Carey Mulligan é a estrela de Promising Young Woman, filme produzido pela LuckyChap Entertainment, que infelizmente foi adiado devido ao COVID-19. A Vogue Austrália convidou Margot Robbie para entrevistar a atriz e as duas trocam elogios, falam da quarentena e, obviamente, do filme ainda sem data para estrear. Confira:

Carey Mulligan encantou o público pela primeira vez um pouco mais de uma década atrás no drama adolescente aclamado pela crítica, Educação. O papel garantiu para a atriz de 24 anos, na época, uma indicação ao Oscar em Melhor Atriz e a colocou no caminho de ser glorificada como uma das melhores atrizes britânicas de sua geração. Desde então, ela pegou o status de atriz principal com autoconfiança em muitas de suas performances sendo em filmes de época – As Sufragistas, Longe Deste Insensato Mundo e como Daisy Buchanan em O Grande Gatsby, de Baz Luhrmann.

Mas seu mais recente trabalho no filme Promising Young Woman está prestes a subverter tudo o que você acha que sabe sobre Carey Mulligan como atriz. Mulligan interpreta Cassie, uma mulher inteligente, bagunçada, multidimensional e com defeitos motivada a vingar sua melhor amiga Nina após seu estupro e suicídio subsequente. Os figurinos deslumbrantes e prosa bonita dos trabalhos anteriores de Mulligan foram substituídos por grosseria, vingança e vestidos deliberadamente reveladores manchados de batom e molhados de álcool.

Desde a estreia do filme no Sundance em janeiro, os críticos tiveram dificuldade de definir o filme, com descrições variando de ”suspense de humor ácido” para ”comédia romântica arrebatada pelo terror” e até ”suspense de vingança com cor de cupcake, mas bastante sombrio.” A maioria das críticas abordou a transformação do assunto obscuro – como agressão, consentimento e culpar a vítima – em algo tão loucamente interessante, com uma subtrama romântica.

A performance de Mulligan tem o tom perfeito e completa o trabalho de outras jovens mulheres promissoras nos bastidores – a roteirista e diretora Emerald Fennell (que também foi showrunner da segunda temporada de Killing Even e também interpretou Camilla na terceira temporada de The Crown) e Margot Robbie, que produziu o filme com sua empresa LuckyChap Entertainment. Dado que essa edição da Vogue é sobre força, solidariedade e apoiar uns aos outros, nós pedimos para Robbie entrevistar Mulligan sobre o que torna sua performance, e esse projeto, tão inovadores.

Margot Robbie: Oi, Carey, estou ligando de Los Angeles. Onde você está no momento?

Carey Mulligan: Estou em casa em Devon [no Reino Unido]. É um lugar bom para estar.

MR: É uma época tão, tão estranha [com o COVID-19]. É como viver em um filme.

CM: Você estava filmando?

MR: Eu tinha acabado de finalizar o próximo The Suicide Squad e estava fazendo testes de câmera e me preparando para meu próximo filme e eles pararam. Agora eu não sei o que vai acontecer. Você estava de férias ou trabalhando?

CM: Não, eu estava de férias. Eu estava me preparando para um trabalho e íamos filmar em algumas semanas. Sinto que estamos todos passando por um choque e tentando nos reajustar [no confinamento]. Eu acabei de comprar um kit de tricô na Amazon para aprender a tricotar. Eu fiquei: ‘Agora é a hora.’

MR: Eu comprei um banjo! Estou aprendendo francês agora, também, e fiquei: ‘Agora é a hora,’ porque sempre quis tocar banjo.

CM: [Risos] Eu sei de alguém que poderia te ensinar por FaceTime [O marido de Mulligan é Marcus Mumford, vocalista da banda Mumford & Sons].

MR: Sério? Eu realmente adoraria isso.

CM: Ele está muito, muito entediado e te daria aulas, com certeza. Vou arranjar para você.

MR: Eu acho que todo mundo vai sair disso com uma nova perspectiva de vida e uma série de hobbies muito bizarros.

CM: Sim, eu sei. Eu fui ao supermercado para comprar nossa comida e eu sei que não posso, mas quero abraçar todos que estão nos caixas e aqueles adolescentes estocando as prateleiras. Fico tipo: ‘Cara, você está fazendo algo tão bom e importante.’ Isso me faz chorar muitas vezes. Muito disso é tão triste, mas também é quando você vê exemplos de humanidade em seu melhor, quando pessoas estão fazendo coisas surpreendentes. De qualquer forma, nós não podemos falar do coronavírus por muito tempo.

MR: Tivemos nossa conversa obrigatória sobre isso. Estou realmente muito animada de entrevistar você porque eu nunca entrevistei ninguém e estou me levando muito à sério.

CM: Nunca?

MR: Não. Então, vamos montar a cena. Onde você está sentada? Você tem alguma bebida na sua frente, lanchinhos?

CM: Estou sentada na minha cama. Perto de mim tenho uma mamadeira vazia que meu filho tomou mais cedo, numa tentativa de mantê-lo no andar de cima por mais tempo, porque ele acordou cedo demais. Tenho uma xícara de café vazia e tenho três narcisos de Dia das Mães, que foi ontem aqui [no Reino Unido].

MR: Oh, feliz Dia das Mães.

CM: Obrigada. Eu tive um dia realmente bom.

MR: Que lindo. Eu amo isso. Uma mãe trabalhadora, você está fazendo tudo. Que bom para você. Eu pensei em começar com algo divertido. Que filme você já viu mais do que qualquer outro e qual filme você aprecia mais como amante de filmes?

CM: O filme que eu já vi mais do que qualquer outro seria O Conto de Natal dos Muppets e, meu Deus, a outra é difícil. Provavelmente Butch Cassidy and the Sundance Kid.

MR: Respostas brilhantes.

CM: Eu estava em Paris algumas semanas atrás e estávamos começando a ficar um pouco estressadas com o coronavírus e eu estava com a minha melhor amiga. Eu estava lá para uma sessão de fotos, e fomos para o quarto do hotel e estava passando Butch Cassidy com dublagem francesa. Foi a coisa mais relaxante que eu já fiz na minha vida e eu não falo francês. Foi fascinante. Sinto que Butch Cassidy me deu tanta coisa.

MR: Amei isso. Eu deveria fazer isso agora que estou aprendendo francês. Provavelmente ajudaria. Quero dizer, existem ótimos filmes franceses; talvez eu devesse assisti-los. Okay, próxima pergunta: qual foi o melhor conselho de direção que você já recebeu?

CM: Provavelmente Paul Dano em Vida Selvagem quando eu estava surtando. Na cena, eu levo meu filho para jantar com esse homem com quem estou tendo um caso, e então eu fico muito bêbada e confusa sobre o que estive fazendo e termino beijando esse cara na frente do meu filho. É um desastre absoluto. Eu estava fazendo e sentindo que era a pior atuação que eu já fiz na minha vida. Paul disse: “Sim, você se sente assim, ela se sente assim. Apenas faça a pior versão disso. Faça isso ser absolutamente chocante e provavelmente vai ser onde precisamos estar.”

MR: Isso é tão inteligente. E você ficou feliz quando viu a cena?

CM: Sim, mas você nunca fica “Woohoo, dez pontos.” E eu recebi um conselho muito bom de Steve McQueen em Shame. Estávamos fazendo uma cena onde eu canto New York, New York em um bar com Michael Fassbender e eu estava apavorada. Fiz minha cena e ele disse: “Sim, conseguimos,” e então: “Okay, agora cante outra coisa. Não podemos ter uma música escrita porque não conseguiremos os direitos dela, então invente alguma coisa.” Eu me lembro de entrar em um banheiro e cantarolar coisas aleatórias que pareciam uma música de jazz, então saí e cantei algo sobre uma rosa morrendo.

MR: Meu Deus. Fiquei nervosa só de ouvir a história.

CM: É bom quando alguém faz isso, não é? Quando sutilmente te empurram do parapeito e você fica bem, gritando, mas bem. É um pouco divertido, mas assustador.

MR: Amei essa história. Diga um colega ator que te impressionou, alguém que realmente te deixou sem ar em uma cena.

CM: Oscar Isaac, quando estávamos fazendo Inside Llewyn Davis – Balada de Um Homem Comum, o filme dos irmãos Coen. Ele foi apenas outro nível. É uma coisa realmente comum para mim, quando chega na minha fala e eu fico: “Oh, merda, desculpa. Desculpa, você foi tão bom e eu fiquei distraída.” Sinto que isso acontece o tempo todo.

MR: Antes de falarmos de Promising Young Woman, uma última pergunta: como você se descreveria em uma palavra?

CM: Cansada [risos]. É a verdade, no entanto. Quando eu era pequena, eu nunca ganhei nenhum prêmio na escola, mas no ano que eu ganhei algo, foi por esforço, o que significava que eu realmente tentava mas não conseguia os resultados. Então, eu não sei minha palavra pode ser esforçada, mas sim, é isso: esforçada.

MR: Amei [risos]. Eu passei muito tempo pensando sobre essa pergunta e a palavra que achei foi: perspicaz.

CM: Oh, isso é muito legal.

MR: Sim, porque você é muito astuta e inteligente, mas pé no chão e sinto que você pode ver através das coisas e ir direto ao ponto. Há uma inteligência brilhante atrás de seus olhos, então essa foi a palavra que encontrei para você.

CM: Isso foi muito adorável, obrigada.

MR: Sem problemas. Eu amo as escolas que você faz como atriz, mas elas parecem desafiantes. Como a peça solo [Girls & Boys], então para mim, parece que você está sempre buscando um novo desafio ou algo que te assuste. Você concorda?

CM: Sim. Com a peça solo, eu cresci querendo ser uma atriz de teatro musical, mas eu não canto bem o bastante, então mudei minha missão para o teatro. Minha experiência mais formativa no teatro foi quando eu tinha por volta de 14 anos e vi a produção de uma peça chamada Scaramouche Jones com Pete Postlethwaite interpretando um palhaço contando sua história de vida. Tinha por volta de uma hora e meia e foi tão extraordinária. Quando as luzes se apagaram e ele veio para os agradecimentos, foi tão chocante porque eu senti que havia 14 atores na peça. Então foi algo sobre uma peça solo que realmente me atraiu para sempre. Mas a realidade é muito diferente – eu amei, mas era muito difícil chegar no palco. Não ter uma quarta parede e contar sua história diretamente para as pessoas que estão na plateia é realmente horrível. Mas uma vez que eu estava lá em cima, estava tudo certo.

MR: Parece apavorante. Sinto que fico paralisada mesmo quando estou fazendo uma cena sozinha. Sinto que se eu não tiver outra pessoa para reagir, eu não sei o que diabos estou fazendo. Então, a ideia de um show solo me apavora quase na mesma medida que Steve Mcqueen me pedindo para improvisar uma música.

CM: Você faz teatro?

MR: Eu adoraria, mas nunca fiz. E por alguma razão eu tenho algo na minha cabeça que diz que eu não mereço fazer porque eu não fui para a escola de teatro. Sinto que se eu tentasse fazer uma peça, as pessoas ficariam: ”Ugh, o que essa atriz de cinema está fazendo aqui?” Mas eu falei com algumas pessoas sobre isso e me disseram que eu devia fazer.

CM: Eu também não fui para a escola de teatro. Não consegui entrar. Fiz minha primeira peça quando eu tinha por volta de 18 anos e o diretor precisou me oferecer um prêmio para que eu saísse do camarim e me forçou a ir para os ensaios e aquecimentos porque eu estava chorando. Todos os meus colegas de elenco tinham ido para RADA [Royal Academy of Dramatic Art] e tinham carreiras ilustres no teatro e, você sabe, eu tinha feito um filme e não fazia ideia do que estava fazendo. Mas eu penso muito no teatro que gostamos nos dias de hoje, ele vem das mesmas coisas que faz grandes atores de cinema – é tudo sobre instinto e verdade e honestidade ao invés de se apoiar em um estilo mais clássico. Agora, a única coisa que você precisa fazer diferente é projetar sua voz. Sinto que estou em um set de filme e não adapto nada além de fazer minha voz ficar mais alta, eu ainda faço as mesmas escolhas. Eu acho que você seria incrível no teatro e você iria amar.

MR: Eu deveria fazer. Mas falando sobre medo e algumas vezes esse entusiasmo induzido pelo medo para aceitar um papel, alguma vez você já negou alguma coisa porque sentiu que não conseguiria?

CM: Não, eu acho que não em termos de medo. Houve momentos em minha carreira que eu me afastei de algumas coisas para preservar mais a minha vida. Por exemplo, depois que me casei, eu parei um pouco, porque eu queria ter aquele tempo para estar casado e não fazer muitas coisas que me levassem para longe. Eu não sei como é para você, mas na maioria das vezes quando leio alguma coisa, sei se é de meu interesse na primeira leitura.

MR: É uma reação instintiva, não é?

CM: Sim, definitivamente.

MR: Você assinou para Promising Young Woman, então você teve esse sentimento? Me fale sobre ler o roteiro pela primeira vez e ter esse sentimento de “Eu sei que tenho que fazer isso.”

CM: É engraçado, esse roteiro provavelmente me deu mais medo, porque é arriscado. Exatamente o que Emerald fez como filme no final foi como eu me senti ao ler – você entra com um sentimento de receio, e então de repente você está assistindo uma história de amor e então você está em um suspense, e ela está constantemente desconectando você o tempo todo. Sinto que foi uma tarefa tão louca e que precisa de um talento específico para conseguir sucesso, porque se não é executado do jeito certo pode ser muito ruim. No minuto que conheci Emerald eu fiquei, okay, essa é a pessoa que pode fazer isso, claramente. Eu não preciso mais me preocupar com isso. Como você se sentiu ao ler pela primeira vez?

MR: Eu li um material da Emerald alguns anos atrás. Nós tentamos conseguir um piloto que ela escreveu, mas o tom era muito diferente. Foi executado no tom perfeito e essa é a especialidade dela. Nós não conseguimos, no final, mas nos encontramos com ela e você sabe que se apaixona quando a conhece porque ela é magnética, muito inteligente e legal. Nós perguntamos se havia outra coisa que ela queria fazer e ela nos apresentou Promising Young Woman e ficamos: ”Meu Deus, estamos dentro!” Mesmo naquela época o roteiro incorporava o que o filme faz no final, que é falar de um assunto muito sério, mas possui esses freios e mudanças de tom que você, às vezes, sente que está em uma comédia romântica e está amando estar lá, então puxam o tapete novamente. É uma linha muito difícil de andar, mas eu senti que ela podia executar. Ela tem uma visão clara, é muito esperta e tinha algo a dizer. Eu tive confiança de que ela podia fazer isso.

CM: Sim, ela foi tão determinada desse jeito, cem por cento. Eu lembro de nossa primeira reunião, ela ficou: ”Nós queremos fazer isso em breve, na primavera e queremos filmar em Los Angeles.” E eu disse: ”Oh, legal – muita coisa não é filmada em Los Angeles, no entanto, não é?” Mas ela disse: ”Não, mas eu acho que precisa.” E eu fiquei: ”Oh, ok, sim, claro”… pensando, essa é uma ideia legal. E foi onde filmamos. Ela não hesita nas coisas, é incrivelmente boa em compromissos, uma colaborada maravilhosa, o que tenho certeza que você também pensa assim, ao assisti-la colaborar com outros departamentos. Todos estavam tão animados de servir nesse projeto, você sentia que a equipe estava realmente animada, de um jeito raro, como se todos estivessem na brincadeira. Eles queriam que fosse o melhor que pudesse ser. Isso é um sinal do quão boa ela é na colaboração. E sua liderança – ela lidera tão bem do topo e é impecavelmente gentil e alegre. Eu acho que as pessoas amaram trabalhar com ela.

MR: E ela também é atriz. Você sente que isso foi vantagem como diretora?

CM: Sim, eu acho. Acho que ela tem muita experiência. Ela é atriz, escritora, diretora e possui essa lente única pela qual ela vê o mundo, e seu senso se humor é obscuro e impactante. Muito do que ela fez foi avançar o limite e depois voltar um pouco. Minha tendência é sempre – e eu sempre digo isso para os diretores – tentar fazer menos e se você precisa que eu faça mais, você precisa me provocar um pouco, porque meu instinto é sempre fazer o mínimo para tornar as coisas mais verdadeiras.

MR: Isso é tão engraçado, eu faço o oposto. Eu sempre falo para o diretor: ”Okay, vou fazer, vai ser muito grande e você precisa me dizer para fazer menos para ficar bom.” E, como você disse, até parecer verdadeiro.

CM: Meu Deus, isso é tão engraçado. Nós realmente precisamos trabalhar juntas em breve.

MR: Eu sei.

CM: Mas eu acho que suas performances, como as escolhas corajosas que você faz, são extraordinárias. Inveja é a palavra errada para usar, mas eu assisto seu trabalho e sinto que as escolhas que você faz são tão corajosas e diferentes. Seus personagens são tão separados um do outro e possuem vidas internas tão ricas. Acho que é porque você não tem medo de fazer algo que parece extremo. Foi isso que eu entendi nesse trabalho de interpretar a Cassie. Em algum desses momentos onde eu estava diminuendo, Emerald estava me incentivando a ser mais. Ela ficava: ”A vida pode ser realmente extrema algumas vezes e você pode reagir de um jeito extremo.” Todos os meus diretores favoritos foram pessoas que eu confiei. Eu sei que vão me proteger. Ela sempre estava dizendo: ”Eu não vou deixar você parecer uma babaca na sala de edição, então se for ruim vamos cortar e não estará no filme.”

MR: É verdade, você precisa ter essa confiança no diretor. É realmente difícil se colocar em perigo quando você não sabe se alguém vai te segurar quando você cair. E sobre interpretar a Cassie, alguma característica sobre ela foi familiar para você, ou ao contrário, foi muito estranho? E como você as fazem parecer autênticas? Porque na tela você nunca iria saber que você não concorda especificamente com o ponto de vista da Cassie.

CM: É interessante porque fizemos muita pressão nesses problemas no filme e eu acho que existe uma concepção errada que vemos a Cassie como dona da verdade. É aqui que quero me intrometer e dizer que esse é um comportamento do tipo não tente em casa. O jeito que ela se comporta não é legal. Mas havia muita coisa sobre ela que eu senti que, não sei… Quando li pela primeira vez obviamente existem coisas que são tão sérias e tão trágicas e existe muita coisa obscura no meio de toda a diversão, mas quando você realmente olha para isso, a história começa com amor.

Começa com o amor que duas melhores amigos de infância têm uma pela outra, então acho que foi onde Em e eu começamos a pensar no que estava motivando isso. O que está motivando é que ela perdeu sua melhor amiga. E o que você recebe da sua melhor amiga, especialmente quando você é uma criança e estão descobrindo o mundo juntas, o quão importante é esse relacionamento, essa irmandade.

É realmente importante evidenciar essa amizade; pensar naquela pessoa que esteve com você em todos os momentos quando eram pequenas. E eu tive essa menina na minha vida e foi legal, nostálgico e doce lembrar que isso é sobre amor, e não vingança.

De todas as coisas que eu fiz nos últimos anos, eu entrei nesse filme sem ter a menor ideia de como ia interpretar esse papel. Eu acho que muito foi solucionado por pessoas em outros papéis, particularmente o Bo [Burnham, que interpreta Ryan, o interesse amoroso de Cassie]. Eu acho que a Cassie seria uma versão diferente se o Bo não tivesse interpretado o Ryan, porque ele é ridiculamente engraçado.

MR: Ele é simplesmente encantador. Se alguém que está lendo esse artigo não sabe quem é Bo Burnham, o procure no YouTube agora e assista seus filmes engraçados. As meninas no escritório da LuckyChap, nós literalmente assistimos os filmes dele sem parar. Assistir vocês dois na tela é apenas mágico – eu só queria estar com vocês dois e assisti-los se apaixonarem o dia inteiro. Foi elétrico.

CM: Foi tão divertido. E você precisa disso nesse filme, precisava parecer aquela montagem perfeita de Richard Curtis. Do contrário, o filme não funciona até que você realmente queira que os dois estejam bem. Porque aquele é o caminho alternativo da Cass, é onde ela poderia ir.

MR: Falando sobre esses atores, você trabalhou com alguns dos maiores atores de drama da nossa geração – Meryl, Leo, Fassbender – e nesse filme você está estrelando com os atores de comédia mais adoráveis da nossa geração, como o Bo; Adam Brody, que todo mundo conhece como o Seth de The O.C.; e Jennifer Coolidge [que interpreta a mãe da Cassie]. Como você se sentiu sobre a escolha da Emerald de escalar esses rostos familiares e adoráveis que nós rapidamente associamos com o “cara legal”?

CM: Foi tão inteligente. Aqueles caras se jogaram nos papéis, o que eu também achei admirável, porque muitas vezes os homens querem interpretar o vilão ou o herói. Interpretar o homem fraco não é atraente. O fato de que Em pensou neles, o jeito que ela queria que o sentimento do filme fosse: ”Você já viu esse filme antes, você já viu esse cara, ele é um cara legal e agora ele conheceu uma menina bêbada e talvez eles vão fazer algo realmente adorável.” Mas então você percebe, absolutamente não.

Você é enganado constantemente para um lugar seguro do tipo: ”Eu sei o que é isso – meu cérebro já viu isso antes e estou confortável, é assim que eu cresci.” Nós já vimos filmes onde os caras levam meninas bêbadas para casa durante toda nossa vida. É um filme de comédia dos anos 90. Mas agora estamos vendo por lentes diferentes. Aquela pessoa que você pensou que confiava na verdade não é tão confiável nesse momento. Ela está subvertendo todos esses estereótipos de um jeito muito inteligente.

MR: Absolutamente, é genial. Sinto que existem muitos atores agora, particularmente mulheres, que falam muito sobre trabalhar com diretoras, mas na verdade não trabalharam com muitas, se trabalharam com alguma. Você, por outro lado, trabalhou com várias diretoras e eu nunca a escuto se gabar por isso. Isso é muito legal e eu realmente tiro o chapéu para você. Você foi consciente sobre trabalhar com diretoras ou é algo que aconteceu organicamente?

CM: É uma mistura, eu acho. Sempre sinto quando recebo um roteiro de uma diretora, isso te faz sentar direito e prestar mais atenção, porque você sabe que para aquilo conseguir financiamento, então essa diretora precisou fazer muito mais do que seus colegas homens para chegar naquele lugar. E isso é estatístico no momento, não é só suposição. Durante a maior parte, as mulheres possuem mais dificuldade de entrar na indústria e mais dificuldade de ficar. Se seu primeiro filme não for um sucesso enorme de bilheteria ou aclamado pela crítica, então o segundo filme será muito, muito mais difícil de ser feito. Então, eu sempre acho que vale a pena investir em uma diretora que está enviando roteiros e fazendo o trabalho. Não é do jeito que você montou sua produtora, o que eu estou absolutamente maravilhada, eu não diria que sou nem um pouco proativa desse jeito. Mas eu tive sorte que muitas diretoras apareceram no meu caminho e elas foram todas muito, muito brilhantes.

MR: Amei. Estou infinitamente impressionada com você. Tenho que dizer que quando estava escrevendo as perguntas para essa entrevista, eu encontrei as anotações que fiz quando assisti o primeiro corte do filme, coisas do tipo ”Deveríamos cortar aqui mais rápido?” ou ”Deveríamos conectar essa cena?” ou ”Aqui está um pouco estático.” Mas provavelmente a cada cinco linhas era ”Carey é incrível.” E então outras cinco linhas de comentários e: ”Meu Deus, Carey é incrível pra caralho” ou ”Ela é boa demais.” Fiquei tão feliz e animada de fazer essa entrevista e reviver as experiências do filme, porque você é impressionante.

Eu lembro de assistir os diários e dizer pro Josey [McNamara da LuckyChap] e Tom [Ackerley, marido da Margot]: ”Cada tomada que ela faz é brilhante. Eu não sei o que a Emerald vai usar na edição porque cada tomada é poderosa e dedicada.” Eu estava grudada na tela e acho que as pessoas vão ter essa experiência assistindo ao filme.

Eu também acho que as pessoas vão gostar de ver a Carey Mulligan – essa atriz incrível do teatro e do cinema – usando um pequeno vestido Spandex com rímel escorrendo pelo rosto. Eu me diverti muito vendo você incorporar essa personagem completamente transformadora.

Eu quase morri no dia que você assinou o contrato. Me lembro de ter dito: ”Não acredito que conseguimos Carey Mulligan para esse papel.” Mas a cada passo do processo eu fiquei mais impressionada ainda e maravilhada com você. Eu tenho uma queda enorme por você e quero te agradecer por me deixar te entrevistar.

CM: Ai, meu Deus. Eu não consigo nem te dizer o quanto isso significa, porque todos os dias no set eu ficava dizendo para a Em: ”A Margot está assistindo isso? O que você acha? Você acha que está bom?” Porque eu me sinto do mesmo jeito. Apenas ter esse apoio bonito e positivo por trás desse filme e meu trabalho nele é literalmente o maior elogio porque eu te admiro tanto como atriz e tenho uma enorme queda por você, também. Além disso, agora eu decidi que precisamos fazer uma peça juntas e um filme.

MR: Cem por cento.

CM: Nós apenas temos que passar pelo coronavírus primeiro e então podemos partir. Enquanto isso, vamos tendo algumas ideias.

MR: Antes de estamos juntas no palco ou na tela, vamos fazer tricô e tocar banjo e esperar isso acabar, então vamos planejar nosso próximo passo.

CM: Exatamente! E ficar em casa.

Fonte | Tradução & Adaptação: Equipe Margot Robbie Brasil

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