Em mais um vídeo para a British VOGUE, Margot Robbie mostrou todos os itens que leva dentro de sua bolsa. Além dos itens básicos como celular, máscara e álcool para as mãos, ela também leva fósforos e bolsinhas de chá. Veja mais:

Em um vídeo para a British VOGUE, Margot Robbie respondeu perguntas impossíveis feitas pela revista, além de fazer suas próprias. Confira com legendas abaixo:

A revista Total Film visitou o set de O Esquadrão Suicida em Atlanta em 2019 e deu detalhes sobre algumas cenas gravadas no dia. Eles também conversaram com os atores e equipe enquanto estiveram por lá. Confira:

James Gunn diz que os sets de O Esquadrão Suicida são os maiores que a Warner Bros. já construiu – e agora, não temos motivos para duvidar dele. É novembro de 2019 e estamos em um telhado abandonado em uma cidade Sul-Americana, com metal amassado, pilhas de tijolos e antenas de TV por todos os lados. Na verdade, a única coisa que entrega que estamos realmente no Pinewood Studios em Atlanta é tela azul gigante cobrindo as paredes desse grande soundstage, no lugar da paisagem da cidade que será adicionada mais tarde através da mágica do CGI. Para enfatizar ainda mais a escala do filme, a produção recebeu toneladas de areia para criar uma praia interna.

Resumindo, o diretor e roteirista de Guardiões da Galáxia está fazendo seu melhor para manter as coisas com o pé no chão agora que está enviando os piores dos piores da DC em uma missão em uma área controlada pelo inimigo – aquele tipo de esquema onde todo mundo é descartável. ”Amo ver as coisas no set enquanto elas acontecem”, Gunn conta para a Total Film e GamesRadar+ durante uma breve pausa nas filmagens. ”E amo dar algo para os atores e para o pessoal das câmeras lidar com praticidade. Por ter tantos sets práticos enormes nesse filme, acho que isso faz da experiência mais rica e criativa. O Esquadrão Suicida tem mais efeitos práticos do que todos os meus filmes anteriores juntos.”

”Sempre prefiro fazer tudo o mais prático possível” concorda Margot Robbie, quem – após Esquadrão Suicida e Aves de Rapina – está aparecendo pela terceira vez como Harley Quinn.

”Já fiz filmes anteriormente onde não sabia o quão grande seria uma coisa porque era feito em CGI, então quando vi no cinema, pensei: “Ok, se eu soubesse que seria assim, minha reação teria sido muito diferente.” Quando é feito de forma prática, você recebe uma onda de adrenalina que não pode replicar, não importa o quanto você está forçando sua imaginação. Uma de nossas primeiras cenas foi filmada em uma praia, realmente saindo da água e correndo na areia. Explosões estavam acontecendo ao meu redor como em uma zona de guerra, e você realmente não pode replicar suas reações do mesmo jeito quando alguma coisa explode no seu rosto!”

Bem-vindos a Corto Maltese
Esse improvável pedaço de solo sul-americano nos Estados Unidos é Corto Maltese, uma ilha (fictícia) ao largo da costa da Argentina. Estamos aqui porque a agente do governo Amanda Waller (interpretada por Viola Davis) despachou os presidiários de Belle Reve em outra missão ultrassecreta da Força Tarefa X.

”Recentemente houve um golpe militar”, explica o produtor Peter Safran, ”e em Corto Maltese existe um prédio de experimento médico/prisão chamado Jotunheim. Amanda Waller está enviando o Esquadrão Suicida para Corto Maltese para destruir Jotunheim antes que os líderes do golpe militar descubram os segredos que estão lá dentro. Essa é a missão.”

Nesse ponto da operação, uma pequena parte do Esquadrão Suicida chegou no nosso telhado em Corto Maltese. A Harley Quinn de Margot Robbie é familiar, é claro (apesar de seu vestido vermelho ser um novo visual), enquanto Joel Kinnaman está de volta do filme de David Ayer de 2016 para liderar o grupo como o militar estadunidense Rick Flag. Além desses dois, no entanto, a formação é desconhecida – lembrando que a Warner e a DC deram carta branca para Gunn reformular o Esquadrão como quisesse.

A cena de hoje conta com o pacifista agressivo Pacificador (John Cena); o assassino de elite Sanguinário (Idris Elba); a amiga dos roedores Caça-Ratos 2 (Daniela Melchior); o “sim, ele realmente é um personagem dos quadrinhos” Bolinha (David Dastmalchian); e algum cara aleatório pegando entulhos em um balde (não sabemos se isso conta como superpoder…)

O ator Steve Agee também está presente no set como substituto do membro aquático do Esquadrão, Tubarão Rei, enquanto o antigo Doctor Who, Peter Capaldi, recebeu uma transformação radical para interpretar o Pensador – com sua cabeça grande e careca apimentada com componentes elétricos, ele parece uma versão de alto orçamento do inimigo do Senhor do Tempo, Davros.

São muitas pessoas – e um peixe – que nunca deveriam estar no mesmo cômodo juntos, muito menos recrutados para uma missão militar de alta prioridade. Isso, no entanto, deve ser grande parte da diversão quando O Esquadrão Suicida chegar nos cinemas em agosto.

”Algo que notei sobre a Harley desde o início é que ela sempre se diverte mais em dinâmicas de grupo”, diz Robbie. ”Sempre disse que deixar a Harley sozinha seria como uma criança desacompanhada em um parquinho. Nunca vai ser tão divertido quanto ter várias crianças para brincar. Quando ela está em um grupo, você consegue ver a maior parte de sua personalidade porque ela vai ter mais pessoas para brincar, implicar, se apaixonar, apunhalar, qualquer coisa. Ela sempre decide como se sente sobre as pessoas ao seu redor e age de acordo, o que é sempre imprevisível.”

Na cena de hoje (mostrada no primeiro trailer do filme), Harley formou uma equipe de interrogação incomum com Flag e Sanguinário – policial bom, policial mau e policial pior ainda? – para tirar informações do Pensador. Os pontos principais? Se ele falhar em ajudá-los, ele morre. Se ele tiver placas personalizadas, ele morre. Se ele tossir sem cobrir a boca? Usar uma apóstrofe incorretamente? É, você entendeu…

Apesar de parecer uma cena simples no papel, as variações de falas – há várias interjeições para maiores do Pacificador – e o fato de que os atores precisam encaixar suas palavras ao redor da tela rapidamente, nós temos mais de duas dúzias de interpretações da sequência.

”Isso não é comum”, diz Gunn. ”Fizemos 27 tomadas ou algo assim, acho que é o máximo que já fizemos no filme todo!”

Traga os suspeitos incomuns
Deixando o telhado para trás, somos levados para uma sala que parece ser o centro nervoso da operação de O Esquadrão Suicida (codinome El Dorado). É uma chance de aprender mais sobre Corto Maltese, com as paredes decoradas com fotos do presidente bem-vestido do país (ele tem uma coisa com papagaios, aparentemente), a bandeira (para os loucos por trivia, é feita de listras vermelhas, amarelas e azul, com um sol e uma estrela fazendo parte do design), e arquitetura.

Como a designer de produção Beth Mickle explica: ”James queria que tudo que estivesse fora de Corto Maltese fosse meio cinza, sombrio e monótono, e assim que chegássemos em Corto Maltese, ele queria que fosse uma explosão de cores assim como o Panamá e Havana. Ela queria que tudo naquela parte do filme fosse vívido e vibrante. Nós observamos a paleta de cores das ruas de Colón, no Panamá, com vívido azul cor de água, rosa choque e muito roxo.”

Nesse centro de inteligência, também podemos ver designs de armas – espadas, luvas para disparo de flechas, o bastão da Caça-Ratos 2, o bumerangue do, er, Capitão Bumerangue.

Enquanto isso, no lugar das fotos de fichas criminais que você geralmente associa com um grupo de bandidos, totens em tamanho real dos personagens estão espalhados pelo cômodo. É como se estivéssemos olhando para nosso próprio remake de Os Suspeitos que acontece de ter um grande tubarão branco que anda em sua formação – Keyzer Söze, morra de inveja.

”Amo a versão original de John Ostrander de Esquadrão Suicida onde o conceito simples é um monte de supervilões B, C ou Z que são agrupados porque são considerados descartáveis”, diz Gunn. ”Acho que isso é o que está no centro desse filme. É filme militar, que era um gênero muito popular nos anos 60 como Os Doze Condenados, Desafio das Águias e Os Guerreiros Pilantras, e desapareceu largamente das telas hoje em dia. Conseguir criar esse tipo de história com uns caras usando fantasias idiotas tem sido muito divertido.”

Eles não mais idiotas do que o Bolinha (aka Abner Krill), um antigo vilão da DC que fez sua estreia nos quadrinhos nos anos 60 e tem a habilidade de jogar bolinhas cheias de energia em seus inimigos. A pergunta de milhões de dólares é: como um dos supervilões mais estranhos da história consegue entrar em um filme hollywoodiano de alto orçamento?

”Bolinha é ótimo, mas pensei que precisava de um personagem que é visto como um dos mais idiotas”, Gunn admite. ”Então, procurei online: “Quem é o personagem mais idiota da DC?” e era o Bolinha. Nós transformamos aquele personagem triste e patético em um que é depressivo porque as pessoas o acham idiota. Ela tem uma história muito trágica que você fica sabendo no decorrer do filme – conseguir adicionar profundidade nesses personagens que são considerados os mais bobos é uma coisa divertida para mim.”

”Posso lhe contar que meu personagem Abner é alguém que passou a vida inteira com muita dor, muita vergonha e muita solidão por causa de sua condição”, explica David Dastmalchian. ”Essa condição foi algo que ele decidiu em um certo momento que seria melhor utilizada para machucar outras pessoas ou para performar atos de crime, para que então ele conseguisse um pouco de vingança contra o mundo cruel e injusto. As coisas não foram muito bem na vida de Abner basicamente desde o primeiro dia, então quando o encontramos na história, ele é uma pessoa que nunca foi parte de nada, então mesmo que no meio de criminosos, ele talvez tenha encontrado um dos primeiros momentos de sua vida onde é parte de algo.”

E há mais sobre o Bolinha do que simplesmente jogar pontinhos em um lugar. No set, vemos uma cena teste onde a cabeça de Abner está brilhando e crescendo em proporções perturbantes. É um pouco de terror corporal que imita a estreia de Gunn como diretor, Seres Rastejantes, e sugere que o Bolinha nunca vai ser tratado como uma figura divertida novamente.

”É tudo o que eu sempre sonhei em fazer como ator!” Dastmalchian diz. ”Desde que eu era menino assistindo Boris Karloff e Lon Chaney, sonhando em fazer uma performance completamente incorporado em maquiagem prática intensa… É claro, teremos efeitos especiais incríveis – e temos a melhor equipe da indústria nesse filme – mas James quer muita praticidade realista no que o público vai experienciar. Estou animado para verem.”

Fonte | Tradução & Adaptação: Equipe Margot Robbie Brasil

Margot Robbie é capa e recheio da edição de agosto da VOGUE britânica. Fotografada por Lachlan Bailey e entrevistada por Eva Wiseman, a atriz fala sobre seu papel em O Esquadrão Suicida, Barbie e seus planos para o futuro. Confira as fotos e entrevista abaixo:

Imagine que você está correndo em uma praia, ela diz. Você está correndo muito rápido em uma praia, e se desviar para a esquerda, você vai explodir. Se pisar em uma pedra, vai explodir. ”Então, você tem que continuar no seu caminho.” Margot Robbie está repentinamente iluminada com uma alegria incomum, lembrando. Enquanto ela corria nessa praia feita por humanos em um estúdio em Atlanta, rolando no chão e parando na única pedra segura no local, pensava: ”Sim.” Ela pensava: ”Estou tendo a maior diversão da minha vida.”

Ela estava filmando Esquadrão Suicida, de 2016, a primeira parte de uma série de filmes sobre os supervilões da DC Comics que formam uma equipe secreta do governo para salvar o mundo de certas destruições. Foi a primeira vez de Robbie interpretando Harley Quinn, “psicopata profissional” e antiga namorada do Coringa, conhecida por suas marias-chiquinhas platinadas, maquiagem borrada e rosto maníaco. Ela ficou instantaneamente fisgada: desde então, interpretou a Harley em Aves de Rapina, spin-off de 2020, e no próximo mês estará vestida em neon pela terceira vez, quando a sequência do primeiro filme, O Esquadrão Suicida, for lançada.

”Essas cenas,” ela continua, quase sem fôlego, ”onde tudo está explodindo ao seu redor, e você chega no final a tempo, essas corridas heroicas de guerra enormes e épicas? Esse momentos de cinema? As meninas nunca fazem isso. Nunca.”

Enquanto Robbie conta a história, seu sorriso está tão grande que aqui, em seu sofá em Los Angeles, sua pitbull, Belle, sobe para lamber seus dentes. Ela está de pernas cruzadas, usando um moletom muito grande do Miami Heat, comendo uma tigela de cereal Cinnamon Crunch e lentamente emergindo de uma de suas enxaquecas. Ela tem enxaqueca desde que tinha oito anos, quando ainda morava em Gold Coast, no interior da Austrália, com sua mãe e três irmãos, uma dor que começa atrás de seus olhos. ”Eu poderia estar em um cômodo completamente escuro”, ela explica, massageando suas têmporas, ”e se alguém acendesse um fósforo eu ficaria, tipo, cega. Então, no set é o pior lugar – eu tomo minha medicação, sento no trailer e peço para fazerem minha maquiagem no escuro.” Ela ri, se desculpando: ”Estou muito lenta hoje.” Mas rapidamente se torna claro que essa é possivelmente a melhor hora para entrevistar Margot Robbie, levemente grogue e resmungando de forma meditativa, porque seu ritmo de outra forma, a energia cintilante, pode ser difícil de acompanhar.

Acabando de completar 31 anos, ela já tem a carreira de uma estrela com o dobro de sua idade, parcialmente porque ela sempre exige o que quer. Aos 17 anos, ela escreveu para os produtores de Neighbours, resultando em um papel no elenco regular, filmando um episódio por dia. ”Mas eu fiquei lá por meses até perceber que ninguém mais tinha um segundo emprego.” Ela fazia sanduíches no Subway naquela época. ”Eu fiquei tipo: “Você está atuando em tempo integral? Isso é possível? Ok, maneiro, vou fazer isso.” Foi uma epifania.”

Três anos depois, ela se mudou para os Estados Unidos, entrou para o elenco de uma série de época chamada Pan Am como uma comissária de bordo, e começou a sair de fininho para fazer testes para filmes. A descrição da personagem a qual ela leu para O Lobo de Wall Street, de Martin Scorsese, era: ”A loira mais gostosa do mundo”. Ela saiu do roteiro e deu um tapa na cara de Leonardo DiCaprio, lançando-a para o ar úmido da fama. Scorsese mais tarde disse ter visto uma combinação de três lendárias damas de Hollywood nela: Ida Lupino por seu ”desafio emocional”, Carole Lombard por sua habilidade com comédia e Joan Crawford por sua dureza. ”Isso mudou a minha situação”, ela diz lentamente. ”Depois, quando eu conseguia sinal verde para os projetos só por estar neles? Foi uma grande virada para mim.”

Não menos porque significou que ela mesma poderia produzir. Em 2014, ela havia se mudado para Londres, e lançou uma produtora com três de seus colegas de casa, se casando com um deles (Tom Ackerley, quem ela conheceu como diretor assistente enquanto trabalhavam na adaptação para o cinema de Suíte FrancesaLuckyChap para a produtora, com o objetivo de contar histórias de mulheres nos filmes e apoiar criadoras por trás das cenas – um plano fundamentado em negócios tanto quanto política. ”Nós ficamos realmente animados com os roteiros que nos surpreendiam, e esses são geralmente os são deixados fora do foco. Um pouquinho complexo.” O roteiro de Eu, Tonya, uma comédia obscura sobre a vida da patinadora Tonya Harding, estava rodando por aí durante um tempo antes da LuckyChap comprá-lo, e logo depois do casamento, eles começaram a filmar. O resultado foi sombrio e hilário, presenteando Robbie com sua primeira indicação ao Oscar, por Melhor Atriz.

Que foi quando ela escreveu outra carta, dessa vez pedindo por um encontro com Quentin Tarantino. Ele a contratou para interpretar Sharon Tate em Era Uma Vez… Em Hollywood, no enredo que fazia paralelo com os assassinatos da Família Manson em 1969. Visitando o set, a irmã de Tate disse que chorou ao ouvir a voz de Sharon saindo da boca de Robbie. Então aconteceu O Escândalo, onde ela interpretou Kayla, uma personagem fictícia baseada em relatos reais de várias mulheres sobre assédios sexuais enquanto trabalhavam na Fox News. Ela chegava em casa do set e suas mãos ainda tremiam. ”Acontece algo psicológico com você quando está atuando,” ela diz, ”mesmo que seu cérebro saiba que é de mentira.”

É a mesma coisa em um filme de ação, como Aves de Rapina, cujo Robbie desenvolveu e estrelou. De volta na personagem como Harley, ela parecia com a Marilyn Monroe no Burning Man, passando por um término ruim, com “Daddy’s lil Monster” tatuado em sua clavícula esquerda. ”Isso não é divertido?” Quinn diz enquanto ela e sua estranha gangue de meninas se preparam para matar todos no caminho com granadas, bestas e músculos. ”É como uma festa do pijama!” Robbie lembra: ”Há explosões e armas. E mesmo que estejam vazias, seu corpo começa a reagir como se fosse real, sua adrenalina vai no teto.” Em casa de noite, ela geralmente tem dificuldades para dormir: ”Porque meu corpo pensa que estive em uma zona de guerra.”

E, apesar disso, Robbie continua retornando para Quinn. O motivo é parcialmente porque ela consegue interpretar alguém muito diferente de si mesma (”Estou pintada de branco e usando uma peruca, estou usando algum figurino louco e com esse sotaque do Brooklyn”), apesar de ser justo dizer que Quinn está incorporada em Robbie. ”A Harley fica comigo”, ela diz, concordando. ”Mesmo em um fim de semana quando estou saindo com meus amigos, algumas vezes ela aparece e fico tipo: “Certo, vou colocar um freio nela.”

Mas é também porque ela é apaixonada em trazer mulheres para o gênero da ação. O motivo? Estou esperando, talvez, um aceno para a objetificação de personagens mulheres, ou a falta de representação, mas a verdade é mais dura. ”De um ponto de vista de negócios ou estatísticas, esses são os projetos com melhor salário. Então realmente quero advogar por mulheres escrevendo grandes filmes de ação. Além disso, a percepção de que mulheres não estão interessadas em ação é ridícula.” Ela zomba, um pequeno lampejo de fúria que se torna um sorriso. ”E mais”, ela diz, pensando em O Esquadrão Suicida, onde Quinn é enviada para destruir um laboratório da era nazista com sua equipe de condenados, seu vestido vermelho de formatura tendo como acessórios duas armas carregadas e um sangramento no nariz, ”eles são muito, muito divertidos.”

Viola Davis, que interpreta a chefe da Força Tarefa X em ambos os filmes, me conta uma história sobre um ensaio. O elenco inteiro estava reunido e, sem o conhecimento de Robbie, Jared Leto (que interpreta o Coringa no primeiro filme) estava planejando uma pegadinha. ”Eu estava dizendo alto: “Não abra a caixa!” E estava quase saindo pela porta quando ela abriu”, diz Davis, ”e viu o maior rato preto que você poderia imaginar. Então… ela fez carinho nele. Sem medo. Aberta. Receptiva. Cheia de alegria.”

Não é surpresa ouvir que Robbie tem dificuldades para dormir. De noite, na cama com Ackerley e Bunny, um coelho de pelúcia ”nojento” (palavras de Ackerley) com quem ela dorme desde sempre, sua mente não é sua amiga. ”Cenários, preocupações…” Ela puxa as mangas para cobrir suas mãos. ”Eu fico deitada e tento descobrir o que fazer sobre a mudança climática, e então lembro daquela coisa que disse sete anos atrás que soou errada, e o que está na minha lista de tarefas de amanhã.” Estamos nos encontrando em um ponto da vida em que Robbie está considerando desacelerar. ”Eu não sei se é porque estou nos trinta anos agora, ou porque a vida tomou uma direção… muito estranha. Durante a pandemia, fiquei em casa por mais tempo do que já fiquei em qualquer lugar. Estive me movendo a um milhão de quilômetros por hora desde que me lembro.” Como é isso? ”Pode ser assustador, algumas vezes. Mas agora eu finalmente sinto que está tudo bem… parar e sentar? Ou até mesmo ficar fora de algo. É um sentimento que nunca tive antes.” Ela contrai o rosto, quase culpada.

Exceto que, a ideia de Robbie de “desacelerar” inclui, mas não está limitada a: filmar o novo projeto de David O. Russell, trabalhar no próximo filme de Damien Chazelle, Babylon, várias produções da LuckyChap como a adaptação em filme do romance brilhante de Otessa Moshfegh, Meu Ano de Descanso e Relaxamento, e a preparação para o maior projeto deles até agora, Barbie, sobre os 30 centímetros de plástico mais controversos da memória viva.

”Certo, vem com muita bagagem!” ela diz, sorrindo. ”E muitas conexões nostálgicas. Mas com isso vêm muitos jeitos emocionantes de abordá-la. As pessoas geralmente escutam ‘Barbie’ e pensam: “Eu sei o que esse filme vai ser”, e então escutam que Greta Gerwig está escrevendo e dirigindo e pensam: “Oh, ora, talvez eu não saiba…” Ela está certa, existe algo emocionante sobre esse coquetel – não somente Gerwig em Barbie (uma combinação que promete abraçar as preocupações do feminismo e a memória de esfregar duas bonecas contra a outra por bastante tempo até que uma fique vermelha e irritada), mas também Barbie sendo interpretada por Robbie, “a loira mais gostosa do mundo”, que também é imprevisível, travessa, consegue navegar suavemente entre personagens, alternadamente narcisista e ingênua, mas também inteiramente capaz de explodir uma fábrica química só para se aquecer nas chamas.

Hoje, de rosto limpo com o cabelo loiro escuro, ela poderia passar por uma Youtuber adolescente, mas regularmente serve o glamour da antiga Hollywood, geralmente com uma borda ousada. Ela é embaixadora da Chanel, e seus looks no tapete vermelho incluem Chanel vintage e Rodarte bordado; no Oscar, em 2016, ela usou um vestido dourado Tom Ford que parecia o próprio troféu. Ela gosta dessas noites, ”as partes chiques”, ela diz. ”Mas eu realmente amo estar no set, coberta de sangue ou sujeira, trabalhar 19 horas por dia, ir para o pub ficar um pouco bêbada depois.”

Foi no set de filmes que ela conheceu seus melhores amigos, desde membros da equipe com os quais ela formou a produtora, sete deles compartilhando uma casa de quatro quartos em Clapham, Robbie tropeçando para fazer a estranha conferência de imprensa, até aqueles que ela conversa diariamente nos grupos de WhatsApp em três fusos horários diferentes. ”Muitas vezes me perguntam: “Como foi trabalhar com fulano e ciclano?” Sabe, um colega ator.” Uma Kidman ou um Pitt. ”E respondo: “Bom, trabalhei com 300 pessoas nesse filme. Dois deles eram atores.”

Foi no grupo do WhatsApp de membros da equipe de Londres que ela pediu ajuda para escrever uma carta aberta para Hollywood quando o movimento #MeToo floresceu, uma carta em nome das mulheres da indústria que não possuem uma plataforma. ”Filmes de super-heróis estão na moda,” ela escreveu, ”e eu deveria saber, já que me beneficiei disso. Só desejo que pudéssemos transferir um pouco desse heroísmo para a realidade. Que esses heróis que admiramos nos filmes nos defendessem contra os vilões do governo, do ambiente de trabalho, da indústria do entretenimento, e até das interações humanas mais básicas.” Isso foi em 2017, o ano em que a LuckyChap começou a desenvolver a comédia obscura de Emerald Fennell, Bela Vingança. ”Margot é completamente única, assim como a produtora que ela fundou”, diz Fennell hoje em dia, tendo vencido o Oscar de Melhor Roteiro. ”Foi inteiramente por causa dela e da teimosia, inteligência e determinação da LuckyChap que fomos capazes de fazer o filme de um jeito tão firme.”

Robbie conversou sobre o papel principal, mas decidiu que seria uma escolha óbvia – Carey Mulligan seria mais surpreendente. Ela estava certa. ”Tenho aversão a ser colocada em uma caixa. No momento que alguém me resume em duas palavras…” ela rosna. ”Quero mostrar a eles que sou o exato oposto.” Ela respira. ”Assim que você tem sucesso em um tipo de papel, as pessoas querem que você continue fazendo aquilo. O que eu acho que seria apenas… um tédio.”

Ela toma um gole de água de sua, espera… é uma garrafa de Love Island? Ela balança com alegria. A maior fã. ”Se eu fosse para a faculdade, escreveria minha tese sobre o ego masculino em Love Island.” Ela está brincando só um pouco. ”Realmente me interesso pela dinâmica do macho alfa, e vou soar como uma completa lunática agora, mas é como em Amargo Pesadelo, esse tipo de mentalidade. E você pode observar em uma alcateia de leões, em Love Island ou em filme gangster do Scorsese.” No entanto, o problema em ser extremamente bem sucedida, é que ela não tem mais tempo de assistir Love Island. ”Antigamente, eu não tinha dinheiro, mas tinha tempo. Hoje, tenho dinheiro, mas não tenho tempo.”

O cômodo ficou mais claro enquanto conversávamos, o sol entrando pela cortina moveu-se por cima da cadela dormindo, a tigela vazia, e Robbie ficou mais leve. A enxaqueca passou. ”Essa conversa me acordou!” diz em um chiado. Ela está escrevendo cartas novamente, como as que escreveu para Tarantino e para os produtores de Neighbours, enviando para as pessoas que ela deseja trabalhar em breve. Ela não dirá quem – não quer trazer má sorte, além de ser ruim para os negócios – mas ela está animada. ”Não sou boa em esperar. Se quero algo, não consigo ficar sentada”, ela diz, sentada. ”Tenho que fazer acontecer.”

Há um lugar secreto para onde ela vai, literalmente uma casa na árvore, em algum lugar no meio da Europa, quando precisa de um tempo. Ela adoraria estar lá agora, mas infelizmente, sua ambição está cutucando suas costas. ”Quero dirigir”, ela sussurra, uma apresentação de timidez. ”Gostaria de tentar escrever. Esses seriam desafios muito grandes, que para ser honesta, posso não conseguir. Também penso que dirigir é um privilégio, não um direito. Mas tenho uma história que está na minha cabeça por anos. Preciso colocar no papel para ver se é ridícula ou não.”

Existe um plano, ela diz, se inclinando, e novamente vejo em seus olhos uma alegria incomum, a alegria de alguém correndo muito rápido em uma praia, com o coração acelerado, continuando em seu caminho enquanto o mundo explode em suas costas.

Fonte | Tradução & Adaptação: Equipe Margot Robbie Brasil