A Empire Magazine visitou o set de Aves de Rapina no início do ano passado e conversou com Margot Robbie e os demais produtores do filme. Confira abaixo:

Margot Robbie senta pulando na ponta de uma língua muito grande e longa, rindo histericamente. É protuberante de uma estátua de uma cabeça de uma mulher no estúdio em Burbank, onde hoje serviu como um parque de diversões abandonado e assustador. Sentada em outra língua, ao oposto de Robbie, também pulando, estão a diretora Cathy Yan e a roteirista Christina Hodson, tentando (não inteiramente com sucesso) ter uma reunião séria entre as tomadas. O trio formou uma gangue nos últimos quatro anos, liderando o filme que Robbie sonhou desde que interpretou Harley Quinn – uma psiquiatra que se tornou uma criminosa louca – em Esquadrão Suicida em 2016. Robbie, Yan e Hodson estão se divertindo tanto, que você esquece que a cena de ação que elas estão tentando entender (envolve uma luta que se passa dentro de um escorregador enorme) é uma das mais complexas de Aves de Rapina.

Usando seu boné de produtora, Robbie começa a ensaiar a coreografia da luta. É imediatamente claro que ela é a dona do show. Ela é uma chefe popular. Nas sextas-feiras, ela escolhe um código de vestimenta temático. Hoje é Hawaí, por isso a equipe está vestida com camisas havaianas e colares de flores. Na semana passada, o tema era São Patrício. Seu elenco e equipe não conseguem parar de elogiar sua ética de trabalho e intelecto. O produtor Bryan Unkeless até insiste que ela é a pessoa mais impressionante que ele já conheceu. ”Eu sinto que tenho muita sorte de conhecer Margot Robbie mais do que qualquer outra pessoa na minha vida,” ele diz. ”Todos os dias nos preocupamos com centenas de coisas, mas nunca tivemos preocupações quanto à Margot.”

Quando Robbie aceitou o papel da Harley no filme de David Ayer, ela adotou a personagem como uma criança que ela queria criar. ”Harley se tornou incrivelmente importante para mim,” ela diz, colocando uma camisa havaiana para esconder suas tatuagens temporárias da Harley. Em Esquadrão Suicida, Harley estava sozinha em sua feminilidade; ela era definida por seu relacionamento com o Coringa, criado por homens. Robbie tinha a fantasia de que Harley conseguiria escapar e encontrar um grupo de meninas. Ela é sua anti-heroína em sua própria Gotham – uma cidade mais vibrante, mais colorida, e francamente, mais insana. E então, para Aves de Rapina, Robbie dirigiu o processo, escolhendo Hodson para escrever o roteiro, e se separando da fórmula do gênero para realizar seu esquadrão.

Isso provou ser oportuno. Em três anos desde Esquadrão Suicida, os movimentos #MeToo e Time’s Up encorajaram mulheres em Hollywood a parar de segurarem suas línguas. ”É um ótimo momento na cultura para contar essas histórias,” diz a produtora Sue Kroll. ”O fato de estar sendo feito como um empreendimento comercial tão grande, populista e com a DC é realmente emocionante.” O filme procura abordar minuciosamente perguntas de 2020. Quem é a Harley sem o Coringa? Quem é a mulher sem o homem? E como ela é apoiada por outras mulheres ao seu redor?

A resposta está no longo título Aves de Rapina: Arlequina e sua Emancipação Fantabulosa. Emancipação é uma ótima palavra. No set, todo mundo é ávido ao enfatizar que esse filme é separado de Esquadrão Suicida. Longe está a violência gratuita. No lugar disso está um filme sobre mulheres, feito por mulheres, para todo mundo. É movido pelo olhar feminino, até a escolha dos calçados. ”Se desviamos para um salto em que você não poderia andar, dizemos ‘Não!’” diz a figurinista Erin Benach, que garantiu que as roupas são divertidas mas também pragmáticas para todos os chutes iminentes. Harley é DIY. Ela usa fita isolante como acessório. ”Harley é a alma da festa todo o tempo. Ela pode dançar até o esquecimento.”

Até a estrutura está inovando na DC. Não é machão – liderada nem por explosões de computador nem por um enredo linear. ”Eu estava tão indiferente à explosão de prédios,” diz Robbie. ”Eu queria fazer algo mais contido.” A Gotham que entramos não é a Manhattan do Morcego, mas o Brooklyn ou Queens mais sombrio e barulhento. É no nível de rua. Nós temos uma prévia de aspectos da cidade que ainda não conhecemos. Por exemplo, o Clube do Máscara Negra, é como um bar privado só para membros; uma sociedade secreta onde pessoas sem vida e os gatos gordos se encontram, e onde Harley mostra seus talentos para dança. Yan explica que a narrativa é desenhada para ecoar o caos desorganizado da mente da Harley, para parecer uma história contada para você sem pausas por uma amiga. Ela vai e volta. Você se apega aos tópicos esperando que faça sentido no final. ”É o cérebro da Harley. Capta o humor grosseiro que as mulheres tem,” a diretora diz.

Quando nós encontramos a Harley, ela acabou de terminar com o Joker. Ele largou ela. ”Ela está tentando superar,” Robbie diz. ”Esse pareceu um jeito real de lidar com um término. Não é fácil ser uma mulher forte. É muito difícil.” O coração da Harley está arrasado enquanto ela tenta organizar sua vida novamente. Seu apartamento alugado fica em cima de um restaurante chinês. ”É uma bagunça,” diz Kroll. A Empire conseguiu uma prévia de uma cama cheia de papéis de doce que a Harley esteve comendo e fitas cassetes de desenhos (Pernalonga, etc). Um macacão estampado com carinhas tristes no sofá. E tem uma hiena de estimação chamada Bruce (uma homenagem para o Morcego?). ”Harley ama animais de estimação incomuns,” Kroll ri.

Em um vídeo de um minuto mostrado para a Empire, o humor e frescor aparecem imediatamente. Harley cortou a franja. Ela está chorando rios. ”Ela está mais como Courtney Love do que Debbie Harry dessa vez,” Robbie diz. Dependente e viciada no Coringa, ela chegou no fundo do poço. ”Ela diz, ‘Estou solteira, eu não preciso dele, foda-se esse cara.’ Mas se o Coringa mandar uma mensagem, ‘Está acordada?’ ela iria correr. Ela iria desmoronar.”

Harley precisa se preparar para descobrir quem ela é sem o ex-namorado louco. E sem a proteção dele, ela também precisa lidar com todos em Gotham que estão atrás de um pedacinho dela. Robbie foi ávida ao explorar o aspecto da doença mental e a natureza infantil da Harley. Por exemplo: ela dorme com um castor – Beavy. ”Eu durmo com meu coelho que tenho desde que nasci,” Robbie confessa. ”Por que Harley se sente apegada a um brinquedo? As pessoas se apegam em coisas da infância quando elas não lidaram com o passado ainda.”

Aves de Rapina pode ser um dia na vida da Harley, mas crucialmente não é sobre ela. Uma mulher não pode contar a história de todas as mulheres. ”Harley sozinha é como uma criança em uma parquinho sozinha. Onde está a diversão?” Robbie pergunta. O mundo da DC é cheio de personagens femininas para explorar, e as escolhas aqui foram um movimento intencional para diversificar as mulheres o máximo possível. Durante sua jornada de autodescobrimento, Harley encontra uma jovem menina – Cassandra ‘Cass’ Cain) interpretada por Ella Jay Basco). Cass está com um alvo em suas costas graças ao dono da boate, Roman Sionis, aka Máscara Negra (Ewan McGregor), e seu escudeiro Victor Zsasz (Chris Messina) – um serial killer com cicatrizes por todo o corpo para representar seus assassinatos. Harley descobre que as outras Aves de Rapina estão investidas na proteção de Cass e possuem problemas com Roman. Elas são forçadas a ficarem juntas contra suas vontades.

Não é tarefa fácil que esse seja o primeiro elenco de mulheres em um filme de super-heróis. A diversidade na idade e formação do elenco feminino permitiu a perspectiva de inúmeras mulheres. Na série da DC, as Aves são uma equipe de super-heroínas com uma política de portas giratórias. A adaptação de Robbie escolhe a equipe mais miscelânea: Canário Negro (Jurnee Smollett-Bell), Caçadora (Mary Elizabeth Winstead) e a detetive subestimada detetive Renee Montoya (Rosie Perez). Elas não se dão bem. ”Eu não queria As Panteras,” diz Yan. ”Eu não queria que parecessem que elas estavam em uma irmandade.” Aspira ser uma versão mais realística dos relacionamentos mais complexos entre mulheres. Unkeless coloca de maneira melhor: ”O ato de fazer o filme tem sido uma camada de manifestação sobre o que é o filme: mulheres únicas, inteligentes e talentosas que vêm trabalhar juntas.”

Então, sem mais delongas, vamos conhecer as Aves. Primeiramente: Canário Negro. Nós a conhecemos como Dinah Lance – uma feroz lutadora de rua cuja morte da mãe a deixou órfã. ”Dinah está fechada para o mundo e não quer saber de limpar Gotham. Ela está tipo, ‘Foda-se Gotham,’” Jurnee Smollett-Bell diz. Dinah também não gosta da Harley. ”Ela acha a Harley irritante pra caralho.” Eventualmente, elas se entendem. Smollett-Bell foi forçada a considerar a questão de por que as mulheres negam seu potencial. Sua emancipação vem quando ela para de se sabotar. O treinamento rigoroso de artes marciais quase sabotou Smollett-Bell. ”Foi tão cansativo!” ela ri. ”Foi importante testar meus limites. É o que a Dinah faz.”

Cass é uma menina de rua de 12 anos em roupas largas para esconder todos seus artigos roubados. Diferente da história original dos quadrinhos, Cass não é protegida pela Batgirl original, Barbara Gordon, mas sim pela Harley. A dinâmica é de irmãs. Robbie se tornou mentora de Basco, de 13 anos, também. Esse é seu primeiro filme. ”Esse filme vai mudar a indústria para sempre,” diz Basco, orgulhosa de representar a comunidade asiática ao lado de Yan. O elenco de Rosie Perez como Renee Montoya – uma policial gay que sempre foi ignorada e foi demitida – dá uma dimensão maior ao grupo. Perez trouxe sua própria experiência como uma mulher ”quase-hétero” de Porto Rico que cresceu na pobreza para Renee, além da sua própria experiência com o ativismo contra o HIV/AIDS. ”Ela está tentando entender que não é somente onde você luta, é como você luta,” ela diz sobre Renee. ”Algumas vezes você precisa sair da sua própria caixa, entender que você não está sozinha na luta, que você precisa de uma equipe. Renee esteve gritando e engolindo essa raiva, acordando de ressaca, não entendendo como isso entrou no seu caminho.”

A peça final do quebra cabeça é a militante Caçadora, vestida em meia arrastão, couro e com tranças em seu cabelo. Nascida Helena Rosa Bertinelli, ela é a filha de um poderoso mafioso. Quando criança, sua família foi assassinada na sua frente. Ela treina para se tornar uma assassina para vingar suas mortes. O próximo em sua lista? Roman. Mary Elizabeth Winstead sempre foi relutante em estrelar em franquias de quadrinhos por medo de ser sexualizada demais. ”Esse filme foi muito importante,” ela diz sobre trabalhar com tantas mulheres. ”É algo que me foi negado por muito tempo. Apenas não estava em discussão.”

Apesar da mentalidade da gangue, Harley permanece isolada em um aspecto: ela não é uma heroína como as outras Aves. Não há um grande arco onde ela se torna uma pessoa diferente. ”Ela não é uma boa menina, ela nunca vai salvar o dia,” Robbie diz. Ela é uma catalisadora de caos. Robbie entrega que no final dos créditos, Harley pelo menos se sente ”um pouco menos triste sobre si mesma”. Ela está quase superando o Coringa. A tarefa de contar sua história é fisicamente e emocionalmente desgastante, mesmo sem a tarefa que Robbie tem de produzir o filme. Harley é constantemente estimulada. ”Ela pode reagir de milhões de jeitos diferentes,” diz Robbie. ”É demais. Ontem estávamos todos almoçando e passou um bolo por mim e eu disse, ‘Oooh, bolo!’ E alguém disse: ‘O quanto da Harley fica com você?!’”

Quatro anos atrás, ninguém estava pedindo por um filme das Aves de Rapina. Agora, parece que é exatamente o que o doutor prescreveu. ”É engraçado,” diz Robbie. ”O movimento #MeToo mudou a relevância de cada projeto. Ou ficou muito urgente ou totalmente inconsequente. É de muita sorte que esse filme se tornou importante. Quatro anos atrás isso não foi o que me motivou – eu só queria ficar com um grupo de garotas.”

E já está sendo doloroso dizer adeus. É por isso que Robbie está considerando sequências e spin-offs solos para as personagens. Ela diz que não se sentiu em casa em um set desde os três anos que passou em Neighbours na Austrália. ”Eu acho que o que você deve levar disso é que Aves de Rapina foi como estar na Ramsay Street.” Ela ri mais uma vez. Talvez para Harley Quinn e sua versão de Gotham, bons vizinhos se tornaram bons amigos.

Fonte: Empire Magazine | Tradução & Adaptação: Equipe Margot Robbie Brasil

Prontos para o caos? Foi liberado hoje o trailer de Aves de Rapina: Arlequina e sua Emancipação Fantabulosa. Confiram abaixo o começo da maior emancipação da história:

Margot foi capa da revista Variety nos primeiros dias de janeiro e em uma nova parte da entrevista publicada recentemente no site da revista, a atriz fala sobre Aves de Rapina e a produção do filme. Confira:

Para a capa da Variety de Janeiro com Margot Robbie, ela falou extensivamente sobre seu projeto apaixonado Aves de Rapina: Arlequina e sua Emancipação Fantabulosa. Ela pensou no filme da Warner Bros./DC Entertainment enquanto estava filmando Esquadrão Suicida quase cinco anos atrás. Sua produtora, LuckyChap Entertainment, produziu o filme de 75 milhões de dólares, que será lançado no dia 6 de fevereiro

Robbie interpreta Harley Quinn em Aves de Rapina, ao lado das colegas de elenco Mary Elizabeth Winstead como Caçadora, Jurnee Smollett-Bell como Canário Negro e Rosie Perez como Renee Montoya. É escrito por uma mulher (Christina Hodson), dirigido por uma mulher (Cathy Yan) e é produzido por mulheres (Robbie e Sue Kroll). Seria esse o início de uma franquia? ”Olha, qualquer coisa que faça sucesso pode ser uma franquia,” diz Kroll.

Robbie fala sobre como ela conseguiu entender Harley Quinn, contratar Hodson e Yan e por que o fandom da Harley a faz feliz.

Você teve a ideia para Aves de Rapina enquanto estava filmando Esquadrão Suicida. Me conte sobre isso.
Eu estive pensando por um tempo sobre como existia uma brecha real no mercado para filmes de ação com grupos femininos. E eu amo filmes de ação, e acho que existe uma concepção errada talvez subconscientemente nas pessoas: filmes de ação são para homens, mulheres não gostam disso. O que não é verdade. Eu amo filmes de ação! E conheço várias outras mulheres que também amam. Eu amava filmes como As Panteras com Cameron Diaz, Drew Barrymore e Lucy Liu quando era criança. Então eu sabia que eu queria encontrar isso e ajudar a levar para o cinema de algum lugar.

E então, enquanto eu estava pesquisando a Harley, eu estava devorando os quadrinhos. Eu fiquei meio obcecada com eles em algum momento. Eu parei de ler só os quadrinhos da Harley e esse buraco me levou para os quadrinhos das Aves de Rapina. Parecia uma boa plataforma para uma franquia de um grupo feminino, porque tantas personagens diferentes entram e saem das Aves de Rapina. E a Harley é uma personagem fácil de inserir em quase qualquer situação, porque não importa o momento, ela vai causar um alvoroço. E eu queria fazer um filme para maiores, o que precisei convencer um pouco porque naquela época Deadpool ainda não tinha estreado.

Então é surpreendente e é divertido – é contado pelo ponto de vista da Harley. Então você tem uma narradora totalmente não confiável te dando conselhos terríveis, e uma conta imprecisa dos eventos, muitas vezes contradizendo com o que você está vendo na tela.

Por que você acha que se conectou tanto com a personagem?

Existe definitivamente um aspecto dela que levei um tempo para entender e era o motivo pelo qual ela ficava em um relacionamento com aquele cara que abusava dela. Mas isso levou apenas um pouco de pesquisa e leitura – e então eventualmente tudo finalmente se encaixa. Eu li a peça Fool for Love e de repente entendi seu relacionamento com o Sr. C de um jeito que eu não conseguia antes.

Ela é uma psiquiatra que entende doenças mentais, mas também tem uma doença mental. A esquizofrenia foi uma das que mais foquei, porque, no roteiro original, que é sempre para onde eu vou, uma das falas era, ”São as vozes na minha cabeça.” Então eu me prendi nisso – são as vozes na cabeça dela. Quem são as vozes? O que estão dizendo? Quantas são e quantas vezes elas aparecem? Existem TED Talks incríveis sobre mulheres que, em muitos casos eram profissionais de carreira com PhDs e incrivelmente inteligente, que tinham esquizofrenia. Uma das mulheres estava dizendo sobre como uma das vozes em sua cabeça deu todas as respostas para ela durante sua prova final, por exemplo. Coisas assim que me deixaram, ”Meu Deus, isso é ótimo para a Harley. Isso é fascinante!”

Harley tem essa natureza imprevisível que significa que ela pode reagir de qualquer jeito em qualquer situação, o que é um presente para um ator. Entre todas essas coisas, eu realmente apenas me apaixonei por ela.

O Coringa não está em Aves de Rapina ou em O Esquadrão Suicida, certo?
Não, não, não.

Você assistiu Coringa do Joaquin Phoenix?
Eu assisti, sim. Ele fez um trabalho fenomenal. Nosso mundo em Aves de Rapina é muito diferente – a estética, o tom. Muito, muito diferente. O nosso certamente é uma versão aumentada da realidade. Existe uma distinção clara entre a vida real e o que você está vendo na tela. Eu sinto que o filme Coringa foi muito mais pé no chão. O nosso é diferente.

Esse filme pra mim foi um sofrimento. Sofrimento!
É bem confrontante.

Você tem o mesmo agente da Christina Hodson, que escreveu Aves de Rapina. Me fale sobre esse relacionamento.
Nós nos encontramos em uma manhã de quarta feira em um café. E estávamos olhando o menu e eu perguntei, ”O que você vai querer?” E ela disse, ”Eu poderia pedir, tipo, um chá ou algo assim.” E eu disse, ”Eu poderia pedir um chá. Ou, sei lá, uma mimosa.” Ela disse, ”Sim, eu quero uma mimosa, também!” E uma hora e meia depois, estávamos bêbadas na manhã de uma quarta feira, e ficamos amigas desde então. As ideias começaram a fluir.

Nós trabalhamos de um jeito similar. Nós pegamos várias referências dos quadrinhos que amamos, de filmes diferentes que amamos – nós realmente estávamos indo pela ideia de não ter uma estrutura formulada, Trainspotting sendo um de nossos filmes favoritos. Nós olhávamos para um filme assim, e então cena por cena, minuto por minuto. E, curiosamente, segue uma estrutura de três atos para o T, tipo, para a página, para o minuto. E então nós assistimos muitos filmes assim: “Como eles alcançam esse sentimento de belo caos, mas que tudo dentro dele pareça satisfatório?” Então, o aspecto não linear do filme veio desses tipos de conversa.

É não linear?
É não linear. Fica pulando um pouco. E então se torna linear no terceiro ato. Você entra em uma viagem, e depois fica tudo bem cronológico.

Demorou um pouco para juntar tudo e para o estúdio aprovar. E então finalmente conseguimos a aprovação e entramos na corrida.

Cinco anos atrás, talvez até três anos atrás, Aves de Rapina teria tido um diretor homem. Seria o único jeito. As coisas estão diferentes agora.
Sim, meu Deus, sim! As coisas mudaram agora.

Como você contratou Cathy Yan?
Assim como tudo que a LuckyChap faz, nós colocamos muito mais esforço em procurar mulheres para escrever e dirigir nossos projetos. Porque nós podemos fazer uma lista de homens para escrever e dirigir assim [ela estala os dedos]. Fazer uma lista com mulheres demora mais porque elas não tiveram as mesmas oportunidades, ou não estão naquela posição ainda.

Para Eu, Tonya, nós falamos com muitos homens e com muitas mulheres, muitas. Craig [Gillespie] foi o melhor para o trabalho. Ele entendeu os personagens, entendeu o mundo. A mesma coisa com Aves de Rapina – falamos com muitas pessoas. Falamos com diretores de um nível muito mais alto, mas eles não eram tão certos para o filme quanto Cathy.

Eu não assisti Dead Pigs. O que a tornou certa para o filme?
Eu amei Dead Pigs porque é um elenco de grupo, e eu senti que tive muitos momentos com cada um desses personagens, o que eu acho que é uma coisa difícil para fazer em um grupo. O mundo que ela criou em Dead Pigs também tinha um estilo. É a realidade, é a China nos dias modernos. Mas tinha um estilo específico que era identificável para aquele filme, o que eu pensei que era algo que precisávamos nesse filme.

E então ela chegou para conversar, e ela conversou muito bem. Ela tinha ótima ideias, ela identificou pontos no enredo que, sabe, pareciam um pouco atrapalhados, talvez – e então apresentou ótimas soluções de como resolvê-los. Ela falou a paleta de cores estéticas, como ela queria filmar a ação, como ela queria que o figurino refletisse a personalidade dos personagens. Foi perfeito.

Eu falei com a produtora Sue Kroll, e ela me disse que você foram para a Comic-Con no Brasil juntas, e ela achou que a reação dos fãs com vocês foi muito emocionante. Qual foi sua experiência com o fandom da Harley Quinn?
Sim, é muito especial, realmente. Digo, nós amamos Harry Potter, certo?

Amamos!
O jeito que eu me sinto sobre Harry Potter, ou como você se sente sobre Harry Potter, é como algumas pessoas se sentem sobre esses quadrinhos. Eu tinha 10 anos quando comecei a seguir exatamente quem eles iriam escalar para ser Hermione Granger. Significava muito para mim. E quando eu ouvi Emma Watson criança dizendo, “Eu amo os livros de Harry Potter,” eu fiquei honestamente tão feliz. Hermione Granger ama os livros! Isso era tudo o que eu queria.

E então, mesmo que as pessoas não fossem fãs dos quadrinhos para começar, eu disse para todo mundo nesse trabalho: “Comece a ler os quadrinhos. Você deve aos fãs o respeito pelo material original. Porque eles adoram o material original, e temos tanta sorte de trazer esse material para a vida de um jeito diferente. E nós temos uma grande responsabilidade com eles – a maneira como você gostaria que alguém se importasse tanto se fosse algo com o qual você se importa profundamente.”

Então ir para a Comic-Con e mostrar um clipe e sentir a reação deles cada vez que era algo que eu sabia que era dos quadrinhos – como, eles viam a Ace Chemicals, e eles gritavam. Ou viam a Canário dar seu grito, e eles ficavam doidos. Ou viam a hiena – todas essas coisinhas que eu estava tão feliz que eles estavam felizes em ver. Porque elas me fazem felizes também.

Fonte | Tradução & Adaptação: Equipe Margot Robbie Brasil

Margot Robbie é capa da primeira edição da década da V Magazine e escolheu Charlize Theron para entrevistá-la. As duas falam sobre a infância na Austrália, o começo da carreira e O Escândalo. Confira as fotos e a entrevista traduzida abaixo:

Não é de admirar que, para Margot Robbie e Charlize Theron, o fandom seja mútuo. As duas deixaram seus países de origem para se tornarem realeza em Hollywood, e recentemente estrelaram juntas em O Escândalo como âncoras batalhando contra o padrão sexista (ou pior que isso) no local de trabalho. Uma vez estereotipada como a “namorada interesseira,” a Robbie pré-fama poderia ter empatia com sua personagem fictícia, a produtora da Fox News Kayla Pospisil. Mas, é claro, a carreira de Robbie rapidamente ultrapassou as expectativas de qualquer pessoa (incluindo ela mesma), como os créditos da atriz e produtora continuam a provar. Seu próximo filme, Aves de Rapina: Arlequina e sua Emancipação Fantabulosa será o maior filme de sua produtora LuckyChap até agora.

Margot Robbie: Charlize, obrigada por fazer isso! Quer compartilhar um picles? Eu geralmente não como muito picles, mas ultimamente tenho gostado deles…

Charlize Theron: Sim, eu quero compartilhar um picles com você! Como eu poderia dizer não?
MR: Eu acabei de aprender, tipo anos atrás, que picles são realmente pepinos.

CT: [Risos] Isso é incrível para mim. Minha filha acha que pepinos são picles. Ela chama pepinos de picles. Eu fico tipo, isso não é um picles… Falando nisso, vamos falar da sua infância. Eu imagino você fazendo pesca subaquática para o jantar em Gold Coast aos 12 anos.

MR: Literalmente, sim [risos] Então, na verdade eu tive uma experiência australiana rural. Quando eu era mais nova, nos mudamos para o interior, que faz parte da Gold Coast. Nós morávamos na área cultivada, então era definitivamente de acordo com uma certa imagem da Austrália. As pessoas nos Estados Unidos ficam tipo, ‘Tinha cangurus e coalas na janela do seu quarto?’ E eu digo, ‘Bem, sim, existiam, mas isso não é necessariamente uma coisa normal na Austrália!’ Eu acho que eu realmente tive todo o melhor da Austrália.

CT: Então, quando você descobriu os filmes?

MR: Nós tínhamos uma coleção limitada e eclética de fitas VHS, que eu assistia mais de cem vezes. Eu falava as frases na cozinha, e minha mãe ficava, ‘Como você lembra disso tudo? Está inventando?’ E mesmo assim, eu nunca disse que ia ser atriz. Eu acho que provavelmente foi uma coisa semelhante à quando você estava crescendo na África do Sul…

CT: Sim, é como falar sobre um unicórnio. Não existe.

MR: Sim, não é um trabalho de verdade. E mesmo depois que eu estava trabalhando 17 horas seguidas em Neighbours, minha família ficava, ‘Então… qual o seu plano? O que você vai fazer de trabalho e carreira?’

CT: Você precisou convencer seus pais? O que eles queriam que você fizesse?

MR: Eu não sei! Eu acho que o melhor cenário seria ir para a universidade.

CT: Cara, como eles estavam errados [risos]

MR: Eu nunca fui para a universidade! Mas eu fui para todas as festas de calouros das universidades dos meus amigos.

CT: Esperta! É a melhor parte! Então, qual foi o próximo passo depois de trabalhar em Neighbours?

MR: Para começar, eu fiquei tão feliz de não ter sido despedida. Mas depois disso, parecia haver apenas duas opções disponíveis: Uma, ficar em Neighbours; muitos dos meus colegas de elenco trabalharam lá por 30 anos e eu poderia ter uma vida muito confortável e legal fazendo isso. Mas eu sabia que eu não queria. A outra opção era me arriscar nos Estados Unidos. E eu tinha visto alguns colegas de elenco tentarem a sorte em Los Angeles. Então, eu passei os próximos três anos economizando e trabalhando na dicção, porque eu não conseguia fazer um sotaque americano por nada no mundo, e eu fui para a porta número dois.

CT: Uau… Quando você começou, você teve medo de ser estereotipada?

MR: Não foi até depois de O Lobo de Wall Street que muitos papéis semelhantes começaram a aparecer. Eu percebi que precisava fazer algo muito diferente para deixar as pessoas cientes de que eu não ia interpretar a esposa interesseira para sempre. E não é que eu não quero nunca mais interpretar uma esposa interesseira, eu me diverti muito interpretando a Naomi. Mas eu já exercitei esse músculo, já a tinha entendido. E eu queria ler um personagem e pensar, ‘Não faço ideia de como fazer isso.’ Eu sempre quero me sentir um pouco assustada quando escolho um papel e me desafiando de algum jeito. Mas, antes disso, eu só queria qualquer trabalho. Meu primeiro papel de verdade foi em uma série chamada Pan Am, e eu filmei por um ano em Nova York. Eu estava interpretando uma jovem muito doce e inocente vendo o mundo pela primeira vez e se divertindo muito. E talvez eu não fosse tão inocente quanto ela, mas definitivamente estava sentindo a mesma coisa; tipo, uau, o mundo é tão grande e incrível, e eu estou em Nova York, isso é tão louco… Na minha primeira vez em um set, eu queria saber o que todo mundo estava fazendo e por quê. Eu ficava perguntando para o diretor de fotografia, ‘Que lentes você está usando e por quê?’ Eventualmente ele comprou um livro pra mim e ficou tipo, ‘Leia isso, tem todas as respostas!’ Foi tão gentil, e eu ainda tenho o livro. Foi uma leitura interessante e respondia todas as minhas perguntas, então eu parei de perturbar ele…

CT: Talvez tenha sido isso, mas em que ponto você sentiu que queria produzir seus próprios filmes?

MR: É engraçado… Eu falei sobre isso com algumas outras atrizes. A fama é uma coisa estranha. Tem esse jeito de aparecer muito rápido, e eu me senti muito livre disso. Eu estava procurando por jeitos diferentes de tomar o controle da minha vida, de chegar onde eu queria chegar. Como produtora, você faz parte de tudo. E não somente no set, mas nos anos até chegar naquele ponto. Eu gosto de exercitar essa parte do meu cérebro mais experiente em negócios – mesmo fazendo aquela merda de incentivo fiscal.

CT: Quanto tempo levou para Eu, Tonya aparecer?

MR: Esse foi o segundo filme que produzimos na LuckyChap. Nós nos demos um manifesto para começar, e foi de contar histórias sobre mulheres e de trabalhar com o máximo de diretores de primeira e segunda viagem que pudéssemos.

CT: O que nesse projeto fez você dizer, ‘Preciso fazer isso’? Você sabia sobre ela?

MR: Não, eu nunca tinha ouvido o nome dela. E eu achava que era uma história fictícia. Tipo, okay, isso fica um pouco absurdo em algumas partes, as pessoas vão achar que estamos de brincadeira agora. Mas as partes mais absurdas eram realmente verdade.

CT: É tão interessante que você não sabia nada sobre ela. Para mim, ela é tipo o Elvis. E eu imagino, se o papel tivesse vindo para mim, que seria assim que eu iria olhar para ele. Eu acho que talvez essa seja a chave para o fato de que você tocou em um aspecto da personagem que não parecia sensacionalista. Você tocou na história emocional dessa mulher que estava lutando com muita coisa. E ela fez umas coisas terríveis, mas suas circunstâncias não eram boas.

MR: Sim! Foi perfeito que eu não sabia sobre isso porque eu não tinha noções pré concebidas. Como atriz, a primeira coisa é tentar entender o ponto de vista dela. Eu li falas como, ‘A Nancy apanha uma vez e o mundo inteiro surta. Comigo isso acontece todo dia.’ Eu lia isso e pensava, sim, eu concordo! Por que todo mundo é tão duro com você? Eu não entendo! Então eu fiquei muito feliz que eu não sabia nada. Ficou muito mais fácil de entendê-la.

CT: Você lembra da primeira vez que nos conhecemos?

MR: Sim! Em uma sessão de fotos, alguns anos atrás. Você estava praticamente nua.

CT: Tinha muita coisa acontecendo. “Ela está usando um lençol, tem uma criança pequena gritando e está elogiando uma atriz que ela quer trabalhar junto…” O quão estranho é que, três anos depois, eu te chamei para O Escândalo?

MR: Já que estamos nesse assunto… Por que você pensou em mim para esse papel? Nunca perguntei…

CT: Primeira, meu Deus, você é louca? Foi muito fácil, Margot Robbie. Mas segundamente, esse é um elenco de grupo; não tem muito tempo para você alongar sua personagem. Precisávamos de uma atriz que pudesse tocar em todas essas emoções de modo econômico e efetivo. E você fez isso inquestionavelmente. E desde o momento que você concordou em fazer o projeto, você ficou tão comprometida. Você estava fazendo com a gente. O que tornou isso tão claro pra você?

MR: Eu poderia repetir tudo o que você disse, porque foi muito fácil. A oportunidade de trabalhar com você… Eu secretamente só queria a oportunidade de te ver produzir. Tipo, eu não sei se estou fazendo isso certo – lidando com a produção, atuação e com a vida. Seria muito legal assistir outra pessoa fazer isso. Mas mais do que tudo, eu queria ser parte dessa história, e eu queria que as pessoas tivessem a experiência da Kayla, que, como você vê em uma cena, é muito difícil de definir. Ele abusa dela sem nem mesmo levantar de sua cadeira. Eu achei que isso era algo que as pessoas precisavam ver.

CT: Margot. Eu te amo.

MR: Eu também te amo. Você é uma ótima repórter.

CT: Quanto vão me pagar por isso?

MR: Você vai ganhar uma jarra de picles.

Fonte | Tradução & Adaptação: Equipe Margot Robbie Brasil