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19.12.17
Elenco de I, Tonya comenta se o filme é fiel ao incidente de 1994

Em um artigo para a revista Entertainment Weekly, o elenco de I, Tonya junto com o diretor e roteirista do filme comentou se eles acham que o filme conta a verdade sobre o que aconteceu nas Olimpíadas de 1994, quando Nancy Kerrigan foi atacada a mando de Jeff Gillooly, ex marido de Tonya Harding. Confira:

Estamos sentados no oitavo andar de um prédio empresarial em Manhattan, e Allison Janney está prestes a me contar o que ela realmente pensa sobre a patinadora olímpica Tonya Harding. Mais de 20 anos atrás, um ataque na competidora de Harding, Nancy Kerrigan acusou Harding e começou uma loucura da mídia que agitou as Olimpíadas de 1994 e refinou as éticas do esporte. A atriz, que interpreta a mãe de língua afiada de Harding em I, Tonya, pensa que Harding participou do incidente?

O que ela acredita ser a verdade?

Mas assim que Janney abre sua boca, o alarme de incêndio do prédio dispara. “Bom!” Janney diz, sorrindo. “Talvez a gente deva ir.”

Talvez devêssemos. Porque o que quer que Janney – ou qualquer pessoa – sinta sobre Harding, esse filme está prestes a mudar. O drama de humor negro do diretor Craig Gillespie e do roteirista Steven Rogers conta a jornada de Harding (Margot Robbie) de prodígio da patinação para olímpica desacreditada de múltiplas perspectivas – porque, como Robbie declara no filme, “não existe verdade.”

Mas existe a realidade. E na realidade, um homem é contratado pelo ex marido de Harding, Jeff Gillooly, e seu segurança Shawn Eckardt para atingir o joelho de Nancy Kerrigan no dia 6 de janeiro de 1994, semanas antes das Olímpiadas de Inverno em Lillehammer, Noruega. Os homens foram presos por um tempo. Harding, após ser declarada culpada por impedir a investigação, recebeu uma proibição vitalícia da patinação competitiva.

I, Tonya detalha tudo isso. Os atores encenaram meticulosamente o incidente e as primeiras entrevistas após o ocorrido. Robbie usa réplicas exatas das roupas de Harding usava no gelo. Janney performa com um pássaro caseiro no seu ombro, assim como a mãe de Harding, LaVona Golden, fez para uma aparição na TV. O filme atinge um ritmo ainda maior e absurdo: o cadarço quebrado de Harding nas Olimpíadas. Sua conferência de imprensa expressando simpatia por Kerrigan. O papel amassado que o FBI encontrou com a letra de Harding, dizendo o lugar e hora que Kerrigan treinava.

A única coisa que o filme evita, notavelmente, é o lado da história de Kerrigan. Interpretada por Caitlin Carver, Kerrigan aparece apenas em duas cenas e fala um único: “‘Por queeee?” Rogers diz que ele escolheu bem cedo minimizar a perspectiva de Kerrigan. Após assistir o documentário de 2014 da ESPN sobre a saga, ele percebeu que queria escrever sobre Harding e somente ela. “Não é I, Nancy. É I, Tonya,” ele diz. “Nada contra Nancy Kerrigan, mas eu queria contar a história das pessoas que potencialmente acharam que o ataque era uma boa ideia.”

A história foca em Harding, obviamente, e Gillooly. (Eckardt morreu em 2007.) Rogers rastreou os dois em Oregon, onde ele conduziu duas horas de entrevistas separadas. Após notar o quão contraditória as histórias eram, ele moldou seu roteiro por suas declarações conflitantes, alternando cenas entre os pontos de vista de Harding e Gillooly e entrevistas atuais recriadas para adicionar contexto. Algumas vezes, os personagens até quebram a quarta parede no meio da cena para informar ao público se algo de sua memória aconteceu. “A história é um disse-me-disse, o que tem sido o caso por 23 anos agora, então o livro de regras voou pela janela,” Gillespie diz. “Estamos vendo histórias que realmente estão sendo negadas no meio das cenas. Fica muito complicado.”

Suas estrelas certamente pensam isso. “Foi muito difícil interpretar uma cena onde era a visão do Jeff sobre o ocorrido,” diz Robbie, que atua ao lado de Sebastian Stan como Gillooly. “Isso levou a muitas discussões entre Sebastian e eu.” Discussões de brincadeira, Stan esclarece. “Nós olhávamos um para o outro tipo, ‘Oh, Jesus, no que nos tornamos?'”

Dois atores que passaram muito tempo na cabeça de seus personagem, é isso. Robbie e Stan encontraram seus assuntos reais, mas enquanto Stan encontrou Gillooly para estudar suas maneiras – “Eu queria ver como ele era quando ele sorria,” – Robbie optou por não conhecer Harding até terminar de desenvolver o papel por conta própria. Ela assistiu horas de filmagem de Harding em fases diferentes de sua vida. “Levou meses, porque sempre que eu achava que tinha visto tudo, eu procurava um pouco mais e achava mais coisa,” Robbie diz. “Ver sua vulnerabilidade quando ela era jovem, sua rebeldia no começo dos seus 20 anos, sua defesa após o incidente, e então sua amargura foi um arco incrível de mapear.”

Janney nunca conheceu a verdadeira LaVona – Rogers não conseguiu achá-la, Janney diz, e Harding não sabia onde ela estava – então ela montou a personagem a partir das poucas entrevistas que LaVona fez. “O fato de que ela fez uma entrevista em um casaco de pele falou muito comigo sobre quem ela era e como ela queria ser vista,” Janney diz. “Eu vi muita mágoa, e eu percebi que eu não precisava conhecê-la. LaVona iria me confundir mais ainda se eu tivesse a conhecido.”

Por suas partes, Gillespie e Rogers fizeram questão de documentar a fonte de cada pedaço de informação no filme. E se uma memória fosse contestada, um personagem iria dizer. “Eu estava muito, muito preocupado em cometer erros com os fatos,” Rogers diz. “Tudo era vetado pelos advogados. Eu tive que mostrar toda a pesquisa, todos os documentários, todos os artigos, e então reforçar isso com mais.” Gillespie adiciona:“O roteiro de Steven era minha Bíblia. Eu falava com ele, ‘Isso aconteceu?’ E a resposta realmente era ‘É o que a Tonya disse.'”

Se I, Tonya conta a versão que é verdadeira no sentido absoluto da palavra, no entanto, é difícil dizer. Até mesmo para as pessoas que fizeram o filme. “É 100 por cento exato com a verdade, com a verdade da Tonya, com a verdade do Jeff,” diz Robbie. “Cada cena é algo que eles dizem ter acontecido. Tudo. Mas o quão perto da realidade é isso?” Ela ri. “Nós nunca saberemos. Digo, eu não faço ideia.”

Nem Janney. Depois que o alarme de incêndio para, ela oferece uma resposta diplomática. “Eu gosto de acreditar que Tonya não teve muito a ver com o que a mídia achava dela,” ela diz. “É isso que eu gosto de pensar.” Mas essa é a verdade dela. Não precisa ser a sua.

Fonte | Tradução e Adaptação: Equipe Margot Robbie Brasil

postado por Mari na categoria Entrevistas