Carey Mulligan é a estrela de Promising Young Woman, filme produzido pela LuckyChap Entertainment, que infelizmente foi adiado devido ao COVID-19. A Vogue Austrália convidou Margot Robbie para entrevistar a atriz e as duas trocam elogios, falam da quarentena e, obviamente, do filme ainda sem data para estrear. Confira:

Carey Mulligan encantou o público pela primeira vez um pouco mais de uma década atrás no drama adolescente aclamado pela crítica, Educação. O papel garantiu para a atriz de 24 anos, na época, uma indicação ao Oscar em Melhor Atriz e a colocou no caminho de ser glorificada como uma das melhores atrizes britânicas de sua geração. Desde então, ela pegou o status de atriz principal com autoconfiança em muitas de suas performances sendo em filmes de época – As Sufragistas, Longe Deste Insensato Mundo e como Daisy Buchanan em O Grande Gatsby, de Baz Luhrmann.

Mas seu mais recente trabalho no filme Promising Young Woman está prestes a subverter tudo o que você acha que sabe sobre Carey Mulligan como atriz. Mulligan interpreta Cassie, uma mulher inteligente, bagunçada, multidimensional e com defeitos motivada a vingar sua melhor amiga Nina após seu estupro e suicídio subsequente. Os figurinos deslumbrantes e prosa bonita dos trabalhos anteriores de Mulligan foram substituídos por grosseria, vingança e vestidos deliberadamente reveladores manchados de batom e molhados de álcool.

Desde a estreia do filme no Sundance em janeiro, os críticos tiveram dificuldade de definir o filme, com descrições variando de ”suspense de humor ácido” para ”comédia romântica arrebatada pelo terror” e até ”suspense de vingança com cor de cupcake, mas bastante sombrio.” A maioria das críticas abordou a transformação do assunto obscuro – como agressão, consentimento e culpar a vítima – em algo tão loucamente interessante, com uma subtrama romântica.

A performance de Mulligan tem o tom perfeito e completa o trabalho de outras jovens mulheres promissoras nos bastidores – a roteirista e diretora Emerald Fennell (que também foi showrunner da segunda temporada de Killing Even e também interpretou Camilla na terceira temporada de The Crown) e Margot Robbie, que produziu o filme com sua empresa LuckyChap Entertainment. Dado que essa edição da Vogue é sobre força, solidariedade e apoiar uns aos outros, nós pedimos para Robbie entrevistar Mulligan sobre o que torna sua performance, e esse projeto, tão inovadores.

Margot Robbie: Oi, Carey, estou ligando de Los Angeles. Onde você está no momento?

Carey Mulligan: Estou em casa em Devon [no Reino Unido]. É um lugar bom para estar.

MR: É uma época tão, tão estranha [com o COVID-19]. É como viver em um filme.

CM: Você estava filmando?

MR: Eu tinha acabado de finalizar o próximo The Suicide Squad e estava fazendo testes de câmera e me preparando para meu próximo filme e eles pararam. Agora eu não sei o que vai acontecer. Você estava de férias ou trabalhando?

CM: Não, eu estava de férias. Eu estava me preparando para um trabalho e íamos filmar em algumas semanas. Sinto que estamos todos passando por um choque e tentando nos reajustar [no confinamento]. Eu acabei de comprar um kit de tricô na Amazon para aprender a tricotar. Eu fiquei: ‘Agora é a hora.’

MR: Eu comprei um banjo! Estou aprendendo francês agora, também, e fiquei: ‘Agora é a hora,’ porque sempre quis tocar banjo.

CM: [Risos] Eu sei de alguém que poderia te ensinar por FaceTime [O marido de Mulligan é Marcus Mumford, vocalista da banda Mumford & Sons].

MR: Sério? Eu realmente adoraria isso.

CM: Ele está muito, muito entediado e te daria aulas, com certeza. Vou arranjar para você.

MR: Eu acho que todo mundo vai sair disso com uma nova perspectiva de vida e uma série de hobbies muito bizarros.

CM: Sim, eu sei. Eu fui ao supermercado para comprar nossa comida e eu sei que não posso, mas quero abraçar todos que estão nos caixas e aqueles adolescentes estocando as prateleiras. Fico tipo: ‘Cara, você está fazendo algo tão bom e importante.’ Isso me faz chorar muitas vezes. Muito disso é tão triste, mas também é quando você vê exemplos de humanidade em seu melhor, quando pessoas estão fazendo coisas surpreendentes. De qualquer forma, nós não podemos falar do coronavírus por muito tempo.

MR: Tivemos nossa conversa obrigatória sobre isso. Estou realmente muito animada de entrevistar você porque eu nunca entrevistei ninguém e estou me levando muito à sério.

CM: Nunca?

MR: Não. Então, vamos montar a cena. Onde você está sentada? Você tem alguma bebida na sua frente, lanchinhos?

CM: Estou sentada na minha cama. Perto de mim tenho uma mamadeira vazia que meu filho tomou mais cedo, numa tentativa de mantê-lo no andar de cima por mais tempo, porque ele acordou cedo demais. Tenho uma xícara de café vazia e tenho três narcisos de Dia das Mães, que foi ontem aqui [no Reino Unido].

MR: Oh, feliz Dia das Mães.

CM: Obrigada. Eu tive um dia realmente bom.

MR: Que lindo. Eu amo isso. Uma mãe trabalhadora, você está fazendo tudo. Que bom para você. Eu pensei em começar com algo divertido. Que filme você já viu mais do que qualquer outro e qual filme você aprecia mais como amante de filmes?

CM: O filme que eu já vi mais do que qualquer outro seria O Conto de Natal dos Muppets e, meu Deus, a outra é difícil. Provavelmente Butch Cassidy and the Sundance Kid.

MR: Respostas brilhantes.

CM: Eu estava em Paris algumas semanas atrás e estávamos começando a ficar um pouco estressadas com o coronavírus e eu estava com a minha melhor amiga. Eu estava lá para uma sessão de fotos, e fomos para o quarto do hotel e estava passando Butch Cassidy com dublagem francesa. Foi a coisa mais relaxante que eu já fiz na minha vida e eu não falo francês. Foi fascinante. Sinto que Butch Cassidy me deu tanta coisa.

MR: Amei isso. Eu deveria fazer isso agora que estou aprendendo francês. Provavelmente ajudaria. Quero dizer, existem ótimos filmes franceses; talvez eu devesse assisti-los. Okay, próxima pergunta: qual foi o melhor conselho de direção que você já recebeu?

CM: Provavelmente Paul Dano em Vida Selvagem quando eu estava surtando. Na cena, eu levo meu filho para jantar com esse homem com quem estou tendo um caso, e então eu fico muito bêbada e confusa sobre o que estive fazendo e termino beijando esse cara na frente do meu filho. É um desastre absoluto. Eu estava fazendo e sentindo que era a pior atuação que eu já fiz na minha vida. Paul disse: “Sim, você se sente assim, ela se sente assim. Apenas faça a pior versão disso. Faça isso ser absolutamente chocante e provavelmente vai ser onde precisamos estar.”

MR: Isso é tão inteligente. E você ficou feliz quando viu a cena?

CM: Sim, mas você nunca fica “Woohoo, dez pontos.” E eu recebi um conselho muito bom de Steve McQueen em Shame. Estávamos fazendo uma cena onde eu canto New York, New York em um bar com Michael Fassbender e eu estava apavorada. Fiz minha cena e ele disse: “Sim, conseguimos,” e então: “Okay, agora cante outra coisa. Não podemos ter uma música escrita porque não conseguiremos os direitos dela, então invente alguma coisa.” Eu me lembro de entrar em um banheiro e cantarolar coisas aleatórias que pareciam uma música de jazz, então saí e cantei algo sobre uma rosa morrendo.

MR: Meu Deus. Fiquei nervosa só de ouvir a história.

CM: É bom quando alguém faz isso, não é? Quando sutilmente te empurram do parapeito e você fica bem, gritando, mas bem. É um pouco divertido, mas assustador.

MR: Amei essa história. Diga um colega ator que te impressionou, alguém que realmente te deixou sem ar em uma cena.

CM: Oscar Isaac, quando estávamos fazendo Inside Llewyn Davis – Balada de Um Homem Comum, o filme dos irmãos Coen. Ele foi apenas outro nível. É uma coisa realmente comum para mim, quando chega na minha fala e eu fico: “Oh, merda, desculpa. Desculpa, você foi tão bom e eu fiquei distraída.” Sinto que isso acontece o tempo todo.

MR: Antes de falarmos de Promising Young Woman, uma última pergunta: como você se descreveria em uma palavra?

CM: Cansada [risos]. É a verdade, no entanto. Quando eu era pequena, eu nunca ganhei nenhum prêmio na escola, mas no ano que eu ganhei algo, foi por esforço, o que significava que eu realmente tentava mas não conseguia os resultados. Então, eu não sei minha palavra pode ser esforçada, mas sim, é isso: esforçada.

MR: Amei [risos]. Eu passei muito tempo pensando sobre essa pergunta e a palavra que achei foi: perspicaz.

CM: Oh, isso é muito legal.

MR: Sim, porque você é muito astuta e inteligente, mas pé no chão e sinto que você pode ver através das coisas e ir direto ao ponto. Há uma inteligência brilhante atrás de seus olhos, então essa foi a palavra que encontrei para você.

CM: Isso foi muito adorável, obrigada.

MR: Sem problemas. Eu amo as escolas que você faz como atriz, mas elas parecem desafiantes. Como a peça solo [Girls & Boys], então para mim, parece que você está sempre buscando um novo desafio ou algo que te assuste. Você concorda?

CM: Sim. Com a peça solo, eu cresci querendo ser uma atriz de teatro musical, mas eu não canto bem o bastante, então mudei minha missão para o teatro. Minha experiência mais formativa no teatro foi quando eu tinha por volta de 14 anos e vi a produção de uma peça chamada Scaramouche Jones com Pete Postlethwaite interpretando um palhaço contando sua história de vida. Tinha por volta de uma hora e meia e foi tão extraordinária. Quando as luzes se apagaram e ele veio para os agradecimentos, foi tão chocante porque eu senti que havia 14 atores na peça. Então foi algo sobre uma peça solo que realmente me atraiu para sempre. Mas a realidade é muito diferente – eu amei, mas era muito difícil chegar no palco. Não ter uma quarta parede e contar sua história diretamente para as pessoas que estão na plateia é realmente horrível. Mas uma vez que eu estava lá em cima, estava tudo certo.

MR: Parece apavorante. Sinto que fico paralisada mesmo quando estou fazendo uma cena sozinha. Sinto que se eu não tiver outra pessoa para reagir, eu não sei o que diabos estou fazendo. Então, a ideia de um show solo me apavora quase na mesma medida que Steve Mcqueen me pedindo para improvisar uma música.

CM: Você faz teatro?

MR: Eu adoraria, mas nunca fiz. E por alguma razão eu tenho algo na minha cabeça que diz que eu não mereço fazer porque eu não fui para a escola de teatro. Sinto que se eu tentasse fazer uma peça, as pessoas ficariam: ”Ugh, o que essa atriz de cinema está fazendo aqui?” Mas eu falei com algumas pessoas sobre isso e me disseram que eu devia fazer.

CM: Eu também não fui para a escola de teatro. Não consegui entrar. Fiz minha primeira peça quando eu tinha por volta de 18 anos e o diretor precisou me oferecer um prêmio para que eu saísse do camarim e me forçou a ir para os ensaios e aquecimentos porque eu estava chorando. Todos os meus colegas de elenco tinham ido para RADA [Royal Academy of Dramatic Art] e tinham carreiras ilustres no teatro e, você sabe, eu tinha feito um filme e não fazia ideia do que estava fazendo. Mas eu penso muito no teatro que gostamos nos dias de hoje, ele vem das mesmas coisas que faz grandes atores de cinema – é tudo sobre instinto e verdade e honestidade ao invés de se apoiar em um estilo mais clássico. Agora, a única coisa que você precisa fazer diferente é projetar sua voz. Sinto que estou em um set de filme e não adapto nada além de fazer minha voz ficar mais alta, eu ainda faço as mesmas escolhas. Eu acho que você seria incrível no teatro e você iria amar.

MR: Eu deveria fazer. Mas falando sobre medo e algumas vezes esse entusiasmo induzido pelo medo para aceitar um papel, alguma vez você já negou alguma coisa porque sentiu que não conseguiria?

CM: Não, eu acho que não em termos de medo. Houve momentos em minha carreira que eu me afastei de algumas coisas para preservar mais a minha vida. Por exemplo, depois que me casei, eu parei um pouco, porque eu queria ter aquele tempo para estar casado e não fazer muitas coisas que me levassem para longe. Eu não sei como é para você, mas na maioria das vezes quando leio alguma coisa, sei se é de meu interesse na primeira leitura.

MR: É uma reação instintiva, não é?

CM: Sim, definitivamente.

MR: Você assinou para Promising Young Woman, então você teve esse sentimento? Me fale sobre ler o roteiro pela primeira vez e ter esse sentimento de “Eu sei que tenho que fazer isso.”

CM: É engraçado, esse roteiro provavelmente me deu mais medo, porque é arriscado. Exatamente o que Emerald fez como filme no final foi como eu me senti ao ler – você entra com um sentimento de receio, e então de repente você está assistindo uma história de amor e então você está em um suspense, e ela está constantemente desconectando você o tempo todo. Sinto que foi uma tarefa tão louca e que precisa de um talento específico para conseguir sucesso, porque se não é executado do jeito certo pode ser muito ruim. No minuto que conheci Emerald eu fiquei, okay, essa é a pessoa que pode fazer isso, claramente. Eu não preciso mais me preocupar com isso. Como você se sentiu ao ler pela primeira vez?

MR: Eu li um material da Emerald alguns anos atrás. Nós tentamos conseguir um piloto que ela escreveu, mas o tom era muito diferente. Foi executado no tom perfeito e essa é a especialidade dela. Nós não conseguimos, no final, mas nos encontramos com ela e você sabe que se apaixona quando a conhece porque ela é magnética, muito inteligente e legal. Nós perguntamos se havia outra coisa que ela queria fazer e ela nos apresentou Promising Young Woman e ficamos: ”Meu Deus, estamos dentro!” Mesmo naquela época o roteiro incorporava o que o filme faz no final, que é falar de um assunto muito sério, mas possui esses freios e mudanças de tom que você, às vezes, sente que está em uma comédia romântica e está amando estar lá, então puxam o tapete novamente. É uma linha muito difícil de andar, mas eu senti que ela podia executar. Ela tem uma visão clara, é muito esperta e tinha algo a dizer. Eu tive confiança de que ela podia fazer isso.

CM: Sim, ela foi tão determinada desse jeito, cem por cento. Eu lembro de nossa primeira reunião, ela ficou: ”Nós queremos fazer isso em breve, na primavera e queremos filmar em Los Angeles.” E eu disse: ”Oh, legal – muita coisa não é filmada em Los Angeles, no entanto, não é?” Mas ela disse: ”Não, mas eu acho que precisa.” E eu fiquei: ”Oh, ok, sim, claro”… pensando, essa é uma ideia legal. E foi onde filmamos. Ela não hesita nas coisas, é incrivelmente boa em compromissos, uma colaborada maravilhosa, o que tenho certeza que você também pensa assim, ao assisti-la colaborar com outros departamentos. Todos estavam tão animados de servir nesse projeto, você sentia que a equipe estava realmente animada, de um jeito raro, como se todos estivessem na brincadeira. Eles queriam que fosse o melhor que pudesse ser. Isso é um sinal do quão boa ela é na colaboração. E sua liderança – ela lidera tão bem do topo e é impecavelmente gentil e alegre. Eu acho que as pessoas amaram trabalhar com ela.

MR: E ela também é atriz. Você sente que isso foi vantagem como diretora?

CM: Sim, eu acho. Acho que ela tem muita experiência. Ela é atriz, escritora, diretora e possui essa lente única pela qual ela vê o mundo, e seu senso se humor é obscuro e impactante. Muito do que ela fez foi avançar o limite e depois voltar um pouco. Minha tendência é sempre – e eu sempre digo isso para os diretores – tentar fazer menos e se você precisa que eu faça mais, você precisa me provocar um pouco, porque meu instinto é sempre fazer o mínimo para tornar as coisas mais verdadeiras.

MR: Isso é tão engraçado, eu faço o oposto. Eu sempre falo para o diretor: ”Okay, vou fazer, vai ser muito grande e você precisa me dizer para fazer menos para ficar bom.” E, como você disse, até parecer verdadeiro.

CM: Meu Deus, isso é tão engraçado. Nós realmente precisamos trabalhar juntas em breve.

MR: Eu sei.

CM: Mas eu acho que suas performances, como as escolhas corajosas que você faz, são extraordinárias. Inveja é a palavra errada para usar, mas eu assisto seu trabalho e sinto que as escolhas que você faz são tão corajosas e diferentes. Seus personagens são tão separados um do outro e possuem vidas internas tão ricas. Acho que é porque você não tem medo de fazer algo que parece extremo. Foi isso que eu entendi nesse trabalho de interpretar a Cassie. Em algum desses momentos onde eu estava diminuendo, Emerald estava me incentivando a ser mais. Ela ficava: ”A vida pode ser realmente extrema algumas vezes e você pode reagir de um jeito extremo.” Todos os meus diretores favoritos foram pessoas que eu confiei. Eu sei que vão me proteger. Ela sempre estava dizendo: ”Eu não vou deixar você parecer uma babaca na sala de edição, então se for ruim vamos cortar e não estará no filme.”

MR: É verdade, você precisa ter essa confiança no diretor. É realmente difícil se colocar em perigo quando você não sabe se alguém vai te segurar quando você cair. E sobre interpretar a Cassie, alguma característica sobre ela foi familiar para você, ou ao contrário, foi muito estranho? E como você as fazem parecer autênticas? Porque na tela você nunca iria saber que você não concorda especificamente com o ponto de vista da Cassie.

CM: É interessante porque fizemos muita pressão nesses problemas no filme e eu acho que existe uma concepção errada que vemos a Cassie como dona da verdade. É aqui que quero me intrometer e dizer que esse é um comportamento do tipo não tente em casa. O jeito que ela se comporta não é legal. Mas havia muita coisa sobre ela que eu senti que, não sei… Quando li pela primeira vez obviamente existem coisas que são tão sérias e tão trágicas e existe muita coisa obscura no meio de toda a diversão, mas quando você realmente olha para isso, a história começa com amor.

Começa com o amor que duas melhores amigos de infância têm uma pela outra, então acho que foi onde Em e eu começamos a pensar no que estava motivando isso. O que está motivando é que ela perdeu sua melhor amiga. E o que você recebe da sua melhor amiga, especialmente quando você é uma criança e estão descobrindo o mundo juntas, o quão importante é esse relacionamento, essa irmandade.

É realmente importante evidenciar essa amizade; pensar naquela pessoa que esteve com você em todos os momentos quando eram pequenas. E eu tive essa menina na minha vida e foi legal, nostálgico e doce lembrar que isso é sobre amor, e não vingança.

De todas as coisas que eu fiz nos últimos anos, eu entrei nesse filme sem ter a menor ideia de como ia interpretar esse papel. Eu acho que muito foi solucionado por pessoas em outros papéis, particularmente o Bo [Burnham, que interpreta Ryan, o interesse amoroso de Cassie]. Eu acho que a Cassie seria uma versão diferente se o Bo não tivesse interpretado o Ryan, porque ele é ridiculamente engraçado.

MR: Ele é simplesmente encantador. Se alguém que está lendo esse artigo não sabe quem é Bo Burnham, o procure no YouTube agora e assista seus filmes engraçados. As meninas no escritório da LuckyChap, nós literalmente assistimos os filmes dele sem parar. Assistir vocês dois na tela é apenas mágico – eu só queria estar com vocês dois e assisti-los se apaixonarem o dia inteiro. Foi elétrico.

CM: Foi tão divertido. E você precisa disso nesse filme, precisava parecer aquela montagem perfeita de Richard Curtis. Do contrário, o filme não funciona até que você realmente queira que os dois estejam bem. Porque aquele é o caminho alternativo da Cass, é onde ela poderia ir.

MR: Falando sobre esses atores, você trabalhou com alguns dos maiores atores de drama da nossa geração – Meryl, Leo, Fassbender – e nesse filme você está estrelando com os atores de comédia mais adoráveis da nossa geração, como o Bo; Adam Brody, que todo mundo conhece como o Seth de The O.C.; e Jennifer Coolidge [que interpreta a mãe da Cassie]. Como você se sentiu sobre a escolha da Emerald de escalar esses rostos familiares e adoráveis que nós rapidamente associamos com o “cara legal”?

CM: Foi tão inteligente. Aqueles caras se jogaram nos papéis, o que eu também achei admirável, porque muitas vezes os homens querem interpretar o vilão ou o herói. Interpretar o homem fraco não é atraente. O fato de que Em pensou neles, o jeito que ela queria que o sentimento do filme fosse: ”Você já viu esse filme antes, você já viu esse cara, ele é um cara legal e agora ele conheceu uma menina bêbada e talvez eles vão fazer algo realmente adorável.” Mas então você percebe, absolutamente não.

Você é enganado constantemente para um lugar seguro do tipo: ”Eu sei o que é isso – meu cérebro já viu isso antes e estou confortável, é assim que eu cresci.” Nós já vimos filmes onde os caras levam meninas bêbadas para casa durante toda nossa vida. É um filme de comédia dos anos 90. Mas agora estamos vendo por lentes diferentes. Aquela pessoa que você pensou que confiava na verdade não é tão confiável nesse momento. Ela está subvertendo todos esses estereótipos de um jeito muito inteligente.

MR: Absolutamente, é genial. Sinto que existem muitos atores agora, particularmente mulheres, que falam muito sobre trabalhar com diretoras, mas na verdade não trabalharam com muitas, se trabalharam com alguma. Você, por outro lado, trabalhou com várias diretoras e eu nunca a escuto se gabar por isso. Isso é muito legal e eu realmente tiro o chapéu para você. Você foi consciente sobre trabalhar com diretoras ou é algo que aconteceu organicamente?

CM: É uma mistura, eu acho. Sempre sinto quando recebo um roteiro de uma diretora, isso te faz sentar direito e prestar mais atenção, porque você sabe que para aquilo conseguir financiamento, então essa diretora precisou fazer muito mais do que seus colegas homens para chegar naquele lugar. E isso é estatístico no momento, não é só suposição. Durante a maior parte, as mulheres possuem mais dificuldade de entrar na indústria e mais dificuldade de ficar. Se seu primeiro filme não for um sucesso enorme de bilheteria ou aclamado pela crítica, então o segundo filme será muito, muito mais difícil de ser feito. Então, eu sempre acho que vale a pena investir em uma diretora que está enviando roteiros e fazendo o trabalho. Não é do jeito que você montou sua produtora, o que eu estou absolutamente maravilhada, eu não diria que sou nem um pouco proativa desse jeito. Mas eu tive sorte que muitas diretoras apareceram no meu caminho e elas foram todas muito, muito brilhantes.

MR: Amei. Estou infinitamente impressionada com você. Tenho que dizer que quando estava escrevendo as perguntas para essa entrevista, eu encontrei as anotações que fiz quando assisti o primeiro corte do filme, coisas do tipo ”Deveríamos cortar aqui mais rápido?” ou ”Deveríamos conectar essa cena?” ou ”Aqui está um pouco estático.” Mas provavelmente a cada cinco linhas era ”Carey é incrível.” E então outras cinco linhas de comentários e: ”Meu Deus, Carey é incrível pra caralho” ou ”Ela é boa demais.” Fiquei tão feliz e animada de fazer essa entrevista e reviver as experiências do filme, porque você é impressionante.

Eu lembro de assistir os diários e dizer pro Josey [McNamara da LuckyChap] e Tom [Ackerley, marido da Margot]: ”Cada tomada que ela faz é brilhante. Eu não sei o que a Emerald vai usar na edição porque cada tomada é poderosa e dedicada.” Eu estava grudada na tela e acho que as pessoas vão ter essa experiência assistindo ao filme.

Eu também acho que as pessoas vão gostar de ver a Carey Mulligan – essa atriz incrível do teatro e do cinema – usando um pequeno vestido Spandex com rímel escorrendo pelo rosto. Eu me diverti muito vendo você incorporar essa personagem completamente transformadora.

Eu quase morri no dia que você assinou o contrato. Me lembro de ter dito: ”Não acredito que conseguimos Carey Mulligan para esse papel.” Mas a cada passo do processo eu fiquei mais impressionada ainda e maravilhada com você. Eu tenho uma queda enorme por você e quero te agradecer por me deixar te entrevistar.

CM: Ai, meu Deus. Eu não consigo nem te dizer o quanto isso significa, porque todos os dias no set eu ficava dizendo para a Em: ”A Margot está assistindo isso? O que você acha? Você acha que está bom?” Porque eu me sinto do mesmo jeito. Apenas ter esse apoio bonito e positivo por trás desse filme e meu trabalho nele é literalmente o maior elogio porque eu te admiro tanto como atriz e tenho uma enorme queda por você, também. Além disso, agora eu decidi que precisamos fazer uma peça juntas e um filme.

MR: Cem por cento.

CM: Nós apenas temos que passar pelo coronavírus primeiro e então podemos partir. Enquanto isso, vamos tendo algumas ideias.

MR: Antes de estamos juntas no palco ou na tela, vamos fazer tricô e tocar banjo e esperar isso acabar, então vamos planejar nosso próximo passo.

CM: Exatamente! E ficar em casa.

Fonte | Tradução & Adaptação: Equipe Margot Robbie Brasil

Margot Robbie, Tom Ackerley, Josey McNamara e Sophia Kerr, fundadores da LuckyChap Entertainment, deram uma entrevista juntos para a revista MovieMaker onde falam sobre o passado e o futuro da produtora. Confira:

Os quatro fundadores da LuckyChap Entertainment não poderiam ser mais próximos. Todos são antigos colegas de quarto, e as duas mulheres, Margot Robbie e Sophia Kerr, cresceram juntas na Gold Coast da Austrália. Os homens, Josey McNamara e Tom Ackerley, ambos britânicos, trabalharam juntos por anos como assistentes de diretores. Robbie e Ackerley são casados.

Todos os quatro estão unidos em uma missão de fazer filmes focados em mulheres, uns que provocam e nos fazem rir mesmo quando recalibram as expectativas antigas sobre gênero.

Mas você pode se perguntar: O quão unidos eles podem ser? O que eles fazem, por exemplo, quando a indicada ao Oscar no grupo – a que está nos anúncios de O Escândalo e Era Uma Vez… em Hollywood e Aves de Rapina – quer fazer um projeto e os outros não gostam tanto quanto ela?

A solução é simples, Robbie explica: ”Nós não pegamos o projeto.”

Se um deles acredita em uma ideia de filme ou série e outros não, todos fazem seus melhores argumentos a favor e contra – até que todos estejam dentro ou fora.

”Nós amamos isso o bastante para passar os próximos anos da nossa vida nisso? Porque se não for um sim, então deveria ser um não,” diz Robbie.

”Se não é um sim pra caralho, então é um não,” adiciona Kerr. ”Essa é a regra geral,” diz Robbie.

”Margot me disse isso no início,” Kerr continua. ”Eu sei que não é o jeito mais educado de colocar.”

”Não, minha mãe não iria gostar dessa frase,” Robbie concorda. ”Mas esse é o lema da empresa: ‘Se não é um sim pra caralho, então é um não.’”

Algumas vezes, quando eles falam sobre o passado recente, é difícil entender quais grandes momentos aconteceram no apartamento de Londres que eles costumavam compartilhar, e quais aconteceram na mesa da cozinha do escritório da LuckyChap. Os quatro sentaram nessa mesa em uma noite de domingo recente para falar com a MovieMaker sobre a história da empresa e seus planos enormes para 2020.

A PLACA ROSA NEON

O escritório da LuckyChap é pintado à noite com a luz rosa de uma placa neon, presa em uma parede, que anuncia o nome da empresa. Ninguém lembra exatamente como eles escolheram LuckyChap – tinha algo a ver com Charlie Chaplin, o ícone do cinema com os pés batendo que começou sua própria produtora, United Artists, com seus amigos. Enquanto os fundadores da LuckyChap tentam explicar a origem do nome, eles completam os pensamentos um do outro.

”Não existe uma explicação para isso,” diz McNamara. ”Foi bebendo…”

”Bebendo,” Robbie diz, quase ao mesmo tempo que McNamara. ”Ninguém lembra como chegamos em LuckyChap. Nós lembramos de chegar no nome, mas não lembramos como…”

”O logo seria…” Ackerley entra na conversa. E então ele, Robbie e Kerr dizem ao mesmo tempo: ”Os pés batendo!”

O sotaque australiano de Kerr e Robbie se mistura completamente que é difícil dizer qual das duas adiciona: ”Eu lembro de todos nós tentando bater nossos pés.”

”O chap é de Charlie Chap-lin,” adiciona Ackerley, que então fica sério por um momento: ”E então, você sabe. Nós somos todos sortudos e abençoados por fazer o que estamos fazendo. E então o logo seria os pés batendo, mas era muito difícil.”

Se a fonte do nome é um mistério, a fonte da placa não é. Chap soava muito masculino (em inglês, chap significa cara/mano), o que não fazia sentido necessariamente para uma empresa dedicada aos filmes com mulheres em foco. Uma briga cômica surgiu sobre como tornar o logo mais feminino, Kerr e Robbie ganharam.

”Nós ficamos tipo, o logo vai ser rosa,” Robbie diz. ”E nós queríamos fazê-lo em neon, porque nosso primeiro filme, Terminal, tinha muitos elementos em neon, então era meio que uma homenagem para ele. E então nós fizemos a placa, e nós demos um passo para trás e ficamos tipo, ‘Meu Deus. Parece um clube de strip. É uma placa rosa neon chamada LuckyChap [tradução literal: Cara Sortudo]. Nós parecemos um clube de strip.”

”Ou que produzimos filmes pornô,” adiciona Kerr.

Ninguém cometeria esse erro. Apesar de Terminal ter sido o primeiro filme que eles produziram, Eu, Tonya chegou nos cinemas primeiros. Foi indicado para três Oscars, incluindo um para Robbie na categoria de Melhor Atriz. A LuckyChap foi fundada em 2014, mas o relacionamento de Robbie e Kerr vai muito mais longe, para a infância na Austrália. ”Ela era tipo uma Britney Spears jovem e eu era um pouco emo,” diz Robbie. ”Margot cortava o cabelo com gilete e ouvia Thrice,” diz Kerr. ”Nós basicamente podíamos chegar em um lugar comum com Jack Johnson durante aqueles dias.”

”Essa era a música que escutávamos juntas,” diz Robbie. ”Todo o resto, eu ficava: ‘Eu não consigo ouvir suas músicas.’ E ela ficava, ‘Eu não consigo ouvir as suas.’”

Kerr adiciona: ”Eu acho que quando você cresce em Gold Coast na Austrália, você sempre quer trabalhar em sets de filmagem e em filmes mas parece uma tarefa impossível, porque você literalmente não sabe de ninguém que faça isso. Está mudando agora.”

Quando eram adolescentes, Robbie faxinava casas e trabalhava no Subway e em uma loja de surf antes de conseguir um papel na novela australiana Neighbours. Isso a levou para o drama da ABC, Pan Am, e seu papel de estreia em O Lobo de Wall Street de Martin Scorsese. Durante sua audição, ela deu um tapa em Leonardo DiCaprio durante uma cena quando o roteiro pedia para que ela o beijasse. (”Eu fiquei perdida no momento e parecia algo que minha personagem diria,” ela diz. ”Graças a Deus acabou tudo bem… Eu poderia ser presa por agressão.” Robbie e DiCaprio interpretaram vizinhos em Era Uma Vez… em Hollywood.)

COLEGAS DE QUARTO

Em 2013, Robbie conheceu Ackerley e McNamara quando ela apareceu no filme de romance da 2º Guerra Mundial, Suíte Francesa. Eles eram assistentes de diretor no filme.

”Quando nos conhecemos no set e nos tornamos amigos, nós falávamos sobre desenvolver coisas. Eu perguntava qual era o objetivo deles e eles disseram que era produzir. E eu disse que eu queria fazer minhas próprias coisas algum dia, também,” ela lembra. ”Então dizemos, ‘Vamos fazer isso.’”

Robbie, Ackerley, McNamara e Kerr se divertiram tanto saindo juntos que decidiram virar colegas de quarto. Um dia, McNamara entrou no quarto de Robbie com um livro chamado Bad Monkeys, um romance de Matt Ruff sobre uma mulher que é presa por assassinato e conta para a polícia que ela faz parte de um grupo secreto que luta contra o mal. Foi um dos primeiros livros que eles escolheram, e continua em desenvolvimento. (Outros livros em desenvolvimento na empresa incluem o romance de Ottessa Moshfegh, My Year of Rest and Relaxation).

Em um outro dia, Robbie encontrou um roteiro na cozinha feito por seu amigo, Vaughn Stein. Ela amou. ”E então, eventualmente falamos ‘Vamos fazer esse. Vamos ver se conseguimos fazer.’ E conseguimos. Aquele foi nosso primeiro filme,” disse Robbie.

O filme foi o neo-noir Terminal, cujo Stein dirigiu. Quando Robbie estrelou em Tarzan, ela e Kerr conseguiram a ajuda do produtor britânico David Barron, mais conhecido pelos filmes do Harry Potter, para se juntar a eles como produtor de Terminal. ”Nós achamos que ele seria um ótimo mentor para nós. Nós todos reconhecemos que temos muito o que aprender,” diz Robbie.

Enquanto eles filmavam o estiloso suspense de baixo orçamento, eles brincaram com Barron que ele deveria sentir falta de orçamentos do tamanho de Harry Potter. Ele disse que esse não era exatamente o caso, e deu a eles um conselho que ainda os deixa pensando. ”Não importa o quão grande é o filme. Você nunca vai ter dinheiro o bastante ou tempo o bastante,” Robbie lembra da frase. ”Isso é o cinema. É tentar se encaixar nos parâmetros. E esses parâmetros são onde a criatividade realmente nasce.”

Isso se provou realidade enquanto eles trabalharam no seu próximo filme, Eu, Tonya, uma biografia da patinadora Tonya Harding com Robbie no papel principal. Alguns fãs de patinação ainda rejeitavam Harding por um ataque em sua rival, Nancy Kerrigan, em 1994 orquestrado pelos homens em seu círculo. Mas Eu, Tonya simpaticamente reformulou Harding como forte, mal entendida e uma sobrevivente pragmática de violência doméstica que, apesar de uma vida muito difícil, patina como o demônio. Nunca houve tempo ou dinheiro o bastante, mas isso levou a alguns avanços.

”O estilo de filmar no gelo é porque não podíamos pagar uma lança,” disse Robbie, se referindo aos dispositivo usado para mover a câmera em arcos complicados. ”E então nosso operador de câmera disse, ‘Na verdade, eu sei patinar no gelo.’ Okay. Vamos tentar isso. Ele colocou os patins, nós vimos, e ficamos ‘Wow! A experiência é muito mais visceral quando a câmera está com você.’ Os movimentos não parecem elegantes e como de ballet quando você está de perto: Eles parecem fortes e ferozes. E é assim que a Tonya patinava. Então era muito certo para o filme, e nasceu do fato de que não podíamos pagar um guindaste ou uma lança todos os dias.”

PIONEIROS

No meio de seu sucesso inicial, Robbie e Ackerley se casaram, todo mundo se mudou para Los Angeles, e a LuckyChap comissionaram sua placa rosa neon. A decoração do escritório também inclui uma carroça coberta, o tipo de pioneiros que uma vez conquistaram o Oeste.

É incrível, quando você para pra pensar, o quanto da sua vida depende de relacionamentos com quase-estranhos. Décadas atrás, família e amigos próximos viajavam para novas terras, de carroça ou barco ou a cavalo ou a pé. Eles começaram pequenas empresas juntos.

Alguns negócios se tornaram tão grandes que ficaram estocadas com pessoas que quase não conhecia um ao outro. Empregados entravam e saiam sem senso de amizade ou lealdade, apesar das reivindicações vazias das empresas de ‘Somos todos família.’ Algumas amizades entre colegas eram estratégicas, na melhor das hipóteses. Algumas se tornam rivais. E alguns esqueceram sua humanidade de modo tão completo que eles esqueceram respeito, limites e decência básica.

Incluindo Hollywood.

Em 2017, por volta da época em que Eu, Tonya chegou nos cinemas, uma série de novas histórias deixaram claro que a indústria do entretenimento tinha problemas horríveis e excessivos com discriminação e abuso sexual. Robbie se tornou uma apoiadora proeminente do movimento Time’s Up, que pede pelo fim do assédio sexual e um compromisso com a igualdade de gêneros.

A LuckyChap não era mais somente uma das muitas empresas de produção de Hollywood procurando oportunidades melhores para mulheres: Agora era parte de um movimento.

Robbie também participou do elenco de O Escândalo, ao lado de Charlize Theron e Nicole Kidman, para contar a história do assédio sexual de Roger Ailes na Fox News. Na cena mais devastadora do filme, Ailes, interpretado por Johnn Lithgow, usa a promessa de uma carreira na televisão para coagir a personagem de Robbie, uma jovem funcionária da Fox News chamada Kayla, em uma terrível situação. O filme dramatiza a história do assédio na Fox News, e ecoa o sentimento de crime por direito que há tempo prevalece em Hollywood.

O filme mais recente de Robbie, Aves de Rapina, é um filme divertido dos quadrinhos da DC Comics. Mas o título completo, Aves de Rapina: Arlequina e sua Emancipação Fantabulosa, revela motivos mais profundos: Libertar a personagem feminina que uma vez foi escravizada por um vilão, o Coringa.

”Era sobre libertá-la, sobre ela ser sua própria pessoa,” diz a roteirista de Aves de Rapina, Christina Hodson. ”Ela é uma personagem que nasceu de outros personagens. Ela sempre foi ‘a namorada do Coringa’, e para mim, ela é uma personagem tão rica, profunda e fascinante.”

A LuckyChap está se juntando com a Warner Bros. em Aves de Rapina, seu filme de maior orçamento até agora. O filme é o primeiro de três inspirados em quadrinhos com mulheres no centro planejados para 2020, os outros sendo Viúva Negra e Mulher Maravilha 1984. Todos os três possuem diretoras mulheres. Se nada mais, Hollywood fez progresso em igualdade de gênero esse ano quando se trata de filmes de quadrinhos, um gênero que comanda as bilheterias.

Mas Aves de Rapina é só a primeira colaboração entre a LuckyChap e Hodson.

”Quando Time’s Up estava no começo, antes de lançarem, eu comecei a olhar para algumas estatísticas,” diz Hodson. ”Os números eram chocantemente ruins.

Por exemplo: uma notícia do Writers Guild of America naquela época descobriu que homens eram maiores em número do que as mulheres cerca de três a um quando se tratava de roteiristas.

”Eu sabia de primeira que eu queria fazer algo para resolver isso,” Hodson disse. ”E eu fiz um plano. Mas eu também sabia que não queria fazer isso sozinha.”

A equipe da LuckyChap apareceu para ela como ”os parceiros absolutamente perfeitos.”

”Então eu os levei para um pub, e apresentei para eles, e em 30 segundos eles disseram, ‘Sim, vamos fazer isso.’”

O resultado foi um programa para roteiristas mulheres entre a LuckyChap e a empresa de Hodson, Hodson Exports, chamado de Lucky Exports Pitch Program. Ele selecionou seis roteiristas para passar quatro semanas trabalhando em roteiros de filmes de ação. (”Nenhum deles são completamente filmes de ação,” Hodson explica.)

”O que tem sido mais gratificante é como as mulheres trabalham bem juntas e como elas apoiam umas as outras, esse espírito de generosidade entre elas,” ela disse. As roteiristas deveriam comparecer três dias por semana, mas elas geralmente colaboravam nos outros dias, também.

O objetivo da LuckyChap não é ter sucesso sozinha, mas também elevar outras mulheres cineastas e inspirá-las a contar suas próprias histórias.

”Há tantas atrizes que eu acho que estão interessadas em produzir ou desenvolver seu próprio material, mas não possuem uma empresa ou as pessoas certas ao redor delas para começar uma empresa.. E desse jeito, acho que elas podem colocar os dedos nas águas conosco,” Robbie diz. Kerr, cujo foco é encontrar livros, podcasts e artigos para adaptar em filmes, foi para a London Book Fair nesse ano à procura de possíveis adaptações. Ela deixou claro para as pessoas que ela não estava apenas procurando veículos para Margot Robbie.

”Eles começavam a me apresentar uma história e diziam, ‘Isso é sobre uma jovem garota de Bangladesh,’ e então falavam, ‘Oh espera, desculpa, isso é para a Margot.’ E eu ficava, ‘Não, não! Apresente os livros sobre as jovens meninas de Bangladesh!’”

PROMISSORA

A empresa já produziu uma série de TV que não conta com Robbie no elenco: a série da Hulu, Dollface, estrelando Kat Dennings. E o filme do Sundance desse ano, Promising Young Woman é o primeiro filme da LuckyChap com uma mulher que não é Robbie no papel principal.

O filme, que vai estrear em abril, parece seguir os filmes passados da empresa: O visual lembra Terminal e o tom sugere as ironias de Eu, Tonya.

O trailer abre com uma jovem mulher, interpretada por Carey Mulligan, parecendo pouco consciente em um bar iluminado por luzes neon. ”Você sabe, garotas assim se colocam em perigo,” diz um jovem solteiro. Outro a leva para casa, a coloca na cama e pula em cima dela. ”O que você está fazendo?” Ela diz, distraidamente, enquanto ele desliza por seu corpo, tentando assegurá-la de que tudo está bem.

Não está. Ela de repente volta para a vida.

”Ei,” ela diz, ganhando a atenção dele. ”Eu disse: O que você está fazendo?” Entra uma versão lenta de Toxic, de Britney Spears, tocada no violino. Então, nós aprendemos seu objetivo: ”Toda semana, eu vou para um clube, ajo como se estivesse muito bêbada para conseguir ficar em pé. E toda semana um cara legal chega perto para ver se estou bem.”

Questões sobre consentimento, responsabilidade, e se esses caras legais que oferecem leva-la para casa são legais mesmo seguem.

”Para nós, é uma mensagem interessante para colocar no mundo nessa época, em termos de discussões que estão acontecendo no momento,” McNamara diz. ”Como todos podem ser responsabilizados pelo sistema em que vivemos?”

”É um filme, não muito diferente de O Escândalo, que realmente faz você pensar novamente em alguns cenários e situações,” adiciona Ackerley. ”O mundo realmente esteve se reeducando muito durante os últimos cinco anos, e eu acho que esse é outro passo nessa direção enquanto se recalibra e as normas e a sociedade estão sendo mudadas.”

O filme é escrito e dirigido por Emerald Fennell, cujo créditos incluem a segunda temporada do suspense de espião feminista, Killing Eve.

A equipe da LuckyChap encontrou Fennell enquanto buscavam outro projeto de TV com ela. Durante esse processo, ela apresentou a abertura de Promising Young Woman para eles. Eles a encorajaram a terminar o roteiro, e então concordaram em produzir o filme, o primeiro dela.

”Se pudermos ser uma empresa que administra talentos novos e emergentes, e possamos apresenta-los e fornecer essa plataforma para fazerem filmes maiores e de estúdio, isso é idealmente o que queremos fazer,” diz Ackerley.

Dada a ênfase da LuckyChap em apoiar outras atrizes, parece certo que o primeiro Oscar para um dos primeiros filmes da empresa não foi para Robbie, e sim para outra mulher: Allison Janney ganhou o Oscar de Melhor Atriz Coadjuvante por seu papel em Eu, Tonya como a mãe de Harding.

”É inacreditável o quanto eles progrediram rápido como empresa e também o quão bons eles se tornaram em fazer o trabalho deles muito bem,” diz Bryan Unkeless, um produtor mais conhecido por Jogos Vorazes e que trabalhou com a LuckyChap em Eu, Tonya, Dollface e Aves de Rapina.

”Quando comecei a trabalhar com eles em Eu, Tonya, eles estavam formados, mas não tinham chegado em Los Angeles e ainda estavam aprendendo o jogo, lendo muitos roteiros e ainda juntando os pedaços da empresa. E nessa época, que foi um período curto, eles se mudaram para Los Angeles, conseguiram um acordo com a Warner Bros., e organizaram um escritório de um jeito enorme com vários funcionários,” Unkeless continua.

”Todos na cidade os respeitam e os amam e estão levando muito material para eles porque eles fazem o trabalho de um jeito realmente honesto, inteligente e de um jeito atencioso. Tem sido bem divertido de assistir, porque eles fizeram tanta coisa em um curto período, mas eu também sei que os melhores dias estão no futuro deles. Acho que é a empresa mais emocionante atualmente.”

A parceria da LuckyChap não segue os padrões que você deve esperar. Os gostos de Robbie são mais parecidos com os de McNamara, em vez dos de sua amiga de infância ou seu marido. Kerr é a pesquisadora, sempre procurando por uma nova propriedade intelectual. Ackerley é o sonhador, pensando na próxima grande ideia. Os outros brincam que McNamara é o pessimista. Quando eles falam sobre isso, eles completam as frases um do outro novamente.

”Eu digo que sou realista,” diz McNamara. ”Tom é muito sonhador de um jeito muito grande, e eu sou tipo, volte para o chão.”

Ackerley ri. ”E então encontramos um meio termo,” diz Robbie. Kerr adiciona: ”Nós não estaríamos em metade dos lugares que estamos hoje se não fosse pelo sonhador no Tom que fica, ‘Vamos fazer isso! Vamos fazer isso!’ E Margot e eu pulamos na ideia rapidamente tipo siiiim! E o Josey fica, okay, vamos ver…”

”Como nós realmente fazemos isso?” Diz Ackerley, completando o pensamento de Kerr, enquanto simultaneamente defende a visão McNamara, a favor do seu amigo.

O que a placa rosa neon pode lembrar a você mais do que tudo, quando você olha para ela, é o icônico logo de Barbie, da Mattel. Esse é outro grande filme na lista da LuckyChap: Robbie é esperada a interpretar a Barbie em um conto moderno sobre a boneca, escrito pelos cineastas e parceiros da vida real Greta Gerwig e Noah Baumbach.

Nós já ouvimos sobre os perigos de trabalhar com pessoas que você gosta ou ama, mas não ouvimos muito sobre as recompensas.

”Você verdadeiramente se importa com a opinião deles sobre alguma coisa,” Kerr diz. ”Você pode trazer algo e se sentir apaixonado por isso, e eu verdadeiramente quero ouvir o que a Margot tem para falar, ou como Josey se sente sobre isso.”

Ela adiciona: ”Somos os caras mais sortudos da cidade.”

”Nosso advogado nos diz sobre a raridade que é trabalhar com amigos,” diz McNamara.

”É legal estar nos negócios com pessoas onde eu já sei que vamos viver juntos de qualquer jeito,” diz Robbie.

Fonte | Tradução & Adaptação: Equipe Margot Robbie Brasil

Foi anunciado na tarde de hoje que Margot Robbie junto com sua empresa LuckyChap irão produzir uma série de terror baseada nos livros Ameri-Scares. Confira mais:

Margot Robbie e sua LuckyChap Entertainment estão se juntando com a Assemble Media e Warner Horizon para desenvolver a série de livros de Elizabeth Massie, Ameri-Scares, em uma antologia de terror para famílias com um espírito de viagem de carro: Cada episódio se passa em um estado diferente e foca em uma famosa lenda local ou eventos históricos assustadores.

Ameri-Scares está sendo desenvolvida como uma série para a televisão tradicional ou para um serviço de streaming. Robbie, Brett Hedblom & Josey McNamara irão produzir para a LuckyChap Entertainment, que produziu Eu, Tonya e o recente Aves de Rapina. Jack Heller & Brendan Deneen irá produzir para a Assemble Media.

“Com o Ameri-Scares nós vemos a oportunidade perfeita de mergulhar no espaço do terror, e contar o tipo de história única e assustadora que costumávamos contar um para o outro em acampamentos ou festas do pijama quando éramos crianças,” Robbie e sua companhia disseram em uma declaração. “Estamos animados para nos juntar a nossos parceiros na Assemble e Warner Horizon e trazer a série de mistérios e folclore de todo o país de Elizabeth Massie para vida.”

Massie, cujo corpo de trabalho inclui romances, ficção, poesia e não-ficção, é ganhadora duas vezes do Bram Stoker Award e Scribe Award. Crossroad Press of North Carolina publica Ameri-Scares, que é destinada para leitores do ensino fundamental (de 8 a 13 anos). Até hoje, existem 8 livros da série: Califórnia, Nova York, Virginia, Tennessee, Carolina do Norte e Maryland, todas escritas por Massie, além das edições Michigan e West Virginia escritas por Steven Mark Rainey.

“Como fãs de ficção de terror que agrada tanto adolescentes quanto adultos, soubemos assim que lemos Ameri-Scares que Elizabeth criou algo muito especial e atual,” disse Deneen, presidente do desenvolvimento literal da Assemble. “Estamos animados de trabalhar com a LuckyChap e Warner Horizon nessa nova série assustadora.”

Fonte | Tradução & Adaptação: Equipe Margot Robbie Brasil

Margot Robbie compareceu no desfile da Chanel, em Paris, na manhã de hoje. A atriz comemorou seu aniversário assistindo ao desfile com sua prima Julia, sua amiga de longa data e atriz Phoebe Tonkin e a editora chefe da VOGUE, Anna Wintour. Após o desfile, ela conversou com o WWD sobre o que achou da coleção e falou um pouco sobre o segundo semestre ocupado que ela irá ter. Confira:

Um time glamuroso de mulheres apareceram para aplaudiu a coleção de estreia de alta costura de Virginie Viard na Chanel na terça feira em uma biblioteca de mentira no Grand Palais em Paris. A atriz australiana Margot Robbie era uma delas.

”Eu tenho muita divulgação vindo por aí e sinto que vou querer usar cada item que vi hoje,” disse a atriz de Era Uma Vez em Hollywood, que foi anunciada como rosto de um novo perfume da Chanel como seu papel de nova embaixadora de fragrâncias da casa. ”A coleção pareceu fácil e sem esforço. Quando você está fazendo divulgação, seus dias são muitos longos e você não quer parecer apertada de algum jeito. Eu gosto de estar confortável.”

Os próximos seis meses serão ocupados para Robbie, a qual a produtora LuckyChap está produzindo Aves de Rapina, um filme centrado na personagem dos quadrinhos da DC Comics, Harley Quinn – interpretada por Robbie, que está reprisando seu papel de Esquadrão Suicida – com estreia marcada para 2020.

”Estamos no meio da edição desse, e também de um filme independente dirigido por uma mulher e estrelando Carey Mulligan,” ela disse. ”Nós também terminamos uma série chamada Dollface criada por uma mulher e estrelando Kat Dennings. Tem um girl power sério no nosso escritório, com certeza.”

Fonte | Tradução & Adaptação: Equipe Margot Robbie Brasil