Aconteceu ontem (15) a exibição de Mary Queen of Scots no AFI Festival e com isso o embargo para as críticas acabou. Os principais sites e blogs fizeram suas avaliações e o filme recebeu críticas boas, com muitos elogios para as atrizes principais, Saoirse Ronan e Margot Robbie. Separamos algumas a seguir, mas CUIDADO! Apesar de ser uma história real, algumas críticas descrevem as cenas detalhadamente:

Screendaily: Duas tragédias desenrolam-se em Mary Queen of Socts, um drama histórico que muitas vezes é mais instigante do que cativante. A história de Mary Stuart e sua prima, Rainha Elizabeth I, se constrói lentamente para um ponto inesperado e tocando, enquanto a diretora Josie Rourke nos apresenta monarcas rivais que podem ter mais em comum do que elas percebam. Preenchendo os papéis imortalizados por Vanessa Redgrave e Glenda Jackson em 1971, Saoirse Ronan e Margot Robbie estão esplêndidas em performances silenciosas e, enquanto a intriga do palácio fica um pouco densa, a história nunca perde de vista a profunda compaixão por essas personagens e a situação compartilhada em serem reféns de homens coniventes, depreciadores e com fome de poder determinados a usurpar sua autoridade.

Após a premiere no AFI Festival, a produção da Working Title coloca sua bandeira no meio da temporada de premiações, estreando dia 7 de dezembro nos Estados Unidos. Ronan e Robbie irão atrair o público da arte, e a mensagem feminista do filme deve acertar um acorde durante a época do #MeToo.

Mary Queen of Scots abrange cerca de 25 anos, começando em 1561 quando Mary (Ronan) retorna para a Escócia para se tornar rainha. Essa adolescente católica é prima da Rainha Elizabeth I (Robbie), uma protestante, que está preocupada que Mary tente tirar seu trono, também. As duas mulheres lutam para ter a vantagem, rodeadas de conselheiros homens que geralmente acreditam saberem mais. Baseado na biografia de John Guy, Mary Queen of Scots nunca deixa o público esquecer a precariedade do poder das mulheres. Elizabeth governa a Inglaterra, mas sem herdeiro, o futuro de seu reino é incerto. Mary claramente tem ambições de substituir Elizabeth, mas ela precisa ter cuidado para que seus planos não provoquem uma invasão do exército inglês.

Embora Rourke (uma diretora de teatro de longa data fazendo sua estreia no cinema) e o roteirista Beau Willimon (criador da adaptação americana de House of Cards) mostrarem as manobras políticas nos mínimos detalhes, os cineastas estão mais preocupados com a temática histórica do que com o enredo. Mary Queen of Scots pacientemente observa todos os jeitos que essas mulheres são ameaçadas pela sociedade patriarcal de mente fechada.

Algumas vezes, a malícia é óbvia, como quando os conselheiros de Elizabeth (incluindo Guy Pearce) a tratam de maneira condescendente, questionando as decisões de sua rainha por suas costas. Em outras ocasiões, o dano é mais sutil e auto infligido: Elizabeth escolhe, como ela coloca, se tornar um homem para que ela seja respeitada, mas ela secretamente inveja a beleza de Mary e sua habilidade de ter filhos, o que a deixa se sentindo incompleta como mulher.

Astutamente, Rourke e o editor Chris Dickens nunca mostras as duas monarcas na tela ao mesmo tempo, cortando entre as narrativas para que possamos ver os paralelos. Mary Queen of Scots nota a ironia cruel dessas primas sendo colocadas em competição uma com a outra, as duas à mercê de homens que tentam as deslegitimar. Somente no final do filme, durante um encontro forçadamente secreto, Mary e Elizabeth falam cara a cara, mas nesse ponto entendemos o quanto ambas sacrificaram, e por que sua conversa é tão carregada emocionalmente.

Tendo dito, Mary Queen of Scots irá testar a paciência do público com cenas em castelos onde pessoas planejam contra pessoas em outros castelos. A complexidade dos movimentos de xadrez das mulheres – contra uma a outra mas também contra seus inimigos – ilustram a dificuldade de manter o poder, mas essas cenas podem faltar dinamismo. Apesar das cenas de batalha, traições chocantes e violentas reviravoltas, este filme é generosamente lento e mais interessante de falar sobre em termos de suas ideias do que o que mostra na tela.

Ronan é uma presença ardente como Mary, uma jovem rainha que aprendeu que não pode deixar homens mais velhos e arrogantes a empurrarem para os lados. Há vulnerabilidade na performance, assim como resignação: de algum jeito, Mary percebe que o baralho está empilhado contra ela, e a única questão é quanto tempo ela pode manter seu trono. Robbie nos dá uma Elizabeth desesperada para enraizar cada parte de sua humanidade para que ela possa ser uma líder que nunca é questionada. Mas a atriz indicada ao Oscar consegue nos deixar ver traços de melancolia por baixo do rosto impassível e com muita maquiagem da personagem.

The Hollywood Reporter: Beau Willimon pula de uma casa de cartas fictícia para um histórico jogo de tronos em Mary Queen of Scots, uma adaptação feminista sobre o drama entre as duas rainhas britânicas no século 16. Por quase 500 anos, os escritores ignoraram o fato de que as duas primas nunca se conheceram para entregar o drama aguardado e Willimon não é exceção, e ele e a diretora de primeira viagem Josie Rourke agitam a suculenta rivalidade real enquanto também mostram a solidariedade feminina diante de jogadas de poder masculinas e travessuras religiosas.

Saoirse Ronan e Margot Robbie brilham neste momento extraordinariamente político contando uma história convincente, que irá competir com o escandaloso e indisciplinado The Favourite pelos espectadores no fim de ano.

É sempre o caso que um filme, peça ou livro histórico revela tanto sobre a época em que foi escrito como sobre o assunto do trabalho em si, e esse é certamente o caso de Mary. Não somente as duas mulheres da realeza são representadas como irmãs de alma em termos dos testes supremos que elas confrontam ao lidar com os homens frequentemente traiçoeiros e uniformemente desapontados que as cercam – mas certamente não possuem as preferências sexuais de alguns homens na cova do leão, particularmente aquelas do marido bonito mas imaturo de Mary (Jack Lowden), que foram explicitamente mencionadas. Similarmente, é algo novo para o ciclo de Mary em particular e para o século 16 na Escócia ser retratado como um país multi racial. Mas nada mudou na caracterização dos maiores vilões: os fanáticos religiosos.

Seja como for, Willimon sabe como levar um enredo político aos extremos baseado em seus anos planejando House of Cards. Primeiramente, ele traz Mary à vida como uma jovem menina abençoada com boa aparência, uma boa mente, mas um julgamento incerto. As linhagens reais das respectivas mulheres eram legítimas, mas nebulosas. Mary, como a descendente mais velha da irmã do falecido Henry VIII e também filha de James V (ela nasceu seis dias antes de sua morte) e Elizabeth, filha de Henry e Anne Boleyn, a quem o rei executou quando ela tinha 2 anos. A história é complicada, mas Mary foi mandada para a França quando era criança e se tornou a Rainha Católica da França e Escócia, enquanto Elizabeth se tornou a Rainha Protestante da Inglaterra.

Para um escritor com a experiência e perícia de Willimon em fazer malabarismo com muitos personagens e enredos, muitas cenas são diretamente expositivas por natureza. A regra de ouro nesse assunto é mostrar, não contar, e enquanto os diálogos trocados são bem carregados, algumas vezes parece que o escritor pega leve sobre o que deu de errado para Mary.

A diretora Rourke exibe confiança e entusiasmo ao lidar com um material tão interessante na companhia de suas duas extraordinárias jovens atrizes. Interpretando uma adolescente que não poderia ser mais diferente da moderna que ela interpretou em seu filme anterior, Lady Bird, Ronan mostra uma habilidade completamente diferente como a jovem regente. A falha fatal de Mary pode estar na complacência sobre sua posição na vida, como se seu direito de nascimento garante seu status custe o que custar.

Elizabeth, que aparece esporadicamente, não tem a crueldade de um monarca determinado a ficar no topo de qualquer jeito. Atraente em seus anos jovens, aos 29 ela contraiu varíola, o que deixou severas marcas em seu rosto, estimulando o uso de branqueador de pele cada vez mais grosso, o que levou a envenenamento da pele e queda de cabelo, resultados terríveis que são vividamente mostrados.

Para o encontro fictício, Rourke e seus designers criaram um cenário dramático e quase etéreo em uma cabana decorada com véus e cortinas por onde as duas mulheres se movem enquanto falam, captando apenas vislumbres uma da outra de início. Elas insistem no laço fraternal, com Mary dizendo que ela deveria ter seguido o exemplo de Elizabeth e não ter tido filhos, Elizabeth diz que ”Você está segura aqui na Inglaterra,” e que ”Eu sou mais um homem do que mulher agora.” O laço entre as duas soberanas é convincente, mas Mary, no final, talvez quer demais, e está muito convencida da sua importância para se submeter ao compromisso. Sabemos o resto.

Ronan carrega o filme com um espírito ferozmente individualista, mas uma coisa que não consegue alcançar é a altura verdadeira de Mary – ela tinha 1,80m, o que permitia que ela fosse mais alta do que a maioria das mulheres e homens naquela época. Robbie é forte e soberba, mas permite um lado humano em sua performance que dá ao papel limitado tanta dimensão quanto o tempo permite. Por padrão, nenhum dos homens conseguem competir com as duas mulheres, exceto quando eles conspiram contra uma mulher e decidem ficar no caminho de seus desejos.

Apesar da fraqueza, Mary Queen of Scots oferece um olhar mais tradicional no melodrama histórico do que The Favourite, que permite que seu exagero seja alegre, se o efeito dramático for cortado. Mas nos divertimos com ambos.

Empire: A história de Mary Queen Of Scots tem tudo que um cineasta poderia querer. Três casamentos tumultuosos, rumores de traição e uma trágica morte sob a ordem de sua prima, Elizabeth I da Inglaterra, quase criam muito drama. A diretora Josie Rourke encontra uma maneira de se concentrar em uma história sobre mulheres lutando para sobreviver no mundo dos homens, embora às vezes ela sacrifique a credibilidade histórica para fazer isso.

Nós conhecemos Mary (Ronan) e suas damas de companhia quando elas retornam da França para assumir seu trono. Mary está bem ciente de seu status: Rainha da Escócia desde que tinha alguns meses de idade e herdeira da Inglaterra, a menos que sua prima Elizabeth (Robbie) finalmente se case e tenha um herdeiro. Mas Mary é católica em uma ilha protestante, e isso faz dela uma ameaça. Seus próprios senhores, até mesmo seu meio-irmão James Murray (McArdle), a veem como uma quinta colunista que poderia colocar o papa de volta no país. Os escoceses mais puritanos, guiados por John Knox, de David Tennant, veem o fato de que uma governante feminina ser um ultraje adicional. E Elizabeth não está feliz com o fato de ter uma rainha mais jovem e bonita de olho em seu trono.

Enquanto está consciente do perigo, Mary escolhe mal seus aliados. Seu segundo marido, Lord Darnley, superficialmente charmoso, mas altamente inseguro, de Jack Lowden, demonstra uma grande decepção. Seu terceiro, Bothwell (Martin Compston), é aparentemente leal, até o momento que em que se revela um estuprador abusivo. Ronan, naturalmente, dá a Mary alguma profundidade. Ela é suficientemente egocêntrica para exigir respeito e não aceitar compromissos com seus súditos, muitas vezes em um grau autodestrutivo. Ela também é tão ingênua que continua festejando como fez na França, apesar do horror de seus cortesões. As tragédias do filme são quase inteiramente suas, mas conhecendo como conhecemos, é difícil ver como ela poderia ter agido de outra forma. Igualmente, a Elizabeth irritável e calculista de Robbie, parece trancada em um caminho tumultuoso com sua irmã monarca, ambas atraídas pela única pessoa capaz de entender sua situação e ressentida com um rival súbito.

É, naturalmente, uma olhada rápida na história. O roteiro de Beau Willimon ocasionalmente reduz os relacionamentos complexos para dar espaço a incidentes que parecem irrealistas em comparação com as performances do elenco. Algumas das escolhas de design também são profundamente anacrônicas (o palácio de Mary realmente era entalhado em uma rocha?), embora os trajes sejam, felizmente, mais fiéis do que da ultima vez que vimos Mary nas telas. O grande problema é que uma reunião que deveria ser o ponto alto do filme se torna o momento mais fraco – é escrito de forma estranha. Mas a convicção de Ronan e Robbie, e um grande elenco de apoio, no entanto, fazem deste um conflito de personalidades muito convincente. Inquieta é a cabeça que usa uma coroa, e é triste quando até uma rainha inimiga está mais próxima de entender seus problemas do que as pessoas que você ama.

Uma aula de história com mais fogo na barriga do que muitas. Acontece que um ângulo feminista realmente pode viver os velhos psicodramas da era Tudors, graças em grande parte ao desempenho de Ronan e Robbie.

Refinery29: O mundo de Mary Queen of Scots existe em constante justaposição: mulheres vs homens, Inglaterra vs Escócia, Protestantes vs Católicos. Todos possuem seus lugares, menos Elizabeth (Margot Robbie) e Mary (Saoirse Ronan).

As rainhas regentes da Inglaterra e Escócia no século dezesseis ficam entre a divisória, nunca pertencendo completamente. Elas são criaturas híbridas, ambas com uma quantidade incrível de poder, mas desesperadamente tentando diminuir seu gênero, para que não seja visto como uma fraqueza. E além de uma a outra, elas são completamente e desesperadamente solitárias.

É uma reviravolta triste na história dessas duas primas e rainhas vizinhas, que governaram incrivelmente duas das nações mais poderosas da Europa ao mesmo tempo, e foram forçadas a serem inimigas pelas circunstâncias. Sua briga é lendária. Mas a tragédia poderosa do filme da diretora Josie Rourke situa-se nas possibilidades frustradas, os muitos momentos em que, se as coisas fossem apenas um pouco diferentes, essas líderes solitárias poderiam ter resolvido suas diferenças e se tornado aliadas, ao invés de inimigas em que a vitória e sobrevivência depende da outra.

Baseado no livro Queen of Scots: The True Life of Mary Stuart de Dr. John Guy, o filme começa com o que já sabemos: 8 de fevereiro de 1587, após aproximadamente 20 anos de cativo, Mary Stuart, Rainha da Escócia, foi decapitada por ordem da Rainha Elizabeth da Inglaterra. Mas quem foram essas mulheres? E o que as levou para uma conclusão tão permanente? É o que Mary Queen of Scots procura responder.

Ao invés de demorar na violência, a ação volta para 25 anos antes, quando uma recém viúva Mary retorna à Escócia (capturada em cenas montanhosas deslumbrantes) após a vida inteira passada na França. Em sua ausência, sua terra foi governada por regentes: primeiro sua mãe, depois seu meio irmão James (James McArdle), ele com tiaras de couro e delineador no ponto. Conquistar de volta seu merecido lugar no trono é mais difícil do que ela pensava – a Escócia é uma nação em sua maioria protestante, e Mary é uma rainha católica. Para tornar tudo mais complicado, Mary tem direito de reivindicar o trono da Inglaterra, governada por sua prima Elizabeth, também protestante.

As duas são governantes capazes, mas suas abordagens são diferentes, em parte por conta de suas histórias pessoais. Mary foi nascida para governar. Seu pai, Rei James da Escócia, morreu quando ela tinha seis dias de vida – ela não conhece outra vida sem ser com o maior poder e respeito, como ela é a rainha soberana. Elizabeth, por outro lado, foi nascida na luta. Seu pai, Rei Henry VIII, rompeu com a Igreja católica para casar com sua mãe, Anne Boleyn. Quando ela não deu para ele o filho que ele tanto queria, ele a executou quando Elizabeth tinha dois anos. Até sua ascenção ao trono aos 26 anos, Elizabeth viveu em constante ameaça, até passando algum tempo na temida Torre de Londres durante o reinado de sua irmã mais velha, Bloody Mary. (Não é para ser confundida com Mary, Rainha da Escócia. Eu sei, é tudo muito confuso.)

As duas rainhas veem uma a outra com fascínio e desprezo. O escritor de House of Cards, Beau Willimon vive pela intriga, e a rivalidade é constantemente alimentada pelos homens em suas respectivas cortes, que zombam de qualquer menção de uma coabitação pacífica. Se Elizabeth não atacar primeiro, Mary irá.

Ronan está fenomenal nesse papel: real, mas também humana. Mary é uma jovem mulher confiante em seu poder e em sua habilidade de exercê-lo. Ela não voltou para casa para ser peão de seus parentes homens, e mostra tal ao banir o padre protestante John Knox (David Tennant, enterrada em muita barba e cabelo) durante sua primeira reunião de conselho. Mas ela também é impulsiva, e menos politicamente perspicaz do que sua rival no sul. (Knox continua em uma completa rebelião contra ela, a atacando como uma harpa sexualmente voraz, uma narrativa poderosa que as mulheres ainda lutam contra nos dias de hoje.)

A Elizabeth de Robbie é mais cuidadosa. Ela, também, gostaria de casar com o homem que ela ama (Robert Dudley, interpretado por Joe Alwyn), mas ela sabe que seria sua queda. Em vez disso, ela escolhe sua carreira no lugar de sua vida pessoal, permanecendo uma rainha virgem com o maior poder, ao invés de arriscar ser dominada e deixada de lado por um marido. ”Eu escolho ser um homem,”, ela diz ao seu conselheiro, Sir William Cecil (Guy Pearce). Mas é uma vitória agridoce para uma mulher que é profundamente insegura. Em um momento de partir o coração, Elizabeth, com o rosto repleto das feridas de varíola, corre pelo corredor histérica, desesperada pela afeição e conforto de Robert. (Robbie é destemida nesse papel, irreconhecível por baixo de maquiagem, cicatrizes e um nariz protético que suspeitosamente parece o que Nicole Kidman usou em The Hours.)

A experiência com teatro de Rourke (ela dirigiu Tom Hiddleston em Coriolanus) efetivamente enraíza a história em momentos contidos e silenciosos. Ao invés de ficar envolvida no quadro geral, ela se interessa pela vida interior dessas mulheres. Alguns desses momentos poderosos são as cenas entre Mary e suas damas, que vestem e dão banho nela, sussurrando confissões e segredos no escuro. Igualmente, a relação de Elizabeth com sua confidente, Bess of Hardwicke (Gemma Chan), é um alívio bem vindo à tensão constante e ao fingimento da vida na corte. (A estrela de Crazy Rich Asians é uma das muitas pessoas de cor em papéis que geralmente iria para um ator branco. Mary Queen of Scots é um grande exemplo de um filme que dá um grande salto na diversidade sem fazer um grande anúncio sobre isso.)

Não há nenhuma dúvida sobre quem é o centro da história – durante um confronto sexual com Darnley, a câmera permanece fixada no rosto de Mary, avaliando suas reações, e Ronan mais do que entrega. Em um mar de homens vestidos de preto, ela e Elizabeth se destacam em roupas claras e coloridas, sempre levando o olhar do espectador para elas.

Robbie e Ronan só compartilham uma cena juntas, durante um encontro secreto que os historiadores debatem se realmente aconteceu. É o clímax do filme, o último suspiro de uma trégua que elas sabem que não pode acontecer. Nesse ponto, elas foram longe demais em seus próprios caminhos: Mary (ainda um pouco bonita demais) está desesperada e derrotada; Elizabeth se transformou na figura de rosto branco e com peruca que foi sua marca registrada. (O figurino de Alexandra Byrne são deslumbrantes, mas é a maquiagem dramática de palhaço que realmente rouba a cena aqui.)

Paralelo ao encontro, tenho certeza de que haverá muita coisa para os historiadores reclamarem, incluindo a tolerância de Mary com a relação de seu secretário David Rizzio (Ismael Cruz Cordova) com seu marido, e a pressão dela e de Elizabeth para serem amigas. Mas a precisão histórica parece menos importante do que a declaração que o filme faz sobre mulheres e poder: muito mudou nos últimos 431 anos, mas não o bastante.

Tradução & Adaptação: Equipe Margot Robbie Brasil

Margot Robbie consegue mais um projeto como produtora! A LuckyChap Entertainment irá produzir a adaptação do thriller Barbed Wire Heart para a Warner Bros. Confira mais:

LuckyChap e Rideback, as produtoras dirigidas por Margot Robbie e Dan Lin, respectivamente, se juntaram para adaptar Barbed Wire Heart, um romance realista de Tess Sharpe, para a Warner Bros.

O estúdio contratou Carly Wray, que escreveu episódios de Westworld e era da equipe de roteiristas de Mad Men, para escrever o roteiro.

Robbie está produzindo via LuckyChap Entertainment ao lado de Tom Ackerley. Lin e Jonathan Eirich estão produzindo via Rideback. Robbie não é esperada como estrela do filme.

O livro, publicado em março, foca em Harley McKenna, a filha de um assassino durão e traficante de drogas, que foi treinada para o negócio da família desde que tinha 16 anos. Quando uma família rival, que foi responsável pela morte de sua mãe, faz uma entrada sangrenta em sua comunidade rural, McKenna precisa encontrar um jeito de enfrentar seu pai violento e os assassinos de sua mãe sem prejudicar as vidas das sobreviventes de abuso no abrigo de mulheres que ela trabalha.

Fonte | Tradução & Adaptação: Equipe Margot Robbie Brasil

Margot foi a escolhida para estampar a capa da última edição do ano da revista americana Harper’s Bazaar. Na entrevista, ela fala sobre seus próximos projetos e sua nova cachorrinha, Bella. Confira:

Houve dias em que Margot Robbie entrava no trailer de maquiagem no set do filme Mary Queen of Scots e os colegas de elenco não conseguiam olhar para ela. ”Eu dizia, ‘Hey, como foi seu fim de semana?’” diz a atriz de 28 anos, com sua melhor imitação do seu sotaque australiano exagerado. ”Mas eles nem chegavam perto de mim. Foi muito alienante. E eu me senti muito sozinha. Foi uma experiência social interessante.”

Sua transformação para a Rainha Elizabeth I, que foi marcada pela varíola quando jovem, durava três horas e meia de maquiagem e penteado todo dia. ”Eles começavam enrolando minha cabeça,” diz Robbie. ”Passavam gel e prendiam meu cabelo. Então, faziam uma careca.” Havia diferentes perucas para estágios diferentes da história e de sua doença, uma que era muito rala, e cicatrizes de próteses aplicadas em seu rosto. ”Surpreendentemente, a parte rápida era a maquiagem branca,” ela diz. ”E o blush pesado, sobrancelhas, lábios.”

Uma transformação assim não é pouca coisa, considerando que a atriz conseguiu sua estreia nas telonas interpretando uma personagem descrita como ”a loira mais gostosa do mundo” no drama de 2013 de Martin Scorsese, O Lobo de Wall Street. Mas Robbie, que atualmente serve como rosto para a Chanel, se recusou no começo a ser estereotipada por sua beleza. ”Quando eu estava tentando fazer meu nome como atriz, papéis criativos para mulheres eram limitados,” ela diz sobre sua decisão de formar sua própria produtora, LuckyChap Entertainment, em 2014. ”Eu não queria mais pegar outro roteiro onde eu era a esposa ou a namorada – apenas um catalisador para a história de um homem. Não era inspirador.”

Curiosamente, Mary Queen of Scots não é a primeira vez que Robbie aceitou um papel onde ela precisava parecer feia na tela. Além disso, quem pode esquecer a franja cacheada, lápis de olho marcado, e aparelho dental que ela usou para interpretar a patinadora Tonya Harding em I, Tonya? ”Margot é uma atriz muito, muito boa que leva seu trabalho incrivelmente a sério,” diz a co-estrela Saoirse Ronan, que interpreta a Rainha Mary no filme. ”Eu acho que a aparência não é um fator. Mesmo quando ela está em um papel glamuroso, ela tem essa presença brilhante e forte, e parte disso é porque ela é uma pessoa muito sincera e autêntica. Ela é muito aberta. O que você vê é a realidade.”

Sem medo de se libertar de sua beleza e mergulhar de cabeça em personagens complexos claramente compensou Robbie, que foi indicada ao Oscar por seu papel em I, Tonya (que foi produzido pela LuckyChap). E agora ela tem uma dúzia de projetos em vários estágios de desenvolvimento, incluindo um suspense chamado Dreamland (também produzido por sua empresa), um spin off de Suicide Squad onde ela irá liderar um elenco de super heroínas, e um número de projetos femininos para a televisão. ”Quando criamos nossa empresa, era uma ideia nova, mas em resposta à conversa do movimento #MeToo, isso era tudo o que estavam falando. As pessoas ficaram tipo, ‘Por que não fazemos filmes para mulheres? Uh, que revelação, não é?’”

A sala de espera da LuckyChap, o que é quase um bangalô escondido no lote da Warner Bros., é iluminada de rosa pela placa em neon que leva o nome da empresa. No dia da nossa entrevista, Robbie aparece de uma das salas de trás vestida em jeans de cintura alta, uma blusa listrada de botões e plataformas da Mansur Gavriel. Ela está sorrindo, sorrindo mesmo, irradiando alegria de seu corpo inteiro. Ela anda pelo corredor como se estivesse escondida ou rindo de um segredo. ”Eu sou a Margot,” ela diz, estendendo o braço para apertar minha mão. ”Quer ver um cachorrinho?”

Ela bate em outra porta, que é aberta imediatamente por seu marido assistente de direção/produtor e um dos co-fundadores da LuckyChap, Tom Ackerley, um britânico alto e lindo que está segurando um filhote de pitbull com terrier que eles estão tomando conta. Seus colegas são todos amigos de longa data de quando ela morava em Londres, onde ela e Tom compartilhavam uma casa com um grupo de assistentes trabalhando em filmes.

”Vamos chamá-la de Bella,” Robbie diz, fazendo carinho na cabeça da cadelinha. ”Absolutamente não vamos ficar com ela, não é, Tom? Não podemos ter um filhote. Estamos muito ocupados para um filhote, né, Tom?”

De pé no corredor, cara a cara com Robbie, é difícil conciliar essa versão da atriz – essa amante de cachorros sorridente e relaxada – com a personagem obscura e complicada que assisti na tela um dia antes. Sobre sua metamorfose, Robbie diz, ”Normalmente alguém diz, ‘Não, mantenha as meninas bonitas!’ Mas Josie Rourke, a diretora, estava decidida a explorar como a aparência da Rainha Elizabeth afetou seus relacionamentos, e todos tiveram coragem de fazer.”

Robbie e Ronan compartilham apenas uma cena em Mary Queen of Scots, mas é especial. As atrizes não tiveram contato até a filmagem, então a reação chocante de se verem desse jeito – Mary implorando por sua vida, Elizabeth em um declínio íngreme – foi visceral. A história sobre as duas monarcas do século 16 é uma briga e uma história de amor de família. Com experiências parecidas – as primas eram ambas controladas por homens da corte, forçadas a irem para guerra, e com dificuldade de manter seu gênero sem serem vistas como fracas – que deveriam juntá-las, mas infelizmente as afasta. ”Eu acho que Mary e Elizabeth poderiam ter sentado e resolvido isso enquanto tomavam café,” Robbie diz com uma risada. ”Mas todos esses homens estavam se metendo no caminho.”

Depois, Robbie irá interpretar Sharon Tate em Once Upon a Time in Hollywood de Quentin Tarantino, previsto para o próximo verão, com Brad Pitt e Leonardo DiCaprio. Ela também está se preparando para um drama produzido por Charlize Theron sobre Roger Ailes e Fox News. Com sua agenda cheia, Robbie não tem muito tempo para socializar atualmente, mas não está reclamando. ”Eu estou trabalhando sem parar por 10 anos, mas ainda fico animada toda vez que entro em um set. Nós vivemos e respiramos o trabalho aqui em Los Angeles. Eu fico com a minha cabeça abaixada!” Espero que ela se lembre de olhar para cima em algumas ocasiões, somente para nos mostrar o quão bonito é uma mulher no poder.

Fonte | Tradução & Adaptação: Equipe Margot Robbie Brasil

A diretora Cathy Yan, escolhida para dirigir Birds of Prey, falou pela primeira vez sobre o filme e como conseguiu o projeto em um evento em Los Angeles. Confira:

Durante o US-China Entertainment Summit no Skirball Cultural Center em Los Angeles, os presentes puderam, pela primeira vez, ouvir Cathy Yan falar sobre seu grande projeto como diretora para um estúdio, Birds of Prey, da Warner Bros.

Ao conseguir o trabalho, Yan se tornou a primeira diretora asiática a dirigir um filme de super herói, e a terceira mulher a juntar-se ao clube da DC após a diretora de Mulher Maravilha, Patty Jenkins, e Ava DuVernay, de The New Gods.

Questionada pela moderadora e produtora Janet Yang como ela conseguiu o projeto e venceu vários outros diretores, Yan explicou, “Eu fiz meu dever de casa.”

“Eu não diria que foi fácil, mas foi indolor e direto. Eu imediatamente amei o roteiro e pareceu algo que eu pudesse fazer, parecia minha própria voz,” disse Yan.

“Eu não consegui parar de ler o roteiro, tinha tanto humor negro nele, o que está presente em muitos trabalhos meus, e há temas sobre empoderamento feminino que são tão fortes e relacionáveis. Então eu entrei, não com confiança, mas com um sentimento de que eu pertencia àquela sala, que de alguma forma mágica em termos de tempo e sorte, essa oportunidade estava aberta para mim e eu definitivamente iria aproveitar.”

“Isso saiu de mim,” disse Yan sobre sua reunião com a Warner Bros. “Eu nunca tinha feito nenhuma dessas coisas e eu pedi exemplos para os meus agentes para conseguir ter uma ideia. Eu montei uma apresentação e também montei um vídeo curto. Mas eu diria que não foi muito como os outros vídeos que fazem referência a outros filmes e não se parece em nada com o seu. Eu acho esses tipos inúteis. Mas eu criei a minha própria versão do que, em termos de tema e tom, transmitia o que seria o meu filme.”

Questionada se teria elementos orientais em Birds of Prey, Yan respondeu, “Sim e não. O tom do filme é similar ao dos meus. Há uma personagem metade asiática e nossa roteirista (Christina Hodson) é metade chinesa, e ela está colocando algumas coisas.”

Fora da conferência, o Deadline confirmou que a personagem em questão é Cassandra Cain, que nos quadrinhos é uma artista marcial muda que é conhecida como Orphan. Ela se torna protegida de Barbara Gordon e, finalmente, Cassandra Cain herda o traje da Batgirl.

Yan também disse para o público que após trabalhar em filmes independentes como Dead Pigs, em Shanghai, que deu a ela o prêmio especial do júri no Sundance Film Festival no ano passado, ela está ansiosa para trabalhar com grandes departamentos de produção que um estúdio como Warner Bros. fornece para um filme como Birds of Prey.

Yan também confirmou no palco o que já tinha sido dito, Birds of Prey terá classificação para maiores. Margot Robbie reprisa seu papel como Harley Quinn, Mary Elizabeth Winstead interpretará a Caçadora, Jurnee Smollett-Bell interpretará a Canário Negro e Rosie Perez será Renee Montoya.

Birds of Prey estreia no dia 7 de fevereiro de 2020.

Fonte | Tradução & Adaptação: Equipe Margot Robbie Brasil