Margot Robbie é capa e recheio da revista australiana The New York Times Style! A atriz conversa sobre sua abordagem de trabalho, seus projetos na LuckyChap e mais. Confira uma prévia da entrevista liberada pela revista:

Em uma chamada de vídeo de sua casa em Los Angeles, Margot Robbie está falando sobre os filmes de sua produtora: Bela Vingança (2020) e Eu, Tonya (2017). Então, ela pausa e se mexe para levantar-se. ”Vou só fechar a porta porque meu marido está fazendo muito barulho”, ela diz. Esse seria o britânico Thomas Ackerley, diretor-assistente e agora produtor, quem ela conheceu no set de Suíte Francesa (2014).

Essa é a vida de uma estrela de Hollywood nessa época de pandemia. Há roteiros e orçamentos para aprovar, além de chamadas no Zoom e uma turnê de divulgação no sofá para seu próximo filme, O Esquadrão Suicida, enquanto seu marido faz barulho no cômodo ao lado. Com a COVID-19 adiando estreias em 2020, a atriz australiana irá aparecer em vários filmes esse ano, cada um exigindo publicidade. E no meio de tudo, a produtora que ela comanda com Ackerley e alguns amigos, LuckyChap Entertainment, está administrando o lançamento de duas séries de TV: Maid, da Netflix, inspirada em uma biografia com o mesmo nome, e a segunda temporada de Dollface, uma história sobre se reconectar com amizades antigas.

Embora Robbie tenha atraído aclamação para seus trabalhos como produtora durante os últimos quatro anos, ela ainda é mais conhecida por seus papéis como atriz, onde rouba a cena de Leonardo DiCaprio em O Lobo de Wall Street (2013), assume o papel titular em Eu, Tonya e entrega performances excelentes como a deliciosamente depravada Harley Quinn nos filmes de Esquadrão Suicida. Quando discutimos sua abordagem à arte, Robbie é equilibrada e animada. ”Você precisa se comprometer”, ela diz. ”Não pode fazer nada meia-boca. Esse é meu lema quando estou no set. Você precisa se comprometer 120 por cento – qualquer coisa menos que isso acaba parecendo estúpido.”

Como atriz, ela é famosa por sua versatilidade, mas a amplitude dos papéis às vezes é difícil de lidar? Ela confessa que nem sempre é fácil: ”Cada personagem que interpreto requer algo diferente. Algumas sinto que posso entrar na pele um pouco mais fácil do que outras.” Entre as mais difíceis, Robbie aponta para a falecida Sharon Tate, quem interpretou em Era Uma Vez em… Hollywood (2019) de Quentin Tarantino. ”Sharon Tate não foi uma personagem onde senti que estava pronta e que seria fácil”, diz Robbie. ”Era mais sobre o que ela simbolizava: todas as coisas boas do mundo. Leveza e luz foram as coisas com que mais trabalhei: como me sentir leve, como exalar luz. Como você interpreta alguém se o jeito com que ela precisa ser interpretada é com pureza, inocência e charme?”

Papéis mais barulhentos e ásperos são mais fáceis, ela diz. ”Eu prefiro gritar, chorar, berrar. Alguém fez algo ruim para você e você está com raiva – posso chegar nesse ponto bem mais rápido.”

Robbie sente falta de casa, estando longe da Austrália por mais tempo do que planejava. ”Está chegando em dois anos”, ela diz. ”Houve a pandemia e antes disso eu estava fazendo um ou dois filmes. Estou com muita saudade de casa.” A atriz de 31 anos é de Gold Coast, onde ela foi criada por sua mãe, Sarie Kessler, uma psicoterapeuta. Respondendo sobre as origens de sua conexão visceral com o cinema, Robbie diz: ”Eu não sei como explicar. Minha mãe me pergunta o tempo todo: “O que é isso? De onde surgiu? Não veio da nossa família!” E sua ambição, de onde vem? ”Eu não sei. Não sei!” Robbie protesta. ”Queria que tivesse uma história legal.”

Ela se lembra de assistir vídeos e DVDs na sala de sua casa suburbana. ”Eu assisti Clube da Luta quando provavelmente era nova demais para assistir Clube da Luta”, ela diz sobre a ardente desconstrução da masculinidade tóxica no filme de David Fincher estrelando Brad Pitt. ”Eu não parei de pensar nisso por dias e dias depois.” Ela reconhece que isso pode ter estimulado sua preferência por filmes provocantes.

Robbie era estudante do colégio Somerset no interior de Gold Coast e foi escalada para filmes independentes locais quando ainda estava na escola. Aos 17 anos, ela se mudou para Melbourne e brevemente trabalhou em uma série de televisão infantil, The Elephant Princess, ao lado de um desconhecido Liam Hemsworth. Então, ela conseguiu um papel em Neighbours. Era pequeno no começo, uma estudante do ensino médio (seu nome aparecia no final dos créditos finais, antes dos treinadores de animais), mas ela rapidamente subiu na escala e ficou na série por dois anos e meio. Enquanto isso, ela estava amolando suas habilidades e trabalhando com um fonoaudiólogo para aperfeiçoar seu sotaque americano.

Ao deixar a novela em 2010, Robbie se mudou para os Estados Unidos, chegando a tempo para a temporada de pilotos. Lá, ela imediatamente conseguiu um papel em uma série de TV – muito falada na época – sobre comissárias de bordo trabalhando para a Pan American nos anos 60. Pan Am foi cancelada após uma temporada, mas foi o bastante para dar para Robbie sua grande oportunidade. Isso seria um filme de Martin Scorsese sobre um golpista ostentoso de Wall Street, interpretado por um exagerado DiCaprio. Robbie, com e sem roupas, se iguala a ele cena por cena enquanto faz um sotaque estrondoso do Brooklyn. Como ela conseguiu fazer essa performance sensacional? Novamente, ela aponta para o comprometimento. ”Eu sou intensa”, ela diz. ”Tenho que pensar grande para conseguir fazer.” Desde então, Robbie considerou suas possibilidades e gradualmente escolheu papéis mais difíceis, interpretando uma inteligente golpista ao lado de Will Smith no filme Golpe Duplo (2015) e a Rainha Elizabeth I em Duas Rainhas (2018) com Saoirse Ronan.

Nem todo filme foi um hit. O produtor Jerry Weintraub escolheu Robbie para interpretar Jane Clayton em seu último filme, o tão sonhado reboot de Tarzan, com Alexander Skarsgård. Lançado em 2016, A Lenda de Tarzan não foi exatamente um fracasso, mas não encontrou público para justificar seu grande orçamento.

Em 2019, seu melhor ano até agora, Robbie estrelou Era Uma Vez em… Hollywood com DiCaprio e Pitt e o filme se tornou um dos mais elogiados no ano. Meses depois, ela interpretou uma confusa produtora ao lado de Charlize Theron e Nicole Kidman em O Escândalo, um filme sobre os casos de assédio sexual na Fox News que te deixa sem piscar. Por esse, Robbie recebeu sua segunda indicação ao Oscar, na categoria Melhor Atriz Coadjuvante.

Robbie é conhecida por seu talento e beleza (o último rendendo para ela várias campanhas publicitárias lucrativas), mas enquanto ninguém estava olhando, ela também se tornou uma séria jogadora na indústria de produções de Hollywood. ”Para ser honesta,” Robbie diz sobre seu trabalho com a LuckyChap, ”os projetos que nos animam são os que nos assustam – muito. Encontro isso nos papéis que procuro como atriz e nos projetos que procuramos como produtores.”

Tudo começou como uma diversão, um projeto de impulso que ela sonhou em 2014 com seu atual marido e Josey McNamara, ambos aspirantes a produtores na época, e uma amiga da Austrália, Sophia Kerr. O objetivo era colaborar com diretoras e roteiristas para contar histórias difíceis sobre mulheres. ”Eles são provocantes, são desafiadores de muitos jeitos”, Robbie diz sobre os filmes e séries da LuckyChap, os quais ela aborda com a simples pergunta: ”Como você mantém as pessoas interessadas e continua a empurrar a conversa para um local onde elas não possuem uma resposta rápida e fácil?” A ideia, ela diz, é fazer as pessoas pensarem.

Fonte | Tradução & Adaptação: Equipe Margot Robbie Brasil

Margot Robbie é capa e recheio da edição de agosto da VOGUE britânica. Fotografada por Lachlan Bailey e entrevistada por Eva Wiseman, a atriz fala sobre seu papel em O Esquadrão Suicida, Barbie e seus planos para o futuro. Confira as fotos e entrevista abaixo:

Imagine que você está correndo em uma praia, ela diz. Você está correndo muito rápido em uma praia, e se desviar para a esquerda, você vai explodir. Se pisar em uma pedra, vai explodir. ”Então, você tem que continuar no seu caminho.” Margot Robbie está repentinamente iluminada com uma alegria incomum, lembrando. Enquanto ela corria nessa praia feita por humanos em um estúdio em Atlanta, rolando no chão e parando na única pedra segura no local, pensava: ”Sim.” Ela pensava: ”Estou tendo a maior diversão da minha vida.”

Ela estava filmando Esquadrão Suicida, de 2016, a primeira parte de uma série de filmes sobre os supervilões da DC Comics que formam uma equipe secreta do governo para salvar o mundo de certas destruições. Foi a primeira vez de Robbie interpretando Harley Quinn, “psicopata profissional” e antiga namorada do Coringa, conhecida por suas marias-chiquinhas platinadas, maquiagem borrada e rosto maníaco. Ela ficou instantaneamente fisgada: desde então, interpretou a Harley em Aves de Rapina, spin-off de 2020, e no próximo mês estará vestida em neon pela terceira vez, quando a sequência do primeiro filme, O Esquadrão Suicida, for lançada.

”Essas cenas,” ela continua, quase sem fôlego, ”onde tudo está explodindo ao seu redor, e você chega no final a tempo, essas corridas heroicas de guerra enormes e épicas? Esse momentos de cinema? As meninas nunca fazem isso. Nunca.”

Enquanto Robbie conta a história, seu sorriso está tão grande que aqui, em seu sofá em Los Angeles, sua pitbull, Belle, sobe para lamber seus dentes. Ela está de pernas cruzadas, usando um moletom muito grande do Miami Heat, comendo uma tigela de cereal Cinnamon Crunch e lentamente emergindo de uma de suas enxaquecas. Ela tem enxaqueca desde que tinha oito anos, quando ainda morava em Gold Coast, no interior da Austrália, com sua mãe e três irmãos, uma dor que começa atrás de seus olhos. ”Eu poderia estar em um cômodo completamente escuro”, ela explica, massageando suas têmporas, ”e se alguém acendesse um fósforo eu ficaria, tipo, cega. Então, no set é o pior lugar – eu tomo minha medicação, sento no trailer e peço para fazerem minha maquiagem no escuro.” Ela ri, se desculpando: ”Estou muito lenta hoje.” Mas rapidamente se torna claro que essa é possivelmente a melhor hora para entrevistar Margot Robbie, levemente grogue e resmungando de forma meditativa, porque seu ritmo de outra forma, a energia cintilante, pode ser difícil de acompanhar.

Acabando de completar 31 anos, ela já tem a carreira de uma estrela com o dobro de sua idade, parcialmente porque ela sempre exige o que quer. Aos 17 anos, ela escreveu para os produtores de Neighbours, resultando em um papel no elenco regular, filmando um episódio por dia. ”Mas eu fiquei lá por meses até perceber que ninguém mais tinha um segundo emprego.” Ela fazia sanduíches no Subway naquela época. ”Eu fiquei tipo: “Você está atuando em tempo integral? Isso é possível? Ok, maneiro, vou fazer isso.” Foi uma epifania.”

Três anos depois, ela se mudou para os Estados Unidos, entrou para o elenco de uma série de época chamada Pan Am como uma comissária de bordo, e começou a sair de fininho para fazer testes para filmes. A descrição da personagem a qual ela leu para O Lobo de Wall Street, de Martin Scorsese, era: ”A loira mais gostosa do mundo”. Ela saiu do roteiro e deu um tapa na cara de Leonardo DiCaprio, lançando-a para o ar úmido da fama. Scorsese mais tarde disse ter visto uma combinação de três lendárias damas de Hollywood nela: Ida Lupino por seu ”desafio emocional”, Carole Lombard por sua habilidade com comédia e Joan Crawford por sua dureza. ”Isso mudou a minha situação”, ela diz lentamente. ”Depois, quando eu conseguia sinal verde para os projetos só por estar neles? Foi uma grande virada para mim.”

Não menos porque significou que ela mesma poderia produzir. Em 2014, ela havia se mudado para Londres, e lançou uma produtora com três de seus colegas de casa, se casando com um deles (Tom Ackerley, quem ela conheceu como diretor assistente enquanto trabalhavam na adaptação para o cinema de Suíte FrancesaLuckyChap para a produtora, com o objetivo de contar histórias de mulheres nos filmes e apoiar criadoras por trás das cenas – um plano fundamentado em negócios tanto quanto política. ”Nós ficamos realmente animados com os roteiros que nos surpreendiam, e esses são geralmente os são deixados fora do foco. Um pouquinho complexo.” O roteiro de Eu, Tonya, uma comédia obscura sobre a vida da patinadora Tonya Harding, estava rodando por aí durante um tempo antes da LuckyChap comprá-lo, e logo depois do casamento, eles começaram a filmar. O resultado foi sombrio e hilário, presenteando Robbie com sua primeira indicação ao Oscar, por Melhor Atriz.

Que foi quando ela escreveu outra carta, dessa vez pedindo por um encontro com Quentin Tarantino. Ele a contratou para interpretar Sharon Tate em Era Uma Vez… Em Hollywood, no enredo que fazia paralelo com os assassinatos da Família Manson em 1969. Visitando o set, a irmã de Tate disse que chorou ao ouvir a voz de Sharon saindo da boca de Robbie. Então aconteceu O Escândalo, onde ela interpretou Kayla, uma personagem fictícia baseada em relatos reais de várias mulheres sobre assédios sexuais enquanto trabalhavam na Fox News. Ela chegava em casa do set e suas mãos ainda tremiam. ”Acontece algo psicológico com você quando está atuando,” ela diz, ”mesmo que seu cérebro saiba que é de mentira.”

É a mesma coisa em um filme de ação, como Aves de Rapina, cujo Robbie desenvolveu e estrelou. De volta na personagem como Harley, ela parecia com a Marilyn Monroe no Burning Man, passando por um término ruim, com “Daddy’s lil Monster” tatuado em sua clavícula esquerda. ”Isso não é divertido?” Quinn diz enquanto ela e sua estranha gangue de meninas se preparam para matar todos no caminho com granadas, bestas e músculos. ”É como uma festa do pijama!” Robbie lembra: ”Há explosões e armas. E mesmo que estejam vazias, seu corpo começa a reagir como se fosse real, sua adrenalina vai no teto.” Em casa de noite, ela geralmente tem dificuldades para dormir: ”Porque meu corpo pensa que estive em uma zona de guerra.”

E, apesar disso, Robbie continua retornando para Quinn. O motivo é parcialmente porque ela consegue interpretar alguém muito diferente de si mesma (”Estou pintada de branco e usando uma peruca, estou usando algum figurino louco e com esse sotaque do Brooklyn”), apesar de ser justo dizer que Quinn está incorporada em Robbie. ”A Harley fica comigo”, ela diz, concordando. ”Mesmo em um fim de semana quando estou saindo com meus amigos, algumas vezes ela aparece e fico tipo: “Certo, vou colocar um freio nela.”

Mas é também porque ela é apaixonada em trazer mulheres para o gênero da ação. O motivo? Estou esperando, talvez, um aceno para a objetificação de personagens mulheres, ou a falta de representação, mas a verdade é mais dura. ”De um ponto de vista de negócios ou estatísticas, esses são os projetos com melhor salário. Então realmente quero advogar por mulheres escrevendo grandes filmes de ação. Além disso, a percepção de que mulheres não estão interessadas em ação é ridícula.” Ela zomba, um pequeno lampejo de fúria que se torna um sorriso. ”E mais”, ela diz, pensando em O Esquadrão Suicida, onde Quinn é enviada para destruir um laboratório da era nazista com sua equipe de condenados, seu vestido vermelho de formatura tendo como acessórios duas armas carregadas e um sangramento no nariz, ”eles são muito, muito divertidos.”

Viola Davis, que interpreta a chefe da Força Tarefa X em ambos os filmes, me conta uma história sobre um ensaio. O elenco inteiro estava reunido e, sem o conhecimento de Robbie, Jared Leto (que interpreta o Coringa no primeiro filme) estava planejando uma pegadinha. ”Eu estava dizendo alto: “Não abra a caixa!” E estava quase saindo pela porta quando ela abriu”, diz Davis, ”e viu o maior rato preto que você poderia imaginar. Então… ela fez carinho nele. Sem medo. Aberta. Receptiva. Cheia de alegria.”

Não é surpresa ouvir que Robbie tem dificuldades para dormir. De noite, na cama com Ackerley e Bunny, um coelho de pelúcia ”nojento” (palavras de Ackerley) com quem ela dorme desde sempre, sua mente não é sua amiga. ”Cenários, preocupações…” Ela puxa as mangas para cobrir suas mãos. ”Eu fico deitada e tento descobrir o que fazer sobre a mudança climática, e então lembro daquela coisa que disse sete anos atrás que soou errada, e o que está na minha lista de tarefas de amanhã.” Estamos nos encontrando em um ponto da vida em que Robbie está considerando desacelerar. ”Eu não sei se é porque estou nos trinta anos agora, ou porque a vida tomou uma direção… muito estranha. Durante a pandemia, fiquei em casa por mais tempo do que já fiquei em qualquer lugar. Estive me movendo a um milhão de quilômetros por hora desde que me lembro.” Como é isso? ”Pode ser assustador, algumas vezes. Mas agora eu finalmente sinto que está tudo bem… parar e sentar? Ou até mesmo ficar fora de algo. É um sentimento que nunca tive antes.” Ela contrai o rosto, quase culpada.

Exceto que, a ideia de Robbie de “desacelerar” inclui, mas não está limitada a: filmar o novo projeto de David O. Russell, trabalhar no próximo filme de Damien Chazelle, Babylon, várias produções da LuckyChap como a adaptação em filme do romance brilhante de Otessa Moshfegh, Meu Ano de Descanso e Relaxamento, e a preparação para o maior projeto deles até agora, Barbie, sobre os 30 centímetros de plástico mais controversos da memória viva.

”Certo, vem com muita bagagem!” ela diz, sorrindo. ”E muitas conexões nostálgicas. Mas com isso vêm muitos jeitos emocionantes de abordá-la. As pessoas geralmente escutam ‘Barbie’ e pensam: “Eu sei o que esse filme vai ser”, e então escutam que Greta Gerwig está escrevendo e dirigindo e pensam: “Oh, ora, talvez eu não saiba…” Ela está certa, existe algo emocionante sobre esse coquetel – não somente Gerwig em Barbie (uma combinação que promete abraçar as preocupações do feminismo e a memória de esfregar duas bonecas contra a outra por bastante tempo até que uma fique vermelha e irritada), mas também Barbie sendo interpretada por Robbie, “a loira mais gostosa do mundo”, que também é imprevisível, travessa, consegue navegar suavemente entre personagens, alternadamente narcisista e ingênua, mas também inteiramente capaz de explodir uma fábrica química só para se aquecer nas chamas.

Hoje, de rosto limpo com o cabelo loiro escuro, ela poderia passar por uma Youtuber adolescente, mas regularmente serve o glamour da antiga Hollywood, geralmente com uma borda ousada. Ela é embaixadora da Chanel, e seus looks no tapete vermelho incluem Chanel vintage e Rodarte bordado; no Oscar, em 2016, ela usou um vestido dourado Tom Ford que parecia o próprio troféu. Ela gosta dessas noites, ”as partes chiques”, ela diz. ”Mas eu realmente amo estar no set, coberta de sangue ou sujeira, trabalhar 19 horas por dia, ir para o pub ficar um pouco bêbada depois.”

Foi no set de filmes que ela conheceu seus melhores amigos, desde membros da equipe com os quais ela formou a produtora, sete deles compartilhando uma casa de quatro quartos em Clapham, Robbie tropeçando para fazer a estranha conferência de imprensa, até aqueles que ela conversa diariamente nos grupos de WhatsApp em três fusos horários diferentes. ”Muitas vezes me perguntam: “Como foi trabalhar com fulano e ciclano?” Sabe, um colega ator.” Uma Kidman ou um Pitt. ”E respondo: “Bom, trabalhei com 300 pessoas nesse filme. Dois deles eram atores.”

Foi no grupo do WhatsApp de membros da equipe de Londres que ela pediu ajuda para escrever uma carta aberta para Hollywood quando o movimento #MeToo floresceu, uma carta em nome das mulheres da indústria que não possuem uma plataforma. ”Filmes de super-heróis estão na moda,” ela escreveu, ”e eu deveria saber, já que me beneficiei disso. Só desejo que pudéssemos transferir um pouco desse heroísmo para a realidade. Que esses heróis que admiramos nos filmes nos defendessem contra os vilões do governo, do ambiente de trabalho, da indústria do entretenimento, e até das interações humanas mais básicas.” Isso foi em 2017, o ano em que a LuckyChap começou a desenvolver a comédia obscura de Emerald Fennell, Bela Vingança. ”Margot é completamente única, assim como a produtora que ela fundou”, diz Fennell hoje em dia, tendo vencido o Oscar de Melhor Roteiro. ”Foi inteiramente por causa dela e da teimosia, inteligência e determinação da LuckyChap que fomos capazes de fazer o filme de um jeito tão firme.”

Robbie conversou sobre o papel principal, mas decidiu que seria uma escolha óbvia – Carey Mulligan seria mais surpreendente. Ela estava certa. ”Tenho aversão a ser colocada em uma caixa. No momento que alguém me resume em duas palavras…” ela rosna. ”Quero mostrar a eles que sou o exato oposto.” Ela respira. ”Assim que você tem sucesso em um tipo de papel, as pessoas querem que você continue fazendo aquilo. O que eu acho que seria apenas… um tédio.”

Ela toma um gole de água de sua, espera… é uma garrafa de Love Island? Ela balança com alegria. A maior fã. ”Se eu fosse para a faculdade, escreveria minha tese sobre o ego masculino em Love Island.” Ela está brincando só um pouco. ”Realmente me interesso pela dinâmica do macho alfa, e vou soar como uma completa lunática agora, mas é como em Amargo Pesadelo, esse tipo de mentalidade. E você pode observar em uma alcateia de leões, em Love Island ou em filme gangster do Scorsese.” No entanto, o problema em ser extremamente bem sucedida, é que ela não tem mais tempo de assistir Love Island. ”Antigamente, eu não tinha dinheiro, mas tinha tempo. Hoje, tenho dinheiro, mas não tenho tempo.”

O cômodo ficou mais claro enquanto conversávamos, o sol entrando pela cortina moveu-se por cima da cadela dormindo, a tigela vazia, e Robbie ficou mais leve. A enxaqueca passou. ”Essa conversa me acordou!” diz em um chiado. Ela está escrevendo cartas novamente, como as que escreveu para Tarantino e para os produtores de Neighbours, enviando para as pessoas que ela deseja trabalhar em breve. Ela não dirá quem – não quer trazer má sorte, além de ser ruim para os negócios – mas ela está animada. ”Não sou boa em esperar. Se quero algo, não consigo ficar sentada”, ela diz, sentada. ”Tenho que fazer acontecer.”

Há um lugar secreto para onde ela vai, literalmente uma casa na árvore, em algum lugar no meio da Europa, quando precisa de um tempo. Ela adoraria estar lá agora, mas infelizmente, sua ambição está cutucando suas costas. ”Quero dirigir”, ela sussurra, uma apresentação de timidez. ”Gostaria de tentar escrever. Esses seriam desafios muito grandes, que para ser honesta, posso não conseguir. Também penso que dirigir é um privilégio, não um direito. Mas tenho uma história que está na minha cabeça por anos. Preciso colocar no papel para ver se é ridícula ou não.”

Existe um plano, ela diz, se inclinando, e novamente vejo em seus olhos uma alegria incomum, a alegria de alguém correndo muito rápido em uma praia, com o coração acelerado, continuando em seu caminho enquanto o mundo explode em suas costas.

Fonte | Tradução & Adaptação: Equipe Margot Robbie Brasil

Margot Robbie foi capa da edição francesa da revista ELLE nessa semana e falou sobre Bela Vingança, filme de Emerald Fennell indicado em Melhor Filme no Oscar e produção da LuckyChap, sobre sua parceria com a Chanel e uma pequena atualização sobre Barbie. Confira as fotos e a entrevista abaixo:

Você é atriz e produtora. O que você prefere?
É difícil dizer porque não me defino por um rótulo. Sinto que faço parte de um processo criativo atualmente no mundo dos filmes e da televisão. E, nos dois casos, eu me envolvo para ter certeza de que a visão do diretor será a mais fiel possível do que ele quer levar para a tela. Com atriz, faço um trabalho limitado. Como produtora, sigo todos os passos para trazer um projeto para a vida. Essas duas coisas são muito emocionantes.

O que você tinha em mente quando criou sua produtora, a LuckyChap Entertainment?
Foi muito simples. Comecei essa aventura com amigos próximos. Eu estava sendo guiada por um desejo recorrente. Cada vez que lia um roteiro, eu tinha a mesma conclusão. O único papel que eu queria em um filme era o masculino. Eu achava mais elaborado, mais rico, mais complexo, com uma dimensão humana que me tocava. Ao lado desses papéis, o feminino parecia mais triste, mais normal. Compartilhei isso com meu pequeno grupo e concordamos que tínhamos que procurar cenários onde as mulheres estariam interpretando os papéis mais interessantes. Isso significava que teríamos que dar chance aos novos roteiristas. Nosso objetivo é atuar como um trampolim para mulheres na frente e por trás das câmeras.

Como em Bela Vingança, de Emerald Fennell, o qual você produziu e ganhou quatro indicações ao Golden Globe e cinco indicações ao Oscar, incluindo Melhor Filme.
Exatamente. Isso prova que estávamos certos em confiar na Emerald, que queria dirigir seu primeiro filme. Seu projeto era óbvio para nós. Tínhamos que ajudá-la a tornar seu sonho uma realidade.

Bela Vingança conta a história de uma jovem mulher que está se vingando do assédio sexual sofrido por sua melhor amiga. Esse é um filme feminista?
Muitas pessoas dizem que esse filme nasceu do movimento #MeToo. Eu não vejo dessa forma. Isso me lembra de uma conversa que escutei entre duas mulheres. Uma delas perguntou: “Você é feminista?” e a outra respondeu: “Sou uma mulher. Como posso não abraçar a causa das mulheres?” Como todo mundo, quero igualdade em todas as áreas. Esse filme é dirigido por uma mulher, há uma perspectiva feminina e o papel principal é interpretado por uma atriz, Carey Mulligan.

Você observa as mudanças no ambiente do cinema?
Sou otimista por natureza! Esse problema vai além do mundo do cinema. Nesse período pós movimento #MeToo, vejo o começo da mudança. Certos comportamentos não são mais tolerados. As pessoas estão prestando atenção. Quando estão a ponto de dizer algo, eles pensam duas vezes, como se o cérebro estivesse dizendo: “Pausa!” Como resultado, sinto que ouço menos palavras inapropriadas contra mulheres. Mesmo que esses detalhes sejam mínimos, acho encorajador para o futuro.

Você esteve ao lado de Nicole Kidman e Charlize Theron no filme O Escândalo, que expôs o assédio sexual em uma emissora de televisão e foi uma notícia bombástica.
Quando cheguei na última página do roteiro, fiquei envergonhada. Em um estado de choque. Honestamente, não achei que tal coisa havia acontecido. Eu estudei, estou na frente de uma empresa onde refletimos o lugar das mulheres no mundo. Assédio sexual é inconcebível, não estava ciente disso. Sim, precisei fazer parte desse projeto e denunciar esse escândalo.

Como está o progredindo o projeto para o filme da Barbie? Ela vai ser uma heroína feminista?
Não posso falar sobre isso ainda, mas a produção está avançando. A ideia do filme fala por si própria…

Sua mãe te fez ciente da causa das mulheres?
Quando criança, eu não considerava minha mãe um exemplo de mulher, ela era apenas minha mãe. Somente com o tempo pude perceber o tanto que ela conquistou e todos os sacrifícios que ela fez… Pensei comigo mesma: “Que vida! Que mulher!” Minha mãe é uma mulher forte com uma grande noção de responsabilidade. Éramos quatro crianças e ela nos criou sozinha. Não foi fácil. Como muitas mães, ela precisou ser responsável. Eu nunca a vi se sentar em uma cadeira e sentir pena de seu sofrimento ou se parabenizar por ser uma supermãe e esperar elogios. Nunca. Autocongratulação não faz o estilo dela. Eu admiro sua persistência, sua determinação. Ela é o meu maior exemplo de mulher.

Você é embaixadora da grife Chanel. A moda sempre fez parte da sua vida?
O mundo da moda é novidade para mim, eu descubro com admiração. Estou ciente da oportunidade oferecida a mim pela Chanel e Virginie Viard (atual diretora artística de moda). O sentimento de fazer parte de uma família sempre esteve presente. Karl Lagerfeld era muito atencioso, ele sempre teve tempo de ser legal comigo, até mesmo durante os preparativos dos desfiles. Roupas sempre tiveram uma importância para mim. É um tipo de arte, uma forma formidável de expressão. Ainda mais se você é atriz. Me lembro dos dias em que me divertia fazendo peças de teatro com meus irmãos, eu gostava de vestí-los. É extraordinário usar as novas coleções, consultar os arquivos da herança da Chanel e ver a evolução dos materiais e formas. Quando subi os degraus de Cannes na estreia de Era Uma Vez em Hollywood ao lado de Leonardo DiCaprio e Brad Pitt, eu estava usando um magnífico vestido de alta costura da Chanel. Minha mãe estava presente e disse para mim: “Você está entendendo?”

A pandemia impede desfiles e tapetes vermelhos… Essas memórias excepcionais de Cannes possuem uma ressonância ainda maior?
Com certeza. Hoje em dia, não tenho outra escolha a não ser refletir sobre o que passamos. A abordagem é interessante. Muitas imagens de tempos felizes e loucos passam pela minha cabeça. Estou no meio da filmagem do novo filme de David O. Russell. Outro dia, todos os atores estavam com o figurino e estávamos observando uns aos outros. Era um sentimento estranho, um pouco surreal. Era como se estivéssemos voltado aos tempos antes do COVID. “Antes do COVID…” uma expressão magnífica. Todos estão ansiosos pelo retorno da normalidade.

Você é o símbolo do sonho americano?
Na Austrália, nós dizemos que somos da terra da sorte. Hoje, moro na América, a terra da oportunidade. A mistura da sorte com a oportunidade pode te dar uma vida incrível. A minha é.

ATENÇÃO: A entrevista foi feita em inglês, traduzida para o francês e então traduzida de volta para o inglês até chegar no português. Algumas frases podem ter perdido o sentido durante o processo.

Fonte | Tradução & Adaptação: Equipe Margot Robbie Brasil

Margot Robbie estampa a nova edição especial da V Magazine em parceria com a Chanel. A edição funciona como um livro de arte e se chama The Chanel Book, custando 110 dólares no site oficial da revista. Outras capas do livro incluem Lily Rose-Depp e Jennie Kim, do girlgroup Blackpink, ambas também embaixadoras da grife. Confira a capa em alta definição na nossa galeria: