Margot Robbie é capa da edição especial do Globo de Ouro da Variety onde ela fala sobre O Escândalo, Aves de Rapina e sobre a LuckyChap. A entrevista ainda conta com citações de Tom Ackerley, Charlize Theron, Christina Hodson e mais, além de fotos lindas que vocês podem conferir na nossa galeria. Leiam a entrevista abaixo:

Margot Robbie teve sucesso ao interpretar pessoas reais no cinema.

Em 2019, ela interpretou Sharon Tate em Era Uma Vez em Hollywood de Quentin Tarantino, e um ano antes, ela foi a Rainha Elizabeth I em Duas Rainhas. Em uma performance que definiu a carreira – a qual ela foi indicada para um Globo de Ouro, Screen Actors Guild Award e um Oscar – Robbie interpretou a famosa patinadora Tonya Harding em Eu, Tonya em 2017.

Abordando o papel de Kayla Pospsil – uma ambiciosa produtora da Fox News que cai na teia de Roger Ailes (John Lithgow) – em O Escândalo, o desafio apresentado foi muito diferente. Ao contrário da Megyn Kelly de Charlize Theron e a Gretchen Carlson de Nicole Kidman, a personagem de Robbie é fictícia, uma composição criada pelo roteirista Charles Randolph para ilustrar o último estágio do assédio e abuso sexual de Ailes – logo antes de sua queda Shakespeariana no verão de 2016.

”Eu não a entendia no começo,” Robbie diz. ”Mas o meu processo é fazer muita pesquisa, considerar cada opinião, saber sobre cada situação, cenário, pensamento e motivação de dentro para fora, para que eu possa chegar no set e soltar tudo isso.”

Ela começou a entender a Kayla usando uma metodologia que o diretor de O Escândalo, Jay Roach, chama de ”um desejo nerd de aprender sobre tudo.” Ela assistiu aos programas da Fox News que a Kayla teria gostado e criou uma conta falsa no Twitter para observar as opiniões performativas de ”jovens garotas conservadoras.” (Robbie não especificou quem ela seguiu, mas imagine as Tomi Lahrens do mundo.)

E ela aperfeiçoou a voz falada da Kayla, mudando seu sotaque australiano para um tom alegre da Flórida. Roach pediu para que Robbie assistisse vídeos de Katherine Harris, a ex secretária do estado da Flórida, que ficou famosa durante as eleições presidenciais de Bush vs Gore em 2000 e foi interpretada por Laura Dern no filme da HBO Recount em 2008. Harris cresceu privilegiada e evangélica na Flórida, assim como Kayla. ”Eu apenas amo os sons das vogais dela – são incríveis,” Robbie diz. Mas Harris não foi sua única referência: ”Todo dia, eu fazia o monólogo de Legalmente Loira,” ela diz, citando a Elle Woods de Reese Witherspoon como o tipo de personagem que é ”incrivelmente inteligente” mas ”subestimada por sua aparência.”

O trabalho duro de Robbie em O Escândalo, que foi lançado pela Lionsgate, valeu a pena. Ela irá competir na categoria de atriz coadjuvante nesta semana no Golden Globes, e também no SAG Awards no dia 19 de janeiro. Ela é uma das favoritas para uma indicação ao Oscar.

O reconhecimento dos prêmios foi o auge de um ano onde Robbie criou um alvoroço por sua interpretação afetuosa de Tate em Era Uma Vez em Hollywood e filmou Aves de Rapina: Arlequina e sua Emancipação Fantabulosa, um spin off de Esquadrão Suicida de 2016 que ela concebeu mais de quatro anos atrás. O filme, onde Robbie estrela e produz, chega aos cinemas no dia 6 de fevereiro. Ela está atualmente filmando O Esquadrão Suicida, de James Gunn, em Atlanta. Está planejado para estrear dia 6 de agosto de 2021.

Várias atrizes como Theron, Whisterspoon, Viola Davis, começaram suas produtoras para produzirem seus próprios filmes. O que é incomum é que Robbie tinha apenas 24 anos quando fundou a dela.

Apenas sete anos antes, ela tinha se mudado de Gold Coast, em Queensland, na Austrália – onde ela cresceu como a terceira de quatro filhos criados por sua mãe – para Melbourne na esperança de atuar profissionalmente. Apesar de não ter dinheiro e de conhecer ninguém, ela foi rapidamente escalada para Neighbours, a icônica novela que também iniciou as carreiras de Liam Hemsworth e Kylie Minogue. ”Não achei que teria algo melhor do que isso para mim,” ela lembra. Quando seu contrato acabou, ela se mudou para Los Angeles, e foi novamente escalada imediatamente: dessas vez interpretando uma aeromoça no elegante mas de curta duração Pan Am da ABC. A partir daí, ela trabalhou constantemente, mas começou definitivamente em 2013 com o papel de chamar atenção como Naomi em O Lobo de Wall Street de Martin Scorsese, onde ela teve o Jordan Belfort de Leonardo DiCaprio comendo em sua mão.

Agora com 29 anos, Robbie comanda a LuckyChap Entertainment, a qual ela fundou com o atual marido Tom Ackerley e seus amigos Josey McNarama e Sophia Kerr, em um escritório com estilo de fazenda em Los Angeles.

Ela conheceu Ackerley e McNamara quando eram assistentes de diretor no drama romântico Suíte Francesa um ano antes, e depois de ficarem bêbados juntos na premiere de Londres de O Lobo de Wall Street, eles decidiram compartilhar uma causa em Clapham, em Londres. (Kerr, amiga de infância de Robbie, era a quarta colega de casa.) A produtora nasceu na mesa da cozinha com o desejo de Robbie criar seu próprio trabalho. Ela lia os roteiros e dizia, ”Eu quero interpretar esse personagem, mas é um cara – como eu faço isso para mim?” McNamara diz. ”E também, ela estava nesse lugar em sua carreira onde ela tinha a habilidade de criar uma produtora, e ela queria apoiar outras mulheres e dar à elas uma plataforma que ela estava conseguindo para si mesma.”

Robbie está envolvida intensamente, algumas vezes até demais. ”Ela lê cada roteiro. Nós falamos para ela não assistir cada um dos nossos diários,” Ackerley diz. ”No final, ela provavelmente faz até demais.”

A produtora e colega de elenco Charlize Theron nota, ”Margot impressiona até meus vasos sanguíneos.” Ela ri pelo o que a frase se tornou. ”Tomando o controle de sua carreira com essa idade, e sendo tão ativa no que ela quer fazer, no que ela quer mostrar – Eu fico um pouco intimidada por ela.”

Os eventos de O Escândalo acontecem antes do movimento #MeToo pós-Harvey Weinstein, mas suas lições ficam em cada cena. #MeToo, que resultou em mudanças sísmicas em como as histórias de mulheres são contadas no cinema, e quem as conta – especificamente, a batalha por mais mulheres como roteiristas e diretoras – causou Robbie e a LuckyChap a olharem para si mesmos. A produtora tinha feito seus três primeiros filmes com homens dirigindo. ”No começo de 2018, fizemos uma decisão consciente de mudar e tentar encontrar mais mulheres nos bastidores,” Ackerley diz.

”Estávamos olhando para nosso próprio trabalho de um jeito diferente,” Robbie diz. ”Alguns de nossos projetos pareceram extremamente relevantes e mais urgentes. E outros pareciam irrelevantes.”

Aves de Rapina era urgente. Com Mary Elizabeth Winstead como Caçadora, Jurnee Smollett-Bell como Canário Negro e Rosie Perez como Renee Montoya. É escrito por uma mulher (Christina Hodson), dirigido por uma mulher (Cathy Yan) e produzido por mulheres (Robbie e Sue Kroll). O filme é um salto ambicioso para a LuckyChap – uma produção de 75 milhões de dólares, para maiores e da Warner Bros./DC Entertainment.

Durante Esquadrão Suicida, Robbie diz que ela se apaixonou pela Harley Quinn, apesar de não conseguir entender o motivo pelo qual a personagem loucamente brilhante e instável ficava em um relacionamento com o Coringa (interpretado por Jared Leto), que ”quer matá-la por boa parte do tempo.”

Ela mergulhou em pesquisas: Leu a peça Fool for Love, de Sam Shepard, sobre um relacionamento destrutivo e ouviu TED Talks de mulheres com esquizofrenia que também eram profissionais de sucesso. Ela entrou de cabeça no mundo da DC Comics, que ela adora. ”Harley tem essa natureza imprevisível que significa que ela pode reagir de qualquer jeito em qualquer situação, o que para um ator é um presente,” Robbie diz.

Um ano antes de Esquadrão Suicida estrear, com a bênção da Warner e da DC para explorar um spinoff da Harley, Robbie se encontrou com a roteirista britânica Hodson, com quem ela compartilha o agente. Durante o brunch, que virou pizza e mimosas, elas se conectaram.

”Uma hora e meia depois, estávamos bêbadas em uma manhã de quarta feira, e somos amigas desde então,” Robbie diz. ”As ideias começaram a aparecer.” Pessoalmente no Four Seasons Hotel em Beverly Hills, Robbie exala entusiasmo, falando com animação sobre tópicos como Harry Potter (”Eu leio repetidamente”), a química de Kayla com a personagem de Kate McKinnon, Jess Carr, em O Escândalo (”Eu secretamente quero um spinoff onde Kayla e Jess vão viajar de carro com suas visões políticas opostas e seu romance florescente”) e o escritório da LuckyChap (”Parece uma casa legal!”) – é fácil imaginar esse almoço embriagado e de muito brainstorm.

Com a estreia em agosto de 2016, Esquadrão Suicida foi recebido com algumas das piores críticas para um filme de quadrinhos, mas os críticos e os fãs concordaram que Robbie era a melhor coisa nele. O filme fez 746 milhões de dólares mundialmente, uma sequência foi aprovada – os críticos que lutem – e a LuckyChap assinou um contrato com a Warner Bros.

Quanto a visão de Robbie para Aves de Rapina, Hodson diz: ”Ela realmente queria ver a Harley com amigas, a Harley com um grupo de meninas. Harley é uma personagem naturalmente sociável. E eu acho que havia um desejo natural de ver meninas juntas na tela – mulheres sendo amigas.”

Ackerley concorda sobre os motivos de Robbie. ”Ela tem um grupo de amigas em Londres, na Austrália, aqui,” ele diz. ”Elas vivem vidas divertidas e animadas. E ela ficou tipo, ‘Eu não vejo isso no cinema.’” Ela também queria que o filme fosse para maiores, e como Deadpool ainda não havia estreado, não havia precedentes – e ”foi preciso convencer um pouco,” Robbie diz.

Robbie e Hodson se encontravam para assistir filmes e para discutir ”quadrinhos que amamos, filmes diferentes que amamos,” Robbie diz. Elas assistiam algo como Trainspotting: ”Como nós alcançamos esse sentimento de caos, mas que tudo pareça satisfatório?” ela se pergunta. Uma de suas sessões durou 13 horas, Hodson lembra. ”Eu estava no teclado e ela estava fazendo cartões com a história. Ela é extraordinária nisso. Eu certamente não conheço outro ator que faria isso como ela.”

As duas se deram tão bem que quando Hodson teve uma ideia para aumentar o número de mulheres roteiristas, elas decidiram criar o Lucky Exports Pitch Program, uma sala de roteiristas de quatro semanas para seis escritoras; quatro das selecionadas foram mulheres de cor. (A própria Hodson é meio-taiwanesa.) Cada uma veio com várias ideias, e agora, com o programa encerrado, todas tem propostas sólidas – e Hodson e a LuckyChap anexados como produtores. ”Vamos sair por aí e propor para todos os estúdios, e com sorte, vamos vendê-los e fazê-los,” Robbie diz.

Quando se tratou de achar um diretor para Aves de Rapina, Robbie e os outros produtores – que naquele ponto incluía Kroll, a chefe de marketing de longa data da Warner que agora é dona da Kroll & Co. Entertainment, e o produtor de Eu, Tonya Bryan Unkeless – estavam convencidos de tentar contratar uma mulher. Mas, assim como Eu, Tonya foi dirigido por Craig Gillespie, eles queriam encontrar a melhor pessoa para o trabalho. No final, Yan, uma diretora chinesa-americana que o único crédito em filme era o independente Dead Pigs de 2018, conseguiu o trabalho. ”Ela falou sobre a paleta de cores estética, como ela queria filmar a ação, como ela queria que o figurino refletisse a personalidade dos personagens,” Robbie diz. ”Foi perfeito.”

O filme, como seu subtítulo insinua, começa após o término da Harley com o Coringa. Robbie confirma que a encarnação de Leto no personagem não aparece, nem mesmo como participação especial. Quando ao outro Coringa, Robbie acha que Joaquin Phoenix ”fez um trabalho fenomenal.” Mas ela diz que Aves de Rapina não se parece em nada com o filme de Todd Phillips: ”Eu sinto que Coringa foi mais pé no chão. O nosso é diferente. É aguçado.”

Aves de Rapina será o primeiro de cinco grandes filmes lançados em 2020 feito por mulheres: Mulan de Niki Caro, Viúva Negra, de Cate Shortland, Mulher Maravilha 1984, de Patty Jenkins e The Eternals de Chloé Zhao são os outros. É um reflexo do movimento glacial de Hollywood para o progresso, Kroll diz, onde ”mulheres fazem parte da conversa agora.” Kroll ama o resultado final de Aves de Rapina, dizendo que suas personagens são ”nuances” e dizendo que o filme tem ”um lindo senso de lugar.”

”Mas no fim do dia,” ela adiciona, ”é sobre um grupo de mulheres divertido e poderoso se unindo. É uma viagem. É uma viagem louca.”

Sobre a experiência de trabalhar com Robbie como produtora, Kroll diz: ”Se ela não fosse uma atriz tão talentosa, e se ela decidisse que ela não quer mais trabalhar nisso, ela poderia ser uma produtora em tempo integral. Ela é realmente boa nisso.”

Kroll é apenas uma de muitas colegas que falam com admiração sobre Robbie. Roach elogia sua performance em O Escândalo. ”Ela é muito precisa, e ela trabalhou com a arte disso tudo. Assim que tudo está pronto, um tipo incrível de coração, espírito e alma ficam no topo da arte,” ele diz. ”É realmente maravilhoso experienciar isso. Tive muita, muita sorte de estar no set.”

No final de O Escândalo, a Megyn Kelly de Theron, procurando por possíveis vítimas de Ailes, aborda Kayla. ”Você deveria denunciar o Roger,” ela diz. ”Você vai ser protegida.” A cena tem uma reviravolta quando Kayla, quem Megyn acha que será grata, a acusa de cumplicidade em vez disso. ”Você pensou no que o seu silêncio iria significar para nós? O resto de nós?” Kayla pergunta, engolindo sua raiva e mágoa.

Robbie pensou muito sobre como Kayla iria se sentir naquele momento, balanceando o quanto ela idolatra Megyn contra seu senso de traição. ”Eu queria que tivesse um calor por trás disso. Eu queria que a acusação por trás fosse real,” ela diz. Roach ficou surpreso sobre como a cena saiu. ”Ela teve uma reação muito emotiva, e se desculpou depois: ‘Eu fiquei envolvida.’ E eu disse, ‘Isso foi incrível.’ Tentamos algumas tomadas menos emocionais, mas não foram tão poderosas.”

”Eu acho que foram apenas suas emoções saindo de um jeito inesperado. E foi muito divertido interpretar com a Charlize,” Robbie diz.

Kayla – que diz coisas como ”A Fox é a nossa religião!” – poderia ter sido caricata. Mas não nas mãos de Robbie.

”Eu acho que a performance dela nesse filme é uma performance muito rara,” Theron diz. ”Eu já vi o filme umas 50 vezes até agora, se não mais, e ela me emociona todas as vezes. É ridículo – e eu sou morta por dentro! E ela me emociona toda p*rra de vez.”

Fonte | Tradução & Adaptação: Equipe Margot Robbie Brasil

Margot Robbie está na capa da revista do site The Hollywood Reporter ao lado de seu cabeleireiro Bryce Scarlett e sua maquiadora Pati Dubroff em uma edição especial dedicada às equipes de beleza dos famosos. Confira mais:

O grande momento glamuroso do trio não foi destinado para o tapete vermelho, mas para o aniversário de Robbie, que caiu durante a semana de moda de Paris em julho, “Perucas, muito glitter, amigos doidos – foi uma grande festa de 29 anos,” diz a estrela de Once Upon a Time in Hollywood. “Eu não preciso de uma de 30.” Anunciada como embaixadora da nova fragrância da Chanel em maio, Robbie acha que sua equipe de quatro anos é “visionária.” Scarlett, que é embaixador da Moroccanoil, reconhece que ele está “sempre morrendo para sair dos limites e tentar looks que ninguém mais está fazendo,” e Dubroff dá créditos para Robbie por “permitir muita expressão criativa.” Sobre a tour de divulgação de Bombshell, Dubroff divulga somente que “a vibe vai ser um tanto diferente do que iremos fazer para Birds of Prey,” se referindo ao filme que Robbie estrela como Harley Quinn com estreia planejada para fevereiro.

LOOK FAVORITO DO TAPETE VERMELHO: Robbie diz que o look do Screen Actors Guild Awards em janeiro “deu o pontapé inicial para o tema Lauren Hutton que eles improvisando neste ano, adicionando: “Existe uma qualidade natural nela que estávamos buscando.” Para Scarlett, isso traduziu em um cabelo dividido ao meio “elegante e completamente natural,” enquanto para Dubroff, que trabalhou com Hutton, o look se manifestou em camadas de dourado nos olhos e lábios cor de pêssego.

Enquanto divulgada Once Upon a Time in Hollywood, a equipe buscou a personagem de Robbie, Sharon Tate, com cabelo e maquiagem inspirados nos anos 60. Como algumas vezes acontece em tapetes vermelhos, a premiere de Londres do filme em julho estava notavelmente molhada e ventosa. Robbie relembra, fotografada com sua equipe no dia 11 de setembro em Los Angeles, “As fotos ficaram ótimas, mas na realidade o vestido Oscar de la Renta estava encharcado e o meu cabelo estava no meu rosto o tempo inteiro.”

Fonte | Tradução & Adaptação: Equipe Margot Robbie Brasil

A última capa do ano da revista Vogue Australia foi anunciada e não é ninguém mais ninguém menos do que nossa australiana favorita! Durante a entrevista, Margot Robbie fala sobre feminismo, sua vida de casada, sobre sua produtora, LuckyChap, e planos para o futuro. Confira abaixo as fotos e a tradução:

Margot Robbie abre a porta de uma enorme mansão no estilo fazenda em Albuquerque, Novo México, a qual está decorada com abóboras de Halloween em tamanhos variados e hilaridade. “Oi, eu sou a Margot!” ela fala com um grande sorriso. De repente, um pequeno e desarrumado cachorro do tamanho de uma pena de espanador dá um pulo, rodando em círculos, e o sorriso de Robbie se torna em uma carranca de pânico: “Oh, cuidado, ele pode fazer xixi em você!” O cachorro, chamado Boo Radley, pula e fica em pé com tanto estilo que você esquece que ele é um animal de quatro patas.

É um momento cômico semelhante a uma cena de uma comédia do Woody Allen que se transforma em Entourage: a atriz – vestida em jeans escuros, uma blusa listrada vermelha e azul e chinelo branco de hotel – e seu cão animado que recebeu o nome de um dos personagens mais famosos da literatura, me recebendo no meio do deserto. O resto dos residentes da casa, que entram e saem durante as próximas duas horas, fazem o elenco de apoio: Josey McNamara, o amigo e sócio que aparece de outro cômodo no meio da entrevista, Sophia Kerr, a melhor amiga de infância que também é assistente e aparece atrás da escada, e Tom Ackerley, o marido lindo e calado que vaga entre a cozinha e a academia. Mas isso é a vida real de Robbie, esses são seus amigos verdadeiros, e isso é mais do que um filme.

Robbie, de 27 anos, incorpora tudo que você quer em uma atriz principal: ela é engraçada e determinada, uma mulher fatal com aparência de morrer e uma habilidade para negócios brilhante. Ela fala sobre feminismo e sobre ser um exemplo para as mulheres tão facilmente quanto discute suas modas favoritas enquanto simultaneamente faz contas para o orçamento de um filme como uma contadora experiente. Seu termo favorito “100 por cento” aparece facilmente na conversa como “tipo”; e seu rosto se ilumina ao ver seu marido como quando ela fala sobre seu amor absoluto por fazer filmes. Família e amigos são obviamente sua primeira paixão, com filmes chegando muito perto no segundo lugar.

Já fazem 10 anos desde que Robbie entrou em nossas telas de TV em Neighbours antes de dar o grande salto para Hollywood com uma chance de roubar a cena e mudar a vida em O Lobo de Wall Street em 2013. Desde então, o seu repertório de filmes tem ido de filmes independentes (Suíte Francesa, Os Últimos na Terra) para comédias (Golpe Duplo, Uma Reporter em Apuros) para blockbusters (A Lenda de Tarzan, Esquadrão Suicida). Nos próximos meses, ela vai aparecer nos dramas de época Mary, Queen of Scots (onde ela interpreta a Rainha Elizabeth I, com entrada na raiz do cabelo e pele cicatrizada) e Goodbye Christopher Robin, onde ela interpreta a esposa socialite de A.A Milne, autor de O Ursinho Pooh, com completa desenvoltura britânica. E enquanto sua estrela continua a crescer, Robbie, que não é de sentar e observar os benefícios do sucesso em Hollywood, agora está se aventurando mais e assumindo um novo papel: produtora e presidente auto nomeada de sua própria empresa. Ela está controlando seu próprio destino por trás das câmeras, onde ela quer ser um modelo feminino por exemplo, encarregada de produzir conteúdo para mulheres.

“Eu já trabalho com muitas roteiristas que são brilhantes, e eu quero trabalhar com diretoras,” ela diz. “Eu realmente quero trabalhar com atrizes da minha idade. Eu estou tentando muito pegar alguns projetos e colocar um elenco de jovens mulheres, porque essa é a minha vida, meu grupo de garotas, somos uma gangue e andamos juntas e eu fico tipo: “Por que isso não é refletido no cinema?” Ela adiciona com uma confiança madura de muitos anos aprimorando as máquinas de Hollywood que a impulsionou a assumir a produção. “Eu sinto que já estive na indústria há tempo o bastante para assistir outras pessoas tomarem essas decisões. Eu já tenho experiência o bastante para ter mais do que uma opinião tipo: “Na verdade, eu não teria feito assim” ou “Eu acho que eles deveriam ter feito algo diferente.” Agora eu posso ser uma das pessoas que dizem: “Hey, talvez a gente devesse fazer um pouco diferente.” É legal ter essa oportunidade. É muito satisfatório criar algo, fazer parte disso e tomar o controle da minha carreira.”

Albuquerque é um dos últimos lugares que você esperaria encontrar uma das maiores jovens estrelas da Austrália construindo seu próprio império. Mas é aqui, nas planícies do deserto de maior altitude, que Robbie estabeleceu um escritório de curto prazo enquanto sua produtora, LuckyChap, faz um filme por perto. A ideia da LuckyChap nasceu em 2013 em uma casa que Robbie compartilhava em Londres com a comitiva mencionada acima: Kerr, McNamara e o então namorado Ackerley, os dois últimos sendo assistentes de direção que Robbie conheceu no set europeu de Suíte Francesa. Esse ano eles oficialmente se mudaram para Los Angeles, onde os recém casados Robbie e Ackerley finalmente se mudaram para uma casa própria e a equipe abriu oficialmente um escritório no estúdio da Warner Bros. em janeiro. Mas nesse dia de outubro, a equipe da LuckyChap alugaram temporariamente essa mansão da Airbnb na área de High Desert aos pés das montanhas de Albuquerque, bem acima da cidade, enquanto eles filmam Dreamland, o terceiro filme a ser produzido com sua bandeira. Eles também estão preparando o lançamento de I, Tonya, uma comédia obscura sobre Tonya Harding, a ex-patinadora acusada de organizar um ataque em sua rival Nancy Kerrigan em 1994. O filme, uma bizarra história real que delicadamente aborda violência doméstica e comédia, recebeu ótimas críticas depois da exibição no Festival de Toronto e já existem burburinhos de Oscar para a performance impressionante de Robbie como a anti-heroína Harding.

Aqui, Robbie está focada nos negócios enquanto aproveita a privacidade longe dos paparazzi que esse santuário no deserto oferece a ela. Entre estrelar e produzir Dreamland, ela está participando de reuniões para seus próximos projetos – antes da nossa entrevista ela estava em uma reunião de roteiro, um dia depois ela iria se encontrar com um diretor australiano que voou para Los Angeles apenas para discutir um projeto especial. Durante o fim de semana, Robbie voa ao redor do mundo para promover I, Tonya antes de retornar para seu pequeno refúgio em uma estrada com muito vento cercada de árvores que estão repletas de cores de outono e vista panorâmica.

“É deslumbrante aqui. Eu fui caminhar essa manhã tentando cansar o Boo,” Robbie diz olhando para a janela enquanto coloca a chaleira no fogo. Como se fosse uma sugestão, o cão reaparece nos meus pés, fazendo aquela pose estranha sob duas patas novamente. “É como andar em um set de velho oeste. Aparentemente, aqui é o ar mais limpo da América. Eu acho que estamos a 5,000 pés acima do nível do mar. E a equipe é incrível. É muito bonito, temos muita sorte.”

Ackerley entra na cozinha voltando da academia e Robbie brinca com ele sobre ser a segunda vez que ele malha no dia, antes de fazer uma xícara de chá para ele. O vínculo entre os dois, que casaram em uma cerimônia íntima em Byron Bay em dezembro do ano passado, é óbvio. Eles discutem brevemente sobre os roteiros que eles leram e os planos para a noite – eles serão anfitriões de uma exibição de I, Tonya para o elenco e equipe de Dreamland. Ackerley então dá um rápido beijo em sua esposa e desaparece na casa e Robbie, sempre a anfitriã (ela faz uma ótima xícara de chá, aperfeiçoada por anos vivendo em Londres), me oferece algo para comer e lê o conteúdo da geladeira: melancia, frango, bolas japonesas de goji. Ela escolhe melancia.

Nós vamos para a sala de estar, onde Robbie senta no meio de um enorme sofá, com as pernas cruzadas e agora descalça (Boo roubou seu chinelo para mastigar), enquanto sua conversa vaga entre casamento, feminismo, ser um exemplo, ela começa a cera lírica sobre LuckyChap. Ela aponta que, enquanto ela está feliz de usar seu poder como estrela para começar a empresa, é um grupo democrático de quatro membros – logo serão seis. Eles também irão incluir projetos para a televisão em sua agenda.

“Eu não posso estrelar em todos os projetos da LuckyChap, mas para começar, foi assim que conseguimos nossa tração, e assim avançaremos para a maioria dos projetos que eu não estou,” ela diz. “O objetivo seria ter uma produtora estabilizada com trabalhos variados e esperançosamente boas críticas e prestígio conectado ao nome, mas a empresa seria sua própria entidade, não seria “a empresa da Margot Robbie” porque não é. A empresa é de todo mundo e nós gostaríamos de nos afastar disso.”

Eu pergunto se é uma ajuda ou obstáculo trabalhar com seus melhores amigos, e Robbie balança os ombros.

“Muitas pessoas nos avisaram contra começar uma empresa com nossos amigos, e eu fiquei muito desapontada com a quantidade de pessoas que nos disseram que era uma má ideia,” ela diz. “Mas eu acho que somos uma exceção à regra porque ainda somos melhores amigos e amamos trabalhar juntos. É perfeito, porque o trabalho nunca parece trabalho para mim. Eu estou sempre com meus melhores amigos, confio neles implicitamente, nós nos conhecemos muitos bem, sabemos as forças e fraquezas de cada um e como separar os projetos entre nós para que possamos ser produtivos e eficientes o máximo possível e tem sido ótimo até agora.”

A fama de Robbie cresceu rapidamente desde O Lobo de Wall Street a lançou para os holofotes e Esquadrão Suicida a colocou mais por dentro do espírito dos blockbusters (a fantasia de Harley Quinn foi a mais popular do Halloween do ano passado, até entre os amigos de Robbie, e a ajuda quando a imigração não a reconhece). Ela também é o rosto do perfume Deep Euphoria da Calvin Klein, e a atenção em seu casamento surpresa com Ackerley foi intensa. O casal celebrou o grande dia rodeado de 50 amigos e familiares. Sua postagem icônica no Instagram anunciando as núpcias, com seu dedo anelar levantado para a câmera, viralizou. “É louco,” ela diz. “Eu vi muitas pessoas no Instagram anunciar o noivado desse jeito. É engraçado e muito bizarro.”

Eu a pergunto se estar casada mudou algo, especialmente agora que eles estão trabalhando mais juntos, e Robbie olha para seu anel de diamante. “Essa é a coisa, nós éramos melhores amigos e colegas de quarto antes e agora ainda somos melhores amigos e colegas de quarto, então nada mudou. Apesar do fato de que eu posso usar isso nos fins de semana. Eu obviamente não posso usar durante a semana quando estou trabalhando, não quero perdê-lo no set.”

Enquanto a fama traz convites para o Oscar e para o Met Gala, o tempo livre de Robbie é passado com os mais queridos e próximos. Os fins de semana em casa são aproveitado visitando a feira, fazendo churrasco ou “limpando cocô de cachorro,” de acordo com Kerr. Ela continua em contato com seus amigos de escola em Gold Coast, e até viajou para Filipinas com a equipe da LuckyChap no ano passado. “Ela ainda tem todos os amigos de antes da fama,” diz Kerr. “Ela faz FaceTime com sua mãe, irmãos e sobrinho [que moram em Gold Coast] toda semana. Ela participa de grupos de mensagem onde zoamos uns aos outros… ela não recebe tratamento especial!”

Robbie diz que ela sente muita falta da sua família e está muito interessada em voltar e fazer um filme na Austrália para passar mais tempo com eles e apoiar a indústria local: “Desde que começamos a empresa, eu fiquei tipo: ‘Precisamos trabalhar com jovens diretores, de primeira viagem e segunda, homem ou mulher; precisamos trabalhar com mulheres roteiristas, diretoras e atrizes, obviamente, e australianos sempre que possível. E vamos filmar algo na Austrália!” Esse é meu sonho.”

Estar no centro de um negócio traz muita pressão, ela admite, mas estar rodeada com os seus melhores amigos a mantém no chão. “É difícil, eu tenho certeza que muitas pessoas lendo isso possuem seu próprio negócio e é muito difícil. Ter um negócio é estressante e consome o tempo, mas é incrivelmente recompensador,” ela diz. “Obviamente muitas vezes eu tenho um surto e falo que não posso continuar. E você perde muitas coisas, tipo você raramente tem feriados, você perde o casamento de todo mundo, o aniversário de todo mundo. Eu ainda não fui pra casa esse ano, não vi meus melhores amigos, meu sobrinho. Então existe esse lado onde dói sacrificar essas coisas, mas também é muito satisfatório criar algo e ser parte disso. É louco pensar que já fazem 10 anos desde Neighbours. É louco porque o tempo voou, mas ao mesmo tempo, muita coisa aconteceu. Eu estou emocionada com onde estou na minha carreira. Eu absolutamente não tenho arrependimentos, todas as experiências foram incríveis, em questão de criação de personalidade e molde de carreira.”

Eu entrevistei Robbie pela primeira vez em 2014 quando ela estava promovendo Golpe Duplo, cavalgando no sucesso de Lobo e animada sobre a perspectiva do futuro. Ela ainda está surpresa e animada, mas amadureceu em uma mulher inteligente e determinada a deixar uma marca definitiva e criar seu próprio caminho com suas próprias regras, e se divertir enquanto isso.

“Como um raio de sol” é como sua melhor amiga Kerr a descreve, enquanto o diretor de O Lobo de Wall Street, Martin Scorsese diz que Robbie é “como ninguém mais.”

“Margot tem uma… audácia única que surpreende e desafia e apenas queima como uma marca em cada personagem que ela interpreta. Ela conseguiu seu papel em O Lobo de Wall Street durante nossa primeira reunião – ao dar um tapa forte no rosto de Leonardo DiCaprio, uma improvisação que nos deixou chocados,” Scorsese escreveu em homenagem a Robbie quando ela foi nomeada uma das 100 pessoas mais influentes do ano pela Time no começo do ano. “Margot é deslumbrante em tudo o que ela é e em tudo o que faz, e ela irá nos surpreender para sempre.”

O diretor de I, Tonya, Craig Gillespie, diz que trabalhar com Margot é “o sonho de um diretor.” “Ela vinha para o set tão preparada, com seu dever de casa feito, completa com três tons diferentes do seu sotaque dependendo da idade da personagem,” o diretor australiano diz. “Ela estava completamente preparada, mas ainda assim disposta a improvisar e se arriscar, apenas muito destemida. No topo de tudo, ela tem um comando de seu ofício que ela faz parecer sem esforço. Ela podia ajustar o salto, e adicionar nuances e cores em uma performance. Tivemos um roteiro incrível, mas o talento da Margot para improvisar e reação aos seus parceiros de cena levaram para outro nível.”

“Margot tem uma habilidade rara de interpretar drama e humor simultaneamente. É uma combinação formidável. Ela não se esforça com o humor, seu tempo é perfeito. Ainda assim, ela pode virar a moeda e ser tão vulnerável e simpática. É muito difícil andar na corda bamba: um passo errado e você perde o público, e Margot nunca errou.”

Robbie, que é uma fã ávida de hockey mas nunca patinou antes de I, Tonya, treinou por meses, algumas vezes patinava durante quatro horas por dia no gelo. Quando a produção começou (enquanto era a estrela em quase todas as cenas, “esse foi meu primeiro papel principal de verdade”), Robbie adicionou a tarefa de ser produtora.

“Sua habilidade de multitarefa era impressionante,” diz Gillespie. “Ela tinha um cronograma muito intenso, e ainda assim ela conseguia sair da personagem por um momento, discutir um problema de produção, e então voltar.”

Diz Kerr: “Isso veio tão instintivamente para ela, eu me pergunto frequentemente se ela é melhor como produtora ou atriz. Em I, Tonya ela estava patinando no gelo e entre as cenas ela estava falando sobre o custo das músicas ou comparando preços das próximas locações. Então ela patinava de volta para o gelo e estava de volta como Tonya Harding. A única coisa que mudou é sua carga de trabalho e ela está aguentando como profissional.”

Muito relevante, nós nos encontramos no meio do escândalo de Harvey Weinstein em Hollywood, com acusações diárias sendo feitas enquanto mais mulheres encontram forças para falar e se posicionar sobre assédio sexual. Uma semana antes, Robbie fez um discurso inspirador na premiação Women in Hollywood na forma de uma carta onde ela fala sobre como as mulheres “lutar em situações degradantes e será oferecida papéis sexistas por homens que pensam que isso é tudo o que o público quer nos ver interpretar. Nós somos todas apenas mulheres, todas enfrentando a falta de igualdade que ser mulher nos traz. E, apesar de sermos individualmente únicas e poderosas, nós somos invencíveis quando estamos juntas,” disse ela em seu discurso.

De volta ao sofá de Albuquerque, quando eu trago o discurso a tona, o sorriso de Robbie se torna desafiador: “Para mim, quando eu penso em mulheres, eu acho que a palavra que nos define melhor mas não é usada com a frequência que deveria é ‘resiliente’,” ela diz. “Mulheres são tão resilientes e eu acho que a resposta para essa situação do Weinstein provou isso. Porque é impressionante o quão rápido todo mundo mudou de triste por causa das notícias para como levamos isso adiante? Como podemos avançar? O que podemos fazer de bom quanto a isso? Todos imediatamente mostraram apoio e então automaticamente olharam para o futuro, o que me fez ter mais orgulho ainda de ser mulher.”

“Como na premiação naquela noite, Kathleen Kennedy estava falando sobre arrecadar fundos para possa ter uma rede de apoio se você passar por uma situação dessas e existe dinheiro por trás, recursos, pessoas para apoiar e então uma solução. Não é tipo: “Vamos falar sobre isso,” é como: “Qual é a solução?” e todos naquela noite estavam a bordo da ideia. Penso que também há o fato de que todas continuaram a falar, então isso prova que uma mudança positiva sairá disso. As pessoas já falaram antes e irão continuar no futuro, eu espero. E se elas não estiverem confortáveis para fazer isso, então vamos tornar isso mais fácil. Vamos arrecadar fundos, vamos fazer uma rede de apoio que funciona e para onde as pessoas possam correr. Eu acho que isso seria ideal.”

Eu pergunto se ela se considera feminista, e ela não hesita em sua resposta. “Sim, eu sou. Mas alguns anos atrás eu estaria com um pouco de medo de dizer que sim porque havia tantas conotações negativas, como: “Se você for feminista, você odeia homens.” Eu estou escutando muitos TED Talks ultimamente sobre a nova onda do feminismo e não é sobre odiar homens, e homens também podem ser feministas. Minha definição favorita de o que é uma feminista é “qualquer pessoa que acredita em igualdade de gênero em aspecto social, emocional e financeiro,” e isso significa que o Tom é feminista, eu sou feminista.”

Ela adiciona que ela planeja aproveitar seu título de celebridade para ser um exemplo para jovens meninas, e quer visitar estudantes na sua próxima viagem para a Austrália. “Eu quero dizer para os jovens que o sucesso não está tão longe quanto parece. Eu não conhecia ninguém nesta indústria, isso pode acontecer,” ela diz. “Eu gostaria de fazer algo assim para falar com a geração mais nova. Para dizer: “Você vai precisar trabalhar muito, você vai precisar trabalhar muito mesmo, mas se você realmente quiser isso, você pode fazer acontecer.”

A luz começa a desaparecer assim que o sol se põe na montanha por trás da casa, mudando de amarelo para laranja para vermelho antes de ficar preto. É um pano de fundo deslumbrante enquanto Robbie fala sobre sua paixão por filmes, que começou quando ela era criança em Gold Coast, quando ela sentava nos degraus do cinema em Pacific Fair e assistia aos trailers dos filmes repetidamente, atraída pelo cheiro da pipoca e textura do tapete.

“Eu ainda tenho essa emoção; Eu acho que é a melhor forma de escapismo,” ela diz com um sorriso, seus olhos literalmente brilhando. “Pelo lado da atuação, minha parte favorita é quando eu realmente me perco em uma cena, quando esqueço que estou no set. Isso só aconteceu algumas vezes na minha carreira, onde eu esqueço de verdade que estava no set, que não sou aquela personagem, que não estava naquele tempo ou lugar. Esse é o melhor sentimento do mundo. Melhor do que saltar de paraquedas. É a experiência mais emocionante.”

Eu comento que ela de repente parece uma criança no Natal falando sobre filmes. “Oh, é verdade!”. Estar no set de um filme, ela adiciona, é “100% o melhor lugar para estar. Eu tenho alguns amigos que me visitam no set e eles odeiam e mal podem esperar para ir embora, mas eu amo. O set de um filme é o meu lugar favorito, não há nada melhor. E eu não ligo se eu tenho três falas no filme ou se não estou no papel principal. Não ligo mesmo. Quando você está no set, é a melhor coisa do mundo.”

Questionada sobre sua memória favorita ao fazer um filme, ela fala sobre a tomada final de Terminal, o mais recente filme completo da LuckyChap, que ainda irá ser lançado. “Lembro que na última tomada que fizemos, eles nos deram quatro claquetes no final,” ela diz. “E quando soubemos que tínhamos feito um filme, foi um sentimento incrível. E fizemos juntos, o que foi a melhor parte. Nada disso seria divertido se você faz sozinho. Eu faço com os meus melhores amigos do mundo, é apenas incrível.”

Fonte | Tradução: Equipe Margot Robbie Brasil

Margot Robbie é capa da edição de novembro da ELLE Magazine, junto com outras atrizes, em uma edição feita para celebrar mulheres poderosas de Hollywood. Confira abaixo a entrevista traduzida:

Tudo começou com um salto agulha. Especificamente, um vermelho, afundando no rosto de Leonardo DiCaprio, na obra de 2013 indicada ao Oscar de Martin Scorsese, O Lobo de Wall Street. Na cena essencial, o corretor de DiCaprio, Jordan Belfort, engatinha pelo carpete em direção a sua esposa, Naomi, humilhando-se por perdão pela sua infidelidade. Mas Naomi, interpretada para empoderar a perfeição do sexo por Margot Robbie, não está tolerando.

“Eu não recebi muita direção de Marty durante a filmagem toda,” diz Robbie, 27, que fez sua estreia na atuação quando era adolescente, na novela australiana Neighbours, antes de se mudar para Los Angeles e quase instantaneamente conseguir o papel principal no drama de 2011 da ABC, Pan Am. “Nosso trabalho era encontrar o personagem e levantá-lo na ocasião. Se não fizéssemos, nós não estaríamos muito no filme.”

E ela levantou: Aquele “Quem é essa garota? ecoando pela America rapidamente se tornou, “Agora sim uma estrela do cinema,” quando Robbie conseguiu um papel atrás do outro com determinação, humor e uma dose saudável de sensualidade. Após O Lobo, ela provou que glamour não era seu único jeito com o filme independente de 2015, Os Últimos na Terra, interpretando Ann, uma inocente menina da fazenda cujo a vida pós-apocalipse é desarrumada quando dois homens misteriosos (Chiwetel Ejiofor e Chris Pine) entram em seu mundo. Nesse mesmo ano, Golpe Duplo viu Robbie libertar sua mulher fatal interior como uma golpista acompanhando Will Smith. Em 2016, Uma Repórter em Apuros levou ela, e sua co-star Tina Fey, para o Afeganistão como jornalistas de guerra. E os críticos concordaram que, se há um razão para assistir Esquadrão Suicida, é para ver Robbie trazendo a vilã louca mas muito engraçada dos quadrinhos, Harley Quinn, que possivelmente terá seu próprio filme com o Coringa de Jared Leto.

A estreia deste mês, Goodbye Christopher Robin, no entanto, leva Robbie ao que ela chama de “o extremo oposto do espectro da Harley”. O filme segue a vida do autor A. A. Milne (Domhnall Gleeson) enquanto ele cria o livro infantil O Ursinho Pooh na Inglaterra pós-Primeira Guerra Mundial. Robbie interpreta Daphne, a esposa elegante de Milne, que se recusa a ministrar as necessidades emocionais de seu marido, que sofre de Estresse Pós-Traumático ou de seu filho, o verdadeiro Christopher Robin, enquanto ele se torna uma celebridade. “Você precisa entender as circunstâncias que a Daphne nasceu,” diz Robbie. “Ela é uma mulher britânica com expectativas de como agir e criar um filho na aristocracia, e ela está fazendo isso em um tempo bem horrível para estar vivo.”

“Margot nunca pediu desculpas por ela,” Gleeson diz. “Ela encontrou a razão pela sua atitude e ela caminhou com isso. Essa é uma das coisas que aprendi com ela: Procure papéis que não esperam que você interprete. E a outra é, se ninguém está oferecendo esses papéis, crie-os.”

Agora, Robbie está com essa missão direta. “Eu nunca pensei que eu ia querer ser produtora,” ela diz, se referindo a LuckyChap Entertainment, produtora que ela começou em 2015 com seu marido, Tom Ackerley. “Eu sempre quis dirigir e produzir, mas eu cheguei em um ponto como atriz onde eu senti que era a marionete de todo mundo. Eu pensei, por que não posso decidir sobre a arte que estou fazendo?

O projeto de estreia de Robbie é Terminal, um suspense noir sobre cinco pessoas (Robbie interpreta uma garçonete com uma fascinação estranha com a morte) cujas vidas se cruzam em um mundo futuro distópico. Adicione produzir e estrelar em uma biografia que já está sendo falada: I, Tonya, na qual Robbie, em uma poderosa performance, domina a patinação no gelo (depois de treinar por três meses), as roupas e, sim, o cabelo engraçado de Tonya Harding. A comédia de humor negro, do diretor de Lars and the Real Girl, Craig Gillespie, fala sobre a anti heroína da pobre Portland que se torna atleta campeã e figura pública desonrada após ser ligada ao ataque em Nancy Kerrigan no Campeonato de Patinação Artística dos EUA em 1994.

“Uma pessoa tão bonita como a Margot pode ser estereotipada,” diz Allison Janney, que interpreta a mãe de Harding, LaVona Golden. “Mas ela fez algo fora do que ela costuma fazer, e eu tenho um respeito enorme por isso.” Sebastian Stan, que interpreta o marido de Harding, Jeff Gillooly, encontrou-se “apaixonado por seu talento enorme tanto quanto atriz como produtora,” ele diz, se referindo aos dias de filmagem de 12 horas. “Mas eu nunca tive que ajudá-la em nada do seu malabarismo, e isso é um sinal de que você está fazendo bem.”

E enquanto Robbie pode ter parado de tentar fazer axels triplos, o céu é o limite: LuckyChap tem meia dúzia de filmes em desenvolvimento e irá molhar o pé na televisão em breve. Ela também se tornará Rainha Elizabeth I, contracenando com Saoirse Ronanr em Mary Queen of Scots, do ano que vem. “Minha vida não parou desde que eu coloquei os pés na Times Square, vi meu rosto em um anúncio de Pan Am, e eu disse, ‘Puta merda,'” diz Robbie. “Eu tenho que continuar, seja interpretando ou criando personagens intrigantes em roteiros não convencionais. É assim que você consegue longevidade. E eu espero que eu fique por aqui por muito tempo.”

O Lobo de Wall Street, 2013: “Martin sempre falou comigo como igual, tipo, “Você sabe aquele filme? E eu ficava tipo, “Não, eu nunca ouvi falar desse filme obscuro da Alemanha em 1920, mas continue!”

Esquadrão Suicida, 2016: “Eu posso fazer qualquer coisa em uma cena com a Harley. Eu poderia matar alguém ou beijá-lo, mentir ou ser completamente honesta. Tudo isso funciona para a personagem.”

Goodbye Christopher Robin, 2017: “Movimento constante no rosto do horror era como as pessoas lidavam com a guerra. Se a Daphne parar e olhar em volta, ela vai cair e nunca mais se levantar.”

Terminal, 2018: “Sou eu, uma professora de escola com uma doença terminal, dois gangsters, e um zelador bizarro. Um filme muito legal e estranho sobre nossos caminhos se cruzando.”

I, Tonya, 2017: “Quando eu vejo toda a filmagem, após a jornada de interpretá-la, eu apenas desejo que ela tivesse boas pessoas ao redor dela. Faria uma diferença enorme.”

Fonte | Tradução & Adaptação: Equipe Margot Robbie Brasil