Durante seus dias em Nova York, Margot conversou com o site Huffpost sobre seu novo filme I, Tonya além de falar de seus papéis passados e futuros e de sua produtora, LuckyChap. Confira:

Quando Margot Robbie leu o roteiro de I, Tonya, ela pensou que era ficção.

“Eu nunca ouvi falar sobre o incidente. Nunca ouvi nenhum desses nomes,” ela contou ao HuffPost durante uma entrevista no Crosby Street Hotel em Nova York no começo do mês. “Foi escrito como uma paródia de documentário. E então eu descobri que era uma história real, completamente real, e eu fiquei chocada e fascinada por isso.”

Como Robbie perdeu a cobertura internacional da patinadora Tonya Harding – que foi acusada de estar envolvida em um ataque contra a patinadora Nancy Kerrigan nas Olimpíadas de Inverno de 1994 – é a dúvida de todos. Mas então, ela tinha 3 anos na época e morava em uma cidade pequena no sul de Queensland, Austrália. Isso explica o motivo do espanto com o enredo do novo filme.

A atriz e produtora está ganhando elogios por sua interpretação de Harding, que foi marcada como vilã após o incidente horrível em Detroit. I, Tonya relata o escândalo com Kerrigan, embora com o objetivo de mostrar ao público quem Harding realmente é e que tipo de vida ela levava durante o auge de sua carreira.

Robbie estava confortável em uma cadeira quando eu entrei em seu quarto de hotel no Crosby semana passada para discutir o filme de Craig Gillespie. Seus grandes olhos azuis me encararam para dizer olá antes de alertar calmamente sua publicista de uma ameaça em movimento.

“Tem um paparazzi tirando fotos lá em baixo,” ela disse, apontando para a janela do quarto que ia do chão ao teto. Eu olhei para fora com o grupo, e, de fato, um paparazzi estava espiando de uma escada do outro lado da rua. Nós fechamos as cortinas e movemos as cadeiras para o outro lado do quarto, onde Robbie não podia ser capturada por longas lentes.

“Meu amigos não andam comigo em aeroportos,” ela disse quando sentamos para nossa conversa. “Você pode enxergá-los de longe. Eu posso estar andando em algum lugar e tem um paparazzi atrás de um árvore, e todo mundo fica, ‘Não, não tem.’ E eu digo, ‘Confia em mim.'”

Robbie aguenta esse tipo de atenção desde que se mudou da Austrália para Nova York após conseguir um papel na série da ABC, Pan Am, em 2011. Ela já era uma celebridade da TV em seu país, estrelando como Donna em Neighbours por três anos, então ela pensou que sabia o que estava esperando por ela na Grande Maçã. Ela estava errada.

“Pan Am foi meu primeiro trabalhos nos Estados Unidos, e foi muito diferente de como operamos a TV na Austrália.” Ela lembra de ficar particularmente chocada com a “segregação entre o elenco e equipe da série” e o fato de que os atores tinham seus próprios trailers.

Em Neighbours, “nós tínhamos uma grande sala verde para os 30 membros do elenco. Ficávamos juntos nessa sala 17 horas por dia, noite e dia, o ano inteiro. Nós fazíamos nosso chá onde a equipe fazia o chá deles. Eu fazia chá para a equipe. Nunca tinha ninguém perguntando, ‘O que posso trazer para você?’ E de repente nos Estados Unidos eu tinha um chefe que fazia omelete e uma cadeira com o meu nome. Eu ficava, ‘Não quero sentar sozinha. Quero sentar com todo mundo!'”

Depois do cancelamento de Pan Am, Robbie foi de teste em teste, até conseguir uma reunião com Martin Scorsese para seu filme de 2013, O Lobo de Wall Street. Ela conseguiu o papel “por dar um tapa no rosto de Leonardo DiCaprio Scorsese contou a Time sobre Robbie, que interpretou a esposa cheia de energia de DiCaprio nas telas. “Foi uma improvisação que deslumbrou todos nós.”

“Eu estava obviamente tentando entrar no mundo dos filmes, e eu nunca fui para um teste achando que eu ia conseguir o papel,” Robbie me disse. “Eu nem gostava da Naomi [Lapaglia] como pessoa quando fiz o teste para a personagem – eu não a entendia. Ela era um pouco bidimensional no roteiro. Ela foi escrita para ser uma interesseira brutal. Quando eu realmente consegui o papel e olhei para essa personagem de verdade como alguém para interpretar e alguém que eu precisava me relacionar, havia muito trabalho a ser feito.”

Na dinâmica de interpretação, mulheres complicadas como Naomi é o forte de Robbie. Tome Harley Quinn como exemplo. Sua interpretação da super vilã de Esquadrão Suicida foi brilhante em um filme chamativo que, bom, fracassou. “Apesar de ter alguns grandes espaços que eu tive que preencher por mim mesma, também havia muito material para olhar, e ela já era bem multifacetada e multidimensional,” ela disse sobre a personagem.

Antes de interpretar Harding em I, Tonya, Robbie escolheu se afundar em filmagens antigas, livros e documentários sobre a atleta de Portland, Oregon, para conseguir achar um novo ângulo em uma história que o público geral pensou que já tinha entendido.

“Eu tive uma quantidade incrível de informação para começar, mas tudo parecia ser visto de um ponto bem específico. O desafio dessa história era tentar virar e ver o outro lado. Eu estava de um lado do espelho vendo tudo o que eu não fazia ideia do que estava do outro lado. Ninguém parecia estar questionando isso.”

Em janeiro de 1994, o ex marido de Harding, Jeff Gillooly (interpretado por Sebastian Stan) conspirou com seu amigo Shawn Eckardt (Paul Walter Hauser), que contratou Derrick Smith e Shane Stant para “eliminar” Kerrigan da competição. Dois dias antes das provas das Olimpíadas, Stant usou um bastão para atingir Kerrigan no joelho fora da pista de patinação. Nos meses seguintes, Gillooly foi acusado de crime organizado e Eckardt, Smith e Stant foram acusados de conspiração para cometer um ataque de segundo grau, e foram presos. Enquanto isso, o juiz de Oregon Donald H. Londer cobrou Harding 160 mil dólares em multas, doações e custos especiais por dificultar a investigação. Ela também recebeu 500 horas de serviço comunitário, foi condenada a três anos de condicional e forçada a se demitir da Associação Americana de Patinação Artística aos 23 anos.

Com isso em mente, I, Tonya vai fundo nos dias pré-escândalo de Harding. A história abrange dos 15 aos 44 anos.

Robbie encontrou Harding uma semana antes das filmagens começarem, e a atriz fez questão de reiterar que a personagem que ela criou não tinha a intenção de imitar ou deteriorá-la. “Ela entendeu muito bem isso,” Robbie disse. Estranhamente, Harding estava mais preocupada com o bem estar da atriz, perguntando sobre seu treinamento e como ela estava lidando com a fama em uma idade tão jovem.

“Ver essa pessoa de repente na minha frente foi bizarro. Foi surreal. Eu passei seis meses me preparando para essa personagem. Eu não fiz nada além de pensar em tonya. Eu assisti cada entrevista, cada documentário cem vezes. Eu escutava ela no meu iPod constantemente. Eu tinha a voz dela na minha cabeça 24 horas por dia.”

Robbie diz que Harding eventualmente deu o selo de aprovação para o filme, mas sua mãe afastada, Lavona, interpretada maravilhosamente por Allison Janney, não deu.

A relação mãe e filha apresentada no filme destaca o abuso que Harding sofreu durante sua vida e carreira nas mãos de LaVona. Quando eu perguntei para Robbie se LaVona já viu ou compartilhou seus pensamentos sobre I, Tonya, Robbie revelou que os produtores não sabiam se a mãe de Harding estava viva até recentemente.

“Nós não conseguimos achá-la e Tonya não sabia se ela ainda estava viva,” a atriz disse, adicionando que a interpretação de LaVona foi baseada nas próprias memórias e experiências de Harding. “Desde então, a mãe de Tonya apareceu na TV recentemente e está fazendo entrevistas e então percebemos que ela está bem viva. Mas, não, eu ainda não a conheci e não tive nenhum contato com ela.”

O filme não é gentil com LaVona ou o jeito que ela tratou sua filha. Não é necessariamente gentil com nenhum dos personagens.

“Nós passamos por vários diretores,” Robbie disse. “Nós colocamos os olhos em Craig por causa de A Garota Ideal e ele realmente alcançou um tom específico nesse filme – essa comédia de humor negro que faz você se importar.”

Para referência, A Garota Ideal segue um jovem homem (Ryan Gosling) que está em um relacionamento fora do comum com uma boneca que ele encontra na internet.

“Ele nunca abordou os personagens no filme como bobos ou tentou fazer piada com eles, mesmo quando eles estavam fazendo algo que, para nós, parecia louco. Isso foi importante,” Robbie adicionou, “que alguém abordou esses personagens como pessoas reais e sem julgar.”

I, Tonya já ganhou elogios dos críticos e a performance de Robbie continuará a ser comemorada durante a temporada de premiações. Quando perguntei o que ela achar de todo o burburinho, a atriz foi tão calma quanto os que vão chegando.

“Eu só quero que as pessoas assistam ao filme e quero saber o que eles acham. Mesmo que não gostem. Se eles entendem o que estamos fazendo, então fico feliz e fico feliz que fizemos isso. Se os faz pensar, se os faz questionar suas atitudes, então é tudo o que importa. Mas, realmente, o resto eu só tento absorver com uma pitada de sal.”

O objetivo principal de Robbie agora é achar, produzir e distribuir filmes sobre mulheres, para mulheres, estrelando mulheres e criados por mulheres. Sua produtora, LuckyChap Entertainment, também foca em promover diretores de primeira e segunda viagem, com homens na equação também.

Seguindo I, Tonya, Robbie está produzindo e estrelando em Terminal e Dreamland, ambos com estreias marcadas para 2018. Ela também está aparecendo ao lado da queridinha das premiações (por quem ela tem “a maior paixonite”) Saoirse Ronan em Mary, Queen of Scots, onde Robbie interpreta a Rainha Elizabeth I.

“Eu estava preocupada com interpretar a Rainha Elizabeth recentemente também, porque, novamente, é uma pessoa real, alguém que todo mundo conhece e já foi interpretada por tantas atrizes. Eu estava apavorada,” ela disse.

Felizmente, alguém deu a ela o conselho que ela precisava: “Supera,” eles disseram. “Isso não é sobre você. Você é um veículo para essa personagem.”

“Isso é o que você tem que fazer,” ela me disse.

Robbie quer compartilhar esse tipo de lição com os novatos tentando fazer seu ninho na indústria. Por meio da LuckyChap, ela está conhecendo atrizes mais novas, sondando quais histórias elas querem contar.

“Você não precisa esperar até estar trabalhando durante 20 anos para fazer um filme você mesma. Eu tenho 27. Faça. Ninguém vai te impedir.”

Fonte | Tradução & Adaptação: Equipe Margot Robbie Brasil