!'” Mas, um ano depois, ela acha que as coisas mudaram para melhor? “Definitivamente, sim.” Como? “Em termos de como as pessoas veem isso como um problema em que podem dizer não. Ou até mesmo chamar de problema. Eu já disse isso antes, mas eu não sabia o que constituía como assédio sexual antes do movimento #MeToo. Estou no final dos meus vinte anos, sou educada, alfabetizada, já viajei, tenho meu próprio negócio, e eu não sabia. Isso é insano.” Certamente ela estava ciente que o limite estava sendo ultrapassado. Mas ela está fazendo a distinção, eu acho, entre intimidação e assédio sexual físico. “Eu não sabia que você podia dizer ‘Eu fui abusada sexualmente’, sem alguém te tocar fisicamente, que você podia dizer ‘Isso não está OK.’ Eu não fazia ideia. Eu sei agora porque pesquisei sobre o que é assédio sexual ilegal como ter conotações negativas para o seu trabalho e como você é paga.” Mas mais do que isso ela não irá dizer.

No dia em que nos encontramos, a notícia de que Robbie está em negociações para o filme da Barbie estouram. Sério? “Oh, sim, isso,” ela diz. “Isso não era para ser anunciado. Ainda estamos organizando, mas espero que tudo dê certo.” E se ela tivesse que dizer algo? “Seria algo entediante tipo, ‘Estou animada sobre essa parceria em potencial com a Mattel.'” Eu me pergunto onde esse projeto se encaixa em seu mantra. Parece uma escolha estranha, mas novamente, ela não é burra, então ou está fazendo por razões comerciais, ou talvez ela ame a ideia de ser a Barbie.

Antes de ir embora, pergunto a ela sobre filmar aquela cena em O Lobo de Wall Street. Ela ri. “Não parece quando você está vendo o filme, mas na realidade, estamos em um quarto pequeno com 30 membros da equipe amontoados.” A maioria homens? “Todos homens. E por 17 horas estou fingindo me tocar. É uma coisa muito estranha e você tem que enterrar a vergonha e o absurdo, bem fundo, e se comprometer por completo.” E ninguém pode discutir que ela não fez exatamente isso.

O despertador em seu telefone toca e ela vai embora como chegou, afobada, com um propósito e outra desculpa. “Novamente, me desculpe…” ela diz, enquanto pega sua pequena bolsa cilíndrica do chão. “Essa conversa foi muito de um lado só. Espero vê-la novamente e conversar de verdade.” Com isso, uma das estrelas mais lucrativas e mais simpáticas de Hollywood desaparece na multidão desconhecida. E eu termino o que Margot Robbie não comeu do meu café da manhã.

Fonte | Tradução & Adaptação: Equipe Margot Robbie Brasil

Margot foi a escolhida para estampar a capa da última edição do ano da revista americana Harper’s Bazaar. Na entrevista, ela fala sobre seus próximos projetos e sua nova cachorrinha, Bella. Confira:

Houve dias em que Margot Robbie entrava no trailer de maquiagem no set do filme Mary Queen of Scots e os colegas de elenco não conseguiam olhar para ela. ”Eu dizia, ‘Hey, como foi seu fim de semana?’” diz a atriz de 28 anos, com sua melhor imitação do seu sotaque australiano exagerado. ”Mas eles nem chegavam perto de mim. Foi muito alienante. E eu me senti muito sozinha. Foi uma experiência social interessante.”

Sua transformação para a Rainha Elizabeth I, que foi marcada pela varíola quando jovem, durava três horas e meia de maquiagem e penteado todo dia. ”Eles começavam enrolando minha cabeça,” diz Robbie. ”Passavam gel e prendiam meu cabelo. Então, faziam uma careca.” Havia diferentes perucas para estágios diferentes da história e de sua doença, uma que era muito rala, e cicatrizes de próteses aplicadas em seu rosto. ”Surpreendentemente, a parte rápida era a maquiagem branca,” ela diz. ”E o blush pesado, sobrancelhas, lábios.”

Uma transformação assim não é pouca coisa, considerando que a atriz conseguiu sua estreia nas telonas interpretando uma personagem descrita como ”a loira mais gostosa do mundo” no drama de 2013 de Martin Scorsese, O Lobo de Wall Street. Mas Robbie, que atualmente serve como rosto para a Chanel, se recusou no começo a ser estereotipada por sua beleza. ”Quando eu estava tentando fazer meu nome como atriz, papéis criativos para mulheres eram limitados,” ela diz sobre sua decisão de formar sua própria produtora, LuckyChap Entertainment, em 2014. ”Eu não queria mais pegar outro roteiro onde eu era a esposa ou a namorada – apenas um catalisador para a história de um homem. Não era inspirador.”

Curiosamente, Mary Queen of Scots não é a primeira vez que Robbie aceitou um papel onde ela precisava parecer feia na tela. Além disso, quem pode esquecer a franja cacheada, lápis de olho marcado, e aparelho dental que ela usou para interpretar a patinadora Tonya Harding em I, Tonya? ”Margot é uma atriz muito, muito boa que leva seu trabalho incrivelmente a sério,” diz a co-estrela Saoirse Ronan, que interpreta a Rainha Mary no filme. ”Eu acho que a aparência não é um fator. Mesmo quando ela está em um papel glamuroso, ela tem essa presença brilhante e forte, e parte disso é porque ela é uma pessoa muito sincera e autêntica. Ela é muito aberta. O que você vê é a realidade.”

Sem medo de se libertar de sua beleza e mergulhar de cabeça em personagens complexos claramente compensou Robbie, que foi indicada ao Oscar por seu papel em I, Tonya (que foi produzido pela LuckyChap). E agora ela tem uma dúzia de projetos em vários estágios de desenvolvimento, incluindo um suspense chamado Dreamland (também produzido por sua empresa), um spin off de Suicide Squad onde ela irá liderar um elenco de super heroínas, e um número de projetos femininos para a televisão. ”Quando criamos nossa empresa, era uma ideia nova, mas em resposta à conversa do movimento #MeToo, isso era tudo o que estavam falando. As pessoas ficaram tipo, ‘Por que não fazemos filmes para mulheres? Uh, que revelação, não é?’”

A sala de espera da LuckyChap, o que é quase um bangalô escondido no lote da Warner Bros., é iluminada de rosa pela placa em neon que leva o nome da empresa. No dia da nossa entrevista, Robbie aparece de uma das salas de trás vestida em jeans de cintura alta, uma blusa listrada de botões e plataformas da Mansur Gavriel. Ela está sorrindo, sorrindo mesmo, irradiando alegria de seu corpo inteiro. Ela anda pelo corredor como se estivesse escondida ou rindo de um segredo. ”Eu sou a Margot,” ela diz, estendendo o braço para apertar minha mão. ”Quer ver um cachorrinho?”

Ela bate em outra porta, que é aberta imediatamente por seu marido assistente de direção/produtor e um dos co-fundadores da LuckyChap, Tom Ackerley, um britânico alto e lindo que está segurando um filhote de pitbull com terrier que eles estão tomando conta. Seus colegas são todos amigos de longa data de quando ela morava em Londres, onde ela e Tom compartilhavam uma casa com um grupo de assistentes trabalhando em filmes.

”Vamos chamá-la de Bella,” Robbie diz, fazendo carinho na cabeça da cadelinha. ”Absolutamente não vamos ficar com ela, não é, Tom? Não podemos ter um filhote. Estamos muito ocupados para um filhote, né, Tom?”

De pé no corredor, cara a cara com Robbie, é difícil conciliar essa versão da atriz – essa amante de cachorros sorridente e relaxada – com a personagem obscura e complicada que assisti na tela um dia antes. Sobre sua metamorfose, Robbie diz, ”Normalmente alguém diz, ‘Não, mantenha as meninas bonitas!’ Mas Josie Rourke, a diretora, estava decidida a explorar como a aparência da Rainha Elizabeth afetou seus relacionamentos, e todos tiveram coragem de fazer.”

Robbie e Ronan compartilham apenas uma cena em Mary Queen of Scots, mas é especial. As atrizes não tiveram contato até a filmagem, então a reação chocante de se verem desse jeito – Mary implorando por sua vida, Elizabeth em um declínio íngreme – foi visceral. A história sobre as duas monarcas do século 16 é uma briga e uma história de amor de família. Com experiências parecidas – as primas eram ambas controladas por homens da corte, forçadas a irem para guerra, e com dificuldade de manter seu gênero sem serem vistas como fracas – que deveriam juntá-las, mas infelizmente as afasta. ”Eu acho que Mary e Elizabeth poderiam ter sentado e resolvido isso enquanto tomavam café,” Robbie diz com uma risada. ”Mas todos esses homens estavam se metendo no caminho.”

Depois, Robbie irá interpretar Sharon Tate em Once Upon a Time in Hollywood de Quentin Tarantino, previsto para o próximo verão, com Brad Pitt e Leonardo DiCaprio. Ela também está se preparando para um drama produzido por Charlize Theron sobre Roger Ailes e Fox News. Com sua agenda cheia, Robbie não tem muito tempo para socializar atualmente, mas não está reclamando. ”Eu estou trabalhando sem parar por 10 anos, mas ainda fico animada toda vez que entro em um set. Nós vivemos e respiramos o trabalho aqui em Los Angeles. Eu fico com a minha cabeça abaixada!” Espero que ela se lembre de olhar para cima em algumas ocasiões, somente para nos mostrar o quão bonito é uma mulher no poder.

Fonte | Tradução & Adaptação: Equipe Margot Robbie Brasil

Durante uma entrevista para a Evening Stardard Magazine, Margot Robbie falou sobre seu amor pela saga Harry Potter e revelou que o bruxo teve uma grande participação na sua despedida de solteira, confira:

A estrela australiana, que foi indicada ao Oscar no ano passado por I, Tonya, casou o assistente de direção Tom Ackerley em dezembro de 2016.

Sua despedida de solteira aconteceu na casa de uma amiga na Austrália com 45 convidados, incluindo antigos amigos de escola que eram chamados de The Heckers, amigos da sua época em Neighbours e seus colegas de quarto de Clapham – todos da equipe de seu filme Suíte Francesa.

Seu marido, quem ela conheceu no set, também morava na casa compartilhada. Ela contou para a ES Magazine: “Somos 16 no The Heckers, nos chamamos assim desde a escola. O pessoal de Clapham também são muitos, e a combinação foi explosiva. Eles contrataram um stripper temático de Harry Potter para mim; ele sabia todas as frases e insinuações. Eu fiquei muito tocada, foi realmente uma coisa atenciosa. Eles me conhecem tão bem.”

Robbie, de 28 anos, também contou que ela procura ajuda para dormir nos livros de J.K. Rowling e os lê repetidamente desde que tinha oito anos.

“Agora, eu estou no quinto livro. Eu sei o que está vindo quando eu virar a página,” ela disse. “Eu não consigo meditar e isso é o que eu faço para dormir. Vaughn [Stein, diretor de Terminal] me disse que se você tem problemas para dormir, o que eu tenho, você deve ler algo familiar para se acalmar.”

“Se eu leio algo novo antes de dormir, meu cérebro fica a mil por hora. Ler Harry Potter me faz feliz e me acalma. Eu leio por uma ou duas horas toda noite. Meu marido odeia.”

Robbie lutou por seu primeiro papel, em Neighbours, e disse que não teve ajuda já que não é uma carreira óbvia em Gold Coast.

“Ninguém pensou que eu seria atriz, porque onde eu cresci, isso não era um trabalho possível. Eu nunca conheci alguém que tivesse feito uma xícara de café em um set de filmagem.”

Durante seu tempo interpretando Donna Freedman em Neighbours, ela estudou com um professor de voz para aperfeiçoar seu sotaque americano e tentar entrar em Hollywood. Papéis em O Lobo de Wall Street e Esquadrão Suicida vieram depois.

Robbie, que irá interpretar Elizabeth I no filme Mary Queen of Scots, apoia o movimento #MeToo. Ela disse: “É claro que eu sabia que o problema existia. Eu apenas não via como um problema que era permitido ter raiva.”

“Ninguém falava sobre isso, ninguém disse ‘Eu não vou mais aguentar isso.’ Não era chamado de problema, era um fato da vida. Isso é uma mentalidade terrível. Se nós apenas aceitarmos coisas como assédio sexual como um fato de vida, não vai melhorar.”

Fonte | Tradução & Adaptação: Equipe Margot Robbie Brasil