Margot Robbie conversou com o jornal WSJ sobre a nova série produzida pela LuckyChap Entertainment que está disponível na Netflix: Maid! Ela, junto com Margaret Qualley, Andie MacDowell, Anika Noni Rose e a showrunner Molly Smith Metzler compartilharam detalhes sobre a produção. Leia:

A nova série da Netflix, Maid, começa com escuridão. Uma mulher sai escondida de sua cama o mais silenciosamente possível para não acordar seu parceiro adormecido. Ela pega sua filha pequena de sua cama, deixa o trailer em que vive e as duas entram no carro, indo para longe enquanto seu namorado bate no vidro. Os espectadores logo ficam sabendo que a mulher se chama Alex (interpretada por Margaret Qualley), a protagonista adaptada da biografia de 2019 de Stephanie Land, chamada Maid: Hard Work, Low Pay and a Mother’s Will to Survive. Mesmo tendo acabado de escapar de seu parceiro, Sean (interpretado por Nick Robinson), quem soca uma parede antes de jogar vidro nela na frente de sua filha, os desafios de Alex são apenas o começo.

Para os produtores e elenco de Maid, era importante contar a história das dificuldades de uma jovem mulher com a pobreza, o sistema de assistência social e ser mãe solo sem que a série parecesse uma lição de moral. Há momentos de leveza de rir em voz alta, mesmo quando Alex vai parar em um lar para vítimas de violência doméstica. Temos Andie MacDowell (a mãe verdadeira de Qualley) como nunca a vimos antes, interpretando a mãe excêntrica e instável de Alex que sempre prioriza os homens em sua vida em vez de sua filha e neta. Então após conseguir o único emprego que pôde encontrar, como faxineira, Alex começa a trabalhar para Regina (Anika Noni Rose), uma advogada rica que parece ingrata no começo, mas acaba sendo a maior defensora de Alex.

Aqui, Qualley, MacDowell e Rose – junto de Margot Robbie, uma das produtoras executivas de Maid através de sua empresa LuckyChap Entertainment, e Molly Smith Metzler, que escreveu, foi produtora executiva e serviu de showrunner – contam para o WSJ sobre os bastidores de Maid.

O que te atraiu para essa história? O que você achou da biografia de Stephanie?

Margot Robbie: É raro ler uma biografia que é tanto atraente emocionalmente quanto informativa. Acho que ninguém conseguiria compreender, sem estar naquela situação, o quanto a burocracia e a fita vermelha envolvendo o sistema de bem-estar social podem ser frustrantes – combinado com todos os outros problemas que Alex enfrenta. Mas saber que Stephanie se torna uma autora best-seller no final é incrivelmente esperançoso.

A série mostra experiências de pobreza, como é ser mãe solo e violência doméstica, então fiquei surpresa por me encontrar rindo em voz alta às vezes enquanto assistia. Como vocês criaram essa balança?
Molly Smith Metzler:
Não há humor nenhum no livro. Uma das primeiras coisas que Margot e eu falamos era que todos os americanos iriam parar de assistir depois do primeiro episódio se fosse sério assim. Não pode ser como uma lição, não pode parecer um brócolis. Para mim, a chave era criar essa personagem no foco e nunca deixar seu ponto de vista. Ela precisava ser engraçada, sua visão do mundo precisava ter leveza e alegria. E, sabe, ela tem 25 anos, ela sente tesão às vezes. Ela não consegue fazer as coisas que outras meninas de 25 anos fazem, Alex tem o peso do mundo inteiro em suas costas. E graças a Deus contratamos Margaret, que é engraçada sem nem tentar, traz uma alegria incrível e senso de humor para tudo.

Uma coisa que a série faz muito bem é mostrar o quão cíclico a violência pode ser.
Andy MacDowell:
Quando assisti, fiquei realmente admirada com a abordagem da violência emocional, como foi delicado e como estamos quase acostumadas a ser tratadas de um certo jeito como mulheres. Alex sente que não é o bastante ter algo jogado nela porque ela não ficou machucada. Eu pensei que foi tão bem-feito porque você pode ver o quanto ela está em perigo, mas não tem nada para se basear, não tem provas.

Raça não é trazida de forma explícita na série, mas vocês conversaram sobre as dinâmicas de poder entre Alex e Regina?
Margaret Qualley:
Apesar do fato de Alex ser superinteligente, trabalhar muito e merecer tudo o que ela termina ganhando em termos de esperança no final, penso que ela é incrivelmente sortuda de sair dessas circunstâncias e muitas pessoas não são. É tão parte da história que é impossível ignorar o fato de que ela é branca, uma pessoa estereotipicamente atraente e que essas duas coisas provavelmente a ajudam.
Anika Noni Rose: Para aprofundar isso, eu duvido que essa história seria contada se fosse um livro sobre uma mulher negra ou latina. Porque talvez não seria tão surpreendente. O que é muito interessante é quando me perguntam: “O que você está fazendo atualmente?” E eu conto: “Oh, fiz uma série chamada Maid (criada, em inglês).” “Oh, você é uma empregada?” “Não.” As pessoas automaticamente pensam que eu sou a pessoa interpretando a empregada e isso fala muito sobre a estrutura do nosso entretenimento e de nossas vidas.

Foi interessante poder habitar esse outro espaço porque negros também possuem muito dinheiro, trabalham muito e estão em posições de privilégio. Agora, esse privilégio pode mudar no momento de uma parada no trânsito… Mas é uma coisa maravilhosa explorar essa jovem mulher branca trabalhando para essa mulher negra que vive nesse espaço e, no final, é a mulher negra que salva a branca dizendo: “Eu vejo você. Vejo o quanto está trabalhando e posso te ajudar.”

Margot, o que você aprendeu sendo produtora desse projeto?
Margot Robbie:
Lembro de ver as reações das pessoas depois dos dois primeiros episódios, porque é uma história difícil e, como produtora, você começa a pensar: “As pessoas vão querer assistir isso?” Mas ver o quanto as afetou foi uma grande indicação de que estávamos tocando em algo que podia ressoar universalmente e ser um possível início de conversa. A verdade é que milhões de pessoas estão na situação da Alex.

Margaret e Andie, essa é a primeira vez que vocês estão trabalhando juntas – além de interpretarem mãe e filha.
Margaret Qualley:
Foi tão legal. Também é a maior trapaça do mundo. O conceito de permissão era tão crucial para mim. Quando estou entrando em um lugar e a minha mãe é minha mãe, tenho permissão para fazer qualquer coisa. Certas coisas são construídas em resposta automática que todos possuem com suas mães e vai de – desculpa, mãe – revirar os olhos para algumas coisa até se emocionar. Há uma cena que é uma das minhas favoritas da série e acontece por volta do final, onde estamos sentadas em um restaurante mexicano juntas e Paula diz para Alex que está orgulhosa dela. Era o final das filmagens e realmente pareceu que minha mãe estava dizendo que ela estava orgulhosa de mim. É uma das coisas que faz você dirigir para casa pensando: “A vida é legal, tenho muita sorte.” Mãe, você pode falar sobre como foi terrível e trabalhoso.
Andie MacDowell: Não, era realmente sua percepção que eu queria ouvir, porque não tivemos a chance de falar sobre isso. Também pensei sobre como tive que fazer coisas muito ruins com você. Não sei como teria sido com outra atriz, mas realmente não fiquei com medo de ser horrível com você.
Margaret Qualley: Eu acho que fui maldosa com você! Na realidade, a cena em que estou gritando com a minha mãe, não consigo imaginar… Sempre fico surpreendida com o jeito que as crianças são escritas nas séries e filmes porque sempre penso: “As pessoas falam assim? É permitido?”
Andie MacDowell: Eu assisti o tanto que ela se dedicou e realmente fiquei agradecida de poder estar a ajudando porque as horas foram muito longas e muito difíceis. Eu cozinhava para ela aos domingos. Eu tinha dois propósitos: era sua parceira de atuação e sua mãe aos domingos. [Para Margaret] foi difícil assistir você trabalhar tanto, realmente foi… Aprendi muito porque minha filha era a atriz principal.

Fonte | Tradução & Adaptação: Equipe Margot Robbie Brasil

Margaret Qualley é a estrela do seriado Maid, que estreou na última sexta-feira (01) na Netflix e é produzido pela LuckyChap Entertainment, empresa fundada por Margot Robbie e seus amigos. A série já é um sucesso na plataforma e para ajudar na divulgação, Margot exerceu o papel de jornalista por um dia para entrevistar Margaret para a revista Porter. Confira a tradução abaixo:

Pouco tempo depois de começarem a ligação no Zoom, Margot Robbie e Margaret Qualley estão trocando dicas de viagem com entusiasmo; Qualley está atualmente no set de filmagem no Panamá, onde Robbie filmou O Esquadrão Suicida. Elas estão há dez minutos discutindo sobre as melhores cafeterias e bares de rum da cidade quando Robbie – no papel de “entrevistadora profissional” – habilmente coloca a conversa de volta nos trilhos.

O tópico oficial da ligação de hoje é o novo drama da Netflix, Maid. Se Qualley ainda não era um nome poderoso na indústria (apesar de seu papel em Era Uma Vez em… Hollywood, ao lado de Robbie, e uma indicação ao Emmy por seu papel na minissérie da Fox, Fosse/Verdon), então sua interpretação deslumbrante como a protagonista de Maid irá mudar isso. Ela interpreta Alex, uma jovem mãe navegando por um relacionamento abusivo e o pesadelo do programa de bem-estar social dos Estados Unidos, enquanto luta para sobreviver limpando casas. Se isso soa pesado, é porque é – mas também há momentos hilários de dar risadas altas.

Adaptada de uma biografia best-seller de Stephanie Land, a produção de Maid foi um assunto de família. Uma das histórias mais interessantes da série é o relacionamento tumultuoso entre Alex e sua mãe, Paula, uma artista que é interpretada pela verdadeira mãe de Qualley, Andie MacDowell. Além disso, é produzida pela LuckyChap Entertainment, empresa fundada por Robbie e seu marido Tom Ackerley, que também está por trás de filmes que ganharam o Oscar como Bela Vingança e Eu, Tonya.

Desde as instituições que moldaram suas carreiras até levar seus talentos para atrás das câmeras (Qualley recentemente conseguiu seu primeiro crédito como produtora na biografia Fred & Ginger, a qual ela estrelará ao lado de Jamie Bell), as duas poderosas de Hollywood tem muito o que discutir – principalmente a admiração mútua pela mãe de Qualley…

Margot Robbie: Oi, querida! Estou tão feliz de falar com você hoje porque posso fazer todas essas perguntas que nunca tive a chance.
Margaret Qualley: Eu estava conversando com o meu pai pela manhã e ele perguntou como estava o meu dia. Eu disse: ”Tenho uma entrevista com a Margot Robbie”, e ele ficou tipo: ”Margot Robbie? A Margot Robbie de Era Uma Vez em… Hollywood? Ela está entrevistando você?” E eu disse: ”Sim, é estranho, eu sei. Deveria ser ao contrário.” [Risos] Estou muito animada.
MR: Eu sei que já disse isso para você antes, mas lembro quando vi Era Uma Vez em… Hollywood completo pela primeira vez em Cannes. Para mim, você roubou o show. Obviamente não tivemos nenhuma cena juntas e eu fiquei pensando: ”Preciso trabalhar com essa atriz de alguma forma.” Sua mãe também estava em Cannes – eu a vi no aeroporto e disse: ”Meu Deus, é a Andie MacDowell” e depois pensei: ”Puta merda, é a mãe da Margaret!” Eu não ia dizer nada, mas então pensei que qualquer mãe iria gostar de ouvir como estava me sentindo na hora. Então eu fui até ela e contei.
MQ: Eu sei disso porque minha mãe me ligou depois e falou: ”Margot Robbie é a pessoa mais bonita que já vi na vida!”
MR: Novitiate foi realmente a performance que solidificou você como uma das minhas atrizes favoritas. Você estava interpretando uma freira e achei tão incrível. Depois a assisti em Era Uma Vez em… Hollywood, onde você interpretou essa hippie promíscua. Em Maid, você interpreta uma mãe solo que está sem onde morar e faxinando casas para sobreviver. Essa versatilidade é algo que você buscou conscientemente para sua carreira?
MQ: É sobre aquele sentimento no estômago, sabe? Nós temos o mesmo agente, o Chris, e ele sabe o quanto te idolatro! Quando estou pensando sobre um papel, ele fala sobre como você diz: ”Oh, essa não sou eu.” Eu acho isso muito bonito – esse sentimento de intuição e conhecimento se algo é certo ou não para você que vem de dentro. Já cometi erros, mas ao mesmo tempo, esses erros não foram tão ruins porque acabei aprendendo muito.
MR: Acho que o sexto sentido mais subestimado e negligenciado que os humanos possuem é nosso instinto. Demorou muito para confiar no meu, e não somente na atuação – na vida, em geral.
MQ: Sim, sinto que a ligação dessas vozes eram mais altas quando eu era criança. Agora que sou adulta, estou constantemente trabalhando em tentar aumentar o volume.
MR: Já aconteceu de as pessoas te associarem com uma palavra e você pensar que não era você?
MQ: Acho que é mais adjetivos que dei para mim mesma que não se alinhavam necessariamente com a minha pessoa. Tentei a ideia de ser tímida quando me mudei para Nova York aos 16 anos, mas não é minha verdadeira natureza. Eu não queria ser atriz quando era criança, eu era dançarina, mas ia ao cinema e descia correndo até a frente no final do filme e começava a dançar enquanto os créditos rolavam. Por cinco segundos, o público era forçado a me assistir dançar. Eu adorava atenção! Acho que sentia vergonha disso. A garota legal e misteriosa no canto é sempre romantizada nos filmes. Eu queria muito ser aquela garota, mas não é quem eu sou. Tipo, não sou legal! Sou muito boba. Então, é mais sobre tentar voltar a ser a versão sem filtro de mim mesma.
MR: Entendo completamente. O que em Maid fez seus instintos pensarem: ”Isso é o que eu quero fazer”?
MQ: Você não vai acreditar em mim, mas o primeiro sinal positivo foi ver a LuckyChap no email. Vou levar a sério qualquer coisa que tenha o seu nome. Então eu li o roteiro e nunca tinha lido uma personagem como a Alex na minha faixa de idade. Pareceu um verdadeiro desafio ser convincente como mãe. Também li o livro e fiquei muito comovida com a causa da Stephanie Land.
MR: O filme é incrível e parte da razão pela qual queríamos fazer esse projeto. É importante reconhecer todas as falhas no sistema de bem-estar social e como existe para não ajudar as pessoas a saírem disso, mas ainda assim dar esperança. Molly Smith Metzler [showrunner] trouxe o elemento da comédia e a leveza desde o começo.
MQ: Esses momentos são sempre os mais engraçados. Quando você está caindo de cara, você precisa rir para superar.
MR: A série depende completamente do relacionamento entre mãe e filha. Eu amo o papel da sua mãe na série, é um papel tão confuso, complicado, hilário e substancial. Nunca vou me esquecer de quando você ligou e disse: ”Nunca atuei com a minha mãe antes, sinto que chegou a hora.”
MQ: Sempre quis trabalhar com a minha mãe, só não pensei que seria tão cedo na minha carreira. Ao mesmo tempo, sinto que a pandemia realmente mostrou em primeiro plano como a família é importante para tantas pessoas – e sou uma delas. Mas esse elemento também é uma observação, porque minha mãe é tão incrivelmente talentosa e ter a oportunidade de trabalhar com ela é uma honra.
MR: É um momento adorável. Podemos, por favor, falar sobre a Rylea [Nevaeh Whittet, que interpreta a filha de Alex, Maddy, em Maid] por um segundo? Porque ela é tão incrível e o relacionamento nas telas é o coração de toda a série.
MQ: Nós ficávamos juntas o tempo todo. Há muitas pessoas em um set; tudo é muito novo e todos estão usando máscaras. É um ambiente estranho para uma criança de quatro anos. Em vez de ficar passando ela para a mãe, eu era sua pessoa no set – carregava ela o dia inteiro e tinha giz de cera na minha mochila, e lanchinhos veganos porque ela é vegana. Ficávamos juntas todos os domingos e, antes de algumas cenas, eu fazia café da manhã para ela. Minhas panquecas veganas eram horrível, mas ela comia assim mesmo porque ela é um doce!
MR: Minha parte favorita assistindo as gravações era ver os momentos antes da ação e depois do corta. Você estava fazendo algo incrivelmente doce e estratégico para ter certeza de que ela estaria afivelada no carro pela vigésima vez. Eu estava admirada! Mas você está atualmente no Panamá filmando Stars at Noon – me conta o que mais está acontecendo na sua vida no momento.
MQ: Bom, eu me mudei para Nova York quando tinha 16 anos e só tinha um colchão no chão e um abajur da Ikea. Senti que depois de 10 anos fazendo isso, talvez não era mais tão legal, então finalmente me forcei a ser doméstica pela primeira vez. Essa foi minha pequena conquista recente!
MR: Eu realmente gosto dessa pergunta: o que você sabe agora que gostaria de ter sabido quando começou?
MQ:Realmente sinto que sei menos a cada dia. Tenho mais perguntas e menos respostas quanto mais o tempo passa. Com a atuação, tudo tem sido um ajuste de contas com o fato de que não tenho um controle verdadeiro. É um pequeno exemplo do jeito que tudo funciona na vida. Vinda de um passado com o ballet, há um jeito certo e um jeito errado de fazer as coisas; uma quantidade certa de trabalho te levará até um certo lugar. Mas com a atuação não é assim. Quanto mais você tentar, pode ser pior para você. E quanto mais você tentar forçar algo que não deveria acontecer, o mais impossível isso tudo se torna. Acertar as contas com o fato de que não tenho controle é uma grande coisa na minha vida, em geral. Eu tenho insônia e me forçar a dormir não é um jeito de adormecer, sabe… mas eu não tenho nenhuma resposta. Margot, talvez você deveria me dar respostas!
MR: [Risos] Eu também não sei. Estou descobrindo conforme vou.

Fonte | Tradução & Adaptação: Equipe Margot Robbie Brasil

Margot Robbie é capa e recheio da revista australiana The New York Times Style! A atriz conversa sobre sua abordagem de trabalho, seus projetos na LuckyChap e mais. Confira uma prévia da entrevista liberada pela revista:

Em uma chamada de vídeo de sua casa em Los Angeles, Margot Robbie está falando sobre os filmes de sua produtora: Bela Vingança (2020) e Eu, Tonya (2017). Então, ela pausa e se mexe para levantar-se. ”Vou só fechar a porta porque meu marido está fazendo muito barulho”, ela diz. Esse seria o britânico Thomas Ackerley, diretor-assistente e agora produtor, quem ela conheceu no set de Suíte Francesa (2014).

Essa é a vida de uma estrela de Hollywood nessa época de pandemia. Há roteiros e orçamentos para aprovar, além de chamadas no Zoom e uma turnê de divulgação no sofá para seu próximo filme, O Esquadrão Suicida, enquanto seu marido faz barulho no cômodo ao lado. Com a COVID-19 adiando estreias em 2020, a atriz australiana irá aparecer em vários filmes esse ano, cada um exigindo publicidade. E no meio de tudo, a produtora que ela comanda com Ackerley e alguns amigos, LuckyChap Entertainment, está administrando o lançamento de duas séries de TV: Maid, da Netflix, inspirada em uma biografia com o mesmo nome, e a segunda temporada de Dollface, uma história sobre se reconectar com amizades antigas.

Embora Robbie tenha atraído aclamação para seus trabalhos como produtora durante os últimos quatro anos, ela ainda é mais conhecida por seus papéis como atriz, onde rouba a cena de Leonardo DiCaprio em O Lobo de Wall Street (2013), assume o papel titular em Eu, Tonya e entrega performances excelentes como a deliciosamente depravada Harley Quinn nos filmes de Esquadrão Suicida. Quando discutimos sua abordagem à arte, Robbie é equilibrada e animada. ”Você precisa se comprometer”, ela diz. ”Não pode fazer nada meia-boca. Esse é meu lema quando estou no set. Você precisa se comprometer 120 por cento – qualquer coisa menos que isso acaba parecendo estúpido.”

Como atriz, ela é famosa por sua versatilidade, mas a amplitude dos papéis às vezes é difícil de lidar? Ela confessa que nem sempre é fácil: ”Cada personagem que interpreto requer algo diferente. Algumas sinto que posso entrar na pele um pouco mais fácil do que outras.” Entre as mais difíceis, Robbie aponta para a falecida Sharon Tate, quem interpretou em Era Uma Vez em… Hollywood (2019) de Quentin Tarantino. ”Sharon Tate não foi uma personagem onde senti que estava pronta e que seria fácil”, diz Robbie. ”Era mais sobre o que ela simbolizava: todas as coisas boas do mundo. Leveza e luz foram as coisas com que mais trabalhei: como me sentir leve, como exalar luz. Como você interpreta alguém se o jeito com que ela precisa ser interpretada é com pureza, inocência e charme?”

Papéis mais barulhentos e ásperos são mais fáceis, ela diz. ”Eu prefiro gritar, chorar, berrar. Alguém fez algo ruim para você e você está com raiva – posso chegar nesse ponto bem mais rápido.”

Robbie sente falta de casa, estando longe da Austrália por mais tempo do que planejava. ”Está chegando em dois anos”, ela diz. ”Houve a pandemia e antes disso eu estava fazendo um ou dois filmes. Estou com muita saudade de casa.” A atriz de 31 anos é de Gold Coast, onde ela foi criada por sua mãe, Sarie Kessler, uma psicoterapeuta. Respondendo sobre as origens de sua conexão visceral com o cinema, Robbie diz: ”Eu não sei como explicar. Minha mãe me pergunta o tempo todo: “O que é isso? De onde surgiu? Não veio da nossa família!” E sua ambição, de onde vem? ”Eu não sei. Não sei!” Robbie protesta. ”Queria que tivesse uma história legal.”

Ela se lembra de assistir vídeos e DVDs na sala de sua casa suburbana. ”Eu assisti Clube da Luta quando provavelmente era nova demais para assistir Clube da Luta”, ela diz sobre a ardente desconstrução da masculinidade tóxica no filme de David Fincher estrelando Brad Pitt. ”Eu não parei de pensar nisso por dias e dias depois.” Ela reconhece que isso pode ter estimulado sua preferência por filmes provocantes.

Robbie era estudante do colégio Somerset no interior de Gold Coast e foi escalada para filmes independentes locais quando ainda estava na escola. Aos 17 anos, ela se mudou para Melbourne e brevemente trabalhou em uma série de televisão infantil, The Elephant Princess, ao lado de um desconhecido Liam Hemsworth. Então, ela conseguiu um papel em Neighbours. Era pequeno no começo, uma estudante do ensino médio (seu nome aparecia no final dos créditos finais, antes dos treinadores de animais), mas ela rapidamente subiu na escala e ficou na série por dois anos e meio. Enquanto isso, ela estava amolando suas habilidades e trabalhando com um fonoaudiólogo para aperfeiçoar seu sotaque americano.

Ao deixar a novela em 2010, Robbie se mudou para os Estados Unidos, chegando a tempo para a temporada de pilotos. Lá, ela imediatamente conseguiu um papel em uma série de TV – muito falada na época – sobre comissárias de bordo trabalhando para a Pan American nos anos 60. Pan Am foi cancelada após uma temporada, mas foi o bastante para dar para Robbie sua grande oportunidade. Isso seria um filme de Martin Scorsese sobre um golpista ostentoso de Wall Street, interpretado por um exagerado DiCaprio. Robbie, com e sem roupas, se iguala a ele cena por cena enquanto faz um sotaque estrondoso do Brooklyn. Como ela conseguiu fazer essa performance sensacional? Novamente, ela aponta para o comprometimento. ”Eu sou intensa”, ela diz. ”Tenho que pensar grande para conseguir fazer.” Desde então, Robbie considerou suas possibilidades e gradualmente escolheu papéis mais difíceis, interpretando uma inteligente golpista ao lado de Will Smith no filme Golpe Duplo (2015) e a Rainha Elizabeth I em Duas Rainhas (2018) com Saoirse Ronan.

Nem todo filme foi um hit. O produtor Jerry Weintraub escolheu Robbie para interpretar Jane Clayton em seu último filme, o tão sonhado reboot de Tarzan, com Alexander Skarsgård. Lançado em 2016, A Lenda de Tarzan não foi exatamente um fracasso, mas não encontrou público para justificar seu grande orçamento.

Em 2019, seu melhor ano até agora, Robbie estrelou Era Uma Vez em… Hollywood com DiCaprio e Pitt e o filme se tornou um dos mais elogiados no ano. Meses depois, ela interpretou uma confusa produtora ao lado de Charlize Theron e Nicole Kidman em O Escândalo, um filme sobre os casos de assédio sexual na Fox News que te deixa sem piscar. Por esse, Robbie recebeu sua segunda indicação ao Oscar, na categoria Melhor Atriz Coadjuvante.

Robbie é conhecida por seu talento e beleza (o último rendendo para ela várias campanhas publicitárias lucrativas), mas enquanto ninguém estava olhando, ela também se tornou uma séria jogadora na indústria de produções de Hollywood. ”Para ser honesta,” Robbie diz sobre seu trabalho com a LuckyChap, ”os projetos que nos animam são os que nos assustam – muito. Encontro isso nos papéis que procuro como atriz e nos projetos que procuramos como produtores.”

Tudo começou como uma diversão, um projeto de impulso que ela sonhou em 2014 com seu atual marido e Josey McNamara, ambos aspirantes a produtores na época, e uma amiga da Austrália, Sophia Kerr. O objetivo era colaborar com diretoras e roteiristas para contar histórias difíceis sobre mulheres. ”Eles são provocantes, são desafiadores de muitos jeitos”, Robbie diz sobre os filmes e séries da LuckyChap, os quais ela aborda com a simples pergunta: ”Como você mantém as pessoas interessadas e continua a empurrar a conversa para um local onde elas não possuem uma resposta rápida e fácil?” A ideia, ela diz, é fazer as pessoas pensarem.

Fonte | Tradução & Adaptação: Equipe Margot Robbie Brasil

Em entrevista ao The Geek of Steel, o diretor de O Esquadrão Suicida revelou qual foi o dia mais divertido no set do filme, além de falar sobre um movimento de ação peculiar performado por Margot Robbie. Confira:

É óbvio que você gosta muito de trabalhar no set, mas qual foi sua memória favorita sobre trabalhar no set de O Esquadrão Suicida?
Isso vai soar horrível, mas o dia mais divertido no set foi quando Harley Quinn estava sendo torturada! É uma cena muito simples, Joaquín Cosí está torturando Margot Robbie e tivemos o dia mais divertido no set. O trabalho de câmera é ótimo, a atuação da Margot é ótima. Aquele movimento onde ela coloca os dedos do pé em volta da chave, se inclina para trás e abre a fechadura com os pés – é Margot Robbie, ela realmente fez aquilo! É realmente ela colocando seu pé na chave e destrancando.

Aquele dia, por alguma razão, foi muito divertido, além do trabalho de câmera e tal. Acho que no meio de tantos dias que foram difíceis, esse não era tanto por ser em um lugar só e focamos em uma coisa durante o dia inteiro, isso foi menos estressante, apesar de que não me estresso mais como antigamente. Aquele dia foi divertido!

Fonte | Tradução & Adaptação: Equipe Margot Robbie Brasil