Sebastian Stan está divulgando dois novos projetos, o filme Fresh e a série Pam & Tommy, e contou com sua colega de elenco de Eu, Tonya, Margot Robbie, para entrevistá-lo na nova edição da revista L’Officiel. Leia abaixo a conversa traduzida:

Margot Robbie: Vou começar do começo, lá quando você foi concebido – não, estou brincando, nem tão longe. Nos conhecemos fisicamente durante a leitura química de Eu, Tonya, mas eu já havia visto seu vídeo de teste. Eu não sei se já contei isso para você, mas não te reconheci. Acho que você estava usando uma blusa de gola alta e talvez estava com bigode. Lembro de pensar: “Uau, esse ator é tão bom, quem é esse cara? Ele vai ser um achado.” Depois, pesquisei e disse: “Puta merda, é o cara gato de Gossip Girl e daqueles filmes da Marvel!” Desde então, sinto que você continua se transformando. Queria te perguntar sobre a transformação mais física, particularmente em Pam & Tommy e Fresh. É algo que você sente que ajuda?
Sebastian Stan: Sinto que a parte física sempre nos ajuda, não é? Porque sou uma pessoa tão autoconsciente com os meus “Sebastianismos”. Ter que se transformar em algo que não é realmente você é assustador, mas me impede de me julgar.
MR: Você quer saber de um Sebastianismo que eu notei? Você cobre metade do seu rosto quando ri. Eu amo.
SS: É, eu faço isso. É o meu emoji favorito, falando nisso.
MR: Mas entendo totalmente o que você está dizendo. Sinto que quanto menos pareço e soo comigo mesma, mais afastada do personagem estou. Dito isso, o que te motiva a fazer as escolhas que você faz? Mesmo se eu não tivesse trabalhado com você ou te conhecido, sei que seria sua fã por causa dos personagens arriscados que você interpreta e por trabalhar tanto com diretores de primeira ou segunda viagem.
Esse trabalho toma muito de você, então acho que é sobre encontrar algo que você possa realmente mergulhar de cabeça para justificar os sacrifícios que você faz. É engraçado, mas muitas das respostas para essas perguntas voltam para Eu, Tonya. Aquela experiência honestamente me levou para outro nível. Entre você, o diretor [Craig Gillespie], o ótimo roteiro e a equipe incrível – foi a primeira experiência que tive em que vi o cinema como uma máquina. Trabalhar com você foi como um raio para mim porque percebi que sou melhor atuando com mulheres fortes. Trabalhei com Jessica Chastain, Julianne Moore e Lily James, e sinto que esse é meu lugar.
MR:Parece apenas uma coisa legal de dizer, mas eu sou apenas tão boa quanto os atores com quem trabalho. Quando fizemos as leituras de química para Eu, Tonya, tentei não esperar demais de alguém em particular, mas com você, pensei um minuto depois: “É ele!” Você fez leituras de química para Pam & Tommy ou para Fresh? Ou você apenas teve sorte e teve ótima química com as duas colegas de elenco?
SS: Não fiz. O roteiro de Fresh tinha umas sequências de dança ridículas, então eu enviei para a diretora Mimi Cave um vídeo meu na cozinha – peguei essa faca de carne enorme e comecei a dançar uma música dos anos 80. Então, ela assistiu e acho que foi o bastante. Daisy Edgar-Jones foi contratada e eu sabia, vendo o trabalho dela, que ela seria alguém que iria ancorar esse projeto e levá-lo para a direção certa. Eu não havia conhecido Lily James antes de Pam & Tommy, até que Craig nos chamou na casa dele e disse: “E aí, pessoal? Deveríamos ensaiar?”
MR: Fresh é tão bom. Na verdade, estou um pouco feliz que estamos fazendo isso pelo Zoom porque estaria verdadeiramente com medo de ficar no mesmo lugar que você agora. Perdi a cabeça completamente assistindo ao filme, é tão brilhante e tão fodido.
SS: Tivemos muita sorte que todos estavam tão abertos ao que Daisy e eu queríamos fazer, não queríamos cair em nada enigmático. Começa como uma comédia romântica e você deve enxergar que há um potencial entre os dois personagens principais, mas a verdade é que esse cara é obcecado por ela. Aquela cena em que a personagem da Daisy acorda amarrada na cama dele e percebe o que está acontecendo, tudo muda. Você a vê indo de: “Espera, isso está acontecendo?” para “Meu Deus, está acontecendo.” Ela mantém o filme no chão desde então. Nós fomos criados com essa narrativa de você vai conhecer alguém que irá se abrir e te entender instantaneamente, e então vocês ficarão juntos pelo resto da vida. O filme faz um pequeno comentário sobre isso, como você se apaixona por alguém porque está faminto por uma conexão verdadeira, mas essa pessoa é realmente quem diz ser? Talvez precisemos dar um passo para trás e pensar: “Ok, estou sentindo algo intenso, mas me deixe entender antes de…”
MR: Antes que ele me corte em pedaços e venda meus joelhos? Eu não sei com qual frequência tenho esse pensamento. Brincadeiras à parte, o filme fala sobre esses pensamentos de um jeito tão inteligente. Tipo, sim, eu totalmente faço isso. Eu coloco as chaves entre os dedos quando estou andando até meu carro. Mudando o assunto para Pam & Tommy, a transformação física foi insana. Como vocês conseguiram acertar tanto?
SS: Tínhamos uma equipe de cabelo e maquiagem incrível. Lily ficava no trailer de maquiagem por três horas e meia todas as manhãs e eu tinha que retocar as tatuagens a cada três dias. Eu ainda tive que perder peso…
MR: Eu ia perguntar se você ficou com fome nesse trabalho.
SS: Muita fome. Teve que ser rápido, foi uma grande coisa. Antes de começarmos a filmar, eu fui para o Canadá para Fresh, e nos fins de semana, eu acordava às cinco da manhã, corria oito quilômetros, e depois começava a tocar bateria. Assim que voltei para Los Angeles e comecei a me preparar completamente para Pam & Tommy, senti que precisava das tatuagens rapidamente porque só estava me vendo. Em um momento, Lily e eu estávamos ambos entrando em pânico – você entende isso, não é? Ficamos assistindo clipes no Youtube, ouvindo as mesmas entrevistas repetidamente. Não queríamos que isso se tornasse uma imitação. Lembro de enviar para Lily uma entrevista que você havia feito para Eu, Tonya que foi o que me desbloqueou – que é libertador aceitar que você não é essa pessoa. Em vez disso, eles passam através de você, e é isso que a performance deve ser.
MR: Certo. Você precisa encontrar a essência dessa pessoa e incorporar o espírito dela da melhor forma que puder. Com Tonya Harding, eram pequenas coisas físicas que traduziam sua essência. Quando ela está falando com o sotaque, sua mandíbula está sempre travada. Então, eu pensava: “Por que a mandíbula das pessoas está sempre travada assim? Estão com raiva? Estão reprimindo algo? Se estou usando patins, meus pés estão pesado. Meus pés estão sempre pesados? Eu sinto que a vida está me afundando?” Depois, de repente, você vai experimentar roupas e alguém vai sugerir outra coisa, e você vai dizer: “Não, ela não usaria isso.” Então, você finalmente vai pensar: “Eu a conheço agora. Entendi.” Houve algum momento assim com Tommy Lee, em que tudo se encaixou e você o entendeu?
SS: Sim. É uma das coisas que não exploramos na série, mas descobri enquanto lia o livro dele que seus pais não se falavam. A mãe dele era da Grécia e o pai tinha um passado militar. Eles se conheceram na Grécia e se casaram depois de quatro dias – basicamente da mesma forma que Tommy se casou com a Pamela – e trouxe ela para a América. Durante os anos de formação do Tommy, os pais dele se comunicavam através de fotos porque a mãe dele não sabia falar inglês. Quando ele se metia em encrenca quando criança, eles o mandavam para o quarto e não diziam o que tinha acontecido. Acho que por isso ele não gostava de silêncio. Então, ele encontrou um jeito de canalizar essa energia batucando em coisas – potes e tampas – antes de ir para a bateria. Uma vez que entendi essa necessidade de conexão e de ser ouvido, meio que entendi de onde essa energia vem. Se ele entrasse em um lugar, você saberia que ele estava entrando.
MR: Existe algum gênero que você ainda não fez e quer fazer?
SS: Eu realmente preciso fazer uma comédia. [Risos.]
MR: Você quer fazer uma comédia romântica? Eu estava falando isso para um diretor outro dia, eu quero fazer uma comédia romântica diretamente dos anos 90.
SS: São as melhores! Um Lugar Chamado Notting Hill? Harry e Sally? Esses filmes não ficam velhos para mim.
MR: Última pergunta: qual filme você assistiu mais do que qualquer outro na vida?
SS: Acho que Boogie Nights. Posso assistir em qualquer momento, não importa.
MR: Boogie Nights é a resposta descolada. Você tem que me dar a resposta vergonhosa agora.
SS: A resposta vergonhosa! Sinceramente, deve ser Um Lugar Chamado Notting Hill. Já vi esse filme tantas vezes. Se está disponível no avião, vou ter que assistir. Esse está no topo da lista.

Fonte | Tradução & Adaptação: Equipe Margot Robbie Brasil

Margot Robbie passou o último ano focando nas produções da LuckyChap Entertainment, sua produtora junto com o marido e amigos, e durante o desfile da Chanel em Paris, a atriz revelou que quer trabalhar com as embaixadoras da grife nos próximos filmes e séries da LC. Além de Margaret Qualley em Maid, a atriz Keira Knightley está em outra produção da LuckyChap; ambas são embaixadoras da Chanel. Confira mais da entrevista:

A abundância de talento entre amigos da grife era só o que Margot Robbie precisava – especialmente agora que ela está passando mais tempo em sua produtora, a LuckyChap Entertainment, cofundada com o marido Tom Ackerley e o amigo Josey McNamara.

“Eu estou aqui realmente só para tentar incorporar a família Chanel nos trabalhos de produção que estamos fazendo”, ela brincou, apontando o papel principal de Margaret Qualley na série de sucesso da Netflix, Maid, e um novo projeto com Keira Knightley que está sendo filmado em Boston.

Essa é uma das muitas coisas que a atriz e produtora agora tem tempo de fazer, desde que desativou suas contas nas redes sociais no ano passado. Mas “você sempre encontra algo para se distrair e procrastinar”, ela revelou. No caso dela, “meu tempo livre é sempre ditado por comida, mas fomos nas lojas de mobília”, ela disse, confessando que ficou de olho em armários de cozinha vintage.

A conversa pulou de mobília para a Casa dos Sonhos da Barbie que ela tinha quando criança, graças ao seu próximo projeto, um live-action sobre as aventuras da famosa boneca, estrelando a atriz indicada ao Oscar no papel titular.

“Eu ia para a casa da minha prima brincar com as bonecas, mas aquela casa… O jeito que dobrava, as dimensões um pouco irreais, a mobília – era tão divertido”, ela disse, se arrependendo de não ter guardado o brinquedo. “Era tão satisfatório”, ela suspirou.

Fonte | Tradução & Adaptação: Equipe Margot Robbie Brasil

Margot Robbie conversou com o jornal WSJ sobre a nova série produzida pela LuckyChap Entertainment que está disponível na Netflix: Maid! Ela, junto com Margaret Qualley, Andie MacDowell, Anika Noni Rose e a showrunner Molly Smith Metzler compartilharam detalhes sobre a produção. Leia:

A nova série da Netflix, Maid, começa com escuridão. Uma mulher sai escondida de sua cama o mais silenciosamente possível para não acordar seu parceiro adormecido. Ela pega sua filha pequena de sua cama, deixa o trailer em que vive e as duas entram no carro, indo para longe enquanto seu namorado bate no vidro. Os espectadores logo ficam sabendo que a mulher se chama Alex (interpretada por Margaret Qualley), a protagonista adaptada da biografia de 2019 de Stephanie Land, chamada Maid: Hard Work, Low Pay and a Mother’s Will to Survive. Mesmo tendo acabado de escapar de seu parceiro, Sean (interpretado por Nick Robinson), quem soca uma parede antes de jogar vidro nela na frente de sua filha, os desafios de Alex são apenas o começo.

Para os produtores e elenco de Maid, era importante contar a história das dificuldades de uma jovem mulher com a pobreza, o sistema de assistência social e ser mãe solo sem que a série parecesse uma lição de moral. Há momentos de leveza de rir em voz alta, mesmo quando Alex vai parar em um lar para vítimas de violência doméstica. Temos Andie MacDowell (a mãe verdadeira de Qualley) como nunca a vimos antes, interpretando a mãe excêntrica e instável de Alex que sempre prioriza os homens em sua vida em vez de sua filha e neta. Então após conseguir o único emprego que pôde encontrar, como faxineira, Alex começa a trabalhar para Regina (Anika Noni Rose), uma advogada rica que parece ingrata no começo, mas acaba sendo a maior defensora de Alex.

Aqui, Qualley, MacDowell e Rose – junto de Margot Robbie, uma das produtoras executivas de Maid através de sua empresa LuckyChap Entertainment, e Molly Smith Metzler, que escreveu, foi produtora executiva e serviu de showrunner – contam para o WSJ sobre os bastidores de Maid.

O que te atraiu para essa história? O que você achou da biografia de Stephanie?

Margot Robbie: É raro ler uma biografia que é tanto atraente emocionalmente quanto informativa. Acho que ninguém conseguiria compreender, sem estar naquela situação, o quanto a burocracia e a fita vermelha envolvendo o sistema de bem-estar social podem ser frustrantes – combinado com todos os outros problemas que Alex enfrenta. Mas saber que Stephanie se torna uma autora best-seller no final é incrivelmente esperançoso.

A série mostra experiências de pobreza, como é ser mãe solo e violência doméstica, então fiquei surpresa por me encontrar rindo em voz alta às vezes enquanto assistia. Como vocês criaram essa balança?
Molly Smith Metzler:
Não há humor nenhum no livro. Uma das primeiras coisas que Margot e eu falamos era que todos os americanos iriam parar de assistir depois do primeiro episódio se fosse sério assim. Não pode ser como uma lição, não pode parecer um brócolis. Para mim, a chave era criar essa personagem no foco e nunca deixar seu ponto de vista. Ela precisava ser engraçada, sua visão do mundo precisava ter leveza e alegria. E, sabe, ela tem 25 anos, ela sente tesão às vezes. Ela não consegue fazer as coisas que outras meninas de 25 anos fazem, Alex tem o peso do mundo inteiro em suas costas. E graças a Deus contratamos Margaret, que é engraçada sem nem tentar, traz uma alegria incrível e senso de humor para tudo.

Uma coisa que a série faz muito bem é mostrar o quão cíclico a violência pode ser.
Andy MacDowell:
Quando assisti, fiquei realmente admirada com a abordagem da violência emocional, como foi delicado e como estamos quase acostumadas a ser tratadas de um certo jeito como mulheres. Alex sente que não é o bastante ter algo jogado nela porque ela não ficou machucada. Eu pensei que foi tão bem-feito porque você pode ver o quanto ela está em perigo, mas não tem nada para se basear, não tem provas.

Raça não é trazida de forma explícita na série, mas vocês conversaram sobre as dinâmicas de poder entre Alex e Regina?
Margaret Qualley:
Apesar do fato de Alex ser superinteligente, trabalhar muito e merecer tudo o que ela termina ganhando em termos de esperança no final, penso que ela é incrivelmente sortuda de sair dessas circunstâncias e muitas pessoas não são. É tão parte da história que é impossível ignorar o fato de que ela é branca, uma pessoa estereotipicamente atraente e que essas duas coisas provavelmente a ajudam.
Anika Noni Rose: Para aprofundar isso, eu duvido que essa história seria contada se fosse um livro sobre uma mulher negra ou latina. Porque talvez não seria tão surpreendente. O que é muito interessante é quando me perguntam: “O que você está fazendo atualmente?” E eu conto: “Oh, fiz uma série chamada Maid (criada, em inglês).” “Oh, você é uma empregada?” “Não.” As pessoas automaticamente pensam que eu sou a pessoa interpretando a empregada e isso fala muito sobre a estrutura do nosso entretenimento e de nossas vidas.

Foi interessante poder habitar esse outro espaço porque negros também possuem muito dinheiro, trabalham muito e estão em posições de privilégio. Agora, esse privilégio pode mudar no momento de uma parada no trânsito… Mas é uma coisa maravilhosa explorar essa jovem mulher branca trabalhando para essa mulher negra que vive nesse espaço e, no final, é a mulher negra que salva a branca dizendo: “Eu vejo você. Vejo o quanto está trabalhando e posso te ajudar.”

Margot, o que você aprendeu sendo produtora desse projeto?
Margot Robbie:
Lembro de ver as reações das pessoas depois dos dois primeiros episódios, porque é uma história difícil e, como produtora, você começa a pensar: “As pessoas vão querer assistir isso?” Mas ver o quanto as afetou foi uma grande indicação de que estávamos tocando em algo que podia ressoar universalmente e ser um possível início de conversa. A verdade é que milhões de pessoas estão na situação da Alex.

Margaret e Andie, essa é a primeira vez que vocês estão trabalhando juntas – além de interpretarem mãe e filha.
Margaret Qualley:
Foi tão legal. Também é a maior trapaça do mundo. O conceito de permissão era tão crucial para mim. Quando estou entrando em um lugar e a minha mãe é minha mãe, tenho permissão para fazer qualquer coisa. Certas coisas são construídas em resposta automática que todos possuem com suas mães e vai de – desculpa, mãe – revirar os olhos para algumas coisa até se emocionar. Há uma cena que é uma das minhas favoritas da série e acontece por volta do final, onde estamos sentadas em um restaurante mexicano juntas e Paula diz para Alex que está orgulhosa dela. Era o final das filmagens e realmente pareceu que minha mãe estava dizendo que ela estava orgulhosa de mim. É uma das coisas que faz você dirigir para casa pensando: “A vida é legal, tenho muita sorte.” Mãe, você pode falar sobre como foi terrível e trabalhoso.
Andie MacDowell: Não, era realmente sua percepção que eu queria ouvir, porque não tivemos a chance de falar sobre isso. Também pensei sobre como tive que fazer coisas muito ruins com você. Não sei como teria sido com outra atriz, mas realmente não fiquei com medo de ser horrível com você.
Margaret Qualley: Eu acho que fui maldosa com você! Na realidade, a cena em que estou gritando com a minha mãe, não consigo imaginar… Sempre fico surpreendida com o jeito que as crianças são escritas nas séries e filmes porque sempre penso: “As pessoas falam assim? É permitido?”
Andie MacDowell: Eu assisti o tanto que ela se dedicou e realmente fiquei agradecida de poder estar a ajudando porque as horas foram muito longas e muito difíceis. Eu cozinhava para ela aos domingos. Eu tinha dois propósitos: era sua parceira de atuação e sua mãe aos domingos. [Para Margaret] foi difícil assistir você trabalhar tanto, realmente foi… Aprendi muito porque minha filha era a atriz principal.

Fonte | Tradução & Adaptação: Equipe Margot Robbie Brasil

Margaret Qualley é a estrela do seriado Maid, que estreou na última sexta-feira (01) na Netflix e é produzido pela LuckyChap Entertainment, empresa fundada por Margot Robbie e seus amigos. A série já é um sucesso na plataforma e para ajudar na divulgação, Margot exerceu o papel de jornalista por um dia para entrevistar Margaret para a revista Porter. Confira a tradução abaixo:

Pouco tempo depois de começarem a ligação no Zoom, Margot Robbie e Margaret Qualley estão trocando dicas de viagem com entusiasmo; Qualley está atualmente no set de filmagem no Panamá, onde Robbie filmou O Esquadrão Suicida. Elas estão há dez minutos discutindo sobre as melhores cafeterias e bares de rum da cidade quando Robbie – no papel de “entrevistadora profissional” – habilmente coloca a conversa de volta nos trilhos.

O tópico oficial da ligação de hoje é o novo drama da Netflix, Maid. Se Qualley ainda não era um nome poderoso na indústria (apesar de seu papel em Era Uma Vez em… Hollywood, ao lado de Robbie, e uma indicação ao Emmy por seu papel na minissérie da Fox, Fosse/Verdon), então sua interpretação deslumbrante como a protagonista de Maid irá mudar isso. Ela interpreta Alex, uma jovem mãe navegando por um relacionamento abusivo e o pesadelo do programa de bem-estar social dos Estados Unidos, enquanto luta para sobreviver limpando casas. Se isso soa pesado, é porque é – mas também há momentos hilários de dar risadas altas.

Adaptada de uma biografia best-seller de Stephanie Land, a produção de Maid foi um assunto de família. Uma das histórias mais interessantes da série é o relacionamento tumultuoso entre Alex e sua mãe, Paula, uma artista que é interpretada pela verdadeira mãe de Qualley, Andie MacDowell. Além disso, é produzida pela LuckyChap Entertainment, empresa fundada por Robbie e seu marido Tom Ackerley, que também está por trás de filmes que ganharam o Oscar como Bela Vingança e Eu, Tonya.

Desde as instituições que moldaram suas carreiras até levar seus talentos para atrás das câmeras (Qualley recentemente conseguiu seu primeiro crédito como produtora na biografia Fred & Ginger, a qual ela estrelará ao lado de Jamie Bell), as duas poderosas de Hollywood tem muito o que discutir – principalmente a admiração mútua pela mãe de Qualley…

Margot Robbie: Oi, querida! Estou tão feliz de falar com você hoje porque posso fazer todas essas perguntas que nunca tive a chance.
Margaret Qualley: Eu estava conversando com o meu pai pela manhã e ele perguntou como estava o meu dia. Eu disse: ”Tenho uma entrevista com a Margot Robbie”, e ele ficou tipo: ”Margot Robbie? A Margot Robbie de Era Uma Vez em… Hollywood? Ela está entrevistando você?” E eu disse: ”Sim, é estranho, eu sei. Deveria ser ao contrário.” [Risos] Estou muito animada.
MR: Eu sei que já disse isso para você antes, mas lembro quando vi Era Uma Vez em… Hollywood completo pela primeira vez em Cannes. Para mim, você roubou o show. Obviamente não tivemos nenhuma cena juntas e eu fiquei pensando: ”Preciso trabalhar com essa atriz de alguma forma.” Sua mãe também estava em Cannes – eu a vi no aeroporto e disse: ”Meu Deus, é a Andie MacDowell” e depois pensei: ”Puta merda, é a mãe da Margaret!” Eu não ia dizer nada, mas então pensei que qualquer mãe iria gostar de ouvir como estava me sentindo na hora. Então eu fui até ela e contei.
MQ: Eu sei disso porque minha mãe me ligou depois e falou: ”Margot Robbie é a pessoa mais bonita que já vi na vida!”
MR: Novitiate foi realmente a performance que solidificou você como uma das minhas atrizes favoritas. Você estava interpretando uma freira e achei tão incrível. Depois a assisti em Era Uma Vez em… Hollywood, onde você interpretou essa hippie promíscua. Em Maid, você interpreta uma mãe solo que está sem onde morar e faxinando casas para sobreviver. Essa versatilidade é algo que você buscou conscientemente para sua carreira?
MQ: É sobre aquele sentimento no estômago, sabe? Nós temos o mesmo agente, o Chris, e ele sabe o quanto te idolatro! Quando estou pensando sobre um papel, ele fala sobre como você diz: ”Oh, essa não sou eu.” Eu acho isso muito bonito – esse sentimento de intuição e conhecimento se algo é certo ou não para você que vem de dentro. Já cometi erros, mas ao mesmo tempo, esses erros não foram tão ruins porque acabei aprendendo muito.
MR: Acho que o sexto sentido mais subestimado e negligenciado que os humanos possuem é nosso instinto. Demorou muito para confiar no meu, e não somente na atuação – na vida, em geral.
MQ: Sim, sinto que a ligação dessas vozes eram mais altas quando eu era criança. Agora que sou adulta, estou constantemente trabalhando em tentar aumentar o volume.
MR: Já aconteceu de as pessoas te associarem com uma palavra e você pensar que não era você?
MQ: Acho que é mais adjetivos que dei para mim mesma que não se alinhavam necessariamente com a minha pessoa. Tentei a ideia de ser tímida quando me mudei para Nova York aos 16 anos, mas não é minha verdadeira natureza. Eu não queria ser atriz quando era criança, eu era dançarina, mas ia ao cinema e descia correndo até a frente no final do filme e começava a dançar enquanto os créditos rolavam. Por cinco segundos, o público era forçado a me assistir dançar. Eu adorava atenção! Acho que sentia vergonha disso. A garota legal e misteriosa no canto é sempre romantizada nos filmes. Eu queria muito ser aquela garota, mas não é quem eu sou. Tipo, não sou legal! Sou muito boba. Então, é mais sobre tentar voltar a ser a versão sem filtro de mim mesma.
MR: Entendo completamente. O que em Maid fez seus instintos pensarem: ”Isso é o que eu quero fazer”?
MQ: Você não vai acreditar em mim, mas o primeiro sinal positivo foi ver a LuckyChap no email. Vou levar a sério qualquer coisa que tenha o seu nome. Então eu li o roteiro e nunca tinha lido uma personagem como a Alex na minha faixa de idade. Pareceu um verdadeiro desafio ser convincente como mãe. Também li o livro e fiquei muito comovida com a causa da Stephanie Land.
MR: O filme é incrível e parte da razão pela qual queríamos fazer esse projeto. É importante reconhecer todas as falhas no sistema de bem-estar social e como existe para não ajudar as pessoas a saírem disso, mas ainda assim dar esperança. Molly Smith Metzler [showrunner] trouxe o elemento da comédia e a leveza desde o começo.
MQ: Esses momentos são sempre os mais engraçados. Quando você está caindo de cara, você precisa rir para superar.
MR: A série depende completamente do relacionamento entre mãe e filha. Eu amo o papel da sua mãe na série, é um papel tão confuso, complicado, hilário e substancial. Nunca vou me esquecer de quando você ligou e disse: ”Nunca atuei com a minha mãe antes, sinto que chegou a hora.”
MQ: Sempre quis trabalhar com a minha mãe, só não pensei que seria tão cedo na minha carreira. Ao mesmo tempo, sinto que a pandemia realmente mostrou em primeiro plano como a família é importante para tantas pessoas – e sou uma delas. Mas esse elemento também é uma observação, porque minha mãe é tão incrivelmente talentosa e ter a oportunidade de trabalhar com ela é uma honra.
MR: É um momento adorável. Podemos, por favor, falar sobre a Rylea [Nevaeh Whittet, que interpreta a filha de Alex, Maddy, em Maid] por um segundo? Porque ela é tão incrível e o relacionamento nas telas é o coração de toda a série.
MQ: Nós ficávamos juntas o tempo todo. Há muitas pessoas em um set; tudo é muito novo e todos estão usando máscaras. É um ambiente estranho para uma criança de quatro anos. Em vez de ficar passando ela para a mãe, eu era sua pessoa no set – carregava ela o dia inteiro e tinha giz de cera na minha mochila, e lanchinhos veganos porque ela é vegana. Ficávamos juntas todos os domingos e, antes de algumas cenas, eu fazia café da manhã para ela. Minhas panquecas veganas eram horrível, mas ela comia assim mesmo porque ela é um doce!
MR: Minha parte favorita assistindo as gravações era ver os momentos antes da ação e depois do corta. Você estava fazendo algo incrivelmente doce e estratégico para ter certeza de que ela estaria afivelada no carro pela vigésima vez. Eu estava admirada! Mas você está atualmente no Panamá filmando Stars at Noon – me conta o que mais está acontecendo na sua vida no momento.
MQ: Bom, eu me mudei para Nova York quando tinha 16 anos e só tinha um colchão no chão e um abajur da Ikea. Senti que depois de 10 anos fazendo isso, talvez não era mais tão legal, então finalmente me forcei a ser doméstica pela primeira vez. Essa foi minha pequena conquista recente!
MR: Eu realmente gosto dessa pergunta: o que você sabe agora que gostaria de ter sabido quando começou?
MQ:Realmente sinto que sei menos a cada dia. Tenho mais perguntas e menos respostas quanto mais o tempo passa. Com a atuação, tudo tem sido um ajuste de contas com o fato de que não tenho um controle verdadeiro. É um pequeno exemplo do jeito que tudo funciona na vida. Vinda de um passado com o ballet, há um jeito certo e um jeito errado de fazer as coisas; uma quantidade certa de trabalho te levará até um certo lugar. Mas com a atuação não é assim. Quanto mais você tentar, pode ser pior para você. E quanto mais você tentar forçar algo que não deveria acontecer, o mais impossível isso tudo se torna. Acertar as contas com o fato de que não tenho controle é uma grande coisa na minha vida, em geral. Eu tenho insônia e me forçar a dormir não é um jeito de adormecer, sabe… mas eu não tenho nenhuma resposta. Margot, talvez você deveria me dar respostas!
MR: [Risos] Eu também não sei. Estou descobrindo conforme vou.

Fonte | Tradução & Adaptação: Equipe Margot Robbie Brasil