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20.12.17
Margot Robbie participa da primeira mesa redonda ao vivo do The Hollywood Reporter

Margot participou da mesa redonda do The Hollywood Reporter no início do mês ao lado de atores como Bryan Cranston, Armie Hammer, Robert Pattinson, Diane Kruger e Octavia Spencer. Confira a conversa traduzida abaixo:

Essa é a primeira vez que o THR mistura atores e atrizes na mesma mesa redonda. Então o que você quis discutir com atores do sexo oposto?

BRYAN CRANSTON: Vocês já trabalharam com alguém que vocês detestavam?

OCTAVIA SPENCER: Eu já. Mas eu só fiquei no set por um dia, então… (Risos.)

ARMIE HAMMER: Por que você foi demitida?

SPENCER: Quando uma pessoa olha para você e não fala com você e fecha a porta na sua cara, é tipo, “Eu te odeio com todo o meu coração.” E, você sabe, essa pessoa é uma pessoa miserável. Anos depois eu encontrei essa pessoa novamente.

DIANE KRUGER: Você disse isso para ele?

SPENCER: Não. Eles literalmente vieram até mim como se tivessem sido gentis, e fiquei tipo, “Não.”

MARGOT ROBBIE: Eu normalmente evito conflitos a qualquer custo. Eu nunca trabalhei com um ator que eu detestava, mas eu trabalhei com alguém no lado da produção que eu não gostava do jeito que falava comigo na frente de grupos. Demorou alguns meses, mas eu tomei coragem e puxei ele para o lado e disse, “Você está tirando o crédito do que eu faço quando você fala assim comigo.” E ele entendeu.

CRANSTON: “E você está demitida.”

ROBBIE: E eu nunca mais trabalhei novamente.

ROBERT PATTINSON: É estranho porque assim que você precisa se garantir para um diretor, você meio que quebra a quarta parede. Quando você entra no set, não é para ser você. Então eu sempre tento evitar conflitos, e espero que eles vejam o que eles estão fazendo de errado. (Pausa.) Isso nunca, nunca, nunca funciona. (Risos.) Só fica cada vez pior. Mas me irrita se eu tiver que dizer, “Hey, esse é o meu processo.” É tipo, eu não sei qual é o meu processo, só existe um tipo de entendimento que você está tentando fazer algo bom, não está apenas zoando.

CRANSTON: Você sabe, não é necessário que você se dê bem com seus parceiros de cena; é como seus sogros, isso só torna as coisas mais fáceis. Então você faz um esforço de conhecê-los e saber como eles trabalham, porque cada ator trabalha de um modo diferente.

HAMMER: Quanto mais tempo eu faço isso, mais eu acho que é uma parte crucial do seu trabalho como memorizar suas falas e conhecer seu personagem. Porque você pode ter o seu processo, mas você não pode encaixar o seu processo no processo orgânico que é o projeto, isso não faz bem para você. Você precisa encontrar como você vai fazer o que você quer enquanto não f*de com o processo de outra pessoa.

Quais tipos de cena deixam vocês nervosos?

HAMMER: Todas. (Risos.) Honestamente, as cenas que mais me deixam nervoso são as que você não faz nada, quando você está apenas lá. Todos estão fazendo um monte de coisas e você só tem uma fala. É difícil entrar nesse ritmo, você acaba querendo fazer o seu trabalho e isso tira um pouco da atenção.

Em Call Me by Your Name, há muitas cenas íntimas e você realmente faz todas elas. Isso te deixou nervoso?

HAMMER: Eles podem ter ficado em outros projetos, mas tudo pareceu muito seguro nesse. Nós tivemos liberdade de explorar e ser nós mesmos e errar. Não importava o que acontecia, parecia que éramos realmente protegidos pelo diretor Luca Guadagnino e por todos. Nós tínhamos algumas cenas sem roupa, e no final do dia, eles cortavam, e alguém falava, “Você quer um roupão?” E você fica, “Nah, tudo bem, vamos filmar de novo em um segundo.” (Risos.)

ROBBIE: Eu fico nervosa sempre que preciso atuar sozinha. Eu preciso estar com outros atores, então meu foco é no que eles estão fazendo e tudo o que eu preciso fazer é reagir a isso. Se eu estou sozinha eu fico muito presa na minha mente.

Seu papel em The Big Short foi completamente sozinho – enquanto você estava em uma banheira.

ROBBIE: Enquanto eu estava em uma banheira, você sabe, bebendo meu champagne. Esse foi o trabalho mais fácil que eu já fiz na minha vida. (Risos.) Passei metade do dia em uma mansão em Malibu com um Dom Perignon de 20 anos que o diretor Adam McKay conseguiu.

Como você geralmente se prepara para um papel? Em I, Tonya você precisou aprender a patinar no gelo, obviamente.

ROBBIE: Eu fico animada quando preciso aprender uma nova habilidade, e somos tão sortudos e mimamos que eles conseguem alguém muito bom para te ensinar. Como quando eu fiz Focus [em 2015], um punguista de verdade me ensinou a roubar os bolsos de outras pessoas. Eu fiquei tipo, “Isso é muito legal.”

HAMMER: Você praticou?

ROBBIE: Eu estou com seus celulares na minha bolsa. Chequem seus bolsos. (Risos.) Isso é preparação mecânica. Quando você conta as horas, compensa. Além disso, eu sou tipo uma pessoa louca quando estou em preparação. Eu faço linha do tempo e backstories, eu trabalho com um professor de dialeto, professor de movimento e professor de atuação. Eu faço muita coisa antes para poder jogar tudo pela janela quando chego no set. Mas se eu não fizesse isso tudo antes, eu ficaria com muito medo.

Você assistiu muitos vídeos de Tonya Harding?

ROBBIE: Eu assisti cada vídeo que existe mais de cem vezes. Eu escutava a voz dela no meu iPod, eu ia dormir escutando ela falar.

CRANSTON: Você falou com ela durante a preparação?

ROBBIE: Propositalmente, não, porque há tanta coisa online. Eu poderia estudá-la aos 15 anos, ela é entrevistada durante os 20, antes e depois do incidente. E fizeram documentários sobre ela durante os 40, também. Eu a interpretei dos 15 aos 44, e eu tinha todas essas informações nas pontas dos meus dedos. Então eu me preparei sem conhecê-la para que pudesse manter a personagem e ela separadas na minha mente. E assim que eu decidi como eu ia interpretar a personagem, uma semana antes das filmagens, eu fui conhecê-la. Eu não queria conhecê-la e duvidar do que eu tinha decidido. Ela entendeu muito bem, considerando todas as coisas.

Já existiu um filme onde a preparação foi a razão pela qual você aceitou o papel?

ROBBIE: Se eu pudesse filmar no Havaí por um mês, isso seria legal.

SPENCER: Eu fiz um filme de trilha, e eu nunca fiz trilha. (Risos.) Eu fiquei tipo, “Oh, meu Deus, eu vou perder muito peso!” E nós literalmente atravessamos um caminho. Então não teve nenhuma trilha.

KRUGER: Eu desisti de um filme porque precisava montar em cavalos, e eu tenho muito medo de cavalos.

SPENCER: Eu entendo, querida.

ROBBIE: Eu desisti de papéis porque eu tinha que usar corset por seis meses, entre outras coisas, mas isso foi um fator na minha decisão. Eu não consigo fazer isso.

CRANSTON: Ou só protéticos. Pode ser bem claustrofóbico.

Vocês ligam ou mandam emails para atores com um elogio ou uma pergunta?

ROBBIE: Quando eu vi Mulher Maravilha, assim que eu cheguei em casa, eu escrevi para Patty Jenkins e Gal Gadot. Eu nunca tinha conhecido elas antes, mas eu escrevi para dizer, “Vocês me fizeram orgulhosa de ser uma mulher no Universo DC.”

CRANSTON: Eu mandei email para um cara que eu conhecia que fez um filme esse ano, um filme lindo. Ele se arriscou e fez um trabalho maravilhoso em um filme chamado Call Me by Your Name – e ele nunca respondeu. (Risos) Eu escrevi o que eu pensei ser uma carta muito adorável e…

HAMMER: Foi muito bonito. Eu não consegui responder. Fiquei paralisado.

KRUGER: Bryan me mandou um email depois de Cannes [ela venceu Melhor Atriz], o que foi muito doce.

Como vocês conseguem o email um do outro?

SPENCER: Eu procuro nesse negócio de emails. (Risos.)

KRUGER: Se chama Tinder.

CRANSTON: Eu vendo eles. Posso conseguir de quem você quiser. (Risos.)

Muito da carreira de um ator é de sua própria escolha. Bryan, existe algo na sua página do IMDb que você eliminaria?

CRANSTON: Amazon Women on the Moon é um dos meus favoritos, então esse não. É um filme de verdade. Joe Dante dirigiu.

ROBBIE: Eu pensei que você tinha inventado.

CRANSTON: Eu acho que eu era o segundo paramédico. Eu nunca vi. Eu nem sei sobre o que é, na verdade.

HAMMER: É sobre amazonas na Lua. (Risos.)

CRANSTON: Aparentemente uma delas precisava de um paramédico.

HAMMER: Eu interpretei um modelo da Abercrombie. Em Spring Breakdown.

CRANSTON: Você precisou tirar a camisa, aposto.

HAMMER: Oh, sim. Tomaram shots de tequila no meu corpo.

ROBBIE: Isso parece divertido. Eu não tenho o bastante na minha página do IMDb para tirar coisas nesse ponto.

KRUGER: Quando eu era mais nova, eu fiz um comercial de desodorante. Esse foi um momento de se orgulhar. Mesmo quando eu estava filmando, eu ficava… (imitando a aplicação de um desodorante.)

HAMMER: Eu vou demitir meu agente… (Risos.)

SPENCER: Cada papel pagou uma conta ou alguma coisa. Se foi terrível, isso mostra o quão longe você chegou.

PATTINSON: Mesmo esse espasmo de vergonha que você sente quando você assiste pela primeira vez, se você esperar cinco, seis anos, você fica, “Aw, eu realmente gosto disso. Eu superei.”

Redes sociais permitem vocês falarem sobre problemas de seu interesse. Qual a sua opinião sobre pessoas que estão falando sobre o assédio sexual ou escolhendo não falar?

ROBBIE: Falar é bem mais complicado do que qualquer pessoa pode imaginar, a não ser que ela já passou por essa situação. Então eu não julgaria quem não quer falar. Eu espero que qualquer pessoa que falou saiba que elas podem e serão apoiadas 100 por cento. Eu nunca falei tanto com atrizes que eu nunca conheci como nos últimos meses. Atrizes, que se eu conhecesse, iria ficar pasma, estão vindo até mim e falando, “Hey, estamos fazendo um grupo para conversar sobre isso, você quer se envolver?” Há um senso de comunidade, e é triste que veio de uma situação tão horrível, mas há uma rede de suporte aqui.

Vocês acham que haverá uma mudança real e duradoura na indústria? E vocês não podem dizer, “Espero que sim.”

SPENCER: Toda indústria precisa mudar. Não é só o cinema. A grande revelação para mim é que os departamentos de recursos humanos não protegeram os trabalhadores, eles protegeram as empresas. Isso precisa mudar, primeiramente e mais importante. Nós não temos um departamento de recursos humanos porque trabalhamos em estúdios diferentes, mas como a Margot disse, há muitas conversas acontecendo e muitas pessoas usando seu poder para fazer a mudança acontecer.

KRUGER: Nós estamos vendo a mudança acontecer. Todos esses homens estão indo embora. Eu estou impressionada como tantas empresas cortaram laços com esses homens imediatamente, eles não receberam apenas um tapinha nas costas e voltaram.

ROBBIE: Há muitas áreas escuras no nosso trabalho e muitas situações bem íntimas que você precisa ser vulnerável, e isso muda de trabalho para trabalho. Alguns trabalhos são feitos em seis semanas, outros vão por seis meses, e se há um problema, precisa ser resolvido na hora. Há muitas variáveis, e é difícil encontrar estrutura nesse tipo de ambiente.

Se você pudesse sentar e conversar com alguém a sós por uma hora, quem seria?

SPENCER: Barack Obama. “Por que você se foi, Barack?” (Risos.) Eu gostaria de falar com Barack e Joe Biden, e ganhar perspectiva de pessoas que estiveram no emprego, e talvez dizer, “O que podemos fazer como cidadãos quando o país está tão dividido e polarizado?”

CRANSTON: Bom, eu já sentei e conversei com Barack

SPENCER: Oooohhhh, conta!

CRANSTON: Desculpa, desculpa, é uma mania chata. Foi a minha alegria, eu pude sentar e conversar com ele no Salão Oval por uma hora e meia, e havia um moderador do The New York Times.

TODOS: Uau.

CRANSTON: Alguns momentos eu esquecia com quem eu estava falando, e ele era só um cara. Ele é um pouco mais novo do que eu, mas ele tem filhas como eu tenho. Ele é um pai; ele é muito atlético. Não tinha um pai enquanto crescia, e nem eu, Temos muita coisa em comum. E então, de repente, eu fico, (sussurrando) “Estou no Salão Oval!”

Vocês conhecem pessoas interessantes no trabalho. Tirando o Obama, quem se destaca?

HAMMER: Estávamos filmando Lone Ranger, e Tom Wilkinson precisava fazer uma coisa onde ele puxa um relógio de bolso e gira, e abre na mão dele. Era um truque legal. Então porque eles tinham um orçamento ilimitado, eles ficaram tipo, “Vamos trazer o campeão de ioiô.” E ele ficou, “Isso não é um ioiô.” E eles falaram, “Sim, mas você pode ajudar ele?” “Sim, você tira do bolso e faz isso.” E o Tom fica, “Assim?” Click. E ele concorda. E então ele ficou com a gente pelo resto do filme. (Risos.)

SPENCER: Eu conheci John Douglas que era o chefe de departamento da unidade de ciências comportamentais do FBI. E eu sou uma nerd de serial killers. Então eu li seu livro, Mind Hunter, uns 15 anos atrás. E eu estava na primeira classe, e a comissária de bordo falou o primeiro e último nome dele e, “Você quer frango ou peixe?” E eu fiquei, “Oh, meu Deus, eu te amo!” E eu falei com ele de Los Angeles até Atlanta.

KRUGER: Esse ano eu decidi tirar minha carteira de motorista para moto no meio da Georgia em uma concessionária da Harley. É assim que os americanos são, porque na Europa, são três meses para você conseguir uma licença. Eu nem sai do estacionamento, e em quatro dias eu recebi minha licença.

HAMMER: Você deveria tentar comprar uma arma, é mais fácil ainda. (Risos.)

KRUGER: Nós nem fomos para a estrada! Mas eu estava com uns 20 caras da Harley-Davidson. Eu estava completamente fascinada. Eu nunca conheci ninguém assim. Eles pensaram que eu era louca: “O que essa menina está fazendo? Você vai deixar a moto cair.” E eu deixei, mas eles me levantaram. Foi incrível. Eu ainda mantenho contato com eles.

ROBBIE: Eu fiz um filme recentemente, e o diretor perguntou se todos podiam escrever a coisa mais louca que já aconteceu em suas vidas. Eu passei dois meses com esse grupo de pessoas, provavelmente umas 60, e todos pareciam super normais. E então todos escreveram as coisas mais loucas que aconteceram com eles, e não foi liberado até o último dia, onde você precisava adivinhar de quem era cada história. Isso me lembrou que pessoas fascinantes estão em qualquer lugar. Qualquer lugar. Alguém tinha sido noivo da princesa de Zanzibar. Outra pessoa tinha estado em um acidente de avião onde apenas 10 pessoas sobreviveram. Isso te lembra que há histórias fascinantes em qualquer lugar. Todo mundo tem uma história.

Qual era a sua história?

ROBBIE: Uma vez eu encontrei – e ninguém adivinhou que era eu – um pé humano na praia de Nicarágua.

SPENCER: Oh, morte!

KRUGER: Só os ossos?

CRANSTON: E ela usa de peso de porta. (Risos.)

ROBBIE: Só uma pequena lembrança.

Fonte | Tradução e Adaptação: Equipe Margot Robbie Brasil

postado por Mari na categoria Entrevistas