Aconteceu ontem (23), em Los Angeles, o evento para fãs de Aves de Rapina intitulado Harleywood, onde a personagem tomou conta de um shopping na cidade. O evento contou com várias cosplayers vestidas de Harley Quinn fazendo um show de patins, fogos de artifício e performances de Doja Cat, Megan Thee Stallion e Charlotte Lawrence. Confira as fotos:

Margot Robbie, Cathy Yan, Christina Hodson e a designer Erin Benach conversaram com a Entertainment Weekly sobre Aves de Rapina e seu roteiro, guarda roupa, classificação e mais. Confira:

Durante uma das sequências de luta de Aves de Rapina, Harley Quinn (Margot Robbie) identifica a vulnerabilidade de uma colega de equipe e providencia uma assistência crítica – ao emprestá-la um prendedor de cabelo.

Esse pequeno ato de irmandade é tão familiar no contexto diário quanto surpreendente no Universo Estendido da DC. É somente um dos muitos jeitos que Aves de Rapina: Arlequina e sua Emancipação Fantabulosa) difere dos filmes anteriores de super-heróis: Não somente o elenco principal é composto só de mulheres, o filme foi feito por elas, também. ”Temos mais mulheres na frente e por trás das câmeras do que em qualquer filme que eu já trabalhei, o que é muito incrível,” diz Robbie, que também produziu o filme. ”Foi uma decisão parcialmente consciente, mas também parecia a escolha certa e orgânica a se fazer.”

A diretora Cathy Yan (Dead Pigs) subverte as expectativas para um filme de super-heróis, em parte ao criar ”uma qualidade tátil mais fundamentada,” para seu filme em resposta ”aos outros filmes do gênero, nos quais pode ficar muito elegante.” A história, também, não é uma batalha nobre entre o bem e o mal, mas baseado no sentimento humano deprimente. ”Harley nunca está salvando o mundo sem motivo,” diz a roteirista Christina Hodson. ”Sempre há algo complicado, bagunçado, constrangedor e com caráter por trás disso.”

As emoções mais bagunçadas – e mais universais – começam esse novo capítulo: um término. O término da Harley com o Coringa (interpretado por Jared Leto no DCEU, onde foi visto por último em Esquadrão Suicida) a deixa com o coração partido e se perguntando quem ela é sem ele. ”Eu acho que todos, em relacionamentos, algumas vezes silenciamos partes de nós mesmos,” Hodson diz. Após o término, ”é Harley Quinn em toda sua glória.”

Após um rompimento muito público e simbólico de laços emocionais com o Sr. C (dica: envolve uma explosão gigante), Harley se torna um alvo para todos os vilões de Gotham que a deixaram em paz com a proteção dele. Entre eles, está o sádico criminoso Máscara Negra (Ewan McGregor), que exige, como reparação por suas muitas injustiças, que ela leve a adolescente Cassandra Cain (Ella Jay Basco), uma ladra que roubou o bolso errado. Enquanto isso, a cantora de boate Canário Negro (Jurnee Smollett-Bell), a policial insatisfeita Renee Montoya (Rosie Perez), e a misteriosa vigilante Caçadora (Mary Elizabeth Winstead) possuem sua própria briga com o Máscara Negra. Quando o caminho das quatro mulheres se cruzam, elas juntam suas forças para proteger Cassandra do vilão.

Esse novo grupo de garotas não é ”uma irmandade de elite perfeita” de heroínas poderosas, Yan diz, que olhou para a ”mistura heterogênea de mulheres” em Missão Madrinha de Casamento como referência. ”Elas ainda são inspiradoras e legais, mas as personagens foram desenhadas para serem mulheres com defeitos,” ela diz sobre as Aves. Nada incorpora esse equilíbrio de relacionável e ambicioso, assim como a abordagem do filme ser fundamentada e intensificada, tão bem como os figurinos da designer Erin Benach, que criou o guarda roupa de uma perspectiva feminina em primeira pessoa: ”Nos meus sonhos mais loucos, como eu gostaria que eu e meu grupo de amigas estivéssemos vestidas para chutar umas bundas?”

Com essa ênfase em gosto pessoal, alegria e conforto, Benach misturou o estilo de rua, alta moda, e – é claro – a DC Comics ao vestir as Aves. ”Eu nunca vi isso antes, esse nível de entendimento da moda da época em um filme de super-herói,” Yan diz. ”Pensamos que foi um jeito muito interessante de falar com as mulheres sem ser evidente. Apenas dizendo, ‘Estamos com você,’ sabe?”

Uma das peças de parar o trânsito é um vestido da Canário Negro, feito de malha grossa em uma referência às meias arrastão que são marca registrada da personagem. ”Eu literalmente desenhei na Jurnee,” Benach diz. ”Foi um desses momentos orgânicos.” Yan cita o short jeans de cintura alta da Harley, que ficou no lugar do short menor e menos usável, como uma peça que ”pode falar com as mulheres agora.”

Em um movimento muito revelador, Harley joga fora seu pingente com um “J” e usa uma coleção de correntes pesadas em seu pescoço ao longo do filme (os fãs podem até conseguir peças do novo item da Harley na coleção de jóias de Benach, Billie Valentine). A designer abraçou a ”vibe de anarquia punk-rock” da personagem e também sua natureza DIY, como uma jaqueta volumosa feita parcialmente com tiras de fita isolante. ”Ela pode ter retirado a fita isolante de uma cena de crime, cortado ela mesma, e então fez isso,” Benach diz.

Com o guarda roupa expressivo da Harley e narração singular, Aves de Rapina faz de sua personagem historicamente hipersexualizada, recém emancipada, seu sujeito e não objeto. ”Nós queríamos que as pessoas provassem um pouquinho do que a vida seria pelo ponto de vista da Harley,” Robbie diz. ”É apenas esse mundo brilhante, colorido, aguçado e fantástico.” Sua perspectiva distinta traz não somente confetes coloridos e discursos cantados, mas também uma classificação para adultos com violência maluca.

”Ela é muito feminina de um jeito muito superficial… Ao mesmo tempo, ela é tão fodona,” Yan diz. ”Eu gostei da tensão. Foi estimulante criar uma versão sem filtros da Harley Quinn.” Apesar de não ter filtro, ela tem uma bússola moral, reconhecidamente tão incoerente quanto o resto de sua visão do mundo. Em uma cena, enquanto ela invade um prédio para capturar Cassandra, ela usa armas não fatais (por exemplo: arma com saquinhos, bombas de glitter) para tirar todo mundo de seu caminho; ao longo do filme, os atos de violência realmente perturbadores e desnecessariamente cruéis ficam com os vilões (homens).

Mas não pense por um minuto que a Harley ficou boazinha – nossa anti-heroína de maria chiquinha ainda esmaga muitos ossos com uma alegria feminina. ”Eu acho que algumas vezes igualamos feminilidade com ser educada,” Yan observa, ”mas isso não é a mesma coisa.” Você pode apostar seu último prendedor de cabelo.

Fonte | Tradução & Adaptação: Equipe Margot Robbie Brasil

Além da entrevista em grupo para a Glamour UK, o elenco de Aves de Rapina também participou de entrevistas individuais para o site da revista. Confira a da Margot abaixo:

A palavra irmandade é muito usada em Hollywood. Mas estando em um vasto estúdio no centro de Los Angeles, assistindo as estrelas do mais recente filme da DC, Aves de Rapina (Arlequina e Sua Emancipação Fantabulosa), Margot Robbie, Mary Elizabeth Winstead, Jurnee Smollett-Bell e Rosie Perez interagirem durante a sessão de fotos para a capa da Glamour, é evidente que isso é real até fora das telas.

Enquanto múltiplas equipes de beleza e assessores as cercam, elas estão apenas interessadas umas nas outras enquanto fazem piadas internas, arrumam o visual da outra e gritam palavras de encorajamento entre as fotos. É como suas personagens na tela, Canário Negro (Jurnee), Caçadora (Mary) e Renee Montoya (Rosie) se juntam após Harley Quinn (Margot) termina com o Coringa e elas tentam derrubar o novo vilão de Gotham, Roman Sionis (Ewan McGregor), uma luta de chutes por vez.

Falando mais tarde sobre o impacto que essa irmandade teve nela, Rosie Perez – que agora possui 30 anos de experiência na indústria desde sua estreia em Faça a Coisa Certa de Spike Lee – me dá uma resposta sem bobagem: ”O set de Aves de Rapina era tão apoiador. Poder pegar o telefone e ligar para a Jurnee ou para a Margot ou ir até a casa da Mary realmente não acontece em Hollywood. As pessoas dizem que acontece e elas vão dizer isso para a imprensa e você fica tipo, ‘Isso é mentira – eles saíram uma vez,’” Rosie diz, com naturalidade.

Mais tarde, enquanto elas individualmente entram na minha sala de entrevista do lado da sessão de fotos, elas revelam que com a ajuda desse grupo sólido – e longe dele – elas tiveram suas próprias jornadas de emancipação. Com honestidade, as estrelas do filme estão prontas para contar suas histórias.

Eu conheci Margot Robbie inesperadamente no verão passado quando cantamos os maiores hits de Celine Dion durante o show da cantora no Hyde Park – e parece que nada anima mais a Margot do que a Celine. ”Eu adoro ela, nada me deixa mais feliz,” exclama a atriz de 29 anos, enquanto ela me cumprimenta em um raro dia nublado em Los Angeles.

Enquanto essa pode ter sido uma performance estranhamente ‘arriscada’, desde que Margot chegou em Hollywood como a sedutora esposa de Leonardo DiCaprio em O Lobo de Wall Street, sua atuação raramente tem sido fora de tom – mas, ela diz, se não fosse pelo fato de ter dado um tapa no rosto de Leonardo DiCaprio no teste, faltando 30 segundos para terminar, ela talvez não estaria sentada comigo hoje.

Mas a Margot raramente senta quieta. Depois de O Lobo de Wall Street, ela interpretou a Rainha Elizabeth I ao lado de Saoirse Ronan em Duas Rainhas, ganhou uma indicação ao Oscar por interpretar a patinadora complexa Tonya Harding em Eu, Tonya, e mais recentemente interpretou Sharon Tate em Era Uma Vez em Hollywood e roubou muitas cenas como a aspirante a âncora da Fox News em uma performance indicada ao Golden Globe em O Escândalo. Durante o processo, Margot mostrou muita determinação e pouca consideração por estereótipos redutores, e isso é mostrado quando ela conseguiu duas indicações na categoria de Melhor Atriz Coadjuvante no BAFTA desse ano por seus papeis mais recentes.

”Eu nunca quero interpretar a mesma personagem mais de uma vez,” Margot me diz. ”Eu sempre soube que queria sair da minha zona de conforto. Sempre tive consciência disso. Com O Lobo de Wall Street, eu adorei interpretar a esposa troféu e interesseira – eu tive a melhor época da minha vida naquele filme – mas a menos que venha de um espaço diferente consciente, eu não quero interpretar a mesma pessoa.”

Cada papel pode apresentar um novo capítulo para a Margot, mas o grande começo para ela veio a 11,932 quilômetros de Los Angeles, em Melbourne, Austrália, para onde ela se mudou aos 17 anos para interpretar Donna Freedman em Neighbours. Foi uma mudança de sua cidade natal em Dalby, norte de Brisbane, onde ela cresceu com sua mãe fisioterapeuta e seu pai que trabalhava com fazendas, e seus três irmãos.

Foi um novo começo meio Harley Quinn que proporcionou uma virada pessoal para Margot. ”Eu não conhecia ninguém em Melbourne e isso foi assustador. Eu definitivamente tive aqueles momentos de, ‘Eu posso fazer isso, sou uma mulher independente’ e então ‘Puta merda, isso é muito difícil e assustador, talvez eu não possa.’ Eu tive muitos desses momentos quando comecei a trabalhar em Neighbours e estava tentando entender a vida,” ela diz.

Foi durante seus dois anos e meio na Ramsey Street que Margot teve um exemplo do poder da camaradagem – o que se tornou central em sua vida. ”Eu acho que a coisa engraçada é que você percebe que todas as respostas estão nas pessoas que você está trabalhando ou se relacionando. Eu tenho sido constantemente surpreendida na minha vida com o quanto as pessoas te ajudam se você pedir. Eu vi, especialmente nos primeiros dias, as pessoas fazerem coisas incríveis, seja me deixar dormir no sofá por meses, me emprestar o carro, me mostrar como pagar meus impostos, ou me ensinar a cozinhar frango porque eu não tinha comido nada além de cereal por três meses,” Margot continua.

”As pessoas constantemente se aproximavam e falavam, ‘Deixe-me ajudá-la.’ Eu apreciei muito isso e nunca vou esquecer. Então, o próximo grande começo foi três anos depois quando me mudei para os Estados Unidos e isso pareceu totalmente uma coisa nova e limpa porque ninguém aqui sabia quem eu era. Algumas pessoas ouviram falar de Neighbours, mas nunca assistiram, então eu tive minha anonimidade de volta por um tempo, o que foi um sentimento libertador que definitivamente fez com que parecesse um novo começo. Eu pude reconstruir quem eu queria ser e como queria que minha carreira fosse.”

Em todas as vezes que Margot apertou o botão de recomeçar – incluindo uma fase pré-Hollywood em Londres, vivendo em uma casa alugada em Clapham com seis amigos e passando suas noites de sábado na famosa boate Infernos – Margot só agora sente que está se tornando adulta.

”Eu não me sentia adulta aos 17 anos porque eu me mudei e estava vivendo sozinha,” ela compartilha. ”Isso não me fez sentir como adulta, isso me fez sentir como uma criança que estava tentando fazer coisas de adulto. Eu estou começando a me sentir adulta realmente só agora que estou aprendendo a dizer ‘não’ para as coisas. Essa foi a maior parte do crescimento para mim; dizer ‘não’ e tendo coragem de dizer ‘não’. Eu sempre fui uma pessoa de dizer sim, então eu me sinto muito mais adulta e em controle da minha vida quando eu posso dizer, ‘não, eu sei o que eu quero e eu sei que não é isso e eu não vou fazer isso!’”

À luz de todos esses capítulos variados em sua vida, me pergunto o que ela diria para a Margot de 17 anos sobrevivendo em uma dieta de cereal agora? ”Deus,” Margot diz. Depois de uma longa pausa: ”Eu diria para ela, ‘você é boa o bastante.’ A maior coisa para mim é que eu tinha essa síndrome de impostora. Eu ainda tenho algumas vezes e acho que todo mundo vai perceber e perguntar ‘Como você chegou aqui? Você não é boa o bastante para isso. Quem deixou você entrar?’ Eu sentaria com ela e diria ‘Você é boa o bastante. Você vai ter que continuar trabalhando muito, mas você consegue fazer isso.’”

Margot continua sendo sua pior crítica, no entanto. ”Eu sou muito, muito autocrítica e eu critico muito meu trabalho. Eu estabeleci um padrão muito alto para mim. Eu sempre quero fazer melhor e sempre penso que posso fazer melhor. Não acho que tenha um momento onde eu pensei, ‘Você arrasou.’ Sempre penso, ‘Você fez o que você se programou para fazer, mas perdeu a mão aqui e na próxima vez você vai fazer diferente.’ Eu tenho essa voz interna que está constantemente buscando por algo melhor.”

Como ela tenta silenciar essa crítica que ela constantemente tem ao seu lado? ”Eu acho que é uma boa coisa,” Margot responde. ”Eu não quero ser autocrítica demais. Eu acho que é importante levar as coisas com cautela. As pessoas geralmente possuem essa ideia errada que os atores são feitos de vidro, eles são muitos frágeis e se vocês disser uma coisa para eles, eles vão cair em pedaços. As coisas mais horríveis são ditas para nós o tempo todo, então você ganha um escudo depois de estar na indústria por um tempo. Então sinto que sei como reconhecer algo e não deixar isso tomar conta de mim. Eu penso, ‘Ok, anotei, mas agora preciso deixar ir,’ ou então vou ficar maluca.”

Margot também aprendeu a silenciar suas opiniões negativas sobre seu próprio corpo, e interpretar pessoas diferentes reformulou sua apreciação por isso. ”Não quero que meus pensamentos autocríticos tomem conta do momento em que estou – só tento permanecer verdadeira com a cena e com o momento para o personagem. Eu preciso me diferenciar do personagem e dos meus pensamentos pessoais – a Harley não liga para nada disso.”

A atuação é terapêutica para sua inseguranças com sua imagem? ”Sim,” Margot responde, antes de fazer referência para sem papel em O Escândalo. ”Com a Kayla, todas as mulheres na Fox tinham que usar vestidos apertados e eu queria me sentir desconfortável. Adicionou muito para o personagem. Eu não queria estar na minha melhor forma física porque queria ficar desconfortável nesses vestidos muito apertados, que era o uniforme na Fox.”

Margot está evidentemente mais no controle de sua própria narrativa do que nunca, e como ela me conta, deve-se à criação de sua própria produtora, LuckyChap Entertainment em 2014 ao lado de seu marido, Tom Ackerley – com quem ela casou em 2016 – e dois amigos de sua casa em Clapham, Josey McNamara e Sophia Kerr. LuckyChap tenta advogar projetos com foco em mulheres, mas até sua reviravolta que a indicou para o Oscar como patinadora em Eu, Tonya na lista de uma forma típica “Margot”, ela não fez uma música e dançou sobre isso.

”Nós estávamos fora de radar e quando nós fundamos a empresa, nós não fizemos um anúncio, ‘Estamos aqui, somos a LuckyChap Entertainment e somos uma produtora que vai fazer conteúdo liderado por mulheres,’” ela diz, fazendo um movimento circular com os dedos. ”Não foi até a estreia de Eu, Tonya que as pessoas disseram, ‘Esperem, o que vocês estão fazendo? Vocês possuem outros 50 projetos?’ Até aquele ponto, nós passamos muito tempo tentando entender o que queríamos fazer, encontrando nosso campo e sem muitos olhos em nós.”

Sem estar pronta para deixar a Harley Quinn ir após interpretá-la em Esquadrão Suicida, Margot mirou na maior produção da produtora até agora, Aves de Rapina, e entrou na sede da Warner Bros. para apresentar a ideia.

”Foi uma batalha difícil. Eu apresentei a ideia quatro anos atrás,” ela me conta, com uma leve expiração de ar, indicando o quão difícil foi levar o filme para as telas. Ela apresentou a ideia com uma apresentação no PowerPoint cantando e dançando animada e com fogos de artifício inspirados na Harley?

”Eu apresentei com uns slides que eu fiz,” ela ri. ”Foi bem grosseiro. Tinha partes de outros filmes com mulheres no elenco que foram bem de bilheteria e outros que não foram e minhas teorias sobre os motivos e o que poderíamos fazer. Mas realmente, eu estava apenas dizendo que precisávamos fazer um filme de ação com mulheres no elenco. Eu queria que tivesse classificação para maiores para não nos sentirmos restritos na linguagem ou na violência, porque se tivesse classificação, os caras iam pensar que era um ‘filme de mulherzinha.’”

Aves de Rapina certamente não tem nenhum componente do gênero “filme de mulherzinha”. Harley é vista inalando cocaína, participando de violência extrema e enquanto há alívio cômico em sua narração única da história, Aves de Rapina é um chute em qualquer pré-concepção sexista sobre super-heroínas ou vilãs. Pense no filme como girl power realmente sob o efeito de ácido.

Com o tópico do sexismo em mente, eu me pergunto se ela encontrou dificuldades em ser levada a sério em seu novo papel como produtora. Margot revela que foi outra batalha, desta vez com o sexismo cotidiano. ”Está naturalmente impregnado nas pessoas. Mesmo se você é a pessoa que toma as decisões, eles se viram para o homem mais velho da sala e fazem as perguntas para eles. É uma coisa natural que todo mundo tem em seu DNA,” ela diz, parecendo um tanto exasperada.

Enquanto ela diz que é raro ver declarações sexistas direcionadas a ela, Margot vê isso no tom subconsciente de certas interações. ”Quando as pessoas estão fazendo uma pergunta e eu tenho a resposta, eles prontamente viram para meus parceiros que são homens e perguntam a eles. É uma coisa financeira, então vou perguntar para o homem. E eles ficam, ‘Na verdade, ela é quem tem a resposta, então pergunte para ela!’ É a construção social que crescemos conhecendo. Acho que o interessante agora é que todos estão conscientes disso e geralmente se corrigem. Eu acho que as pessoas querem abraçar a ideia de igualdade. Acho que eles estão um pouco chocados que não abraçaram antes, e não tinham essa mentalidade e não eram conscientes disso.”

Preconceito etário reverso também foi um obstáculo para Margot ter sua voz respeitada. ”A idade entra muito no jogo. Quando você é mais nova e está tentando se defender e dizer, ‘Isso é o que eu penso e acho que deveríamos fazer desse jeito,’ as pessoas dizem, ‘Nós fazemos isso por muito tempo então baixa a bola.’ Mas eu sinto que os Estados Unidos em geral é mais receptivo com a juventude e ideias novas, o que acho que é uma coisa muito legal.”

Margot agora está flexionando os músculos de sua voz interior mais do que nunca nas áreas profissionais, mas quando se trata de sua vida social, ser mais vocal está se tornando um problema para ela. ”Eu não tenho esse impedimento quando se trata do trabalho,” Margot diz. ”Meus parceiros de produtora e melhores amigos sempre acham tão engraçado porque eles dizem, ‘No trabalho você não tem escrúpulos ao pegar o telefone e ligar para o chefe de qualquer coisa, ou uma pessoa assustadora da indústria e dizer, ‘Isto é o que eu penso, isto está certo e isto errado e eu quero fazer isto.’ Mas na sua vida pessoal você tem tanto medo de se defender ou dizer para as pessoas o que deveria ser o que.’ Eu não sei por que sou assim.”

Com isso em mente, qual seu momento mais orgulhoso em que ela se defendeu? ”Eu só tive poucos porque sou tão contra o confronto. Mas em algumas ocasiões eu já disse para alguém, ‘Não fale assim comigo,’ seja alguém com quem estava trabalhando ou na vida em geral. É esse momento de dizer, ‘Eu não estou bem com isso e você não vai falar comigo desse jeito.’ Essa foi a coisa mais assustadora para mim, colocar um limite assim. É petrificante.”

Por passar esse tempo com a Margot e assisti-la interagir com suas colegas de elenco no set, é claro que ela é tão gentil quanto humilde, tão divertida quanto inteligente, ouve tanto quanto fala e é o tipo de amiga que todo mundo precisa. Por exemplo, quando eu falo com Rosie Perez mais tarde, ela revela que confidenciou seu TEPT severo em Margot e o quanto sua colega de elenco e elenco a apoiou.

Afinal, irmandade é algo natural para a Margot. ”É algo que estive ciente durante minha vida inteira. Desde que consigo me lembrar tenho um grupo especial de garotas. Minhas amiga da Austrália e eu estamos juntos desde que tínhamos quatro ou cinco anos de idade e isso é muito especial – é honestamente a coisa que sou mais grata na minha vida. Em cada estágio da minha vida, quando me mudei para Nova York ou Londres, sempre há um grupo de garota que formamos. Eu sempre soube o quanto tenho sorte de ter isso e o quanto me empodera, e minha vida é completamente diferente por causa das minhas amigas,” Margot diz.

Quando nossa entrevista está terminando, eu a parabenizo por sua indicação ao Golden Globe por Melhor Atriz Coadjuvante em O Escândalo – sua segunda indicação – depois que foi revelado naquela manhã. Traga para casa aquele globo, eu digo para ela. ”Espero que sim,” ela responde, com hesitação. ”Eu amei aquela personagem.”

Ocorre-me que, apesar de tudo, apesar de ter feito seu próprio caminho desde Ramsey Street até sua casa agora em Hollywood, Margot ainda duvida de si mesma. Mas como Celine Dion diz, ’That’s The Way It Is’ e não há nada que cantar grandes hits e dançar com as mãos pro ar não resolva – pelo menos temporariamente.

Fonte | Tradução & Adaptação: Equipe Margot Robbie Brasil

As Aves de Rapina aterrissaram na capa da revista britânica Glamour. Elas foram entrevistadas enquanto ainda estavam em São Paulo para a CCXP e conversaram enquanto comiam pão de queijo! Confira as fotos e entrevista abaixo:

Margot Robbie está arrumando pratos de pão de queijo, uma comida típica do Brasil, para mim e para as três outras mulheres: Rosie Perez, Jurnee Smollet-Bell, e Mary Elizabeth Winstead. Estamos em uma sala de conferência em um hotel luxuoso em São Paulo, poucas horas antes da Comic-Con anual do país, onde elas irão divulgar Aves de Rapina, o filme baseado na equipe só de mulheres da DC Comics. Enquanto Robbie coloca cada pão no prato, o grupo conversa como colegas de trabalho na happy hour, mas não se engane: Esse não é um ambiente de trabalho comum. É um universo de 75 milhões de dólares comandado por mulheres em maioria.

Aves de Rapina – o título completo é Aves de Rapina (Arlequina e sua Emancipação Fantabulosa) tem uma diretora, roteirista e quatro mulheres em papéis principais. Uma primeira vez no mundo dos super-heróis, mas uma primeira vez estranha. ”Na vida real, eu estou com o meu grupo de amigas o tempo todo,” diz Robbie. ”Eu acho que a meninas tendem a ficar em grupo mais do que os meninos. Eu achei estranho que não vemos isso refletido no cinema com mais frequência.”

Murmúrios em concordância seguem antes de um tímido sorriso de Robbie. ”Eu vou ser muito nojenta agora e tirar meu Invisalign para comer esses pães de queijo.”

Aves de Rapina se passa no mesmo mundo de Esquadrão Suicida, filme de 2016 da DC que arrecadou 745 milhões de dólares sobre um grupo de vilões convencidos a fazerem o bem em troca de redução de pena, o que fez da Harley Quinn de Robbie uma estrela e a fantasia de Halloween mais pesquisada naquele ano. Mas chamar de sequência não é certo. Quando o filme chegar nos cinemas em 6 de fevereiro, os fãs verão uma jornada independente de Quinn para encontrar si mesma – e um grupo incomum de mulheres que a apoiam. As cenas de luta intensas permanecem do Esquadrão original, mas Aves de Rapina é notavelmente mais comprometido em desenvolvimento de personagem e se apoia em um trama suculenta de vingança contra a máfia que deixaria Scorsese orgulhoso.

Também são novidades: a diretora Cathy Yan, a roteirista Christina Hodson, produtores que incluem Robbie, cuja empresa, LuckyChap, desenvolveu e apresentou o projeto para a Warner Bros., e um elenco verdadeiramente feminino. No entanto, esse não é um filme água com açúcar: É um filme para maiores. Em outras palavras, realmente não há nada como ele.

”Eu lembro que quando apresentei o projeto pela primeira vez, encontrei dificuldade em comparar com outra coisa além de As Panteras, que eu adorava quando era mais nova,” Robbie diz. ”E então fiquei, ‘Isso foi há muito tempo, no entanto.’”

Esse também não foi o único estereótipo sendo desafiado aqui. Em um mundo alternativo, um elenco de quatro mulheres em papéis principais inspiraram fofocas, verdadeiras ou não, sobre brigas no set e competições selvagens. (Veja em Sex and the City 3). Mas a energia que eu presenciei entre Perez, Winstead, Smollett-Bell e Robbie era quente e fácil. E pareceu real.

Naquela sala de conferência, eu aprendi que um laço foi formado entre algumas das mulheres – um que elas descrevem como irmandade – em uma noite de domingo no trailer da Rosie. Elas já saíram juntas antes (me disseram que nas sextas-feiras, todos do elenco e equipe usavam camisas havaianas e bebiam piña coladas feitas por Robbie). Mas após ensaiarem uma cena de ação particularmente cansativa, Winstead e Smollett-Bell se juntaram à Perez para um pouco de coquito, uma bebida porto-riquenha com leite de coco e rum, que Robbie, que não pode ir no encontro, descreve como letal. ”Ela cozinhou para a gente e nós todas choramos,” Smollett-Bell diz. ”Nós tivemos sessões de terapia uma com a outra.” Elas ficam notavelmente relutantes quando pergunto o que, exatamente, foi discutido, mas Perez me joga um osso: ”O mundo é um lixo.”

Nos dias seguintes, as mulheres procuravam uma a outro no set para conversar – momentos roubados que elas usavam para checar como estavam, desabafar ou rir. ”Cada uma de nós tinha vulnerabilidades em nossa vida pessoal ou profissional ou com o nosso corpo enquanto filmamos,” Smollett-Bell, 33 anos, diz. ”Nós tivemos contratempos e obstáculos, ou problemas no joelho, no ombro, ou problemas pessoais. Ainda assim havia uma camaradagem entre nós, essa irmandade. É inspirador pra caralho.”

Aves de Rapina tem as mulheres interpretando quatro personagem muito diferentes que, de suas próprias maneiras, são motivadas a proteger uma jovem menina (Cassandra Cain, interpretada pela novata Ella Jay Basco) do vilão Máscara Negra de Ewan McGregor. Robbie, é claro, reprisa o papel de Quinn, a maluca super animada com dificuldades para se encontrar após terminar com o Coringa. Winstead interpreta a Caçadora, uma misteriosa assassina que usa uma besta procurando vingança. A Canário Negro de Smollett-Bell talvez seja a mais em conflito – ela trabalha para o Máscara Negra, mas seu código moral a mantém longe de ir fundo no lado obscuro. Para completar está a Renee Montoya de Perez, uma detetive no departamento de polícia de Gotham que está lutando contra a mentalidade masculina. Todas possuem uma briga com o Máscara Negra, um criminoso sádico, mas elas se juntam no final do filme para acabar com o grande vilão. ”Isso não é divertido?” Harley pergunta em sua típica voz nasal enquanto elas se preparam para a batalha final do filme. ”É como uma festa do pijama!”

Essa união transferiu para fora das telas, também. ”Não havia ordem de hierarquia; apenas mulheres,” Perez diz. ”Isso não acontece com frequência onde você pode ligar para o elenco inteiro para dizer oi. Essa foi uma coisa muito rara e bonita.”

Também raro e bonito era um set onde as mulheres podiam entrar, fazer seu trabalho, e não se preocupar com lutar contra cenas de nudez gratuitas, cenas que mostram longamente seus corpos e roupas inconfortavelmente pequenas, todas essas coisas típicas de filmes de ação filmados pelo olhar masculino para o olhar masculino. Em Aves de Rapina, as mulheres são inegavelmente sexy, mas elas conseguem se mexer em suas roupas, o que foi uma crítica em massa sobre os shorts curtos e saltos de Harley Quinn em Esquadrão Suicida. (“Os shorts de Harley eram sexy demais?” perguntou o Daily Mail.)

”O olhar feminino aconteceu naturalmente porque eram mulheres em sua maioria tomando as decisões,” Robbie, 29 anos, diz. ”Estávamos escolhendo o que achávamos legal.”

Ao 55 anos, Perez diz que ela apreciou o compromisso com o figurino que parecia autêntico ao papel que ela estava interpretando. ”Eu não me senti objetificada,” ela diz. ”Eu sou a mais velha daqui e estava com medo do figurino.” Quando ela chegou no set, ela esperava ser colocada em um traje apertado. Em vez disso, ela estava usando calças normais e uma blusa com botões, como uma detetive de verdade usaria, mulher ou homem. ”Quando eu vi, eu fiquei, ‘Oh!’ E então, eu vi as outras meninas e fiquei, ‘Você está gostosa! Você está gostosa! Você está gostosa! Yay!’ Eu estava feliz. Você pode ser sexy, mas você não precisa vestir a sensualidade.”

Essa liberdade do olhar masculino permitiu mais criatividade para realmente fazer o trabalho. Winstead, 35 anos, diz, ”Você não é examinada com, ‘Como ela pode ficar mais sexy?’ Que é uma experiência que eu tive no passado.” Adiciona Perez: ”Não é tipo, ‘Vamos colocar ela nessa roupa porque a bunda dela é incrível,’ que eu sei que todas nós já passamos por isso.’”

Smollett-Bell dá créditos a falta geral de objetificação ao ter Yan e a produtora Sue Kroll no comando com Robbie. ”Eu percebi, antes desse filme, quantos projetos eu já estive onde eu era a única mulher no set e o quão sozinha me sentia,” ela diz.

Pelos relatos das mulheres, é assim que eu imagino uma verdadeira parceria em um set de filmagem: um ambiente seguro onde todos podem entrar e fazerem seu melhor trabalho, um onde cada estrela feminina recebe o reconhecimento que ela merece, sem perguntas. Perez diz que ficou emocionada quando viu o pôster oficial do filme pela primeira vez. Ela ficou surpresa que eram apenas as quatro mulheres em destaque. ”Em muitos filmes, o homem sempre fica na frente, não importa se o papel é grande ou pequeno,” ela diz. ”Estando nessa indústria há tanto tempo, você ainda acha que os homens vão aparecer, sabe? Foi muito, muito empoderador.”

Nesse momento na conversa, eu pergunto o que cada mulher aprendeu com a outra – e todas elas se viram para Perez. ”Por que vocês olharam para mim?” ela pergunta. Porque você é sábia,” Smollett-Bell responde. ”Nós todas temos uma quedinha por você, caso você não perceba.”

Elas param um momento para lembrar da festa de encerramento – uma noite onde todo mundo dançou tanto que Perez precisou colocar gelo no joelho depois. Então, um toque. Perez decide compartilhar o que ela aprecia sobre as outras mulheres. Primeiro, ela se vira para Robbie. ”Eu aprecio o quanto Margot consegue estar no comando, mas não faz você se sentir inferior,” ela diz. ”Algumas vezes, quando atores também são produtores, eles tendem a usar esse chapéu com muita força. Esse não foi o caso, então eu apreciei o quanto ela manteve suas emoções sob controle o tempo todo. Seu profissionalismo é extraordinário.”

E Winstead, Perez me conta, é a pessoa mais gentil que ela já conheceu. (”Eu vou chorar!” Winstead responde.)

Quanto à Smollett-Bell: ”Com Jurnee, o que eu apreciei foi que ela é tão forte. Ela é muito, muito forte,” Perez diz, dirigindo suas palavras para sua colega de elenco. ”Você se defende de um jeito muito, muito específico. Mas, por dentro, você é tão suave.”

As mulheres ecoam os comentários de Perez, mas Robbie tem uma apreciação final para compartilhar. ”Rosie, que é uma lenda nessa indústria, ainda consegue aparecer como se fosse novata, como se ela nunca tivesse dito essas palavras antes. Sempre tão nova e presente. É muito bom trabalhar com alguém que te faz esquecer que você está em um set. O set meio que derrete por um segundo. Isso só acontece se as pessoas são presentes, e se elas realmente entram naquela cena com tudo o que elas possuem. Todas aqui fizeram isso. Eu amei. Eu amei.”

Fonte | Tradução & Adaptação: Equipe Margot Robbie Brasil