Durante uma entrevista, Margot Robbie e Simon Pegg, ao lado do diretor Vaughn Stein, falaram sobre Terminal e as semelhanças do filme com o conto Alice no País das Maravilhas. Confira:

Não se engane: Margot Robbie é a dona do show na tela e por trás das cenas do novo suspense Terminal, onde ela interpreta uma mulher fatal vingativa com um objetivo com assassinos contratados e personagens obscuros ambientados em um filme noir com muito neon.

“Ela é uma garçonete estranha com uma fascinação mórbida por morte,” a atriz e produtora Robbie conta para o L.A. Weekly sobre sua personagem Annie, que possui muitas cartas nas mangas. “Como ela diz no filme, ela tem um desejo pela escuridão e depravação. Ela fica muito feliz com esses prazeres sádicos.”

O primeiro filme do diretor e roteirista Vaughn Stein faz menções à Alice no País das Maravilhas, de Lewis Carroll, com um toque de Sin City. As co-estrelas Simon Pegg, Mike Myers, Dexter Fletcher e Max Irons são jogadores presos na teia sinistra de Annie.

A indicação de Robbie como Melhor Atriz no Oscar por Eu, Tonya foi a chave para trazer a história de Stein para a vida. Com sua produtora LuckyChap Entertainment, ela trabalhou para desenvolver o roteiro, conseguir financiamento, juntar a equipe ideal, caçar locações e escalar o elenco para conseguir um tom específico. “E então nós fomos para a luta,” ela disse. Com certeza, a atriz australiana tem direito de estar orgulhosa de seu último projeto, tendo em vista os desafios do financiamento para filmes independentes.

“Vaughn tinha tantas boas ideias,” ela lembra de sua primeira lida em Terminal. “Eu comecei a fazer muitas perguntas, mas eu não esperava que ele tivesse uma resposta sobre as motivações e histórias passadas, e ele tinha respostas incríveis. E eu fiquei tipo, ‘Bom, vamos colocar isso no roteiro, é tão bom!’”

Como Stein diz sobre a versão do filme sobre a fábula, “Eu realmente queria converter o conto de fadas urbano, e eu acho que Alice no País das Maravilhas foi um jeito elegante de fazer isso, nós realmente colocamos isso no DNA do filme,” ele conta para o L.A. Weekly. “A iconografia de Alice é tão universal, todos conhecem e todos reconhecem o Chapeleiro Maluco, a Lagarta fumante, essas coisas estão na consciência de todos.”

Repleto de “easter eggs” – desde as placas até o figurino, diálogo e cinco músicas originais de Alice no País das Maravilhas escritas para o filme por Newton Faulkner – o truque para assistir Terminal é tentar determinar quem reflete quem do clássico de Carroll, já que a maioria dos personagens não é o que parece – incluindo Annie. “Isso encaixa muito bem no ambiente,” Stein diz. “O conto tem um senso de hipnose e elementos caleidoscópicos, então fez sentido juntar em Terminal.”

Pegg como o professor de escola doente, Bill, também teve um extravio, já que nenhum personagem é santo em Terminal. “Você cai na armadilha de amar Bill e pensar que ele é um cara legal,” Robbie diz, “e tem esse nível de conforto, eu acho, com o público quando o Simon está na tela. E então, puxam o tapete desse jeito e você se sente ainda mais enganada.”

“O roteiro era muito habilidoso e parecia teatro,” Pegg diz ao L.A. Weekly. Como seus últimos projetos – Star Trek e Missão Impossível – precisavam de emoção forte e muita fisicalidade, ele aplaude Terminal por sua sutileza e reviravoltas. “Não foi somente exposição. Eu não estava correndo por aí, detonando bombas ou salvando o universo. Eu realmente amei a ideia de interpretar algo que estava em contraste com qualquer outra coisa que eu fiz. Talvez ele começa sendo o personagem que você costuma me ver interpretar, mas ele se torna o contrário.”

O impressionante olho de Robbie para o elenco também tirou Mike Myers da carpintaria para interpretar um zelador misterioso e manco que pode ou não ter a chave para o enredo como labirinto de Terminal. Qual foi o truque para conseguir Myers para o filme? “Bananas,” Pegg brinca. “Deixamos do lado de fora do apartamento dele em Nova York.”

“E uma trilha que levava até Budapeste,” Robbie responde com uma risada.

Apesar de sua experiência recente fantasiado como Tommy Maitland, o apresentador do programa de TV The Gong Show, Myers não aparecia em um filme desde Bastardos Inglórios, de 2009. A possibilidade de conseguir o antigo comediante de Austin Powers para o filme parecia impossível. “Estávamos tentando achar alguém único, alguém completamente fora da caixinha,” Stein lembra. Robbie adiciona, “Continuávamos a dizer que queríamos um ator personagem, alguém que incorporaria o papel fisicamente. E, como muitas coisas do filme, pensamos, ‘Por que não tentar? Dá uma chance.’”

Robbie credita totalmente Stein quanto ao acordo com Myers porque o diretor-roteirista tem “jeito com as palavras, um jeito de explicar sua visão e construir um mundo em frente dos seus olhos que você apenas quer entrar.” Stein disse que assim que Myers estava a bordo, sua devoção para o seu papel foi intensa, desenvolvendo uma história completa para seu personagem. “Ele estava impecavelmente preparado no set, e ele pressiona o máximo todos ao seu redor para serem o melhor que podem. É incrível estar com ele.”

A missão da LuckyChap, que Robbie fundou em 2014 com seus parceiros Tom Ackerley e Josey McNamara, é a dedicação “para apoiar talentos femininos e histórias, enquanto damos plataforma para uma nova geração de cineastas explorarem seu trabalho.”

Nessa veia, Pegg, por sua parte, percebe que Terminal está contribuindo para o movimento #MeToo e #TimesUp. “É um filme oportuno nesse sentido de que é um filme meio ‘Time’s Up’,” Pegg diz. “É sobre uma mulher se vingando de toda a masculinidade tóxica que a afetou durante sua vida. E se Alice no País das Maravilhas é sobre uma mulher sendo aterrorizada por uma sociedade perversa, esse filme é sobre uma mulher aterrorizando uma sociedade perversa e conseguindo vingança. Parece meio, ‘Wow, isso está realmente no momento certo.’” Apesar de Terminal ter sido escrito em 2015 e filmado em Budapeste no verão de 2016, Pegg opina, “Poderia ter sido escrito ano passado como uma reação para tudo o que aconteceu na sociedade recentemente.”

Com a carreira avançando rapidamente graças a sua performance como a vilã Harley Quinn em Esquadrão Suicida e sua interpretação aclamada sobre a patinadora Tonya Harding em Eu, Tonya, Robbie demonstrou que ela não ficará satisfeita em apenas esperar para projetos bons caírem no seu colo – mesmo que seu telefone esteja explodindo esses dias. Caindo na toca do coelho com a LuckyChap, ela está se movendo agressivamente com uma grade de projetos no filme e na televisão. Guiando o retorno de Quinn em Birds of Prey com Kathy Yan contratada para dirigir – assim como múltiplos outros projetos da Harley Quinn – Robbie também está interpretando papéis que incluem a Rainha Elizabeth em Mary Queen of Scots de Josie Rourke, a trapezista Lillian Leitzel em Queen of the Air, uma releitura da Maid Marian na lenda de Robin Hood em Marian, uma ladra de bancos fugitiva no suspense Dreamland e muitos outros.

Explicando sua estratégia, Robbie disse com honestidade, “Eu acho que a ideia é esperar que alguém diga que fará o seu projeto. E então, na LuckyChap, nós ficamos ‘Se isso não acontecer, por que não fazemos nós mesmos?’”

Após os resultados de Terminal, a trajetória da estrela é clara: É a sua vez nas telas e fora delas.

Fonte | Tradução & Adaptação: Equipe Margot Robbie Brasil