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28.12.17
I, Tonya reivindica a narrativa de Harding em um filme provocativo

Margot Robbie falou sobre seu novo filme I, Tonya junto de seus colegas de elenco Sebastian Stan e Allison Janney, e do roteirista Steve Rogers, com o Metro News recentemente. Confira:

O roteirista Steven Rogers estava assistindo a um documentário sobre a patinadora Tonya Harding há pouco tempo atrás e tendo grandes ideias sobre classe, abuso, a mídia e verdade que estavam misturados em sua história.

A mídia na época, ele disse, pegou um incidente bizarro que envolveu Harding em uma conspiração de agressão em 1994 contra a patinadora Nancy Kerrigan, e colocou uma conta a outra. Kerrigan era a princesa. Harding era o lixo. Até ele lembra ter pensado que Harding fez pela atenção.

Então ele decidiu checar se seus direitos de vida estavam disponíveis, e ligou para o número do agente listado no site dela. O número caiu em um Motel 6.

“Eu pensei: Estou dentro,” Rogers disse.

E com um pouco mais do que essa semente de ideia, Rogers encontrou Harding e seu ex-marido Jeff Gillooly e usou suas histórias incrivelmente contraditórias sobre esse momento de fama, e as suas vidas antes disso, para desenvolver o roteiro que se tornaria I, Tonya, uma reavaliação de um dos escândalos mais falados do século e o filme mais audacioso da temporada.

A atriz australiana Margot Robbie veio a bordo não somente para estrelar como Harding, dos 15 aos 44 anos, mas também para produzir.

“Esse filme não sobreviveria ao sistema dos estúdios,” Robbie disse.

O filme contém violência doméstica, vinda da mãe de Harding e de seu ex-marido, trocas de tons, narrativas em conflito e nenhuma resolução ou respostas.

Robbie perguntou para muitos diretores como eles lidariam com a violência. Craig Gillespie, o homem que conseguiu o emprego, disse que precisava ser brutal.

“A ideia de encobrir isso e fazer parecer que não era tão ruim assim não pareceu certa para mim. Eu senti que seria injusto com qualquer pessoa que já sofreu com isso antes. Deixar completamente de fora também era errado,” Robbie disse. “Mas Craig sempre encontra a verdade na situação.”

Eles decidiram a abordagem incomum de quebrar a quarta parede para deixar Harding falar diretamente com a câmera enquanto ela está sendo espancada como um jeito de ilustrar sua desconexão emocional. É algo que algumas audiências não gostaram e outras aplaudiram. Alguns críticos compararam o tom final com Os Bons Companheiros de Martin Scorsese.

Como Harding, I, Tonya também é desafiador.

Robbie treinou e estudou por seis meses para entender Harding, tanto como seu estilo como patinadora artística quanto seu dialeto e físico. O resultado das sequências no gelo são complexas, mas é uma combinação de Robbie e duas dublês patinadoras. Ela encontrou sua personagem mais tarde.

“Isso não era pesquisa. Eu não queria encontrá-la porque havia peças faltando no quebra cabeça. Eu já tinha decidido como eu ia interpretar essa personagem. Eu sabia cada batida e como iria tocar,” Robbie disse. “Conhecê-la me ajudou como pessoa, não como atriz. Eu só queria saber se ela estava bem.”

Uma pessoa que está imensamente ausente da história é Kerrigan. Isso não passou despercebido.

“Eu odeio quando roteiros, filmes, séries, noticiários colocam uma mulher contra a outra. Se o roteiro fosse chamado ‘Tonya vs Nancy’ eu não acho que eu seria parte disso,” Robbie disse. “Já que o filme era sobre Tonya Harding, as pessoas e relacionamentos mais importantes na vida dela eram sua mãe e Jeff. Esses foram os relacionamentos que a moldaram como pessoa.”

Allison Janney tinha a tarefa complicada de trazer sua mãe, LaVona, para a vida. Ela é a pessoa que colocou Harding no gelo, financiou seus treinos e costurou suas roupas com o pouco de dinheiro que tinha, mas também abusou fisicamente e verbalmente de sua filha. Harding aparentemente disse para Rogers que ela não sabe se sua mãe está viva ou morta e que ela também não se importa. (Ela está viva, o Inside Edition a entrevistou recentemente.)

Apesar de que tudo o que Janney tinha era um vídeo de um documentário de LaVona, que ela estudou o máximo possível antes de desaparecer por trás do cabelo e maquiagem.

“É libertador interpretar uma personagem assim e passar por tanta transformação,” Janney disse. “Ela é essa mulher extravagante e estranha com tanta raiva e ressentimento. Meu coração partiu um pouco por ela ao assistir essas entrevistas porque você pode ver por baixo da negação a dor que existe nela. É uma relação de mãe e filha muito dura e complicada.”

A parte de Gillooly concedeu uma charada similar para o ator Sebastian Stan.

“Eu fiquei intrigado com a história. Fiquei um pouco obcecado,” Stan disse. “Quando você vai interpretar alguém, você precisa deixar todos os julgamentos de lado. Você precisa remover sua própria perspectiva sobre eles e encontrar algo para se prender. Por mais complicada e contraditória que seja a versão dos dois sobre esse relacionamento, existiu amor em algum momento, houve uma conexão. Margot e eu falamos sobre abordar isso como uma história de amor que é louca, torcida e insana e que isso é a vida deles.”

Harding aparentemente disse para Stan que ele era muito bonito para interpretar Gillooly, o que o fez rir.

O filme se tornou uma surpresa na temporada de premiações, e um olhar demorado em uma mulher que teve qualquer ocasião amontoada contra ela em sua vida e ainda conseguiu se tornar uma das melhores patinadoras artísticas do mundo, mesmo quando ela não parecia, soava ou agia como suas companheiras.

I, Tonya não somente desafia o público a pensar sobre ela com uma nova luz, mas também faz o mesmo com muitas pessoas envolvidas, incluindo Rogers, que foi classificado como escritor de comédias românticas, e até Robbie, uma queridinha dos estúdios que a beleza às vezes recebe mais atenção do que seu talento.

Harding também já viu o filme. Ela contou para Rogers que está feliz com a maioria (exceto algumas partes da versão de Gillooly).

“Vai ser interessante ver se esse filme irá mudar algo para ela,” Rogers disse. “O cinema é um meio poderoso.”

Fonte | Tradução & Adaptação: Equipe Margot Robbie Brasil

postado por Mari na categoria Entrevistas